sexta-feira, 27 de abril de 2012
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A verdade acerca dos absolutos divinos é um milagre que nem o dinheiro ou a epistemologia compram – É um mistério que, com o auxílio da dúvida e da fé, não só permite um entendimento evolutivo, mas com freqüência nos providência alcançá-lo em partes. Qualquer coisa além disso é tirania.
Claro, buscar o conhecimento é digno mas, por que precisamos sempre de pontes para alcançar o simbólico? De qualquer forma, o teologicamente correto é o novo coreto e, diante disso, o Cristianismo vai tomando bomba de graça sem precisão.
Está claro que a esperança não é lógica – mas uma participação que o indivíduo tem no próprio mistério de Deus. Felizmente ou não, mesmo diante de divinos mistérios, alguns arriscam-se em provar como funcionam os desígnios do Altíssimo. Ai o problema começa! Não foi à toa que Willian Lane Craig tomou mais uma de Dan Dannet – Um cientista cognitivo que, particularmente, vivo tentando contestá-lo.
O pessoal da rebeldia metafísica capturou o discurso do cientista filósofo, e disponibilizou para seus leitores. Li, gostei, e decidi disponibilizar aqui no blog – Mesmo discordando de algumas idéias do Dennet, prefiro dizer que está mais lúcido que Willian Lane Craig.
Para quem deseja uma boa leitura, eis ai o discurso do Dennet:
O que o professor Craig faz, brilhantemente e com um entusiasmo magnífico, é pegar nossas intuições ordinárias, de uso cotidiano _ nossos sentimentos viscerais sobre o que é plausível, o que é contraintuitivo, o que possivelmente poderia não ser verdade _ e as usa como suporte num território onde nunca foram testadas: na cosmologia, onde a verdade, seja ela o que for, é vertiginosa e alucinante; é uma verdade implausível, contraintuitiva, de cair o queixo, de uma forma ou de outra. O falecido Philip Morrison foi quem salientou isso de maneira mais honesta espontânea: “Talvez estejamos sozinhos no Universo, talvez não exista vida inteligente em nenhum outro planeta do universo inteiro, ou talvez isto não seja verdade. Ambas as alternativas são estarrecedoras; a hipótese de que sejamos únicos é desconcertante, a possibilidade de que não sejamos também é. Então você não pode usar a vertiginosidade da resposta como seu teste decisivo. A verdade será surpreendente. E algumas de nossas verdades caseiras deverão ser descartadas. É o que já sabemos pela física quântica, é o que já sabemos por Einstein. Que alavanca epistêmica usaremos para desalojar algo que parece tão estrondosamente óbvio que somos quase automaticamente programados para usa-lo como premissa? Isso exige uma estrutura científica colossal, com argumentos matemáticos complexos a e um tipo delicioso de “conspiração” de evidências confirmatórias e finalmente as pessoas abanam a cabeça e dizem, ‘ok, por mais contraintuitivo que isto seja, teremos que aceita-lo.’” Tal é a situação na mecânica quântica, como Richard Feynman, o último grande físico disse, e ele, mesmo sendo tão arrogante quanto um cientista jamais foi, admitiu: “Eu não entendo a mecânica quântica, ninguém entende a mecânica quântica, talvez ninguém seja capaz entender. Em tais circunstâncias, você simplesmente confia na teoria matemática que ainda não pode interpretar. Batalhas ferozes sobre como interpretar a mecânica quântica _ sem resultado definido. Mas, como Feynman salienta, a estrutura matemática _ que é, em certo sentido, uma ciaxa preta cujo interior desconhecemos _ ela produz resultados com uma precisão de tirar o fôlego. Sua comparação, que não sou capaz de citar com exatidão, diz algo como ser capaz de medir a distância entre São Francisco e Miami com uma margem de erro da magnitude da largura de um fio de cabelo. São previsões extraordinariamente precisas. Estes são exemplos de evidências avassaladoras que podem solapar intuições cotidianas que a maioria pensa que “não poderiam possivelmente ser falsas.” Ahhhhh, mas acabam por ser falsas! E o que o professor Craig tem nos mostrado é como os argumentos se desenvolvem e como, se você começa com um punhado de premissas bastante plausíveis a princípio _ e em cada caso ele diz ‘Veja, esta é uma premissa bastante plausível, não vejo como isto pode ser falso…’ ‘Cara, isto é uma consequência das premissas…’ e ele prossegue e prossegue e por fim conclui _ até onde pude ver, não tenho o que objetar ao desenvolvimento implacável do raciocínio sobre as premissas mas ao fim obtemos conclusões notavelmente implausíveis. Agora, oficialmente, é claro que se você termina com uma conclusão contraditória ou autocontraditória, você tem um argumento do tipo reductio ad absurdum e algo tem que ser feito. Eu não posso assinalar uma reductio formal em qualquer coisa _ ao menos, não de improviso, e havia muita coisa acontecendo naquela conversa. Mas posso assinalar algumas regiões suspeitas. Em primeiro lugar, quero abordar um dos temas que apareceram por último. Talvez eu trabalhe apenas este ponto e creio que será o suficiente. Suponhamos, a título de argumentação, que o argumento cosmológico (um dos argumentos cosmológicos que ele apresenta) seja favorável à conclusão de que a causa do universo seja um “seja lá o que for” atemporal, imutável, abstrato, imaterial. Neste ponto, não temos idéia do que possa ser. Mas o que quer que seja, é a causa do universo. Talvez seja a idéia de uma maçã. Talvez seja a raiz quadrada de 7. Mas não, Craig diz que não pode ser nada do tipo porque coisas abstratas não podem ser causa de nada. Quem disse? Quem disse que coisas abstratas não podem ser causa de outras coisas? Meu exemplo favorito de uma coisa abstrata causando outras coisas é o princípio de triangulação que, quando você deseja evitar que algo assim ocorra com sua casa (imagino que aqui Dennett tenha exibido alguma imagem ou gesticulado), você coloca sobre ela uma peça triangular e a fixa e graças à rigidez dos triângulos você cria uma estrutura sólida. Isto parece causal. É maravilhoso o efeito do acréscimo da peça extra formando um triângulo e agora temos uma figura estável. Temos aqui a geometria euclidiana, um princípio abstrato, sendo invocado de uma maneira causal. Mas vocês podem objetar: “Bem, não é realmente causalidade.” Ok, é algo como causalidade. E é claro, também já ouvimos o professor Craig dizendo que o nexo entre o Deus e a criação do universo não é realmente causal, porque não se trata de de causalidade material. Mas o que sabemos sobre causalidade imaterial? Nada. Absolutamente nada. Então estamos aqui apenas dando palpites e tentando adivinhar o que a causalidade imaterial pode ser. Nossas intuições não nos levam até esse domínio. Agora, cosmologia contemporânea é um campo fascinante que, devo confessar, revolve completamente minha cabeça e eu não apostaria minhas fichas em nada nessa área. Fico feliz que o professor Craig tenha mencionado meu colega Alex Vilenkin, um cara inteligente, e eu gostaria de ser capaz de me aprofundar em todos estes temas com os quais ele lida. Gostaria que Alex estivesse aqui para dar seu parecer. Porque sei que Alex e Alan Guth e algumas destas outras pessoas tem um bocado a dizer e, lamentavelmente, seria altamente técnico e não acredito que eu ou vocês seríamos capazes de compreendê-los. Mas antes de mais nada, eles não estariam de acordo. Cosmologia contemporânea é um emaranhado maravilhoso. E aqueles de nós que não são físicos ou matemáticos terão que espiar por entre as frinchas em busca de lampejos e migalhas de compreensão. A intrepidez com a qual o professor Craig se joga e escolhe de qual lado ficar é algo admirável. Eu não tenho sua coragem neste assunto. Mas voltemos à questão sobre esta divindade imutável. O problema com uma divindade imutável é que ela é imutável, está fora do tempo, não se incomode em orar para ela ou não espere no tempo que ele ouça suas orações e as atenda. Uma divindade imutável é uma divindade deísta, na melhor das hipóteses. E esta é a razão pela qual eu não penso que a maioria das pessoas no mundo que acredita em Deus precisa de qualquer coisa além de curiosidade passageira, ou um breve interesse, na batalha da cosmologia porque, ao final, isto não reflete uma resposta para sua curiosidade. Agora, o professor Craig alega possuir alguns argumentos que apontam para um Deus pessoal. E uma das premissas diz que existem dois tipos de causalidade, a científica (física, materialista) e a pessoal. E eu afirmo que isto é uma absoluta falsidade. Dediquei boa parte de minha vida profissional a mostrar como a causalidade pessoal pode ser reduzida à causalidade física. E nesta questão eu seria capaz de fazer uma investida devastadora e virar o jogo contra ele, mas é uma longa história. Muitíssimo obrigado!”
Vi no http://nelsoncostajr.com/2012/04/o-pecado-do-teismo-mas-um-deslize-de-willian-lane-craig/
O pecado do teísmo – Mas um deslize de Willian Lane Craig.
A verdade acerca dos absolutos divinos é um milagre que nem o dinheiro ou a epistemologia compram – É um mistério que, com o auxílio da dúvida e da fé, não só permite um entendimento evolutivo, mas com freqüência nos providência alcançá-lo em partes. Qualquer coisa além disso é tirania.
Claro, buscar o conhecimento é digno mas, por que precisamos sempre de pontes para alcançar o simbólico? De qualquer forma, o teologicamente correto é o novo coreto e, diante disso, o Cristianismo vai tomando bomba de graça sem precisão.
Está claro que a esperança não é lógica – mas uma participação que o indivíduo tem no próprio mistério de Deus. Felizmente ou não, mesmo diante de divinos mistérios, alguns arriscam-se em provar como funcionam os desígnios do Altíssimo. Ai o problema começa! Não foi à toa que Willian Lane Craig tomou mais uma de Dan Dannet – Um cientista cognitivo que, particularmente, vivo tentando contestá-lo.
O pessoal da rebeldia metafísica capturou o discurso do cientista filósofo, e disponibilizou para seus leitores. Li, gostei, e decidi disponibilizar aqui no blog – Mesmo discordando de algumas idéias do Dennet, prefiro dizer que está mais lúcido que Willian Lane Craig.
Para quem deseja uma boa leitura, eis ai o discurso do Dennet:
O que o professor Craig faz, brilhantemente e com um entusiasmo magnífico, é pegar nossas intuições ordinárias, de uso cotidiano _ nossos sentimentos viscerais sobre o que é plausível, o que é contraintuitivo, o que possivelmente poderia não ser verdade _ e as usa como suporte num território onde nunca foram testadas: na cosmologia, onde a verdade, seja ela o que for, é vertiginosa e alucinante; é uma verdade implausível, contraintuitiva, de cair o queixo, de uma forma ou de outra. O falecido Philip Morrison foi quem salientou isso de maneira mais honesta espontânea: “Talvez estejamos sozinhos no Universo, talvez não exista vida inteligente em nenhum outro planeta do universo inteiro, ou talvez isto não seja verdade. Ambas as alternativas são estarrecedoras; a hipótese de que sejamos únicos é desconcertante, a possibilidade de que não sejamos também é. Então você não pode usar a vertiginosidade da resposta como seu teste decisivo. A verdade será surpreendente. E algumas de nossas verdades caseiras deverão ser descartadas. É o que já sabemos pela física quântica, é o que já sabemos por Einstein. Que alavanca epistêmica usaremos para desalojar algo que parece tão estrondosamente óbvio que somos quase automaticamente programados para usa-lo como premissa? Isso exige uma estrutura científica colossal, com argumentos matemáticos complexos a e um tipo delicioso de “conspiração” de evidências confirmatórias e finalmente as pessoas abanam a cabeça e dizem, ‘ok, por mais contraintuitivo que isto seja, teremos que aceita-lo.’” Tal é a situação na mecânica quântica, como Richard Feynman, o último grande físico disse, e ele, mesmo sendo tão arrogante quanto um cientista jamais foi, admitiu: “Eu não entendo a mecânica quântica, ninguém entende a mecânica quântica, talvez ninguém seja capaz entender. Em tais circunstâncias, você simplesmente confia na teoria matemática que ainda não pode interpretar. Batalhas ferozes sobre como interpretar a mecânica quântica _ sem resultado definido. Mas, como Feynman salienta, a estrutura matemática _ que é, em certo sentido, uma ciaxa preta cujo interior desconhecemos _ ela produz resultados com uma precisão de tirar o fôlego. Sua comparação, que não sou capaz de citar com exatidão, diz algo como ser capaz de medir a distância entre São Francisco e Miami com uma margem de erro da magnitude da largura de um fio de cabelo. São previsões extraordinariamente precisas. Estes são exemplos de evidências avassaladoras que podem solapar intuições cotidianas que a maioria pensa que “não poderiam possivelmente ser falsas.” Ahhhhh, mas acabam por ser falsas! E o que o professor Craig tem nos mostrado é como os argumentos se desenvolvem e como, se você começa com um punhado de premissas bastante plausíveis a princípio _ e em cada caso ele diz ‘Veja, esta é uma premissa bastante plausível, não vejo como isto pode ser falso…’ ‘Cara, isto é uma consequência das premissas…’ e ele prossegue e prossegue e por fim conclui _ até onde pude ver, não tenho o que objetar ao desenvolvimento implacável do raciocínio sobre as premissas mas ao fim obtemos conclusões notavelmente implausíveis. Agora, oficialmente, é claro que se você termina com uma conclusão contraditória ou autocontraditória, você tem um argumento do tipo reductio ad absurdum e algo tem que ser feito. Eu não posso assinalar uma reductio formal em qualquer coisa _ ao menos, não de improviso, e havia muita coisa acontecendo naquela conversa. Mas posso assinalar algumas regiões suspeitas. Em primeiro lugar, quero abordar um dos temas que apareceram por último. Talvez eu trabalhe apenas este ponto e creio que será o suficiente. Suponhamos, a título de argumentação, que o argumento cosmológico (um dos argumentos cosmológicos que ele apresenta) seja favorável à conclusão de que a causa do universo seja um “seja lá o que for” atemporal, imutável, abstrato, imaterial. Neste ponto, não temos idéia do que possa ser. Mas o que quer que seja, é a causa do universo. Talvez seja a idéia de uma maçã. Talvez seja a raiz quadrada de 7. Mas não, Craig diz que não pode ser nada do tipo porque coisas abstratas não podem ser causa de nada. Quem disse? Quem disse que coisas abstratas não podem ser causa de outras coisas? Meu exemplo favorito de uma coisa abstrata causando outras coisas é o princípio de triangulação que, quando você deseja evitar que algo assim ocorra com sua casa (imagino que aqui Dennett tenha exibido alguma imagem ou gesticulado), você coloca sobre ela uma peça triangular e a fixa e graças à rigidez dos triângulos você cria uma estrutura sólida. Isto parece causal. É maravilhoso o efeito do acréscimo da peça extra formando um triângulo e agora temos uma figura estável. Temos aqui a geometria euclidiana, um princípio abstrato, sendo invocado de uma maneira causal. Mas vocês podem objetar: “Bem, não é realmente causalidade.” Ok, é algo como causalidade. E é claro, também já ouvimos o professor Craig dizendo que o nexo entre o Deus e a criação do universo não é realmente causal, porque não se trata de de causalidade material. Mas o que sabemos sobre causalidade imaterial? Nada. Absolutamente nada. Então estamos aqui apenas dando palpites e tentando adivinhar o que a causalidade imaterial pode ser. Nossas intuições não nos levam até esse domínio. Agora, cosmologia contemporânea é um campo fascinante que, devo confessar, revolve completamente minha cabeça e eu não apostaria minhas fichas em nada nessa área. Fico feliz que o professor Craig tenha mencionado meu colega Alex Vilenkin, um cara inteligente, e eu gostaria de ser capaz de me aprofundar em todos estes temas com os quais ele lida. Gostaria que Alex estivesse aqui para dar seu parecer. Porque sei que Alex e Alan Guth e algumas destas outras pessoas tem um bocado a dizer e, lamentavelmente, seria altamente técnico e não acredito que eu ou vocês seríamos capazes de compreendê-los. Mas antes de mais nada, eles não estariam de acordo. Cosmologia contemporânea é um emaranhado maravilhoso. E aqueles de nós que não são físicos ou matemáticos terão que espiar por entre as frinchas em busca de lampejos e migalhas de compreensão. A intrepidez com a qual o professor Craig se joga e escolhe de qual lado ficar é algo admirável. Eu não tenho sua coragem neste assunto. Mas voltemos à questão sobre esta divindade imutável. O problema com uma divindade imutável é que ela é imutável, está fora do tempo, não se incomode em orar para ela ou não espere no tempo que ele ouça suas orações e as atenda. Uma divindade imutável é uma divindade deísta, na melhor das hipóteses. E esta é a razão pela qual eu não penso que a maioria das pessoas no mundo que acredita em Deus precisa de qualquer coisa além de curiosidade passageira, ou um breve interesse, na batalha da cosmologia porque, ao final, isto não reflete uma resposta para sua curiosidade. Agora, o professor Craig alega possuir alguns argumentos que apontam para um Deus pessoal. E uma das premissas diz que existem dois tipos de causalidade, a científica (física, materialista) e a pessoal. E eu afirmo que isto é uma absoluta falsidade. Dediquei boa parte de minha vida profissional a mostrar como a causalidade pessoal pode ser reduzida à causalidade física. E nesta questão eu seria capaz de fazer uma investida devastadora e virar o jogo contra ele, mas é uma longa história. Muitíssimo obrigado!”
Vi no http://nelsoncostajr.com/2012/04/o-pecado-do-teismo-mas-um-deslize-de-willian-lane-craig/
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Depois dos enxovalhos, decepções e constrangimentos, resolvi partir. Fiz consciente. Redigi um texto em que me despedia do convívio do Movimento Evangélico. Eu já não suportava o arrocho que segmentos impunham sobre mim. Tudo o que eu disse por alguns anos ficou sob suspeita. Eu precisava respirar. Sabedor de que não conseguiria satisfazer as expectativas dos guardiões do templo, pedi licença.
Depois de tantos escarros, renunciei. Notei que a instituição que me servia de referencial teológico vinha se transformando no sepulcro caiado descrito pelos Evangelhos. Restou-me dizer chega por não aguentar mais.
Eu havia expressado minha exaustão antes. O sistema religioso que me abrigou se esboroava. Notei que ele me levava junto. Falei de fadiga como denúncia. Alguns interpretaram como fraqueza. Se era fraqueza, foi proveitosa, pois despertava para uma realidade: o Movimento Evangélico vinha se transformando em cabide de oportunistas; permitindo que incompetentes, desajustados emocionais e – por que não dizer? – vigaristas, se escorassem nele.
Não há sentido em gastar os poucos dias que me sobram em remendar panos rotos. Para que continuar no mesmo arraial de pessoas que me desconsideram e que eu desconsidero? Deixei de tolerar os bons modos de moralistas (sexuais) que não se incomodam em transformar a casa de Deus em feira-livre.
Verdade, desisti. Desisti, porém, de apenas um segmento religioso. Que eu já não trato como lídimo representante do caminho do Nazareno. Larguei o esforço de recauchutar um movimento carcomido de farisaísmo.
Mas saio assustado. A fúria dos severos defensores da reta doutrina, confesso, me surpreendeu. Há alguns anos experimento o peso do rancor religioso. Nada mais perigoso do que um crente assustado; e nada que assuste mais um crente do que a transgressão da ortodoxia. Amigos me voltaram as costas. Estranhos se intrometeram em minha vida particular. Fui traído. Antigas invejas se fantasiaram de zelo pela verdade, e parceiros se transformaram em inimigos. Senti o escarro do desdém.
Embora tenha repetido, não me deram atenção. Eu nunca me atrevi solucionar os paradoxos filosóficos ou os mistérios teológicos que se arrastam há séculos. Não sou ingênuo: as Esfinges modernas, iguais às míticas, devoram o fígado de incautos que se imaginam donos da verdade.
Meu adeus foi ético. Passei a evitar a parceria de gente a quem eu jamais confiaria a carteira. Eu tinha que partir. Se critérios éticos não bastarem para definir o acampamento onde cravamos nossa tenda, há algo muito errado em nossa credibilidade. Nervoso com o carreirismo de gente que não hesita em vender a alma, preferi caminhar por outra estrada.
Rejeito a bitola que qualquer grupo - fundamentalista ou não – chancelou e recomendou. Não aceito que tradição, escola ou cânone, cerceiem a minha capacidade de arrazoar. Rechaço obediência servil. Odeio timidez intelectual. Aliás, a única chancelaria que admito é da consciência. Creio que posso ser movido pelo mesmo Espírito que inspirou, e capacitou, homens e mulheres no passado. Erros teológicos, enquanto não produzirem intolerância, ódio ou preconceito, tenho certeza, estão perdoados.
Quero reaprender a viver. Vou buscar a trilha onde menos homens e mulheres andam de dedo em riste. Anseio por fazer-me amigo de gente espirituosa, leve, risonha, que sabe desafogar a alma.
Por condescendência, alguém disse que não sou teólogo, apenas poeta. Apesar de não me achar digno de ser chamado poeta, sorri de felicidade. Que honra! Poetas não acendem fogueira. Tenho certeza que Miguel de Serveto gostaria de ver-se na companhia de trovadores.
Pretendo amar e apreciar, sem extravagância, as coisas mínimas: o tirocínio dos meninos, o desabrochar da paixão na menina em flor, a conversa de bons amigos. E no final do dia, ao rever as horas, saber celebrar a paixão de simplesmente existir.
Saio para instruir-me na adoração. Necessito transformar genuflexão em serviço. Quero descer do alto dos meus privilégios e estender a mão ao mortiço que jaz em alguma estrada poeirenta. Desisti de uma espiritualidade que se contenta em implorar favores à Divindade. Em minha partida, acalento o desejo de encarnar Deus. E assim dizer: não vivi em vão.
Soli Deo Gloria
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/estudos/porque-parti/
Porque parti
Depois dos enxovalhos, decepções e constrangimentos, resolvi partir. Fiz consciente. Redigi um texto em que me despedia do convívio do Movimento Evangélico. Eu já não suportava o arrocho que segmentos impunham sobre mim. Tudo o que eu disse por alguns anos ficou sob suspeita. Eu precisava respirar. Sabedor de que não conseguiria satisfazer as expectativas dos guardiões do templo, pedi licença.
Depois de tantos escarros, renunciei. Notei que a instituição que me servia de referencial teológico vinha se transformando no sepulcro caiado descrito pelos Evangelhos. Restou-me dizer chega por não aguentar mais.
Eu havia expressado minha exaustão antes. O sistema religioso que me abrigou se esboroava. Notei que ele me levava junto. Falei de fadiga como denúncia. Alguns interpretaram como fraqueza. Se era fraqueza, foi proveitosa, pois despertava para uma realidade: o Movimento Evangélico vinha se transformando em cabide de oportunistas; permitindo que incompetentes, desajustados emocionais e – por que não dizer? – vigaristas, se escorassem nele.
Não há sentido em gastar os poucos dias que me sobram em remendar panos rotos. Para que continuar no mesmo arraial de pessoas que me desconsideram e que eu desconsidero? Deixei de tolerar os bons modos de moralistas (sexuais) que não se incomodam em transformar a casa de Deus em feira-livre.
Verdade, desisti. Desisti, porém, de apenas um segmento religioso. Que eu já não trato como lídimo representante do caminho do Nazareno. Larguei o esforço de recauchutar um movimento carcomido de farisaísmo.
Mas saio assustado. A fúria dos severos defensores da reta doutrina, confesso, me surpreendeu. Há alguns anos experimento o peso do rancor religioso. Nada mais perigoso do que um crente assustado; e nada que assuste mais um crente do que a transgressão da ortodoxia. Amigos me voltaram as costas. Estranhos se intrometeram em minha vida particular. Fui traído. Antigas invejas se fantasiaram de zelo pela verdade, e parceiros se transformaram em inimigos. Senti o escarro do desdém.
Embora tenha repetido, não me deram atenção. Eu nunca me atrevi solucionar os paradoxos filosóficos ou os mistérios teológicos que se arrastam há séculos. Não sou ingênuo: as Esfinges modernas, iguais às míticas, devoram o fígado de incautos que se imaginam donos da verdade.
Meu adeus foi ético. Passei a evitar a parceria de gente a quem eu jamais confiaria a carteira. Eu tinha que partir. Se critérios éticos não bastarem para definir o acampamento onde cravamos nossa tenda, há algo muito errado em nossa credibilidade. Nervoso com o carreirismo de gente que não hesita em vender a alma, preferi caminhar por outra estrada.
Rejeito a bitola que qualquer grupo - fundamentalista ou não – chancelou e recomendou. Não aceito que tradição, escola ou cânone, cerceiem a minha capacidade de arrazoar. Rechaço obediência servil. Odeio timidez intelectual. Aliás, a única chancelaria que admito é da consciência. Creio que posso ser movido pelo mesmo Espírito que inspirou, e capacitou, homens e mulheres no passado. Erros teológicos, enquanto não produzirem intolerância, ódio ou preconceito, tenho certeza, estão perdoados.
Quero reaprender a viver. Vou buscar a trilha onde menos homens e mulheres andam de dedo em riste. Anseio por fazer-me amigo de gente espirituosa, leve, risonha, que sabe desafogar a alma.
Por condescendência, alguém disse que não sou teólogo, apenas poeta. Apesar de não me achar digno de ser chamado poeta, sorri de felicidade. Que honra! Poetas não acendem fogueira. Tenho certeza que Miguel de Serveto gostaria de ver-se na companhia de trovadores.
Pretendo amar e apreciar, sem extravagância, as coisas mínimas: o tirocínio dos meninos, o desabrochar da paixão na menina em flor, a conversa de bons amigos. E no final do dia, ao rever as horas, saber celebrar a paixão de simplesmente existir.
Saio para instruir-me na adoração. Necessito transformar genuflexão em serviço. Quero descer do alto dos meus privilégios e estender a mão ao mortiço que jaz em alguma estrada poeirenta. Desisti de uma espiritualidade que se contenta em implorar favores à Divindade. Em minha partida, acalento o desejo de encarnar Deus. E assim dizer: não vivi em vão.
Soli Deo Gloria
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/estudos/porque-parti/
quinta-feira, 26 de abril de 2012
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Deus Sempre Faz a “Coisa Mais Sábia”?
Roger E. Olson
Muitos (não todos) calvinistas argumentam que o livre-arbítrio libertário, ou poder de escolha contrária, é um conceito incoerente (p. e., Jonathan Edwards, Loraine Boettner, R. C. Sproul, John Frame, John Piper e outros). A razão é, eles argumentam, que ele equivale a crer em efeitos não causados. Eles argumentam que pessoas agem de acordo com seu motivo mais forte.
O que eu frequentemente me pergunto é se os calvinistas que argumentam assim creem que Deus tem poder de escolha contrária. Se Deus tem poder de escolha contrária, então não pode ser um conceito exatamente incoerente. Mas dizer que Deus NÃO tem poder de escolha contrária parece tornar Deus prisioneiro da criação. Sem poder de escolha contrária, a decisão de Deus de criar seria necessária e isso tornaria a criação menos do que graciosa e, de fato, uma parte da própria vida de Deus – não um ato livre como se Deus pudesse ter feito de outra forma.
A maneira que Jonathan Edwards tentou se esquivar disto em The Freedom of the Will foi dizer que Deus sempre faz a coisa mais sábia. Calvinistas contemporâneos que o seguem de perto concordam. Em outras palavras, de acordo com Edwards, Deus poderia ter feito outra coisa além de criar o mundo, mas ele criou o mundo porque era o “mais adequado” a fazer.
Minha pergunta é como isto contorna o problema. Para mim, parece como uma evasiva; isto é, parece tentar responder o desafio sem respondê-lo. Parece como dizer, ambos ao mesmo tempo, que Deus poderia não ter criado e que Deus não poderia não ter criado.
A pergunta é simplesmente esta: É logicamente concebível que Deus pudesse não ter criado o mundo? É concebível que Deus pudesse ter decidido contra esta ou qualquer criação?
A resposta de Edwards parece dizer sim e não ao mesmo tempo. Isto vai contra as leis da lógica, A NÃO SER que ele possa explicar como o “sim” e o “não” se referem a coisas diferentes. Mas em sua explicação, eles não se referem.
A pergunta é: Deus é prisioneiro de sua própria sabedoria (ou de qualquer coisa)? Eu anteriormente discuti aqui a questão do nominalismo/voluntarismo versus o realismo – isto é, se Deus tem uma natureza. Mas até mesmo os realistas mais estritos não creem que Deus é prisioneiro de seu caráter eterno. Antes, seu caráter eterno guia suas decisões; ele não necessariamente as governa.
SE alguém diz que Deus “sempre faz a coisa mais sábia” COM A SUPOSIÇÃO de que há sempre somente UMA “coisa mais sábia”, então como alguém não está tornando a criação necessária e, portanto, não graciosa? (Um princípio básico da teologia é que o que é por natureza não pode ser por graça. Se eu TENHO que resgatar você, não é um ato de misericórdia ou graça.)
Por que supor que há sempre somente UMA “coisa sábia” a ser feita – até mesmo para Deus? Por que não poderia ter sido sábio criar, mas também sábio não criar? Obviamente, como qualquer racionalista irá querer saber, então por que Deus criou? Isto foi simplesmente uma escolha arbitrária – como lançar dados?
Aqui eu sou tentado a devolver ao calvinista seu próprio argumento que a escolha de Deus de alguns para salvar e de outros para condenar não é arbitrária sem qualquer palpite do que poderia explicá-la. Em outras palavras, se é justo ao calvinista argumentar que a seleção divina não é baseada em algo que Deus “vê” nos eleitos ou nos condenados (que os diferencia) e todavia não é arbitrária, por que a pessoa que crê no poder de escolha contrária de Deus não poderia argumentar que a escolha de Deus para criar não é arbitrária, ainda que não possa ser dada nenhuma razão específica para ela?
Entretanto, eu prefiro argumentar que para Deus, como para nós, há momentos em que duas opções alternativas são igualmente sábias e nenhum fator controlador, determinante, interior (tal como motivo) ou de outra forma determina que opção alguém deve escolher ser correta.
Por exemplo, alguns casais enfrentam a escolha de se ou não ter um filho. Conheço casais assim. Eles lutaram com a decisão, pensaram nela longa e e dificultosamente, e eles nunca realmente chegaram a uma razão determinativa para ter ou não ter um filho. Alguns desses casais decidem ter um filho, o que é sábio, e alguns decidem não ter, o que pode também ser sábio.
Me parece que dizer “Deus sempre faz a coisa mais sábia”, com isso querendo dizer que Deus deve fazer assim e assado (p. e., criar o mundo), é o mesmo que dizer que Deus é uma máquina e que a criação e a redenção do mundo não são por graça, mas por natureza. Somente se Deus realmente poderia ter feito diferentemente do que criar é que a criação pode ser por graça somente. A graça não pode ser compelida e ainda ser graça.
A conclusão é, obviamente, que SE a criação e a redenção do mundo por Deus é verdadeiramente graciosa e não automática, então Deus deve possuir livre-arbítrio libertário ou poder de escolha contrária. E se Deus possui, ele não pode ser um conceito incoerente.
Agora, é outra coisa completamente diferente argumentar que Deus possui poder de escolha contrária, mas os humanos não possuem. Esse é um argumento diferente. A resposta natural é “Por quê?” Se Deus o possui, por que ele não poderia dá-lo aos humanos? Não parece haver nada com o poder de escolha contrária que exige deidade. Não é como a onipotência, por exemplo.
Penso que Edwards ladeou a questão e da mesma forma fazem seus seguidores que repetem seu argumento de uma forma ou de outra. Dizer “Deus sempre faz a coisa mais sábia” é ou sugerir que Deus é um autômato, sendo que nesse caso a criação e a redenção são automáticas e não graciosas, ou sugerir que Deus PODERIA fazer aquilo que é algo diferente do que “a coisa mais sábia”.
Eu rejeito a noção que “Deus sempre faz a coisa mais sábia”, não porque eu penso que Deus é algo menos do que absolutamente sábio, mas porque eu não creio que sempre há somente uma “coisa mais sábia” em toda situação de escolha entre opções. Para evitar tornar a criação e a redenção diferentes de graciosas, nós temos que supor que Deus realmente poderia ter escolhido não criar. Dizer “Deus sempre faz a coisa mais sábia” é sugerir que Deus realmente não poderia ter feito de outra forma.
Dessa forma, o argumento calvinista de que o livre-arbítrio libertário, poder de escolha contrária, é um conceito incoerente cai sobre sua própria espada, A NÃO SER QUE o calvinista esteja disposto a tornar Deus prisioneiro de sua sabedoria, isto é, de sua natureza, de tal forma que a criação e a redenção não são graciosas.
Tradução: Paulo Cesar Antunes
quinta-feira, 19 de abril de 2012
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Religião, culpa e outras coisas
Transgredir normas e regras
é a verdadeira expressão da liberdade
e somente os fortes
são capazes desta ousadia.
Mirilena Chaui, em Convite a filosofia.
Não acredito em instituições, mas, sobretudo, creio piamente naquilo que Deus institui. Ora, para o Nazareno, a Igreja nunca esteve limitada a algum tipo de espaço geográfico, porém, onde estivesse dois ou três em nome dele, ali ele estaria também. E esse ali, não se resume neste ou naquele monte, nem neste ou naquela catedral especifica, pois, o que Deus institui, ele estabelece na alma, no coração, simplesmente por que o seu Reino não vem com visível aparência. Unicamente por que o seu Império não é comida e nem bebida.
A deficiência das instituições é simplesmente por que elas são instituições, e sendo assim, todas elas ambicionam petrificar algo que deveria fluir como um rio. O Novo Testamento não nos dá base para criar algo permanente no âmbito exterior da nossa existência, pois tudo passa por um processo de mudança nesse mundo, e nesse procedimento, o Espírito trabalha como uma força criativa e dinâmica de vida, diferente da instituição, que em nossa pretensão de perpetuar algo bom, criamos um ambiente destrutivo, rígido e ortodoxo.
A igreja tem que (e vai) morrer, pois a Bíblia nos revela esse processo, a história nos mostra esse desenvolvimento. “Se o grão de trigo caindo na terra não morrer ele ficará só, mas se ele morrer dará muito fruto”. Muita energia já foi e está sendo gasta para eternizar o “grão de trigo”, ora, um elemento com vida cíclica não pode ser perpetuado. Nosso compromisso é com o nosso tempo, com os nossos dias. Paulo afirma que “Davi serviu a sua própria geração, segundo a vontade de Deus”, ou seja, sua genealogia foi perpetuada, mas não as diretrizes seu reino. Vemos que muitas coisas do reinado de Davi foram ignoradas no reinado de Salomão. No Reino inaugurado pela vinda de Cristo também foram rejeitadas várias (se não todas) normas de procedimentos tidas como honrosas do reino de Salomão.
O Evangelho tem um caráter puramente subversivo em relação ao modo institucional da igreja. Jesus derruba todos os lugares-comuns de lideranças hierárquicas, já que para o mestre Nazareno “as autoridades são postas para manter domínio”,porém, entre seus discípulos “não será assim, o maior é aquele que mais serve”.Estamos diante de igrejas que querem ser servidas, sem contar nas megalomanias de seus lideres. Cristo nos instiga a ser livres diante da vida e da existência, todavia, a igreja exclui a liberdade, a poesia e a beleza, e o que resta é uma lista com tamanha caduquice, cheia de horários para cumprir, abarrotadas de responsabilidades desinteressantes e cansativas, que na verdade– pasmem – não serve pra nada.
É sempre interessante e sucinto que a igreja use como lubrificante social variadas regras e proibições, e nesse caso é realmente espantoso conceber a liberdade que Cristo nos outorgou. Jesus evitou por completo as armadilhas religiosas e, portanto rasa, de proibição e recompensa. Não gastou um minuto da sua vida ventilando teologia ou reduzindo a ética a uma resposta “sim ou não”para um problema complicado. Era contando historias que ele revelava e apontava o seu Reino. Os ideais de Jesus eram tão ambiciosos que ele não só oferecia liberdade, mas também emancipação e autonomia de escolhas e decisões para cada um de nós: “por que vocês não decidem por si mesmos o que é certo?” pergunta Jesus (Lucas 12:57).
Nenhum autor do Novo Testamento entendeu melhor essa afirmação do que o apóstolo Paulo: “Tudo é puro para os que são puros; mas nada é puro para os impuros”(Tito 1.15), “Por estar unido com o Senhor Jesus, eu estou convencido de que nada é impuro em si mesmo” (Romanos 14.14), “Felizes as pessoas que não se condenam naquilo que aprovam (Romanos 14.23)”. Nenhuma instituição estabelecida nesse planeta entendeu de fato essas declarações. Elas foram ignoradas sem nenhum peso na consciência ao largo de dois mil anos. E contundentemente Paulo continua:
“Portanto, que ninguém faça para vocês leis sobre o que devem comer ou beber, ou sobre os dias santos, Festa da Lua Nova, e o sábado. Tudo isso é apenas uma sombra daquilo que virá; a realidade é Cristo. [...] Vocês morreram com Cristo e por isso estão livres. Então, por que é que vocês estão vivendo como se fossem deste mundo? Não obedeçam mais a regras como estas: “Não toque nesta coisa”,“não prove aquela”, “não pegue naquela”. Todas essas proibições hão de perecer pelo uso. São apenas regras e ensinamentos que as pessoas inventam. De fato, essas regras parecem ser sábias, ao exigirem culto voluntário, falsa humildade e um modo duro de tratar o corpo. Mas tudo isso não tem nenhum valor para controlar as paixões da carne” (Colossenses 2.16-23).
O que Paulo está fazendo é lutando efetivamente contra a institucionalização do Evangelho, contra o “trafico da religião” que é o negócio mais rentável do mundo, estando na frente do álcool, da maconha e da cocaína, por exemplo. Isso por que as instituições trabalham com o débito, com o medo e com a culpa. Com a ausência de débitos as instituições não tem como sobreviver. A moral inventada pelas religiões nos deixa em dívida invariavelmente com Deus, ou com as instituições que o representa aqui, pois, transgredimos essa moral constantemente. E isso nos leva a culpa, e a culpa nos leva a vontade de se purificar – o principal motivo que levou ao surgimento da moral religiosa. Por isso, as autoridades religiosas, ou a própria religião é (aparentemente) uma autoridade superior à qual se obedece, não porque ordene o que é “melhor”, mas simplesmente porque ordena, e questioná-la já é uma imoralidade. É o medo perante essa“inteligência” superior que ordena, que nos leva a agir de cabeça baixa sem o menor senso crítico.
Jesus de Nazaré desmantela todos esses trâmites nos absorvendo incondicionalmente, de forma totalmente integral e – por incrível que pareça – gratuito. Todos esses padrões de débito, culpa e medo é naufragado no mar da Graça. O anúncio de Jesus em relação à disponibilidade de absorção universal de medo e culpas desfere pancadas não só a instituições religiosas, mas também a qualquer sistema politico ou econômico estabelecido.
Agora entenda uma coisa; você não deve mais nada, tudo já foi pago. Esqueça os ritos, os dogmas, as proibições, as regras, as campanhas, as recompensas, os castigos e todas as ilusões que essas coisas trazem – ou seja, a dívida, a culpa e o medo.
Consegue viver com tamanha liberdade distraído leitor?
©2012 Lindiberg de Oliveira
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Dízimos e Ofertas
1. O Assunto
Poucos assuntos estão tão desgastados no contexto eclesiástico como “dízimos e ofertas”. O legalismo de um lado e o mau caratismo de outro não ajudam em nada a conversarmos sobre esse tema. No meio dos dois grupos fica uma gente que fala cada vez menos sobre “dízimos e ofertas”, porque não quer ser identificada com os legalistas, nem com os aproveitadores.
Há um trauma em relação ao tema, já que existe quem lide com a questão das contribuições da maneira mais irresponsável e demoníaca possível, desgastando o assunto e fazendo com que dízimo seja sinônimo de caça-níquel, igreja como sinônimo de cassino, pastor como sinônimo de malandro e crente como sinônimo de bobão. Dezenas de perguntas, por isso, são feitas, na tentativa de se entender e justificar essa prática comum à tradição judaico-cristã.
2. O Antigo Testamento
Que o Antigo Testamento trata claramente sobre o assunto, é ponto pouco controverso. Antes da lei de Moisés, Caim e Abel apresentaram suas ofertas ao Senhor, e Abraão deu o dízimo dos espólios a Melquisedeque, depois de vencer a luta contra os reis de Sodoma e Gomorra. Depois da constituição de Israel como nação, o dízimo foi estabelecido como obrigatoriedade ao povo de Deus. O sustento da tribo de Levi, sem terra na divisão de Canaã pelas tribos, a manutenção da atividades religiosas, o auxílio ao pobre, à viúva e ao estrangeiro eram mantidos pelos dízimos do povo.
3. O Novo Testamento
Contudo, e no que concerne ao Novo Testamento? Estavam os gentios convertidos a Cristo obrigados a cumprir a lei de Moisés? Fazia, o dízimo, parte da prática da comunidade dos discípulos de Jesus?
Quando o Mestre tratou o assunto nos evangelhos, o fez levando seus ouvintes a perceberem que o dízimo não poderia ser encarado como instrumento de compensação. Os fariseus davam o dízimo de tudo, mas negligenciavam a prática da justiça e da misericórdia. A estes, o Mestre disse: bom seria se vocês fizessem ambos; dessem o dízimo e praticassem a justiça e a misericórdia.
As epístolas, especialmente as paulinas, lançam ainda mais luz sobre a compreensão do assunto. Aos coríntios, Paulo apresentou generosidade, gratidão, disposição, alegria e justiça como princípios estimuladores para a contribuição. Não houve estipulação de valor ou porcentagem. Os romanos, os gálatas, Timóteo e os leitores de João também foram estimulados à generosidade e liberalidade na contribuição. "Cada um contribua segundo tiver proposto no coração", é o famoso conselho do apóstolo Paulo em 2 Coríntios, e o espírito do evangelho no tocante ao assunto.
4. As Reações
Diversas são as reações quando se pensa no assunto nesses termos. Uns recebem a notícia com bons olhos - não por convicção, mas por pensarem no "benefício" de não precisarem dar 10% da renda para a igreja. Outros temem, por acharem que isso afetará a previsão orçamentária da comunidade local, e que já que o Novo Testamento não estabelece uma regra (e nós odiamos viver sem elas), 10% é um valor razoável para se tomar como padrão de contribução.
Ambas as visões são reflexo da mesquinharia do nosso coração. Saber que o Novo Testamento não estipula porcentagem fixa para a contribuição faz o sujeito pensar [e celebrar] que, então, ele não precisa contribuir com 10%. Todavia, quem vê a não estipulação como atenuante de responsabilidade não compreendeu o espírito do evangelho de Cristo. Porque a não fixação em 10% não significa apenas que o sujeito pode contribuir com 1% ou 9%, mas também que, se ele tem disponibilidade, maturidade, alegria e liberalidade para contribuir com 30%, 50% ou 90%, assim também o pode fazer.
5. Os Cuidados
Há alguns cuidados a serem tomados, quando se pensa em dízimos e ofertas:
(5.1) Dízimos e ofertas não são pedágio de alienação – Quem dá 10% para fazer com os 90% restantes o que quiser nunca entendeu nada de contribuição na lógica do evangelho de Cristo. Não é uma taxa de alienação, onde você dá a décima parte para Deus administrar e exige que ele não se meta na administração dos 90% restantes. Tampouco é um carnê que faz compensar a obrigatoriedade religiosa, e libera o indivíduo do compromisso de acudir o necessitado - como se a cota de generosidade dele já tivesse sido cumprida com o recurso "destinado ao reino de Deus".
(5.2) Dízimos e ofertas não são instrumento de barganha – Quem dá como fórmula para receber, possivelmente está alimentando sua ganância e servindo a Mamon. E quem pensa que, porque não contribuiu, Deus não abençoará em retaliação não entendeu o evangelho da graça. Deus nunca trabalhou e nunca trabalhará com barganha.
(5.3) Dízimos e ofertas não são práticas obrigatórias – o que não faz delas práticas dispensáveis – Não se dizima nem se oferta por obrigação, mas por alegria, gratidão, generosidade e justiça. Quem pergunta quanto tem que dar não entendeu, ainda, a liberdade que advém do evangelho de Jesus. Contudo, a não obrigatoriedade não dispensa pertinência da prática. A maturidade cristã faz com que o sujeito, mesmo sem que haja sobre ele uma taxação pré-fixada e específica, tenha prazer em contribuir, e contribuir cada vez mais. Sua consciência diante da compreensão do evangelho fará com que ele durma todas as noites tranquilo porque, dentro de suas possibilidades e ciente das necessidades alheias, ele deu não tudo o que tinha, mas tudo o que podia e entendeu que devia.
6. Palavras Finais
Encerro o texto sem a menor pretensão de esgotar o assunto. Na verdade, trata-se apenas de uma pincelada de tão complexa discussão. Sabedor de que "tudo é impuro para os impuros", um discurso como esse pode ser a carta de alforria para quem quer justificativa para se livrar do peso de ver 10% sairem do seu orçamento para cumprir preceito religioso. Pois que seja! Quem vê contribuição como peso não é digno de colaborar com causa tão nobre como a do evangelho de Cristo.
Mas como também sei que "tudo é puro para o puro", um discurso como esse pode ser ratificador do livre e maduro espírito do evangelho de Jesus. Quem de fato nasceu do Espírito sabe de suas responsabilidades para com a busca pela justiça e dá 8%, 10% ou 90% sabendo que, se pudesse, contribuiria ainda mais pelo privilégio de ver o reino de Deus estabelecido a partir da igreja, na sociedade e nos mais longínquos rincões do mundo.
Por Daniel Guanaes
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De que mais precisa um homem senão de um pedaço de mar – e um barco com o nome da amiga, e uma linha e um anzol pra pescar? E enquanto pescando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos, uma pro caniço, outra pro queixo, que é para ele poder se perder no infinito, e uma garrafa de cachaça pra puxar tristeza, e um pouco de pensamento pra pensar até se perder no infinito…
De que mais precisa um homem senão de um pedaço de terra — um pedaço bem verde de terra — e uma casa, não grande, branquinha, com uma horta e um modesto pomar; e um jardim – que um jardim é importante – carregado de flor de cheirar ? E enquanto morando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para mexer a terra e arranhar uns acordes de violão quando a noite se faz de luar, e uma garrafa de uísque pra puxar mistério, que casa sem mistério não vale morar…
De que mais precisa um homem senão de um amigo pra ele gostar, um amigo bem seco, bem simples, desses que nem precisa falar — basta olhar — um desses que desmereça um pouco da amizade, de um amigo pra paz e pra briga, um amigo de paz e de bar ? E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para apertar as mãos do amigo depois das ausências, e pra bater nas costas do amigo, e pra discutir com o amigo e pra servir bebida à vontade ao amigo ?
De que mais precisa um homem senão de uma mulher pra ele amar, uma mulher com dois seios e um ventre, e uma certa expressão singular? Enquanto pensando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de um carinho de mulher quando a tristeza o derruba, ou o destino o carrega em sua onda sem rumo ?
Sim, de que mais precisa um homem senão de suas mãos e da mulher – as únicas coisas livres que lhe restam para lutar pelo mar, pela terra, pelo amigo …
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/perolas/libelo-vinicius-de-moraes/
Libelo – Vinicius de Moraes
De que mais precisa um homem senão de um pedaço de mar – e um barco com o nome da amiga, e uma linha e um anzol pra pescar? E enquanto pescando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos, uma pro caniço, outra pro queixo, que é para ele poder se perder no infinito, e uma garrafa de cachaça pra puxar tristeza, e um pouco de pensamento pra pensar até se perder no infinito…
De que mais precisa um homem senão de um pedaço de terra — um pedaço bem verde de terra — e uma casa, não grande, branquinha, com uma horta e um modesto pomar; e um jardim – que um jardim é importante – carregado de flor de cheirar ? E enquanto morando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para mexer a terra e arranhar uns acordes de violão quando a noite se faz de luar, e uma garrafa de uísque pra puxar mistério, que casa sem mistério não vale morar…
De que mais precisa um homem senão de um amigo pra ele gostar, um amigo bem seco, bem simples, desses que nem precisa falar — basta olhar — um desses que desmereça um pouco da amizade, de um amigo pra paz e pra briga, um amigo de paz e de bar ? E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para apertar as mãos do amigo depois das ausências, e pra bater nas costas do amigo, e pra discutir com o amigo e pra servir bebida à vontade ao amigo ?
De que mais precisa um homem senão de uma mulher pra ele amar, uma mulher com dois seios e um ventre, e uma certa expressão singular? Enquanto pensando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de um carinho de mulher quando a tristeza o derruba, ou o destino o carrega em sua onda sem rumo ?
Sim, de que mais precisa um homem senão de suas mãos e da mulher – as únicas coisas livres que lhe restam para lutar pelo mar, pela terra, pelo amigo …
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/perolas/libelo-vinicius-de-moraes/
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“Abaixo os liberais! Abaixo os liberais!”
1. 99% dos líderes de comunidades cristãs que classificam seus “adversários” como “liberais” não têm a mínima ideia do que estão falando. Não, não estou me referindo ao fato de que a palavra “liberal” tem sentido político, filosófico, teológico, e que precisa, então, de definição. Mesmo se o termo for aplicado apenas em seu sentido teológico, a maioria esmagadora, assim, de 99 x 1, não tem a mínima ideia do que é “liberalismo” teológico. Mas enchem a boca! Chegam a salivar.
2. Passaram os últimos 20 anos – os últimos 20 anos! – atacando um fantasma que não conhecem, de que têm medo e horror, pavor pessoal, porque suas próprias teologias não aguentavam o banco do seminário, eles mesmos quase se desmancharam, e, de certo modo, transferem para seus liderados seu terror. 20 anos gritando “liberalismo!”, “liberalismo”, “abaixo o liberalismo”…
3. Aí, duas coisas.
4. Primeiro, quando você ensina aos liderados desses arautos do fantasmagórico o que é liberalismo, eles não entendem por que cargas d’água tanto ativismo contra-liberal, se, no fundo, todos os evangélicos – inclusive seus líderes mais açodados – são 50% autênticos liberais… [Mas depois entendem...]…
5. Segundo, enquanto gritavam “liberalismo!”, “liberalismo!”, alertando contra ectoplasmas de espelho, os cavaleiros da grande ordem neo-evangélica vieram e engoliram tudo, comeram tudo, de sorte que as igrejas tradicionais todas, lentamente, se vão tornando mímicas sem-graça daquelas catedrais de fogo e exorcismo… Todas é exagero: quase todas – sobrarão algumas, no final…
6. É a maior ironia dos últimos anos, das últimas décadas: os líderes evangélicos erraram em todas as leituras que fizeram – naturalmente que me refiro aos tradicionais. O diabo que pintaram não existe: não há liberais no Brasil, lamentavelmente, se com liberais nos referirmos a um começo de lucidez teológica, conquanto todos sejam liberais no campo da legitimação da fé por meio da experiência pessoal e subjetiva.
7. Erraram na avaliação – julgando que o inimigo estava fora dos muros, nos seminários “liberais”, no outro lado do mundo… Nada, estava nos bancos de seus templos, nutrindo-se do espírito e do carisma, do fogo e da cura, da alma neoliberal e pós-moderna, da mente esturricada e acrítica, da alma acéfala e abléfara, do sentido de cultura e da boca escancarada e cheia de dentes que caracteriza o pathos cristão: tomar o mundo à força do Espírito…
8. Abriram-se as catedrais da fé, elegeram-se os donos dos rebanhos midiáticos, e a pastoral tradicional, apavorada contra o imaginário liberalismo, será que se deu conta de que estava cega?, o tempo todo cega? Será que se deu conta de que crescia um tumor dentro dos salões da fé, um tumor que cresce, agora, descontroladamente, e só Deus sabe em que vai dar?
9. Eu ligo a TV, não importa o canal, e assisto ao espetáculo dantesco – perdão, Dante! – da fé pornograficamente exposta, e, juro, quase morro de rir, e morreria, não fosse caso grave, lembrando dos Dom Quixotes da fé a bradar contra os moinhos liberais, quando o dragão os comia a carne devagarinho, em cada sermão dominical, a cada domingo, sem que se dessem conta… [era um caso de igrejas, mas já se torna um caso de República...]…
10. Tristes dias para a fé. Tristes… Mas, cá entre nós, desde o início o ovo já estava no ninho…
11. Não chega a ser tão terrível quanto a Inquisição, é verdade. Mas o espetáculo circense é o mesmo – e meu medo é que ele esteja apenas ensaiando na ante-sala de uma nova Idade Média…
12. Liberalismo, quiá, quiá, quiá, quiá, quiá…
13. Se acham…
Osvaldo Luiz Ribeiro*
*Osvaldo Luiz Ribeiro é um dos autores do www.peroratio.blogspot.com.br , que recomendo com todas as forças!
Vi no http://www.crerepensar.com.br/abaixo-os-liberais-abaixo-os-liberais/
2. Passaram os últimos 20 anos – os últimos 20 anos! – atacando um fantasma que não conhecem, de que têm medo e horror, pavor pessoal, porque suas próprias teologias não aguentavam o banco do seminário, eles mesmos quase se desmancharam, e, de certo modo, transferem para seus liderados seu terror. 20 anos gritando “liberalismo!”, “liberalismo”, “abaixo o liberalismo”…
3. Aí, duas coisas.
4. Primeiro, quando você ensina aos liderados desses arautos do fantasmagórico o que é liberalismo, eles não entendem por que cargas d’água tanto ativismo contra-liberal, se, no fundo, todos os evangélicos – inclusive seus líderes mais açodados – são 50% autênticos liberais… [Mas depois entendem...]…
5. Segundo, enquanto gritavam “liberalismo!”, “liberalismo!”, alertando contra ectoplasmas de espelho, os cavaleiros da grande ordem neo-evangélica vieram e engoliram tudo, comeram tudo, de sorte que as igrejas tradicionais todas, lentamente, se vão tornando mímicas sem-graça daquelas catedrais de fogo e exorcismo… Todas é exagero: quase todas – sobrarão algumas, no final…
6. É a maior ironia dos últimos anos, das últimas décadas: os líderes evangélicos erraram em todas as leituras que fizeram – naturalmente que me refiro aos tradicionais. O diabo que pintaram não existe: não há liberais no Brasil, lamentavelmente, se com liberais nos referirmos a um começo de lucidez teológica, conquanto todos sejam liberais no campo da legitimação da fé por meio da experiência pessoal e subjetiva.
7. Erraram na avaliação – julgando que o inimigo estava fora dos muros, nos seminários “liberais”, no outro lado do mundo… Nada, estava nos bancos de seus templos, nutrindo-se do espírito e do carisma, do fogo e da cura, da alma neoliberal e pós-moderna, da mente esturricada e acrítica, da alma acéfala e abléfara, do sentido de cultura e da boca escancarada e cheia de dentes que caracteriza o pathos cristão: tomar o mundo à força do Espírito…
8. Abriram-se as catedrais da fé, elegeram-se os donos dos rebanhos midiáticos, e a pastoral tradicional, apavorada contra o imaginário liberalismo, será que se deu conta de que estava cega?, o tempo todo cega? Será que se deu conta de que crescia um tumor dentro dos salões da fé, um tumor que cresce, agora, descontroladamente, e só Deus sabe em que vai dar?
9. Eu ligo a TV, não importa o canal, e assisto ao espetáculo dantesco – perdão, Dante! – da fé pornograficamente exposta, e, juro, quase morro de rir, e morreria, não fosse caso grave, lembrando dos Dom Quixotes da fé a bradar contra os moinhos liberais, quando o dragão os comia a carne devagarinho, em cada sermão dominical, a cada domingo, sem que se dessem conta… [era um caso de igrejas, mas já se torna um caso de República...]…
10. Tristes dias para a fé. Tristes… Mas, cá entre nós, desde o início o ovo já estava no ninho…
11. Não chega a ser tão terrível quanto a Inquisição, é verdade. Mas o espetáculo circense é o mesmo – e meu medo é que ele esteja apenas ensaiando na ante-sala de uma nova Idade Média…
12. Liberalismo, quiá, quiá, quiá, quiá, quiá…
13. Se acham…
Osvaldo Luiz Ribeiro*
*Osvaldo Luiz Ribeiro é um dos autores do www.peroratio.blogspot.com.br , que recomendo com todas as forças!
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Pequenos desabafos…
Não aguento mais ter que encher um texto de versículos só para provar que ele é “bíblico”…
Não aguento mais gente que não lê um texto ou um livro e quer criticá-lo…
Não aguento mais gente que diz: “Eu sei que é assim, mas não posso dizer isso, se não a comunidade não vai aguentar…”
Não aguento mais ler blogs “apologéticos” que mais se parecem com uma revista de fofocas gospel…
Não aguento mais ver gente criticando “posturas teológicas” sem ter o mínimo conhecimento de teologia…
Não aguento mais e-mails e comentários críticos que recebo, que não passariam pela revisão de português da primeira série do ensino fundamental…
Não aguento mais a interpretação literalista de textos como Gênesis de 1 a 11 e de ser chamado de liberal por gente que crê na serpente que fala…
Não aguento mais congressos/acampamentos cujo tema é “santidade” (leia-se “não transar”, “não beber”, “não fumar”, etc)…
Não aguento mais pregar em eventos onde as “questões fundamentais” são “crente pode ouvir música do mundo?” “crente pode sair pra dançar?”…
Não aguento mais chavões evangélicos do tipo “vai dar tudo certo em nome de Jesus”…
Não aguento mais músicas “evangélicas” feitas “em série” e com fórmulas prontas para “venderem muito”…
E em certos momentos, confesso, nem eu me aguento com tanta coisa…
José Barbosa Junior
Vi no http://www.crerepensar.com.br/pequenos-desabafos/
Não aguento mais gente que não lê um texto ou um livro e quer criticá-lo…
Não aguento mais gente que diz: “Eu sei que é assim, mas não posso dizer isso, se não a comunidade não vai aguentar…”
Não aguento mais ler blogs “apologéticos” que mais se parecem com uma revista de fofocas gospel…
Não aguento mais ver gente criticando “posturas teológicas” sem ter o mínimo conhecimento de teologia…
Não aguento mais e-mails e comentários críticos que recebo, que não passariam pela revisão de português da primeira série do ensino fundamental…
Não aguento mais a interpretação literalista de textos como Gênesis de 1 a 11 e de ser chamado de liberal por gente que crê na serpente que fala…
Não aguento mais congressos/acampamentos cujo tema é “santidade” (leia-se “não transar”, “não beber”, “não fumar”, etc)…
Não aguento mais pregar em eventos onde as “questões fundamentais” são “crente pode ouvir música do mundo?” “crente pode sair pra dançar?”…
Não aguento mais chavões evangélicos do tipo “vai dar tudo certo em nome de Jesus”…
Não aguento mais músicas “evangélicas” feitas “em série” e com fórmulas prontas para “venderem muito”…
E em certos momentos, confesso, nem eu me aguento com tanta coisa…
José Barbosa Junior
Vi no http://www.crerepensar.com.br/pequenos-desabafos/
sexta-feira, 13 de abril de 2012
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O AMOR QUE RESSUSCITA!
Falar que a ressurreição de Jesus demonstra o seu poder sobre a morte é lugar comum! É óbvio e até mais fácil falar. Mas existem algumas sutilezas no episódio que me surpreendem.
Jesus não usou a ressurreição como espetáculo para conseguir adeptos. Ele poderia ter se ocupado na implantação em massa do seu reino. O Jesus ressurreto iria ganhar o mundo. Mas não! Quando ressuscita, Jesus aparece a alguns amigos em suas casas, na praia, no jardim, na estrada para Emaús. Curioso isso! Jesus não aparece na praça ou na sinagoga. Para alguns televangelistas, Jesus perdeu A oportunidade de ganhar a guerra entre as religiões! Mas o Jesus ressurreto não quer ser sensacionalista, não quer usar a ressurreição como argumento incontestável e irresistível.
O Jesus ressurreto não está preocupado com uma agenda para ganhar o mundo, ele está interessado no indivíduo, mesmo que isso lhe custe o anúncio que sua ressurreição foi uma fraude. Jesus não estava preocupado se as pessoas iriam crer que ele ressuscitou ou não. Se fosse assim, ele teria tido alguns cuidados! Mesmo que isso favoreça o anúncio dos soldados de que seu corpo havia sido roubado, não interessa: Jesus ressuscita para cuidar dos seus amigos. E a partir de então, o anúncio da ressurreição vai depender do testemunho desses anônimos. Arriscado!
Penso que uma grande marca que ficou no coração daqueles discípulos não foi “como ele é poderoso!”, mas “como ele nos ama!”. Quando o Jesus ressurreto escolhe aparecer aos amigos, ao invés de se manifestar ao mundo, Jesus ressuscita os sonhos dos discípulos, ressuscita a esperança, ressuscita a fé, ressuscita a dignidade e a estima.
Em toda a sua vida Jesus foi discreto; do nascimento à entrada triunfal; nas suas curas e milagres, da morte à ressurreição. “Mesmo sendo Deus, não teve por usurpação o ser igual a Deus, mas antes se esvaziou de si mesmo” (Filpenses 2). Em nenhum momento Jesus foi movido por poder, mas sempre por amor.
E sua biografia termina assim: Jesus ressuscita para amar, e esse amor pode ressuscitar aquilo que está mais adormecido em nós!
Naquele que amou até o fim,
Márcio Cardoso
Vi no http://marciocardosobr.blogspot.com.br/2012/04/o-amor-que-ressuscita.html
Jesus não usou a ressurreição como espetáculo para conseguir adeptos. Ele poderia ter se ocupado na implantação em massa do seu reino. O Jesus ressurreto iria ganhar o mundo. Mas não! Quando ressuscita, Jesus aparece a alguns amigos em suas casas, na praia, no jardim, na estrada para Emaús. Curioso isso! Jesus não aparece na praça ou na sinagoga. Para alguns televangelistas, Jesus perdeu A oportunidade de ganhar a guerra entre as religiões! Mas o Jesus ressurreto não quer ser sensacionalista, não quer usar a ressurreição como argumento incontestável e irresistível.
O Jesus ressurreto não está preocupado com uma agenda para ganhar o mundo, ele está interessado no indivíduo, mesmo que isso lhe custe o anúncio que sua ressurreição foi uma fraude. Jesus não estava preocupado se as pessoas iriam crer que ele ressuscitou ou não. Se fosse assim, ele teria tido alguns cuidados! Mesmo que isso favoreça o anúncio dos soldados de que seu corpo havia sido roubado, não interessa: Jesus ressuscita para cuidar dos seus amigos. E a partir de então, o anúncio da ressurreição vai depender do testemunho desses anônimos. Arriscado!
Penso que uma grande marca que ficou no coração daqueles discípulos não foi “como ele é poderoso!”, mas “como ele nos ama!”. Quando o Jesus ressurreto escolhe aparecer aos amigos, ao invés de se manifestar ao mundo, Jesus ressuscita os sonhos dos discípulos, ressuscita a esperança, ressuscita a fé, ressuscita a dignidade e a estima.
Em toda a sua vida Jesus foi discreto; do nascimento à entrada triunfal; nas suas curas e milagres, da morte à ressurreição. “Mesmo sendo Deus, não teve por usurpação o ser igual a Deus, mas antes se esvaziou de si mesmo” (Filpenses 2). Em nenhum momento Jesus foi movido por poder, mas sempre por amor.
E sua biografia termina assim: Jesus ressuscita para amar, e esse amor pode ressuscitar aquilo que está mais adormecido em nós!
Naquele que amou até o fim,
Márcio Cardoso
Vi no http://marciocardosobr.blogspot.com.br/2012/04/o-amor-que-ressuscita.html
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A lista contida na galeria dos heróis da fé é encabeçada por Abel.
É interessante notar que Abel é o único a quem não se atribui qualquer proeza. Enoque foi arrebatado ao céu; Noé salvou o mundo com sua arca; Abraão e Sara tiveram um filho depois de velhos, etc. Mas Abel, o que fez de tão importante para figurar ali?
O texto diz que “pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho das suas ofertas, e por meio dela, depois de morto, ainda fala” (Hb.11:4).
Embora as proezas dos demais heróis tenham alcançado enorme repercussão neste mundo, a oferta de Abel repercutiu na Eternidade.
A queda das muralhas de Jericó, por exemplo, foi testemunhada por milhares de hebreus. Mas a oferta de Abel foi testemunhada única e exclusivamente por Deus.
E por alguns milênios, seu sacrifício foi um referencial de excelência. Sua fé, expressada em suas ofertas, não perdeu a eloqüência, nem depois de sua morte.
Seu sangue, ao ser derramado na terra, misturou-se ao sangue de todos os seus sacrifícios, elevando a Deus um clamor por justiça.
Ao argüir Caim, o assassino de Abel, disse Deus: “Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra” (Gn.4:10).
E o sangue de todas as vítimas inocentes da maldade humana, uniu-se ao sangue de Abel neste clamor.
Jesus advertiu aos Seus contemporâneos:
“Portanto desta geração será requerido o sangue de todos os profetas, que foi derramado desde a fundação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo. Assim, vos digo, será requerido desta geração” (Lc.11:50-51).
Desde Abel, a humanidade estava presa a um tipo de carma. O que seria capaz de romper com ele?
Aquele velho mundo com seu interminável carma tinha que acabar, para dar lugar a um novo mundo, onde prevalecesse a Graça em vez da vingança.
Embora a fé de Abel o projetasse para o futuro, razão pela qual oferecia a Deus sacrifícios que prefiguravam o sacrifício do próprio Cristo, seu sangue, uma vez derramado sobre a terra, prendeu-nos nesse ciclo de “dente por dente”, “olho por olho”.
O clamor do sangue de Abel nos aprisionava ao passado.
Precisaríamos de alguém cujo sangue falasse melhor do que o de Abel, a fim de nos libertar para o futuro. Alguém cujo sacrifício de Sua própria vida exterminasse o carma, e estabelecesse a pedra fundamental de um novo mundo.
O término da lista da galeria da fé, o escritor sagrado arremata:
“E todos estes, embora tendo recebido bom testemunho pela fé, contudo não alcançaram a promessa. Deus havia provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (Hb.11:39-40).
Que “coisa superior” seria esta?
A resposta vem logo em seguida:
“Portanto, visto que nós também estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todos embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus” (12:1-2).
Todos os heróis do passado formam agora a platéia que nos assiste, porém, nossa nova referência é Cristo, que nos desafia a deixar o embaraço, isto é, aquilo que nos prende ao passado, e o pecado que tenta nos acorrentar ao presente, e correr em direção ao futuro que Seu sacrifício nos garantiu.
Os heróis da Antiga Aliança viveram sob o eco do clamor do sangue de Abel.
Enquanto os antigos heróis “morreram na fé, não alcançaram as promessas, apenas viram-nas de longe, e as saudaram” (11:13), nós, que vivemos sob a égide da Nova Aliança, já as alcançamos n’Ele. Paulo declara: “Pois quantas promessas há de Deus, têm nele o sim, e por ele o amém, para a glória de Deus por nosso intermédio” (2 Co.1:20-21).
Enquanto eles estavam “buscando uma pátria” (Hb.11:14), nós somos aqueles que finalmente chegaram “à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial” (Hb.12:22).
Mas tudo isso porque o sangue de Jesus, derramado no madeiro, “fala melhor do que o de Abel” (Hb.12:24).
Se o sangue de Abel clamava por justiça, o sangue de Jesus clama por misericórdia. E “a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg.2:13).
Se o sangue de Abel continuou a falar, mesmo depois de morto, qual seria o alcance do clamor do sangue do Ressuscitado?
Vi no http://www.hermesfernandes.com/2009/04/eloquencia-do-sangue-do-ressuscitado.html
A eloquência do Sangue do Ressuscitado
Por Hermes C. Fernandes
A lista contida na galeria dos heróis da fé é encabeçada por Abel.
É interessante notar que Abel é o único a quem não se atribui qualquer proeza. Enoque foi arrebatado ao céu; Noé salvou o mundo com sua arca; Abraão e Sara tiveram um filho depois de velhos, etc. Mas Abel, o que fez de tão importante para figurar ali?
O texto diz que “pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho das suas ofertas, e por meio dela, depois de morto, ainda fala” (Hb.11:4).
Embora as proezas dos demais heróis tenham alcançado enorme repercussão neste mundo, a oferta de Abel repercutiu na Eternidade.
A queda das muralhas de Jericó, por exemplo, foi testemunhada por milhares de hebreus. Mas a oferta de Abel foi testemunhada única e exclusivamente por Deus.
E por alguns milênios, seu sacrifício foi um referencial de excelência. Sua fé, expressada em suas ofertas, não perdeu a eloqüência, nem depois de sua morte.
Seu sangue, ao ser derramado na terra, misturou-se ao sangue de todos os seus sacrifícios, elevando a Deus um clamor por justiça.
Ao argüir Caim, o assassino de Abel, disse Deus: “Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra” (Gn.4:10).
E o sangue de todas as vítimas inocentes da maldade humana, uniu-se ao sangue de Abel neste clamor.
Jesus advertiu aos Seus contemporâneos:
“Portanto desta geração será requerido o sangue de todos os profetas, que foi derramado desde a fundação do mundo, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo. Assim, vos digo, será requerido desta geração” (Lc.11:50-51).
Desde Abel, a humanidade estava presa a um tipo de carma. O que seria capaz de romper com ele?
Aquele velho mundo com seu interminável carma tinha que acabar, para dar lugar a um novo mundo, onde prevalecesse a Graça em vez da vingança.
Embora a fé de Abel o projetasse para o futuro, razão pela qual oferecia a Deus sacrifícios que prefiguravam o sacrifício do próprio Cristo, seu sangue, uma vez derramado sobre a terra, prendeu-nos nesse ciclo de “dente por dente”, “olho por olho”.
O clamor do sangue de Abel nos aprisionava ao passado.
Precisaríamos de alguém cujo sangue falasse melhor do que o de Abel, a fim de nos libertar para o futuro. Alguém cujo sacrifício de Sua própria vida exterminasse o carma, e estabelecesse a pedra fundamental de um novo mundo.
O término da lista da galeria da fé, o escritor sagrado arremata:
“E todos estes, embora tendo recebido bom testemunho pela fé, contudo não alcançaram a promessa. Deus havia provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados” (Hb.11:39-40).
Que “coisa superior” seria esta?
A resposta vem logo em seguida:
“Portanto, visto que nós também estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todos embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual pelo gozo que lhe estava proposto suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus” (12:1-2).
Todos os heróis do passado formam agora a platéia que nos assiste, porém, nossa nova referência é Cristo, que nos desafia a deixar o embaraço, isto é, aquilo que nos prende ao passado, e o pecado que tenta nos acorrentar ao presente, e correr em direção ao futuro que Seu sacrifício nos garantiu.
Os heróis da Antiga Aliança viveram sob o eco do clamor do sangue de Abel.
Enquanto os antigos heróis “morreram na fé, não alcançaram as promessas, apenas viram-nas de longe, e as saudaram” (11:13), nós, que vivemos sob a égide da Nova Aliança, já as alcançamos n’Ele. Paulo declara: “Pois quantas promessas há de Deus, têm nele o sim, e por ele o amém, para a glória de Deus por nosso intermédio” (2 Co.1:20-21).
Enquanto eles estavam “buscando uma pátria” (Hb.11:14), nós somos aqueles que finalmente chegaram “à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial” (Hb.12:22).
Mas tudo isso porque o sangue de Jesus, derramado no madeiro, “fala melhor do que o de Abel” (Hb.12:24).
Se o sangue de Abel clamava por justiça, o sangue de Jesus clama por misericórdia. E “a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg.2:13).
Se o sangue de Abel continuou a falar, mesmo depois de morto, qual seria o alcance do clamor do sangue do Ressuscitado?
Vi no http://www.hermesfernandes.com/2009/04/eloquencia-do-sangue-do-ressuscitado.html
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Por muitas e muitas vezes me cobrei sentimentos de amor por essas pessoas, mas não conseguia negar minha revolta em relação ao “erro” delas. Mas, se eu tivesse que representar em um teatro, dar testemunho, evangelizar, ou me declarar cristã frente a essas pessoas, eu falava que as aceitava. Graças a Deus, nós temos a chance de aprender e de sermos moldados conforme Seu querer.
Karl Marx desenvolveu a Práxis Revolucionária na intenção de criticar dois movimentos filosóficos: o materialismo e o idealismo. Enquanto o materialismo diz o homem ser determinado pelas circunstâncias (econômicas, sociais, culturais), o idealismo diz ser o homem determinado pelas ideias (pensamentos, desejos, vontades). Este conceito de Marx é basicamente “a coincidência da transformação das circunstâncias com a atividade humana”. Entende-se então, que o homem não é somente determinado pelo ambiente ou pelos seus ideais, mas há um desenvolvimento constante na interação e modificação de um pelo outro. “A teoria se modifica constantemente com a experiência prática, que por sua vez se modifica constantemente com a teoria”.
Após conhecer um pouco sobre a práxis, percebi que meus pensamentos estavam sendo motivados por uma incompreensão desse amor que Jesus nos ensina a ter pelo outro. O amor vai além dos sentimentos, e muitas vezes não nasce por eles. Amor é entrega. Amor é atitude. Mesmo que o sentimento não estivesse presente, eu poderia me entregar em amor por essas pessoas, desde que eu começasse a exercer a práxis. Como muito bem explicado no livro “O monge e o executivo – James C; Hunter”:
Se me comprometo a amar uma pessoa e a me doar a quem sirvo, e sintonizo minhas ações e comportamentos com esse compromisso, com o tempo passarei a ter sentimentos positivos em relação a essa pessoa.
A minha ação no ambiente externo (considerando tudo o que existe fora de mim) age como modificadora deste ambiente, que, ao mesmo tempo, exerce influência sobre mim, modificando-me também.
Não! Não somos hipócritas por tentarmos fazer o bem sem distinção. Somos hipócritas na nossa ignorância de pensar que podemos fazer algo pelas pessoas não nos comprometendo a amá-las.
O novo mandamento nos foi dado não apenas por palavras, mas por atitude! Sejamos fortes em seguir o exemplo do nosso mestre, permitindo-nos experimentar novos sentimentos de empatia e compaixão através de nossas ações.
Por uma Práxis Cristã Revolucionária
Por Samara Lacerda
Por muito tempo acreditei que ser cristão era ser hipócrita. Por muito tempo acreditei que muitos esforços de minha parte significavam falsidade, motivada pelo medo de desobedecer a líderes, ao meu pastor ou mesmo a Deus. Por muito tempo andei angustiada por fazer coisas em que acreditava não valerem de nada, já que muitas vezes fazia sem vontade. Por muito tempo vivi um cristianismo de entrega/sacrifício por obrigação.
Uma das principais falas de Jesus em terra que me deixou por muito tempo com estes sentimentos é a que diz sobre o amor ao próximo (Jo 13:34). Amar ao outro me parecia fácil até onde meu nível de afinidade acompanhava. O problema era quando a afinidade não estava presente e eu me via diante de um estranho. Amar o assassino, amar o pai que abandona a família, amar a prostituta, o ladrão, o viciado, o irritante, o fofoqueiro, o pobre, o rico, o político corrupto, o macumbeiro. Amar o pecador. Como eu, como você. Sinceramente, para mim parecia uma missão quase impossível!
Por muitas e muitas vezes me cobrei sentimentos de amor por essas pessoas, mas não conseguia negar minha revolta em relação ao “erro” delas. Mas, se eu tivesse que representar em um teatro, dar testemunho, evangelizar, ou me declarar cristã frente a essas pessoas, eu falava que as aceitava. Graças a Deus, nós temos a chance de aprender e de sermos moldados conforme Seu querer.
Karl Marx desenvolveu a Práxis Revolucionária na intenção de criticar dois movimentos filosóficos: o materialismo e o idealismo. Enquanto o materialismo diz o homem ser determinado pelas circunstâncias (econômicas, sociais, culturais), o idealismo diz ser o homem determinado pelas ideias (pensamentos, desejos, vontades). Este conceito de Marx é basicamente “a coincidência da transformação das circunstâncias com a atividade humana”. Entende-se então, que o homem não é somente determinado pelo ambiente ou pelos seus ideais, mas há um desenvolvimento constante na interação e modificação de um pelo outro. “A teoria se modifica constantemente com a experiência prática, que por sua vez se modifica constantemente com a teoria”.
Após conhecer um pouco sobre a práxis, percebi que meus pensamentos estavam sendo motivados por uma incompreensão desse amor que Jesus nos ensina a ter pelo outro. O amor vai além dos sentimentos, e muitas vezes não nasce por eles. Amor é entrega. Amor é atitude. Mesmo que o sentimento não estivesse presente, eu poderia me entregar em amor por essas pessoas, desde que eu começasse a exercer a práxis. Como muito bem explicado no livro “O monge e o executivo – James C; Hunter”:
Se me comprometo a amar uma pessoa e a me doar a quem sirvo, e sintonizo minhas ações e comportamentos com esse compromisso, com o tempo passarei a ter sentimentos positivos em relação a essa pessoa.
A minha ação no ambiente externo (considerando tudo o que existe fora de mim) age como modificadora deste ambiente, que, ao mesmo tempo, exerce influência sobre mim, modificando-me também.
Não! Não somos hipócritas por tentarmos fazer o bem sem distinção. Somos hipócritas na nossa ignorância de pensar que podemos fazer algo pelas pessoas não nos comprometendo a amá-las.
O novo mandamento nos foi dado não apenas por palavras, mas por atitude! Sejamos fortes em seguir o exemplo do nosso mestre, permitindo-nos experimentar novos sentimentos de empatia e compaixão através de nossas ações.
Samara Lacerda (Via JuveMetodista)
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Ainda era madrugada, e ela não quis esperar amanhecer. Foi correndo ao sepulcro onde Jesus havia sido enterrado. Sua missão era embalsamá-lo. Mas lá chegando, deparou-se com o que parecia a cena de um crime. A enorme pedra do sepulcro fora removida (João 20:1-9).
Confusa, sem conseguir raciocinar direito, Maria foi correndo avisar a Pedro e João. Sua conclusão era que alguém havia levado os restos mortais de Jesus. Alguma providência deveria ser tomada. Talvez, as autoridades devessem ser notificadas.
Mas nada poderia ser feito sem que antes Pedro e João investigassem por si mesmos a tal cena do crime.
Os dois saíram correndo juntos, porém, João ultrapassou a Pedro, e chegou primeiro. Não sei o que o motivou a correr tanto, sem algum tipo de competitividade com Pedro, ou curiosidade, ou simplesmente, amor.
Chegando à cena do crime, João abaixou-se para espiar o buraco de onde a pedra havia sido removida. Apesar da pouca iluminação, deu pra ver que os lençóis de linho que cobriam o corpo de Jesus estavam jogados no chão. Definitivamente, algo havia ocorrido ali. Para que os lençóis estivessem no chão, o corpo teria que ter sido tirado de sua posição. Receoso de entrar no supulcro, João chegou à mesma conclusão de Maria.
Logo em seguida, chegou Pedro. Embora chegasse depois de João, não contentou-se em espiar a cena do lado de fora. Deu um passo além, e entrou no sepulcro. Do lado de dentro, Pedro reparou um detalhe que sequer foi visto pelos que o antecederam. Além dos lençóis, havia o lenço que cobrira a cabeça de Jesus.
Diferente dos lençóis esparramados no chão, o lenço estava dobradinho, colocado à parte. João toma coragem e adentra o sepulcro, vê a mesma cena, chega a uma nova conclusão. Não se tratava do sequestro de um corpo, mas de algo inusitado. Os lençóis espalhados no chão pareciam dizer que o corpo de Jesus havia sido levado. Mas o pequeno lenço dobrado, colocado à parte, dizia outra coisa. No meio do aparente caos, algo sugeria ordem. Quem gosta de assistir a CSI, como eu, sabe que detalhes imperceptíveis podem mudar radicalmente o rumo das investigações. Se Sherlock Holmes estivesse lá, diria: Elementar, meu caro Watson: Saqueadores de tumbas não se preocupariam em dobrar o lenço e colocá-lo à parte.
Mesmo sem compreenderem o que estava acontecendo, parecia claro que aquela não era a cena de um crime, mas o cenário do maior acontecimento da história da humanidade.
Se Pedro houvesse parado onde João parou, teria chegado à mesma conclusão que seu colega, que por sua vez, chegara à mesma conclusão daquela que os antecedera. Do lado de fora da tumba, só os lençóis espalhados no chão eram visíveis. O lenço era um detalhe só perceptível para quem adentrasse o sepulcro. Naquele dia João aprendeu uma importante lição: o que importa não é chegar primeiro, mas dar um passo além.
Estaremos condenados a reproduzir as mesmas conclusões a que chegaram nossos predecessores, se não nos dispusermos a dar um passo além. Não se distraia com a bagunça dos lençóis no chão. Repare no lencinho dobrado. Deus está nos detalhes!
O Túmulo Vazio: Examinando a Cena do Crime
Por Hermes C. Fernandes
Os lençóis estavam todos no chão. Uma bagunça. Algo acontecera ali. O corpo sumira. E sem corpo, não há crime. Onde o puseram? perguntava acerca daquele a quem tanto ela amava.
Ainda era madrugada, e ela não quis esperar amanhecer. Foi correndo ao sepulcro onde Jesus havia sido enterrado. Sua missão era embalsamá-lo. Mas lá chegando, deparou-se com o que parecia a cena de um crime. A enorme pedra do sepulcro fora removida (João 20:1-9).
Confusa, sem conseguir raciocinar direito, Maria foi correndo avisar a Pedro e João. Sua conclusão era que alguém havia levado os restos mortais de Jesus. Alguma providência deveria ser tomada. Talvez, as autoridades devessem ser notificadas.
Mas nada poderia ser feito sem que antes Pedro e João investigassem por si mesmos a tal cena do crime.
Os dois saíram correndo juntos, porém, João ultrapassou a Pedro, e chegou primeiro. Não sei o que o motivou a correr tanto, sem algum tipo de competitividade com Pedro, ou curiosidade, ou simplesmente, amor.
Chegando à cena do crime, João abaixou-se para espiar o buraco de onde a pedra havia sido removida. Apesar da pouca iluminação, deu pra ver que os lençóis de linho que cobriam o corpo de Jesus estavam jogados no chão. Definitivamente, algo havia ocorrido ali. Para que os lençóis estivessem no chão, o corpo teria que ter sido tirado de sua posição. Receoso de entrar no supulcro, João chegou à mesma conclusão de Maria.
Logo em seguida, chegou Pedro. Embora chegasse depois de João, não contentou-se em espiar a cena do lado de fora. Deu um passo além, e entrou no sepulcro. Do lado de dentro, Pedro reparou um detalhe que sequer foi visto pelos que o antecederam. Além dos lençóis, havia o lenço que cobrira a cabeça de Jesus.
Diferente dos lençóis esparramados no chão, o lenço estava dobradinho, colocado à parte. João toma coragem e adentra o sepulcro, vê a mesma cena, chega a uma nova conclusão. Não se tratava do sequestro de um corpo, mas de algo inusitado. Os lençóis espalhados no chão pareciam dizer que o corpo de Jesus havia sido levado. Mas o pequeno lenço dobrado, colocado à parte, dizia outra coisa. No meio do aparente caos, algo sugeria ordem. Quem gosta de assistir a CSI, como eu, sabe que detalhes imperceptíveis podem mudar radicalmente o rumo das investigações. Se Sherlock Holmes estivesse lá, diria: Elementar, meu caro Watson: Saqueadores de tumbas não se preocupariam em dobrar o lenço e colocá-lo à parte.
Mesmo sem compreenderem o que estava acontecendo, parecia claro que aquela não era a cena de um crime, mas o cenário do maior acontecimento da história da humanidade.
Se Pedro houvesse parado onde João parou, teria chegado à mesma conclusão que seu colega, que por sua vez, chegara à mesma conclusão daquela que os antecedera. Do lado de fora da tumba, só os lençóis espalhados no chão eram visíveis. O lenço era um detalhe só perceptível para quem adentrasse o sepulcro. Naquele dia João aprendeu uma importante lição: o que importa não é chegar primeiro, mas dar um passo além.
Estaremos condenados a reproduzir as mesmas conclusões a que chegaram nossos predecessores, se não nos dispusermos a dar um passo além. Não se distraia com a bagunça dos lençóis no chão. Repare no lencinho dobrado. Deus está nos detalhes!
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Creio na ressurreição do corpo
Os cristãos do primeiro século escandalizaram o mundo afirmando que Deus se fez carne, padeceu e morreu no corpo, e no corpo ressuscitou. O Credo Apostólico ecoou no mundo antigo e reverbera até hoje: Creio na ressurreição do corpo, o que acarreta uma absoluta revolução na vida desde aqui e para a eternidade. A respeito disso, Paulo Brabo comenta a obra de Alan F. Segal, Life After Death, que discorre sobre a geografia e a história da vida após a morte na cultura ocidental, e também a respeito da radical diferença entre o pensamento grego e o pensamento judaico-cristão.
Os gregos acreditavam que a essência do ser humano é a alma. O corpo é uma prisão, disse Platão. Acreditavam que o corpo era perecível e efêmero, diferente da alma, imperecível e eterna.
Mas a Bíblia Sagrada ensina diferente. Os primeiros cristãos sabiam que o corpo seria preservado para a vida eterna, pois não somente a alma, mas também o corpo é parte essencial do que somos.
Os gregos falavam da vida eterna em termos de imortalidade da alma; os judeus e os primeiros cristãos falavam da vida eterna em termos de ressurreição do corpo, comenta Paulo Brabo. O ser humano é indissociável do corpo. Não é correto dizer que temos um corpo, pois na verdade, somos um corpo. A morte física não é, portanto, a oportunidade de nos livrarmos da prisão do corpo, pois é na ressurreição que é redimido e encontra finalmente sua plenitude. Paulo, apóstolo, ensina que, na ressurreição do corpo, o que é mortal é revestido de imortalidade, e o que é corruptível é revestido de incorruptibilidade. A esperança cristã é claríssima: a morte não implica a reencarnação, nem tampouco a dissolução do corpo (e do espírito e da alma) no todo etéreo imaterial. A morte não é a última palavra, pois vivemos na esperança da ressurreição: Se esperamos em Cristo apenas nesta vida, somos os mais miseráveis dos homens, disse o apóstolo Paulo.
Não deve causar espanto, portanto, o fato de Jesus ter dado tanta importância ao corpo. Seus milagres se concentraram na restauração do corpo. Isso pode ser entendido de duas maneiras. Primeiro como denúncia profética da condição humana que resulta da rejeição a Deus. As curas de Jesus são de fato uma dramatização exterior da restauração da identidade humana. A sabedoria judaica diz que a idolatria é um caminho de desumanização: os ídolos têm boca, mas não falam; olhos, mas não vêem; pés, mas não andam. O poeta bíblico diz que todos os que adoram ídolos acabam se tornando iguais a eles, isto é, desumanizados, coisificados, sem vida. Paulo, apóstolo, diz que o que nos confere identidade humana é o sopro divino, e que, uma vez que trocamos a glória do Criador pela glória das criaturas – ídolos, perdemos nossa identidade humana. Quando Jesus cura um cego, um homem mudo, um aleijado ou um leproso, está não apenas mostrando o que nos tornamos, como também e principalmente mostrando o que podemos e devemos nos tornar quando redimidos e reconciliados com Deus.
As curas físicas operadas por Jesus apontam também para o fato de que a redenção é essencialmente o resgate da plena identidade humana, o que necessariamente implica a redenção também do corpo. Isso não significa, como entendiam os gregos, que, ao realizar curas físicas, Jesus se rebaixou aos cuidados do corpo. Muito ao contrário, ao curar o corpo Jesus aponta exatamente a elevação do corpo como imprescindível constituinte da verdadeira, ou integral, identidade do que se pode chamar humano.
Não é pouco, portanto, celebrar a Páscoa como festa da ressurreição. Os cristãos, em todos os tempos, afirmam algo singular: cremos que Deus se fez carne; cremos que padeceu, morreu e ressuscitou em carne; cremos na ressurreição do corpo.
Celebrar a Páscoa como ressurreição de Jesus é afirmar a vida em sua plenitude e o ser humano em sua totalidade. Celebrar a Páscoa como ressurreição é afirmar o corpo como sagrado. Celebrar a Páscoa como ressurreição é afirmar a esperança da vida eterna!
Vi no http://edrenekivitz.com/blog/2012/04/creio-na-ressurreicao-corpo/
Os gregos acreditavam que a essência do ser humano é a alma. O corpo é uma prisão, disse Platão. Acreditavam que o corpo era perecível e efêmero, diferente da alma, imperecível e eterna.
Mas a Bíblia Sagrada ensina diferente. Os primeiros cristãos sabiam que o corpo seria preservado para a vida eterna, pois não somente a alma, mas também o corpo é parte essencial do que somos.
Os gregos falavam da vida eterna em termos de imortalidade da alma; os judeus e os primeiros cristãos falavam da vida eterna em termos de ressurreição do corpo, comenta Paulo Brabo. O ser humano é indissociável do corpo. Não é correto dizer que temos um corpo, pois na verdade, somos um corpo. A morte física não é, portanto, a oportunidade de nos livrarmos da prisão do corpo, pois é na ressurreição que é redimido e encontra finalmente sua plenitude. Paulo, apóstolo, ensina que, na ressurreição do corpo, o que é mortal é revestido de imortalidade, e o que é corruptível é revestido de incorruptibilidade. A esperança cristã é claríssima: a morte não implica a reencarnação, nem tampouco a dissolução do corpo (e do espírito e da alma) no todo etéreo imaterial. A morte não é a última palavra, pois vivemos na esperança da ressurreição: Se esperamos em Cristo apenas nesta vida, somos os mais miseráveis dos homens, disse o apóstolo Paulo.
Não deve causar espanto, portanto, o fato de Jesus ter dado tanta importância ao corpo. Seus milagres se concentraram na restauração do corpo. Isso pode ser entendido de duas maneiras. Primeiro como denúncia profética da condição humana que resulta da rejeição a Deus. As curas de Jesus são de fato uma dramatização exterior da restauração da identidade humana. A sabedoria judaica diz que a idolatria é um caminho de desumanização: os ídolos têm boca, mas não falam; olhos, mas não vêem; pés, mas não andam. O poeta bíblico diz que todos os que adoram ídolos acabam se tornando iguais a eles, isto é, desumanizados, coisificados, sem vida. Paulo, apóstolo, diz que o que nos confere identidade humana é o sopro divino, e que, uma vez que trocamos a glória do Criador pela glória das criaturas – ídolos, perdemos nossa identidade humana. Quando Jesus cura um cego, um homem mudo, um aleijado ou um leproso, está não apenas mostrando o que nos tornamos, como também e principalmente mostrando o que podemos e devemos nos tornar quando redimidos e reconciliados com Deus.
As curas físicas operadas por Jesus apontam também para o fato de que a redenção é essencialmente o resgate da plena identidade humana, o que necessariamente implica a redenção também do corpo. Isso não significa, como entendiam os gregos, que, ao realizar curas físicas, Jesus se rebaixou aos cuidados do corpo. Muito ao contrário, ao curar o corpo Jesus aponta exatamente a elevação do corpo como imprescindível constituinte da verdadeira, ou integral, identidade do que se pode chamar humano.
Não é pouco, portanto, celebrar a Páscoa como festa da ressurreição. Os cristãos, em todos os tempos, afirmam algo singular: cremos que Deus se fez carne; cremos que padeceu, morreu e ressuscitou em carne; cremos na ressurreição do corpo.
Celebrar a Páscoa como ressurreição de Jesus é afirmar a vida em sua plenitude e o ser humano em sua totalidade. Celebrar a Páscoa como ressurreição é afirmar o corpo como sagrado. Celebrar a Páscoa como ressurreição é afirmar a esperança da vida eterna!
Vi no http://edrenekivitz.com/blog/2012/04/creio-na-ressurreicao-corpo/
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O invejoso não consegue esconder o tamanho de sua contrição. Por mais que agrida, sempre sofre. O valor que brilha nos outros dói nele. Não se conforma em ver-se preterido pela Providência. Seu talento, genialidade e riqueza não podem ser subavaliados. Muitas vezes piedoso no que constata, embarga a voz. Mas seu choro nunca expressa admiração. É jeito de remoer-se. Ardiloso, consegue até criar um eufemismo: inveja é apreciação – mal resolvida talvez, mas apreciação. Ressentido, chega a largar as pedras; prefere encher as mãos de lama. Melhor sujar do que matar.
O invejoso adora rotular. As etiquetas que pendura no peito dos desafetos não pretendem diminuir. São meras tentativas de afastar incautos da grandeza de quem abomina. “Como pode ser tão admirável”, pergunta-se. Alexandre Pronzato não deixa por menos: “O homem torna-se uma abstração quando lhe colo na pele uma etiqueta, quando o classifico. E quantas etiquetas existem por aí, já prontinhas! Materialista, ateu, liberal, comunista, progressista, revolucionário, libertino, reacionário. E a etiqueta impede de vê-lo e avizinhá-lo em sua realidade mais autêntica: um homem, um irmão”.
O invejoso não consegue amar; sequer amar a si mesmo. Detesta-se por não ter ou ser o que tanto aprecia. François Varillon diagnostica: “Se amasse ou se amasse bem – porque há um amor por si mesmo que não é egoísmo – não ficaria descontente com a força, a riqueza ou talento que florescem a seu redor e tornam o mundo mais belo”.
José Ingenieros sintetiza toda a psicologia da inveja numa simples fábula: “Um ventrudo sapo grasnava em seu pântano quando viu resplandecer no mais alto de uma pedra um vagalume. Pensou que nenhum ser teria direito de luzir qualidades que ele mesmo não possuiria jamais. Mortificado pela própria impotência, saltou em direção a ele e o encobriu com seu ventre gelado. O inocente vagalume ousou perguntar ao seu algoz: ‘Por que me tapas? E o sapo, congestionado pela inveja, apenas conseguiu interrogá-lo: ‘Por que brilhas?’”.
Os Dez Mandamentos, contados (ou percebidos) de cima para baixo, podem mostrar a degradação que a inveja impõe aos cobiçosos. O mandamento dez ordena: não cobice. A partir daí começa a derrocada do invejoso: no nono mandamento, levanta falso testemunho; no oitavo, rouba; no sétimo, traí; e no sexto, mata. Cobiçoso e homicida, separados no processo de agir, são iguais.
René Girard denomina essa mistura de desejo mimético. Girard usa a palavra mímesis porque entende que a violência se esconde no desejo. Somos constituídos a partir da imitação. E essa imitação não evolui, entre homens e mulheres, impune. Desejamos, desde o dia em que nascemos. Desejo que tanto leva à imitação quanto gera a vontade de suplantar o outro. Desejo e rejeição se imbricam na constituição humana. Admiramos e odiamos, simultaneamente, quem se mostra capaz de possuir o que se tornou o alvo de nossa cobiça. Se, a princípio, imitamos, logo rejeitamos. Desejo mimético é disputar não apenas a posição que o outro ocupa ou o que ele é, mas, desejar os mesmos desejos que ele. Portanto, desejo mimético pode ser sintetizado numa pequena frase: desejar o que o outro deseja.
James Alison explica a teoria mimética de René Girard valendo-se de uma boa ilustração. “Quero uma jaqueta de aviador de caça porque vi o Tom Cruise vestindo uma no filme Ases Indomáveis (Top Gun). Até aqui tudo bem. Tom Cruise está muito longe. Eu nunca o conheci pessoalmente e nunca vou brigar com ele por causa de sua jaqueta. Além do mais, empresários inteligentes já se adiantaram à ocasião saturando o mercado com jaquetas de aviadores de guerra, de maneira que não vou precisar disputá-las com o mediador do meu desejo. Próximo de casa, todavia, depois de termos assistido ao filme Ases Indomáveis, um amigo e eu saímos às compras em busca de uma jaqueta de couro; e ele quer que eu o acompanhe para ajudá-lo a escolher uma bela jaqueta de aviador. De repente, ele vê uma jaqueta tipo Ases Indomáveis com um design bacana que adora, mas não tem dinheiro para comprar. Misteriosamente, nenhuma das outras 378 jaquetas da loja me chamam a atenção. Tenho que possuir aquela. Mais tarde, volto sorrateiramente à loja com meu cartão de crédito e a compro. Quando, mais tarde, encontro meu amigo num bar, ele não está nem um pouco contente. Discutimos violentamente: ‘Você roubou minha jaqueta’, ele diz. ‘Eu vi primeiro’. ‘Isso não é verdade’, digo. ‘Eu sempre a quis’, respondo, escondendo de mim mesmo e de meu amigo o fato de que, na realidade, por gostar dele e por querer ser como ele, eu tinha que tê-la. De qualquer maneira, por que o imbecil do meu amigo fez tanta questão que eu o admirasse naquela jaqueta, por que fez tanta questão que eu também a cobiçasse?”.
Eis a trilha por onde a inveja se intromete. Sorrateira, se instala na alma e gera violência. Valendo-se de pensamentos bem lógicos e racionais, o invejoso esconde no porão do inconsciente o que o desnuda: ele não passa de um fraco. Por isso, despreza. Encerrado na própria solidão e desesperado em mostrar-se essencial ao mundo, ausenta-se de tudo e de todos – Eis o Inferno, senhoras e senhores. À beira do barranco, onde inferno e solidão se confundem, o invejoso vomita sua maledicência no mundo. Inebriado, procura no próprio charco o espelho de sua formosura. Nada sente senão ressentimento e ódio. “Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras…” [Vinicius de Moraes]
Soli Deo Gloria
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/meditacoes/o-inferno/
O inferno
O invejoso não consegue esconder o tamanho de sua contrição. Por mais que agrida, sempre sofre. O valor que brilha nos outros dói nele. Não se conforma em ver-se preterido pela Providência. Seu talento, genialidade e riqueza não podem ser subavaliados. Muitas vezes piedoso no que constata, embarga a voz. Mas seu choro nunca expressa admiração. É jeito de remoer-se. Ardiloso, consegue até criar um eufemismo: inveja é apreciação – mal resolvida talvez, mas apreciação. Ressentido, chega a largar as pedras; prefere encher as mãos de lama. Melhor sujar do que matar.
O invejoso adora rotular. As etiquetas que pendura no peito dos desafetos não pretendem diminuir. São meras tentativas de afastar incautos da grandeza de quem abomina. “Como pode ser tão admirável”, pergunta-se. Alexandre Pronzato não deixa por menos: “O homem torna-se uma abstração quando lhe colo na pele uma etiqueta, quando o classifico. E quantas etiquetas existem por aí, já prontinhas! Materialista, ateu, liberal, comunista, progressista, revolucionário, libertino, reacionário. E a etiqueta impede de vê-lo e avizinhá-lo em sua realidade mais autêntica: um homem, um irmão”.
O invejoso não consegue amar; sequer amar a si mesmo. Detesta-se por não ter ou ser o que tanto aprecia. François Varillon diagnostica: “Se amasse ou se amasse bem – porque há um amor por si mesmo que não é egoísmo – não ficaria descontente com a força, a riqueza ou talento que florescem a seu redor e tornam o mundo mais belo”.
José Ingenieros sintetiza toda a psicologia da inveja numa simples fábula: “Um ventrudo sapo grasnava em seu pântano quando viu resplandecer no mais alto de uma pedra um vagalume. Pensou que nenhum ser teria direito de luzir qualidades que ele mesmo não possuiria jamais. Mortificado pela própria impotência, saltou em direção a ele e o encobriu com seu ventre gelado. O inocente vagalume ousou perguntar ao seu algoz: ‘Por que me tapas? E o sapo, congestionado pela inveja, apenas conseguiu interrogá-lo: ‘Por que brilhas?’”.
Os Dez Mandamentos, contados (ou percebidos) de cima para baixo, podem mostrar a degradação que a inveja impõe aos cobiçosos. O mandamento dez ordena: não cobice. A partir daí começa a derrocada do invejoso: no nono mandamento, levanta falso testemunho; no oitavo, rouba; no sétimo, traí; e no sexto, mata. Cobiçoso e homicida, separados no processo de agir, são iguais.
René Girard denomina essa mistura de desejo mimético. Girard usa a palavra mímesis porque entende que a violência se esconde no desejo. Somos constituídos a partir da imitação. E essa imitação não evolui, entre homens e mulheres, impune. Desejamos, desde o dia em que nascemos. Desejo que tanto leva à imitação quanto gera a vontade de suplantar o outro. Desejo e rejeição se imbricam na constituição humana. Admiramos e odiamos, simultaneamente, quem se mostra capaz de possuir o que se tornou o alvo de nossa cobiça. Se, a princípio, imitamos, logo rejeitamos. Desejo mimético é disputar não apenas a posição que o outro ocupa ou o que ele é, mas, desejar os mesmos desejos que ele. Portanto, desejo mimético pode ser sintetizado numa pequena frase: desejar o que o outro deseja.
James Alison explica a teoria mimética de René Girard valendo-se de uma boa ilustração. “Quero uma jaqueta de aviador de caça porque vi o Tom Cruise vestindo uma no filme Ases Indomáveis (Top Gun). Até aqui tudo bem. Tom Cruise está muito longe. Eu nunca o conheci pessoalmente e nunca vou brigar com ele por causa de sua jaqueta. Além do mais, empresários inteligentes já se adiantaram à ocasião saturando o mercado com jaquetas de aviadores de guerra, de maneira que não vou precisar disputá-las com o mediador do meu desejo. Próximo de casa, todavia, depois de termos assistido ao filme Ases Indomáveis, um amigo e eu saímos às compras em busca de uma jaqueta de couro; e ele quer que eu o acompanhe para ajudá-lo a escolher uma bela jaqueta de aviador. De repente, ele vê uma jaqueta tipo Ases Indomáveis com um design bacana que adora, mas não tem dinheiro para comprar. Misteriosamente, nenhuma das outras 378 jaquetas da loja me chamam a atenção. Tenho que possuir aquela. Mais tarde, volto sorrateiramente à loja com meu cartão de crédito e a compro. Quando, mais tarde, encontro meu amigo num bar, ele não está nem um pouco contente. Discutimos violentamente: ‘Você roubou minha jaqueta’, ele diz. ‘Eu vi primeiro’. ‘Isso não é verdade’, digo. ‘Eu sempre a quis’, respondo, escondendo de mim mesmo e de meu amigo o fato de que, na realidade, por gostar dele e por querer ser como ele, eu tinha que tê-la. De qualquer maneira, por que o imbecil do meu amigo fez tanta questão que eu o admirasse naquela jaqueta, por que fez tanta questão que eu também a cobiçasse?”.
Eis a trilha por onde a inveja se intromete. Sorrateira, se instala na alma e gera violência. Valendo-se de pensamentos bem lógicos e racionais, o invejoso esconde no porão do inconsciente o que o desnuda: ele não passa de um fraco. Por isso, despreza. Encerrado na própria solidão e desesperado em mostrar-se essencial ao mundo, ausenta-se de tudo e de todos – Eis o Inferno, senhoras e senhores. À beira do barranco, onde inferno e solidão se confundem, o invejoso vomita sua maledicência no mundo. Inebriado, procura no próprio charco o espelho de sua formosura. Nada sente senão ressentimento e ódio. “Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras…” [Vinicius de Moraes]
Soli Deo Gloria
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/meditacoes/o-inferno/
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