terça-feira, 21 de setembro de 2010

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Da subversão à brincadeira: como se resgata uma casa de oração?




O templo pode se tornar o lugar de seu maior desencontro e a comunhão mais legítima, uma violência inadiável.




Dias antes ele viera a um lugar que há muito não estava lá, aquela ‘Casa de Oração’ esquecida sob camadas de mentiras. Porque são necessárias muitas paredes para se esconder com eficiência uma grande mentira. Um grande templo para uma grande religião.



Os barulhos e os cheiros da procissão desembocando na cidade são familiares, homens e mulheres arrastando ofertas e expectativas. As músicas se revezam no embalo final dos que chegam ao lugar decisivo, à morada do Deus que não regateia seus rigores. E um Deus assim, tão inegociável, sempre cria filhos que aprendem a pechinchar à sombra de suas imperfeições.



Os olhos cansados esbugalham em rostos bronzeados pelo sol de tantos dias, andam-se muitos caminhos para se chegar a um templo. Olhares aflitos se destacam em faces ressecadas, cruzam-se desertos para que o templo cumpra seu papel. Gastam-se corpos, afetos, até a fé. O caminho que leva ao templo exaure forças, é epopéia de cansaços, senda de claudicantes. E toda fadiga termina se tornando um grande negócio.



E os que negociam já estão lá, como garantia de que o enorme esforço será triunfante. São mercadores mediando a grande utopia. Nenhuma fadiga, qualquer distância, incidente que seja pode ser tão imprevisível, tão suficientemente contingencial para assaltar a vitória do crente. O templo não pode ser comprometido com as precariedades do caminho.



O custo de um templo assim é alto, mas ninguém garante ofertas à altura de um Deus terrível sem pagar um preço elevado. A demanda é enorme, mas sempre haverá pombas, cabritos, bois e tudo o mais de que carecer o culto. Tudo para que Deus não seja frustrado pelo triste caminho que separa os humanos da glória.



O culto não para. Ninguém para. Nada pode estancar uma ordem que cumpre tão prodigioso papel: garantir um acerto glorioso com o divino. O templo realiza sua vocação à medida que sublima a vida dos imperfeitos. Tudo funciona lá dentro a despeito de tudo o que não funciona lá fora.



O barulho incessante empolga os guardiães do templo. É muito feliz a sensação de assistir à coreografia ininterrupta dos que chegam com tantas expectativas. E que partem já antecipando o dia em que voltarão. Nada é mais lindo aos olhos do sacerdote que o vai-e-vem inexorável da multitude encantada.



Mas um rito subversivo é urdido à margem do templo. E como todo rito é uma trama. Uma dramatização de anseios. Uma usina de novidades. Alguém costura o inusitado, fabrica uma revolta.



A primeira fabricação de um instrumento ultrasônico, aquele capaz de ultrapassar a barreira do som, foi um chicote. Isto porque o movimento da chicotada é mais veloz que o som por ela produzido. E o que direi agora pode ser a descrição mais profana que já se fez de um homem. Um nazareno reuniu todas as iras que a religião do templo lhe provocou em cada tira de corda costurada. Ele mesmo fez o chicote que interromperia o barulho do ajuntamento em transe. O slasch viria depois da dor. Eis o rito mais subversivo. Nada mais apropriado para acordar gente encantada que o som da idéia chegar depois do estrago já feito.



E foi assim. Um homem enfurecido ziguezagueou pelo pátio chicoteando com poucos critérios os que ainda negociavam. A princípio, imaginou-se serem soldados romanos descontentes pelas comissões. Houve quem afirmasse, enquanto corria, que era um endemoniado. O som do chicote e as mesas viradas dos cambistas fizeram a voz do reclamante se multiplicar em tantas que nem imaginamos quem pudesse ser, até o pátio em pandemônio dar lugar ao silêncio estupefato dos que ali permaneceram. E sozinho, resfolegante, restava com a arma ainda empunhada, Jesus.



O amor assusta ao fazer-se ódio. Desvela-se em tensão, revolta e ruptura. Sombrio e violento, mas amor.



Com câimbras na mão e a voz já rouca, vaticina pela última vez: vocês transformaram este lugar em um covil de ladrões. E pensar que um dia já foi uma Casa de Oração. A família, distante, desconfia de sua sanidade. Os discípulos, sem coragem de se aproximar, lembram do profeta. O zelo por sua casa me consumirá.



Dispersos os mercadores, uma gente, que ninguém vê há tanto tempo por ali, aparece vinda de todos os cantos, e nada os impede agora, são os cegos e os mancos. O chicote, quente e trêmulo, despenca teatral da mão de Jesus, tão lentamente quanto a compaixão que agora o envolve. Um Deus assim, tão improvável, sempre junta os filhos dos quais o templo se esqueceu.



As crianças, que tem no mundo um lugar de imaginação, a continuidade das histórias ouvidas antes de dormir, olham a cena e enxergam o que ninguém vê. Apenas continuam a história preferida. De um Davizinho que derrubava gigantes com uma atiradeira na mão, mas curava a tristeza de reis com harpas e poesia. Agora ele tinha um filho, que expulsa gigantes com um chicote, mas toca os doentes como Davi dedilhava sua harpa.



E começaram a se divertir com a mais nova brincadeira, e viam quem gritava mais alto: Hosana ao Filho de Davi!




Vi no http://elienaijr.wordpress.com/

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

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O novo livro de Ricardo Gondim




quinta-feira, 9 de setembro de 2010

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Uma igreja fora dos templos




O jovem Huw Tyler, de 23 anos, ia apressado de metrô para Camden Town, bairro de Londres, na Inglaterra, vestindo a camisa azul do Pentecost Festival e o crachá que o identificava como designer gráfico. Durante dez meses, ele trabalhou voluntariamente num imenso prospecto com o mapa dos acontecimentos pela cidade. E agora estava tudo acontecendo, em apenas um fim de semana. Depois de quase dois anos de planejamento envolvendo mais de duzentas igrejas, a capital britânica presenciou, entre os dias 10 e 12 de maio, mais de 100 eventos com um só objetivo: mostrar que a Igreja de Jesus está viva e é culturalmente relevante. No espírito de Pentecostes, o festival procurou usar todas as linguagens possíveis – música ao vivo, exposição de artes plásticas, danças, competições de esportes radicais, peças teatrais, debates e palestras, além de muita oração e adoração pelas ruas. De show de hip-hop a palestra do teólogo e cientista Alister McGrath, que participou da seqüência de eventos com uma aula na University College London para refutar as teorias ateístas de Richard Dawkins.




“A igreja deixou seus edifícios”, dizia o slogan do festival, continuamente repetido por Andy Frost, de 29 anos. Dirigente da Share Jesus International (SJI), uma entidade paraeclesiástica com cara de agência evangelística, Frost herdou de seu pai, Rob, pastor metodista falecido em novembro do ano passado, o projeto de promover eventos fora dos espaços a que a Igreja Evangélica parece ter ficado confinada na Inglaterra. Quem olha para sua cara de surfista descolado – há seis anos ele esteve no Brasil e surfou no Rio de Janeiro e na Bahia – não imagina de pronto que ele seja crente. “Queremos mudar a percepção que as pessoas têm da Igreja, quebrar os estereótipos e representar Jesus”, enumera. Ele comanda um time em que quase todos são voluntários, de várias profissões, com média de idade abaixo dos 30 anos. A ordem é exercitar a criatividade ao máximo, quebrando resistências tanto das igrejas quando da cultura secular.



Frost bateu nas portas de praticamente todo mundo. E viu a Abadia de Westminster, sede da Igreja Anglicana, dizer sim, para sua surpresa. Eles cederam espaço para uma apresentação teatral. E muitas outras denominações toparam se integrar às ações. Aos oficiais responsáveis pela segurança da cidade, de sete milhões de habitantes, o evangelista levou os planos de eventos em parques, praças e ruas importantes. Outra surpresa: a reação foi a melhor possível, e ele conseguiu quase tudo que pediu. “Em Londres temos festival hindu, festival muçulmano, festival budista; por que não um festival cristão?”, concordou um dos policiais. O rapaz conseguiu também envolver no projeto diversas instituições de ação social, como Compassion e Christian Aid. O dinheiro recolhido nos eventos pagos foi revertido a obras beneficentes. A Bible Society comprou a idéia e participou ativamente, organizando, entre outras atividades, um debate com políticos cristãos.



Oração na praça – Na sacada de um restaurante em frente à Leicester Square, palco de apresentações musicais do evento, Frost e parte de sua equipe receberam, em clima descontraído, vários jornalistas para contar o que ia acontecer. Dias depois, ele não escondia uma ponta de decepção quanto à cobertura. “Há um preconceito contra os cristãos. A mídia gosta de contar histórias ruins sobre a Igreja. Não as boas”, lamenta, lembrando dos muitos trabalhos sociais realizados pelos evangélicos britânicos que costumam ser ignorados pelos meios de comunicação. Uma entrevista sua para a BBC acabou não indo ao ar no jornal noturno. A matéria saiu para dar mais tempo a um caso de homicídio.



A resposta pode ser mesmo deixar os templos e ir para as ruas. Na saída do metrô de Leicester Square, área coalhada de teatros e turistas, o estudante de medicina David Scheepers, de 28 anos, membro de uma comunidade anglicana, distribuía panfletos e convidava o povo a assistir às apresentações de música no palco montado na praça. Andando uma quadra, já era possível ouvir músicas de louvor executadas por vários grupos evangélicos. Amazing grace ecoava enquanto as pessoas sentavam na grama da praça para ouvir, no sábado ensolarado. Os crentes oravam e aconselhavam ali mesmo. De acordo com os relatórios obtidos depois dos eventos, sete em cada dez pessoas abordadas aceitaram receber orações. “Fomos bem acolhidos. Nossa intenção inicial era interceder, mas as pessoas se aproximavam, perguntavam sobre a fé e recebiam ministração”, disse, ofegante, a seminarista batista Vicki Patman, de 30 anos, ao retornar de uma longa caminhada de evangélicos em pontos-chave da cidade.

As expressões de fé foram muitas. David Landrum, que atua oficialmente no Parlamento inglês pela Bible Society, conduziu um grupo de intercessão ao redor dos prédios da Câmara dos Lordes e da Câmara dos Comuns. “A oração pelo Parlamento acontece há cinco anos e desta vez programamos para que acontecesse junto com o Pentecost Festival”, explicou. Em meio aos turistas que miravam com suas câmeras o imponente Big Ben, Landrum pedia a Deus, com seu grupo, um reavivamento na Inglaterra. Parou também junto a um monumento em memória da Sociedade Anti-escravista, fundada em 1787 por William Wilberforce, e dali clamou a Deus por leis justas. Sua preocupação mais imediata era a discussão de uma lei, aprovada alguns dias depois, que permite experiências com embriões híbridos usando DNA humano e animal. Uma tentativa de eliminar o projeto, capitaneada por parlamentares cristãos, foi derrotada por 336 votos contra 176.



Adoração artística – Enquanto alguns se manifestavam por meio da oração, outros o faziam pela arte. A escultora Sue-Jane Mott, 40, foi uma das artistas a expor suas obras na Igreja Metodista Central Hall. O cenário tem história – foi ali, em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, que aconteceu a primeira reunião da Organização das Nações Unidas. Entre as obras mais marcantes, os criativos e delicados potes de cerâmica que representam as lágrimas dos justos, em referência ao texto de Apocalipse. “Minha arte é parte do que sou e da relação que tenho com Deus. Também é adoração. Algumas vezes me inspiro nas Escrituras; outras na natureza”, explicou Sue. Longe dali, em um pub de Camden Town, o artista gráfico Ajinbayo Akinsiku, o Siku, de 43 anos, britânico de origem nigeriana, ensinava suas técnicas de quadrinhos, que seguem o estilo japonês mangá. Deixando de lado o medo de errar, ele publicou com sucesso a Bíblia mangá, uma versão em quadrinhos para as Escrituras. Siku distribuía autógrafos e incentivava os crentes a criarem livremente sua própria arte.

”Representar é bom, e se for para Deus, é dez vezes melhor”, disse, por sua vez, a atriz iniciante Emma Frank, de 18 anos. Ela participa do musical Luv Esther, uma versão teatral, com roupagem pop, para o livro bíblico de Ester. Ao seu lado, o brasileiro Ricardo Castro, 20, que também participa da peça, mostrava entusiasmo: “A apresentação causa impacto. Falamos na língua do mundo para sermos compreendidos”. O espetáculo, montado pela missão NGM, que também faz as vezes de companhia teatral, teve apresentação vinculada ao Pentecost Festival, com arrecadação destinada ao combate à Aids na África do Sul.

A maratona com os mais de 100 eventos culminou com o encontro do Dia Global de Oração, que teve a maior concentração no pequeno estádio de futebol do Millwall, ao sul da cidade. Cerca de 11 mil pessoas foram para lá, animadas pelo domingo ensolarado. Famílias inteiras curtiram muita música cristã e oraram por motivos diversos, entre palavras de incentivo de vários pastores. O recém-eleito prefeito de Londres, Boris Johnson, apareceu de surpresa e pediu intercessão pela sua administração e pelo combate à violência em Londres. Ao mesmo tempo, um telão mostrava os rostos de adolescentes ingleses mortos em decorrência da ação de gangues, traficantes de drogas e assaltantes.



Em meio à multidão, James Elton, de 24 anos, vestia uma camisa da seleção brasileira. “Presente de um amigo que resolveu ser missionário no Brasil”, explicou. “É muito bom estar aqui com toda essa gente, clamando por todas as nações”, continuou, lembrando que a campanha de intercessão acontecia simultaneamente no mundo inteiro. Cheio de esperança de um novo vigor para a Igreja inglesa, o jovem britânico não titubeou: “A oração tem poder!” É com isso que contam os organizadores do Pentecost Festival. Na sede do SJI, em meio ao time de colaboradores, Frost fazia um balanço dos acontecimentos, já de olho no ano que vem. “Contaremos com o apoio de mil igrejas e vamos fazer muito mais eventos”, antecipa. O objetivo, garante, é manter a Igreja de Cristo atuando fora dos templos. “Precisamos parar de erigir impérios e construir o Reino de Deus”, sentencia.



Treici Schwengber e Valter Gonçalves Jr, de Londres


Vi no http://solomon1.com/a/2009/03/uma-igreja-fora-dos-templos/
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A saúde do movimento evangélico



Na adolescência, abandonei o catolicismo e fui rebatizado na Igreja Presbiteriana de Fortaleza. Desde então, migrei por várias tendências do protestantismo, que no Brasil assumiu-se como Movimento Evangélico. Fui membro da Convenção Geral das Assembléias de Deus (CGADB). Cooperei com a Associação Evangélica Brasileira (AEVB). Já falei em incontáveis congressos e conferências. Meu código genético religioso, portanto, é bem definido pelo Movimento Evangélico.




Pastoreio uma igreja com diversas comunidades locais espalhadas pelo Brasil. Caminho ao lado de parceiros e parceiras que levam a sério a vocação ministerial.



Reconheço, porém, que vez por outra peso nas tintas ao criticar o Movimento Evangélico. Não o faço como um observador frio e distante. Eu não me condenei ao ostracismo espiritual. Nunca quis tornar-me profeta auto-referenciado, sem interlocutores. Lido com gente; falo para mais de 3 mil pessoas todos os domingos. E, por mais que tente evitar, sempre que escrevo deixo as minhas impressões digitais religiosas.



Ao criticar, entendo que necessito ser cuidadoso. Não posso portar-me como o fariseu que corava de raiva quando se quebrava o til ou a vírgula da lei, mas era insensível para o abuso de princípios éticos que carcomiam a sua própria alma.



Ao criticar o Movimento Evangélico, não posso passar ao largo da iniquidade que condena milhões de brasileiros a viverem abaixo da linha da miséria. Escolado em ambientes puritanos sei como é possível ver-se sugado para o debate moralista. Eu não teria dificuldade de discursar sobre rigor sexual e arrancar bons aplausos dos que veem promiscuidade até nos desenhos animados que divertem crianças nas manhãs de sábado.



Não é difícil agradar os auditórios religiosos. Basta uma pitada de perspicácia: diante de um auditório burguês é suficiente repetir algumas doutrinas ortodoxas e todos se sentem felizes.



Insisto em escrever e falar porque o imperativo cristão não me larga. Não consigo calar diante de temas fundamentais como: justiça, solidariedade, tolerância, honestidade. O Evangelho me constrange. Sinto-me convocado a engajar-me na defesa do indefeso, na inclusão do excluído e na busca de justiça para o injustiçado. Diante desse categórico, nascem perguntas que não posso fugir: Qual a força do sistema de alienar-me? Para que lado ir na encruzilhada da Avenida Conforto com a Rua Responsabilidade?



Acomodação ética não é desvio, mas deformação. Está deformada qualquer instituição, religiosa, política ou educacional, que seja ágil para denunciar o menos importante e lenta para detectar o essencial.



Uma geração periga quando diminuem os profetas (nestes tempos, não se conhece sequer a função de um profeta – secular ou religioso). A camisa de força da mesmice vem sufocando a criatividade. O patrulhamento do conservadorismo conspira contra a liberdade de pensar. Faltam profetas.



Carecemos de homens e mulheres que não tenham medo de denunciar com o dedo em riste: Esta geração está inebriada pela doutrina do sucesso e vai se afogar na ganância e na complacência.



Minha crítica ao Movimento Evangélico começou há alguns anos, quando vi líderes indignados com questões periféricas, mas silentes diante de atrocidades. Raras vozes se levantaram contra evangélicos norte-americanos que abençoaram uma guerra absurda. O Iraque foi invadido e destruído devido a uma mentira (Onde estavam as armas de destruição em massa?). Faz-se silêncio sobre a morte de centenas de milhares.



Noto o constrangimento de alguns conservadores que não gostam de serem considerados do mesmo naipe que Benny Hinn, Kenneth Hagin, Edir Macedo ou Valdemiro Santiago. Mas eles se sentem orgulhosos de confessar a mesma doutrina que Franklin Graham, Pat Robertson, John McArthur, Chuck Colson e Max Lucado. Talvez considerem esses senhores dignos porque repetem a "doutrina verdadeira" e são de um país riquíssimo.



Por mais que seja difícil sentar ao lado de neopentecostais ávidos por lucro, acredito ser exponencialmente pior participar da roda de quem, sob o manto do conservadorismo teológico, sustenta a agenda de direita belicosa dos Estados Unidos. George W. Bush se aposentou mas a sua cartilha ainda continua a valer entre os evangélicos: lutar contra o aborto e contra os homossexuais, mas defender a pena de morte e apoiar a National Rifle Association.





Mas adesismo não destoa dentro do Movimento Evangélico. Quando os militares dominaram a política brasileira, havia um acordo tácito entre pastores e ditadores. Os ditadores deixavam os pastores pregarem e conduzirem campanhas evangelísticas e os pastores faziam vista grossa para a tortura.



Não é possível varrer para debaixo do tapete da piedade que o Movimento Evangélico brasileiro se esmera no irrelevante. Igrejas se multiplicam nas redondezas urbanas, mas não têm agenda contra preconceito racial ou de gênero. Impressionam as estatísticas sobre os avanços dos evangélicos; resta perguntar se alteram a sorte de milhões de crianças que vivem em ruas fétidas e estudam em escolas sucateadas.



Lamentavelmente, enquanto os evangélicos se reúnem em conferências para discutir e defender sua identidade, o Brasil permanece na lista dos mais injustos do planeta.



Mesmo decepcionado e muitas vezes desestimulado, continuo escrevendo, pregando e trabalhando. Sei que uma nova geração se levanta; acredito que milhões de rapazes e moças desejam ser leais ao Evangelho e anseiam por novos ventos.



Também não jogo a toalha porque acredito que se nos calarmos as pedras clamarão.



Soli Deo Gloria




Vi no http://www.ricardogondim.com.br/

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

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A vida é a arte do encontro



Vinicius de Moraes foi quem disse a frase do título no meio do Samba da Benção, linda canção do poeta e diplomata. Ele ainda completou dizendo: “embora haja tanto desencontro pela vida”. A vida só faz algum sentido por conta de nossos encontros e desencontros.




Quando criança tudo o que se quer é o conforto do colo materno, a segurança do abraço paterno e a alegria dos momentos fraternos descontraídos. Sair correndo para abraçar o pai, a mãe ou mesmo o tio na porta da escolinha é uma celebração. A celebração do encontro. Cedo aprendemos a celebrar esses momentos mágicos e cheios de afetos que são os encontros com os que amamos.



A adolescência chega e já não se quer a presença tão próxima dos pais, agora o encontro é outro, o primeiro amor, a primeira paixão. Ah, como é esperada a hora de ir para escola para ver a garota que faz sentir um frio no estômago, os batimentos cardíacos acelerarem e a boa secar. O primeiro amor é celebrado num mundo que se revela pleno de sentimentos. Mas como há tantos desencontros pela vida, na maioria das vezes aquele primeiro amor se desfaz e o mundo desaba. Mas outros virão.



Amigos, os encontros que duram a vida inteira. Como são raros, mas como são preciosos. O bom amigo não cobra a sua presença, mas parece estar sempre presente. Sabe se ausentar quando necessário e sabe estar presente quando se precisa dele. Mesmo quando se distanciam e ficam anos sem se falarem pessoalmente, quando se vêem os verdadeiros amigos celebram, sem cobranças, e continuam a conversa de onde tinham parado da última vez que se viram. É uma pena que haja distanciamentos, que amigos se afastem, e, às vezes, virem até inimigos.



E quando achamos uma pessoa a quem amamos e que nos ama também e percebemos que queremos estar com aquela pessoa todos os dias, a vida inteira? Que coisa fantástica. Daí a vida é só encontro. Nem sempre dá certo, mas vale à pena tentar.



Em meio a todos os encontros e desencontros, há Um que deseja se encontrar conosco, mas insistimos em pegar rotas outras. Ainda bem que Ele está em todos os caminhos. Bom é ter sensibilidade para perceber no sorriso carinhoso da criança, no olhar embevecido do apaixonado, no abraço afetuoso do pai e no colo sempre disponível da mãe, além de um momento especial com as pessoas que amamos, um encontro com Aquele que nos ama. Deus é amor. Se nossos encontros são celebrações de amor, também são reveladores da sutil presença dEle.



Eu sei, às vezes parece que Ele é quem se afastou de nós. Até o crucificado perguntou o porquê do abandono. Mas são momentos em que é necessário estar só. Acredite, eles são necessários. Bom é saber que chegará o dia em que nosso encontro com Ele será definitivo e não haverá mais desencontros.



Até lá, vamos fazendo nossa vida ter sentido nos aprimorando na arte do encontro.



Márcio Rosa da Silva


Vi no http://marciorosa.wordpress.com/
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O pão seco de uma religiosidade egoísta



Quando Jesus multiplicou o pão e alimentou uma multidão, ele olhava para além da fome física. Havia uma fome naquela multidão que só seria saciada com um outro tipo de pão. É uma fome que todos nós temos, mas não é apenas do pão que perece, não é apenas de comida, nem uma sede só de bebida. É mais. É como aquela saudade de tudo o que ainda não vi, como cantou Renato Russo. É como uma ânsia pelo transcendente que não se explica, apenas se sente. É como aquele sentimento tão bem poetizado por Agostinho, o Santo: “Fizeste-nos para Ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti”.




A questão é: as pessoas querem realmente o pão que sacia essa fome? Ou será que buscam soluções que não passam de um arremedo formado por uma religiosidade medieval? Será que em vez de buscarem o Pão da Vida, querem mesmo é um naco de um pãozinho seco que é oferecido facilmente, mas que não alimenta a alma nem dá sentido a vida, apenas mata a fome por um instante e depois se quer mais.



Em outras palavras, será que as pessoas querem mesmo Jesus e sua mensagem, ou querem um deus que resolva seus problemas e as ajude a se darem bem sem muito esforço?



A parte mais visível, mais midiática, da igreja brasileira conseguiu vender um cristianismo medieval pré-reforma. Naquela época as pessoas pagavam para terem um lugar no céu, para conseguirem o favor divino, acreditavam em relíquias, etc. Pois hoje há uma multidão que lota auditórios disposta a pagar para conseguir um emprego sem muita dificuldade, para passar no concurso sem muito estudo, para ter uma doença curada sem nenhum tratamento. Estão dispostos a pagar o que for necessário para serem considerados filhos preferidos de Deus.



Não querem saber do Deus de amor, mas querem muito saber do deus de milagres, ainda que se tenha que pagar por eles. Mercantilizaram a fé. O produto maior desse comércio diabólico é deus. Não Deus, o Deus de Jesus, o Deus dos Evangelhos, mas um deus, um deusinho caprichoso, que aceita suborno para abençoar seus filhos. O Deus de Jesus não aceita suborno!



Deus não tem filhos preferidos. Deus nos ama a todos igualmente, com a mesma intensidade, com o mesmo amor. Porque vou exigir que Ele dê mais atenção para mim, então? Oração não é convencer a Deus do que é o melhor a fazer. Oração é derramar-se diante de Deus, para ser transformado por Ele, e não para transformá-lo. Oração é uma conversa entre um filho e um Pai, de maneira desinteressada, em que o filho se contenta em simplesmente ter a presença discreta do Pai.



A proposta de vida que Jesus traz não é a de uma religiosidade mágica que livrará as pessoas das agruras a todos impostas. Ele reprova aqueles que o seguem por causa do pão. Fica insatisfeito com isso. Seu discurso é que se alimentem do Pão da Vida que desceu do céu. Que tenham comunhão com ele e com sua mensagem, que tenham o seu caráter, o caráter de Cristo. Isso seria se alimentar do Pão da Vida.



Infelizmente é grande a multidão que, em vez do Pão da Vida, prefere o pão seco de uma religiosidade egoísta, que de cristã só tem o nome.



Márcio Rosa da Silva


Vi no http://marciorosa.wordpress.com/
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E Deus com isso?




Acho que não há dúvida que “tudo” é permitido por Deus. É fácil conferirmos isso através das notícias sobre a violência urbana, e sobre as mais diversas catástrofes naturais. De fato, não vemos nenhum movimento sobrenatural de Deus impedindo de forma concreta esse ou aquele fato. Sequestros, estupros, terror, morte covarde de crianças, jovens e adultos já nos sobejam nos noticiários.




Outra coisa que podemos afirmar que nem todo mal é mal em si. Sabemos que a tsunami foi um horror (mal) porque no seu trajeto muitos foram vítimas humanas. Uma enchente de um rio que levou centenas de casas e fez muitas vítimas assim ocorreu, não porque a enchente em si é um mal, mas por causa dos vitimados. Da mesma forma os tremores de terra acontecem, não por causa do homem, mas por causa das placas tectônicas. Isso nada tem a ver com o que é bom ou mal, a não ser quando sofremos.



E Deus com isso? Há algumas nuances observáveis nessa argumentação. Deus não deve ser responsável pela catástrofe como mal lançado contra os humanos maus, pois seria injustiça contra os “bons” que sofrerão de graça. Não creio que Deus mate a granel.



A presença do mal como sofrimento pode também ser vista como liberdade humana, logo amor de Deus. Deus “permite” tudo porque nos deixa livres para viver nossas escolhas. Há aqueles que escolhem a facilidade de moradia perto de vulcões pela beleza do lugar, aqueles que foram morar (escolha ou falta dela?) perto do açude ou rio para servir ao patrão entre o curral e a casa grande, aqueles que por um motivo ou outro moram em lugares com frequência de catástrofes, e ainda aqueles que em nome da fé derrubam aviões. E Deus permite? Sim, quem pode afirmar que não? Ele permite e sofre com tudo isso, basta lembrar que ele não agüentou nem ver seu filho sofrendo na cruz (Por que me desamparaste?), – identidade de nossos sofrimentos que, afinal, ele os levou sobre si.



Por outro lado, é claro que não duvido de seu poder, mas duvido que esse poder não seja expresso nas raias do amor. Porque, quem sabe esse todo-poderio não seja apenas mais sofrimento em nome de sua soberana escolha de amar, por isso nos deixar viver nossos dilemas enquanto nos convida a cuidar de nosso planeta?



Josué Oliveira Gomes.

Pastor na Igreja Betesda em Maceió
 
 
Vi no http://teologiaarminiana.blogspot.com/
 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

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Somente para imperfeitos



Uma igreja evangélica na região mais boêmia de São Paulo




“Nós não temos medo de errar. Temos medo de não amar.” A frase é proferida pelo designer pernambucano Kleber Freitas, 28 anos. Residente em São Paulo há três anos, Kleber freqüenta nos últimos doze meses a Vineyard Capital, a igreja da Baixa Augusta.



A Rua Augusta é uma das mais conhecidas vias urbanas de São Paulo e sempre se destacou pelo seu caráter boêmio. Repleta de botecos, baladas e boates para todos os gostos, também é famosa por concentrar, desde o final da década de 80, boa parte do meretrício do centro da capital, na região que é conhecida como “Baixa Augusta”. Casas de prostituição com nomes sugestivos como “Babilônia” ou a auto-explicativa “Las Jegas”, compõem o cenário da rua em que algum dia alguém entrou “a 120 por hora”.



Além dos cantores da Jovem Guarda diversas personalidades paulistanas já elegeram a “dona Augusta” como reduto cultural da cidade. É de se estranhar que a região tenha ficado ao abandono durante boa parte dos anos 90, tendo sido invadida pelo tráfico e consumo de drogas, os quais, junto com a crescente prostituição, acabaram por afastar boa parte da população. Porém, a partir do começo da última década, uma iniciativa de admiradores se empenhou em trazer de volta o aspecto cultural, investindo em teatros, cinemas e clubes noturnos “moderninhos”. Restaurantes e redes fast-food de culinária internacional incrementaram a miscelânea urbana que é a Rua Augusta, um lugar onde realmente é possível encontrar todas as tribos de São Paulo. Em menos de dez minutos de caminhada pela área, pode-se encontrar de patricinhas a engraxates, além de homossexuais, moradores de rua, cinéfilos, punks, prostitutas, emos e universitários. Por incrível que pareça, a convivência é pacífica e harmoniosa e a diversidade está totalmente ligada ao espírito do local.



Uma igreja na Augusta?


Talvez a última coisa a se esperar para os que conhecem a região é o fato de que uma igreja cristã tenha se instalado no “point” alternativo mais conhecido da capital. Mais estranho ainda porque, à primeira vista, não é possível distinguir quem é membro da igreja e, quem está apenas “gastando tempo na rua”. Mesmo alguns freqüentadores novatos das reuniões, que sempre acontecem nos domingos à noite, costumam demorar a entender que estão participando de uma igreja. Sidney Silva, 30, conta aos risos: “Teve um cara que ficou uns dois meses participando todos os domingos e foi procurar o pastor. Disse que se sentia bem, que se sentia motivado e perguntou qual seria o próximo passo. Ele queria saber se já estava na hora de procurar uma igreja”.



A quebra de paradigmas é levada a sério. Segundo Kleber, há uma preocupação em ser uma igreja cristã sem que haja a necessidade de controlar a vida das pessoas. “Um dos nossos domínios na internet é ‘Porque eu odeio religião’. Boa parte das pessoas que fundaram a igreja veio de contextos religiosos diversos, após sofrerem por não se encaixar com as normas. Aqui, nós não entendemos o cristianismo como regras a serem seguidas. Não é entrar em uma caixa. A maioria das igrejas prega hoje que você precisa fazer isso ou aquilo para ser cristão e na verdade a única coisa necessária é andar na direção que Jesus ensinou.”



O que é Vineyard?

As comunidades Vineyard existem no Brasil há cerca de 15 anos, mas como o próprio nome denuncia, a proposta original nasceu no exterior. Mais especificamente na Califórnia (Estados Unidos), quando, durante o começo da década de 70, um grupo de hippies recém-convertidos ao cristianismo passou a fazer reuniões semanais de ações de graças. Um pastor, John Wimber, se uniu ao grupo e criou as características (ou como eles preferem, valores) essenciais ao movimento. O grupo se multiplicou e atualmente existem aproximadamente 800 comunidades Vineyard apenas em solo norte-americano. No Brasil, são pouco mais de uma dezena de igrejas espalhadas pelo interior de São Paulo, Rio de Janeiro e alguns estados da Região Norte e Nordeste. Na maior metrópole brasileira, a Vineyard Capital é a primeira igreja representando o movimento.



No final de 2008, em São Paulo, um grupo de jovens cristãos, inconformados com os rumos das igrejas evangélicas, resolveu lançar uma proposta diferente de comunidade. Kleber explica: “Dois amigos, o José Mônaco e o Jota Mossad tiveram a idéia de criar um projeto de uma nova igreja. A primeira coisa lançada foi um site, o Proibido Pessoas Perfeitas. A partir daí a coisa começou a tomar forma e pouco tempo depois marcamos a primeira reunião”. Segundo o designer, desde o início da proposta já havia uma definição de que a igreja seria na Rua Augusta. “O nosso grupo já se identificava com a Augusta. Toda a loucura, caos, mistura. Sem contar que igrejas cristãs mais tradicionais nunca tiveram interesse no local. Então, ao invés de competir por espaço, quisemos realmente começar algo novo.” Quando questionados sobre esta predileção pelo local para se formar uma nova igreja, Jota Mossad, um dos fundadores, simplesmente coloca: “E porque não na Rua Augusta?”. Alguns dos membros, explicam sua visão particular a respeito da necessidade de uma igreja na região: “A Baixa Augusta é conhecida por abrigar prostitutas e moradores de rua, ou seja, pessoas que são “esquecidas” pela sociedade. E, teoricamente, o que uma igreja deve fazer é acolher essas pessoas e mostrar que elas também são importantes e amadas”, explica a sorridente Cíntia Rodrigues, cantora profissional, membro da igreja há quatro meses.




Igreja colaborativa


Em março de 2009, o grupo oficialmente abriu suas portas. Por falta de um local próprio, a igreja funciona no salão de um hotel. “É bom porque nossa única despesa é o aluguel. Aqui nosso foco não é pedir dinheiro para manter a igreja. Queremos nos esforçar junto com as pessoas para aprendermos sobre generosidade. O dinheiro de cada um pode ser investido onde bem entender e incentivamos que elas o usem sempre com consciência e pensando no amor ao próximo”, explica Kleber. Segundo os líderes, praticamente tudo que a igreja possui foi adquirido por meio de doação. E improvisar é imprescindível. O “púlpito” são apenas duas caixas de maçã, sobrepostas. Na porta, garrafas de água mineral ficam ao lado de copinhos descartáveis, canetas e uma placa que incentiva os presentes a anotarem o nome nos copos, diminuindo, assim, o desperdício.
 
 


A preocupação com a sustentabilidade não é a única questão “moderninha” na pauta. A maior parte dos participantes conheceu o movimento através da internet. A maioria possui curso superior e alguns se assumem como nerds. Na rede, a igreja possui site, blog e perfil em redes sociais como Orkut e Twitter. Uma série de vídeos online, com gravações sobre sexualidade e romance, chegou a contabilizar aproximadamente 20.000 acessos, quase cem vezes o número de freqüentadores da igreja. Todos os sermões são gravados e distribuídos gratuitamente em podcasts. Há planos para que em breve seja disponibilizado um álbum de músicas, que poderá ser adquirido gratuitamente, também pela internet. O público da igreja é formado majoritariamente por jovens da chamada geração Y, nascidos entre 1978 até o começo da década de 1990. Apesar disso, Kleber ressalta: “Não fechamos as portas para ninguém. Queremos acolher pessoas idosas e queremos acolher meninos de rua. Queremos caminhar com empresários e com prostitutas. Queremos receber pitboys e também homossexuais. Nossa preocupação realmente é com pessoas imperfeitas, que reconheçam suas limitações. A Augusta é assim, heterogênea. E queremos que aqui também seja um espaço para convivência, um lugar em que sejamos incentivados a vencer preconceitos.”




O futuro

Sobre os planos para o futuro, Kleber explica que a preocupação social está presente nas reuniões da igreja. “Jesus se misturava com as pessoas, interagia com elas e buscava ajudar em suas necessidades. Queremos demonstrar amor para as pessoas da Augusta, principalmente os moradores.” Jota enfatiza: “A igreja só terá alguma relevância quando os cristãos saírem das quatro paredes e agirem socialmente, culturalmente, ali na região. Socialmente, queremos encontrar formas de atingir todas as pessoas que precisam de ajuda ali, mendigos e prostitutas, pessoas que precisam de mais do que simplesmente uma igreja ali. E culturalmente, a gente pode ajudar ou se associar com as pessoas que já estão ali nas baladas, centros culturais e afins”. Perguntado sobre qual é seu grande sonho para a Vineyard Capital, ele não pensa duas vezes. “O término. Não sonho com um grande templo, com muitas pessoas cantando e tal. Não queremos pessoas vindo aqui domingo a pós domingo apenas preocupadas consigo mesmas, sem olhar para o próximo. Deus não quer isso. Ele quer o ser humano, por inteiro, quer todos os seres humanos. Ele não precisa de um templo. Ele deseja habitar em nós.”



Por Daniel Gonçalves de Souza



Vi no http://solomon1.com/a/






segunda-feira, 23 de agosto de 2010

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Fidelidade por um fio




Serei fiel, Senhor Jesus serei fiel.




Os votos desta canção muito cantada pelos evangélicos precisam ser mais bem definidos. Interessante como nossa compreensão do evangelho foi cada vez mais se estruturando na doutrina e cada vez menos na vida.

Para muitos de nós, ser fiel a Deus é de alguma maneira se encaixar aos textos ou as interpretações bíblicas.



O fiel não é aquele que se encontra amarrado por grossas cordas como as de âncora de navio. É mais parecido com um pássaro que constrói seu ninho, portanto confia sua existência a um frágil galho. O fiel é como o equilibrista na corda bamba, constantemente desafiado pela gravidade, pelo vento e pelo medo da queda. A fidelidade é frágil, e sobrevive em meio às dúvidas. Por outro lado, é extremamente resistente e capaz de sustentar a vida mesmo face à morte.



Quando Jesus convoca aos seus seguidores à fidelidade, não acredito que passava pela sua mente que eles se submetessem a um conjunto doutrinário. Isto seria a própria negação da fé.

Com isto estou querendo chamar a atenção para nossa prática de fidelidade.

Muitos imaginam um cristianismo pronto em todos os seus detalhes, com regras que preenchem todos os fatos da vida e trazem todas as respostas meticulosamente elaboradas. Quer dizer, ser fiel seria participar de uma verdade pétrea, absoluta, imutável e intransigente. Quem não obedecer ao livro, às doutrinas é infiel, e quem desobedecer é desviado.



Ao ver a luta de Jesus contra o legalismo e contra as estruturas religiosas, as quais as pessoas deveriam se subjugar para serem aceitas por Deus, para se sentirem amadas e participarem da comunhão com o Pai Celestial, não é possível acreditar que sua delegação de autoridade para fazermos discípulos no mundo todo, se desse justamente pelo viés daquilo que ele combateu até a morte.



Ao observar o convite de Jesus de que quem quisesse segui-lo deveria tomar a cruz, enfrentar os vendavais da vida, às aflições do mundo, às perseguições religiosas, se sujeitar a uma vida sem ter até mesmo um travesseiro para reclinar a cabeça, não se torna consistente imaginar a possibilidade de se ser fiel a uma estrutura estável, pronta ou de conformismo.



A vida cristã é instável, incerta, mutante e de inconformismos. Pois é uma vida de conversões.

Ser fiel é estar disposto a mudar todos os dias. O convite de Cristo é para uma transformação diária, e, portanto a impossibilidade de absolutizar alguma coisa.



Gosto do teólogo Carlos Mesters quando diz que a grande verdade do evangelho provoca conversão, pois se trata de uma nova vida, que leva a um novo comportamento moral e que na reflexão sobre esta vida descobre-se a doutrina, que registrada produz o livro e celebrada dá surgimento ao culto.



Quer dizer, a verdade cristã não é um livro, o livro é apenas o resultado desta verdade que caminhou na história produzindo vida, transformando vidas. O cristão fiel não é aquele que adota um livro, no caso a Bíblia, mas aquele que anda conforme a vida de Cristo que é transformadora a cada dia. A Bíblia é recebida como o livro que nos introduz ao Cristo.



Eliel Batista
 
 
 
Vi no http://www.elielbatista.com/
 
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Porque sei que vou passar




De repente, sempre de repente, dou de cara com a mais bruta realidade: vou passar. As páginas de meu livro estão se esgotando; os leves estalos de meu relógio, silenciando. A lua não passará por muitos outros eclipses antes de meu sono derradeiro. De dentro, ouço a incessante ladainha: Vou passar, vou passar, vou passar...




Sei que vou passar. Prometo pular da cama na segunda-feira sem a obrigação de mudar o mundo antes que chegue o sábado. Inconformado com roteiros alheios, prometo não apostar corrida com este maldito calendário que, ultimamente, anda tão apressado. Prometo ser mordomo do dia e vigiar para que a existência não desapareça em fatias semanais; que as semanas não se diluam em meses; que os meses não se esfarelem em anos; e que os anos não se acabem em décadas.



Sei que vou passar. Prometo não negar aos meus olhos a deliciosa lembrança da professorinha de matemática de minha adolescência. Mariazinha tentou ensinar-me equações do terceiro grau enquanto meus olhos apaixonados se concentravam na geometria do seu corpo. Prometo remontar aqueles dias quando desconhecia moralismos e tabus religiosos que, depois, assassinaram as minhas paixões adultas.





Sei que vou passar. Prometo recuperar o tempo que desperdicei sem ler. Vou continuar a escolher com apuro os bons escritores. Já aprendi com Machado de Assis a lembrar-me que a hipocrisia social é avassaladora; e que só conseguimos ser honestos sobre a vida se escrevêssemos “Memórias Póstumas”. Graciliano Ramos me ensinou sobre a miséria que condena o pobre a menos que uma cadela – a Baleia de "Vidas Secas". Fernando Pessoa, meu poeta maior, me conduziu à coragem de enfrentar a angústia existencial mesmo quando produz "Desassossego". Com Dostoievski aprendi que um Raskolnikov, ambiguamente assassino e redimido, habita em cada um de nós. Victor Hugo me fez descobrir Cristo na vida de Jean Valjean, o egresso das galés, que ama sem conhecer limites.





Sei que vou passar. Prometo continuar correndo longos quilômetros. Vou continuar a encharcar a camisa de suor por pura diversão. E quando beber água de coco e alongar os músculos doloridos trarei um leve sorriso de contentamento. Hei de manter ares de campeão nas maratonas, São Silvestres e em todas as corridas de rua que participar. Ao pendurar a medalha de participação no peito, vou deixar que um santo orgulho enrubesça o meu rosto.





Sei que vou passar. Prometo contar para os netos as histórias de meus pais. Ao narrar o que vivenciei de um passado que já não existe, transmitirei o legado de nossa família . Quero entregar a eles a carteira de Atleta do Corinthians do papai; meus netos se tornarão os futuros guardiões de uma relíquia sagrada. O poema que minha mãe escreveu em uma tarde triste continuará na parede do meu escritório. Prometo nunca riscar da memória o sorriso melancólico da mulher que me deu colo e peito.





Sei que vou passar. Prometo a brindar o vinho como liturgia divina, que celebra a aliança de amigos. Vou considerar a hora em que a lua tinge o dia de prata como a melhor hora do dia. Prometo ser amigo da noite, vizinho do silêncio e parceiro das madrugadas solitárias.



Sei que vou passar. Prometo ser inteiro no que fizer, amigo fiel, bondoso com o desconhecido e terno na hora dos tropeços dos outros. Vou procurar indignar-me com a injustiça; reverenciar os pacificadores, só eles são chamados filhos de Deus.



Sei que vou passar. Prometo encher a minha aljava com a delicadeza das rosas, a irreverência dos colibris, a folia dos golfinhos, a calma do jabuti, a imponência dos carvalhos e o renascer das marés. Procurarei trazer nos lábios, mesmo diante da grande crueldade, um sorriso sempre a dizer "sou feliz".





Soli Deo Gloria



Vi no http://www.ricardogondim.com.br/
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Será que “Todos os Dias de Nossa Vida” São Planejados ou Estabelecidos por Deus?[1]



Jack Cottrell[2]




QUESTIONAMENTO: Será que todos os dias de nossa vida já foram planejados ou estabelecidos por Deus? Se Deus “estabeleceu” todos os dias de nossas vidas, será que o nosso livre-arbítrio muda isso? Por exemplo, quando um bebê é abortado, será que o aborto muda o que Deus tinha originalmente estabelecido para essa vida? Quando abusamos de nossos próprios corpos (por exemplo, através do tabagismo, bebedeiras, glutonaria, etc.), será que esse comportamento muda o que Ele tinha estabelecido para nós? Ou será que Ele de alguma maneira trabalhou isso em seu plano?








RESPOSTA: É muito comum perceber a crença de que Deus realmente tem um plano estabelecido para a vida de cada indivíduo. Existem duas versões desta ideia. Uma delas é o ponto de vista calvinista, o qual diz que Deus, desde toda a eternidade, já predeterminou (predestinou) “o que quer que venha a acontecer”, incluindo cada detalhe da vida de cada pessoa. Nós não temos escolha real sobre o assunto. Se houver um aborto ou se prejudicarmos a nossa saúde através do fumo ou da glutonaria, isso simplesmente já faz parte do que Deus preordenou que irá acontecer. Esse É o seu “plano estabelecido”.







J. G. Howard diz desta forma: “A Escritura nos ensina que Deus tem um plano pré-determinado para cada vida. É ele que IRÁ ACONTECER. É inevitável, incondicional, imutável, irresistível, abrangente e intencional. É, também, na sua maior parte, imprevisível. Ele inclui tudo – até mesmo o pecado e o sofrimento. Envolve tudo – até mesmo a responsabilidade e as decisões humanas”.[3] Até as pessoas que não são calvinistas por vezes assumem que algo parecido com isso é verdadeiro. É comum ouvirmos coisas como: “Tudo acontece por uma razão”. “Há um propósito para tudo”. Depois que o New Orleans Saints venceu o Super Bowl em 2010, o quarterback vencedor Drew Brees exultou: “Estou me sentindo como se tudo estivesse predestinado a ser como foi”.







Isso simplesmente não é verdadeiro. Deus NÃO predeterminou tudo o que vai acontecer. Ele criou os seres humanos com livre-arbítrio, e nos diz em sua Palavra quais escolhas Ele quer que façamos. Porém, Ele não faz as escolhas por nós; isso iria contra seu objetivo de criar seres com livre-arbítrio em primeiro lugar. Ele não estabelece ou planeja os nossos dias por nós. Via sua vontade permissiva, Ele nos permite fazer nossas próprias escolhas, até mesmo aquelas que vão contra os seus mandamentos e desejos. Por causa de sua onisciência, Deus PRÉ-CONHECE todas as escolhas que faremos com o nosso livre-arbítrio, então Ele pré-planeja suas próprias respostas a essas escolhas; Ele, porém, de forma causal, não nos leva a fazer nada.







Mas Davi não louvou a Deus, enquanto ainda estava no ventre de sua mãe, “os Teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no Teu livro todas estas coisas foram escritas; os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nenhum deles” (Sl 139.16)? Deus não disse de Jeremias: “Antes de Te formar no ventre eu te conheci, e antes de você nascer eu Te consagrei; e Te dei por profeta às nações” (Jr 1.5)? Paulo não testemunhou que Deus o tinha separado, já desde o ventre de sua mãe (Gl 1.15)? Sim, através de Seu pré-conhecimento e sua intervenção providencial na vida destes homens (veja At 2.23), Deus realmente tinha um plano para eles e um propósito definido e estabelecido para suas vidas. Mas não devemos presumir que o mesmo é verdadeiro para cada vida; não somos autorizados a universalizar essas observações que foram feitas sobre certos indivíduos específicos que Deus preparou para papéis especiais em seu plano redentor.







A segunda versão dessa ideia de que Deus tem um plano estabelecido para a vida de cada pessoa diz que Deus tem um plano ideal todo arquitetado para cada indivíduo, mas Ele nos deixa completamente livres para DESCOBRIR qual o plano ideal e EXECUTÁ-LO por nós mesmos. Isso se aplica às decisões importantes, como a escolha do nosso cônjuge, ou vocação, ou faculdade; alguns pensam que se aplica a cada decisão que tomamos todos os dias, como a escolha do que vestir, o que comer no café da manhã ou qual caminho tomar para o trabalho. Uma vez que Deus não nos diz qual é o seu plano para nós, muitas pessoas conscienciosas se agonizam sobre se fizeram as decisões certas ou têm sido omissas à vontade de Deus sobre alguma coisa em particular.







Embora este não seja um erro tão grave quanto o Calvinismo, ainda é uma postura errada quanto à questão de saber se estamos ou não em conformidade com o “plano estabelecido” por Deus para as nossas vidas. Além dos indivíduos relativamente poucos na história bíblica, os quais Ele escolheu para papéis especiais em seu plano de redenção, Deus realmente não tem um “plano estabelecido” ou “plano ideal”, individual, único e específico para cada pessoa. Ele tem um plano GERAL para todos nós, como revelou em sua Palavra inspirada, a Bíblia. Este plano está contido nos códigos de leis que se aplicam em épocas específicas da história. Seu plano é que cada um de nós seja santo, como Ele é santo (1Pe 1.15-16). Nosso código de leis no Novo Pacto nos diz como realizar isso. Chamamos isso de sua vontade preceptiva, e ela se aplica igualmente a todos. Seu plano geral para todos nós também inclui o desejo de que todos sejam salvos (Mt 23.37; 1Ti 2.4, 2Pe 3.9).







Não obstante Deus QUEIRA que todos nós façamos todas essas coisas, Ele, de forma causal, não nos leva a fazê-las. Ele nos deixa completamente livres com nossa iniciativa de estudar a sua Palavra e descobrir os seus mandamentos e seus desejos para nós, que são os mesmos para todos. Ele também nos deixa completamente livres com nossas escolhas oriundas do livre-arbítrio para conformar ou não as nossas vidas com a sua vontade nesses assuntos.







Mas, e quanto às decisões que não são diretamente abrangidas por sua vontade revelada, como com quem casar ou qual vocação perseguir ou qual carro comprar? Dois comentários satisfazem. Em primeiro lugar, em sua vontade preceptiva revelada nas Escrituras, há PRINCÍPIOS GERAIS que somos obrigados a aplicar, os quais são relevantes para a maioria das decisões que teremos de fazer. Por exemplo, em relação ao casamento, a Palavra de Deus ensina que devemos manter o sexo dentro do casamento, que o casamento é entre um homem e uma mulher, e que cristãos devem casar-se com cristãos. Sobre o que cozinhar para o jantar, a Palavra de Deus ensina que alguém deve prover para a sua família (1Ti 5.8) e prover o alimento que irá promover a boa saúde e a vida (e, portanto, não quebrar o sexto mandamento).







Meu segundo comentário é este. Embora Deus tenha traçado alguns limites gerais que se aplicam à maioria das questões, enquanto ficamos dentro desses limites, Deus NÃO SE IMPORTA com quais escolhas específicas nós fazemos. Enquanto cumprirmos seus requisitos gerais para as nossas vidas, a maioria das decisões específicas NÃO IMPORTA. Deus não tem nenhuma “vontade definida” ou “plano estabelecido” para a pessoa específica com quem nós devemos casar, por exemplo. Enquanto ficamos sob a égide dos ensinamentos tais como os mencionados acima, podemos nos casar com quem quisermos (e com quem quiser casar conosco!).







(Para uma discussão mais completa sobre o tema, ver o meu livro, “Deus, o Soberano”, no capítulo sobre “A vontade de Deus”.[4])







Tradução: Cloves Rocha dos Santos







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[1] Nota do tradutor: Este artigo foi publicado por Jack Cottrell no dia 12 de fevereiro de 2010, na sua página do Facebook, na aba NOTES (NOTAS), onde ele, de forma fraterna, responde a várias perguntas relacionadas à vida cristã e também às dificuldades bíblicas por parte daqueles que visitam a sua página e se interessam pela sua opinião nos assuntos abordados.



[2] Nota do tradutor: Jack Warren Cottrell é um autor e teólogo cristão associado às Igrejas Cristãs Independentes/Igrejas de Cristo, as quais fazem parte do Movimento de Restauração Stone-Campbell. Ele tem sido professor de Teologia na Universidade Cristã de Cincinnati desde 1967. Ele é autor de numerosos livros sobre a Doutrina e Teologia Cristã. Jack Cottrell nasceu em Kentucky e foi criado em Stamping Ground, Kentucky. Casou-se com sua esposa, Barbara, em 1958. Cottrell ganhou um Bacharel em Artes (B.A.) da Universidade Cristã de Cincinnati em 1959. Em seguida, ele ganhou um Mestrado em Divindade (Mdiv) do Seminário Teológico de Westminster e o doutorado em Filosofia (PhD) do Seminário Teológico de Princeton. Cottrell retornou à Universidade Cristã de Cincinnati em 1967 como professor de Bíblia e Teologia. Desde então, escreveu mais de 20 livros sobre Doutrina e Teologia Cristã. Os tópicos frequentes abordados por ele incluem a graça, fé, batismo, exatidão bíblica, bem como a natureza de Deus. Ele também já abordou questões como liderança e teologia feminista no Cristianismo. Cottrell tem adicionalmente escrito diversos comentários bíblicos. As visões teológicas de Cottrell são semelhantes à opinião majoritária das Igrejas Cristãs Independentes/Igrejas de Cristo. Ele crê na inerrância da Bíblia. Ele também crê que o batismo por imersão é o momento no qual os pecados individuais são perdoados. Devido à sua formação dentro dos círculos reformados, Jack Cottrell tem sido um crítico convicto do Calvinismo. Cottrell está casado com sua bela esposa Barbara por mais de 50 anos. Eles ministram na Igreja Cristã da cidade de Bright, no estado de Indiana, nos EUA, e vive na cidade de Lawrenceburg, Indiana. Ele e Bárbara têm três filhos e quatro netos (fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Jack_Cottrell)



[3] J. G. Howard, Knowing God’s Will – and Doing It! – Conhecendo a Vontade de Deus – E a Fazendo! (Zondervan, 1976), página 12.



[4] Nota do tradutor: Jack Cottrell, What the Bible Says About God the Ruler – O Que a Bíblia diz Sobre Deus, o Soberano (College Press, 1984; reimpressão, Wipf e Stock, 465 páginas).




Vi no http://www.arminianismo.com/





sexta-feira, 20 de agosto de 2010

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Gerencia do movimento evangélico


Pensado por Roger


Sobre a inquietação e a intenção de Caio Fábio em partir para este tipo de crítica frenética não me cabe julgar. Sei que foi toda passional e típico CF, mas sei também que não foi correta.




Não que eu ache baixaria, não. Acho que ele pode chamar de bundão quem ele quiser, e de fato há muitos bundões por aí a fora, especialmente no meio religioso. São pessoas que não querem mudar o status quo e se beneficiam dele. De certa forma já fomos todos bundões, e Caio Fábio já foi o bundão mor quando estava à frente da AEVB.



Quando a turma conservadora dá chiliques ao ver nomes progressistas ganhando destaque frente à opinião pública nacional, não há nada para se estranhar. Pelo contrário isso é só um respaldo, uma confirmação de que tudo está indo no rumo certo. Mas quando a essas vozes soma-se a de Caio Fábio, fica um ponto de exclamação, ou de interrogação.



Não me cabe julgar se é algum tipo de ressentimento, com as pessoas que lhe “abandonaram” no episódio de sua queda. Paul Freston, por exemplo, questionou sua atitude em demorar em tornar a coisa pública enquanto faturava com seus títulos. Todos sabemos que críticas não faltaram ao fundador da “Fábrica de Esperança”. Caio certa vez debochou (justamente?) de R. Cavalcanti querer buscar sua linhagem episcopal pela história anglicana a dentro. Sem dúvida os colaboradores da Ultimato não foram os melhores colaboradores do caído cacique evangélico brasileiro.



Não me cabe julgar se Caio Fábio foi tomado por algum sentimento tão humano como a inveja, ao ver os holofotes da Globo lançados sobre outros nomes; ou pelo duro golpe de ver outros sendo escolhidos como voz representante do movimento frente à mídia.



O que me cabe é avaliar se o que ele fala é correto ou não, de acordo com meus princípios e valores (que como já disse, não são universais, e quando muito funcionam somente em minha vida).



Pois bem, Caio diz que não há nada de novo no protestantismo brasileiro. Mas o fato, e a reportagem mostram bem, é que há. [Quem quer apostar comigo que o Caio é capaz de apontar “o Caminho” como sendo “a única coisa verdadeiramente nova” no cenário brasileiro?] Ainda que conservadores se contorçam e tentem propor que o elemento novo está do lado do neo-pentecostalismo, o fato é que a reportagem da Época trás de forma pertinente aquilo que a Pós modernidade tem trazido de positivo para a engessada instituição protestante. Ricardo Gouvea salientou bem, todas as instituições sérias se vêem frente a este desafio: achar o seu papel no mundo de hoje, se reinventar frente à nova sociedade que está aí. Claro que isso não significaria abandonar todas as tradições, mas a mudança de paradigma é inevitável. Daí a cautelosa percepção de Gondim ser corretíssima.



“Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”



Isso pra mim significa que não haverá um Caio Fábio, Edir Macedo, Nicodemus, um Kwitz, um Gondim, um Brabo ou um Lou ou quem quer que seja para apontar a trilha a percorrer. As respostas serão construídas pelo rebanho, na prática do dia a dia, pois a igreja não acontece nos domingos nos cultos, nem na internet, ele acontece em casa, na cozinha, no trânsito, nas fábricas, no campo, no escritório, na escola, no dia a dia de cada cristão. Essa é a pós-modernidade na qual pessoas como Caio Fábio ainda não ousaram entrar.




Vi no http://teologia-livre.blogspot.com/
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A inveja caiada



Sobre o recente episódio Caio contra Gondim (via Pavablog) não há muito o que ser dito. Mas muito que se lamentar. Nesse último vídeo Caio Fábio faz um ataque mais direto a um amigo que prezamos, e isso dói.




Nossa reação é tomar partido, fazer piadinhas para diminuir a figura do amazonense - como a do título desta postagem que mistura o nome Caio com a hipocrisia do Cal, é chamá-lo respeitosamente de bundão mor, invejoso e coisas do gênero. Uma outra possibilidade é partirmos para a análise fria de todo o perfil psicológico do cenário verborrégico do cidadão e assim denegrir descordialmente a já arranhada imagem de alguém que já surfou homericamente na crista da onda, até tomar o famigerado caixote e jazer na praia com a boca cheia de areia e algas.



Ao percebermos que nosso desafeto reagiu ao ser chamado de invejoso, supõe-se que ali esteja o ponto fraco, e poderíamos usar a tática de cutucar essa ferida até vê-la sangrar.



É lamentável tudo isso, mas é humano, acontece nas melhores famílias.



No fundo, pensando melhor, essa guerra – a da inveja, do ciúme, do orgulho, das ambições – é uma guerra sem vencedores. Mais do que partidarismo, prevalece contudo um desejo ou um sentimento de justiça. Percebemos que há um ataque gratuito, um dano moral, um abuso. Nasce então o desconforto e a necessidade de punir o mal, o malfeitor, ou no mínimo detê-lo, ridicularizá-lo...



Nesse afã a internet está carregada e até lenta por causa das lutas de gladiadores virtuais. Eu mesmo me coloco vez ou outra no centro da arena para vexame próprio, na ilusão de que ao ver o inimigo caído ensanguentado, poderei bater no peito e ser alvo da admiração de um platéia de dezenas ou quiçá centenas de internautas.



O coração acelera. Os nervos se contorcem. Por que Deus quereria a doçura da vingança só para Ele? Por que caberia ao frouxo e injusto estado o papel de vingador? Até quando esperar? Vencer o mal com o bem seria uma máxima absoluta? Onde estão os limites dessa regra que nos empurra para a covardia com a desculpa de estarmos sendo espirituais?



Por que não admitirmos nossas próprias DÚVIDAS ao invés de encobertá-las? Por que manter uma fachada para reivindicar um papado perdido, vendido por um manjar de lentilhas?



Por que atacar a POESIA, não é ela quem nos liberta do abuso que a razão faz das palavras transportando-nos para a dimensão pura da comunicação?



Mais uma vez, lembro-me do Pequeno Príncipe.



A fala é a fonte dos mal-entendidos.



A atitude de Caio Fábio me revelou: Nem tanto que a fala faça com que uma pessoa deixe de fazer-se entendida a outra; mas muito mais, a fala tem o dom mágico de fazer com que outras pessoas entendam e percebam coisas sobre seu coração, que nem ela mesmo, entende ou perceberia – talvez sim, se tivesse permanecido no silêncio.



Houve um dia em que eu sonhara em ser um pacificador e poder, quem sabe assim, ser chamado filho de Deus. Fracassei um sem número de vezes.



Admiro porém os perseguidos, pois sei que a eles está reservado o Reino dos Céus. Até chego a invejar aqueles que são perseguidos de forma tão efêmera, como via internet. Sei que a dor das pedradas virtuais dói infinitamente menos que a dor das pedras verdadeiras. Não quero dizer com isso que seja café pequeno, o ser perseguido só com palavras, não, constrange, ofende e dói.



Tem muita gente que paga injustamente e sofre danos morais, mas tem gente que pagou com sangue e vida. A estes eu só admiro e, por covardia própria, não chego a invejar.




Vi no http://teologia-livre.blogspot.com/

terça-feira, 10 de agosto de 2010

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O que Deus não vai perguntar...




Deus não vai perguntar que tipo de carro você costumava dirigir... mas vai perguntar quantas pessoas necessitando de ajuda você transportou.




Deus não vai perguntar qual o tamanho da sua casa... mas vai perguntar quantas pessoas você abrigou nela.



Deus não vai fazer perguntas sobre as roupas do seu armário... mas vai perguntar quantas pessoas você ajudou a vestir.



Deus não vai perguntar o montante de seus bens materiais... mas vai perguntar em que medida eles ditaram sua vida.



Deus não vai perguntar qual foi o seu maior salário... mas vai perguntar se você comprometeu o seu caráter para obtê-lo.



Deus não vai perguntar quantas promoções você recebeu... mas vai perguntar de que forma você promoveu os outros.



Deus não vai perguntar qual foi o título do cargo que você ocupava... mas vai perguntar se você desempenhou o seu trabalho com o melhor de suas habilidades.



Deus não vai perguntar quantos amigos você teve... mas vai perguntar para quantas pessoas você foi amigo.



Deus não vai perguntar o que você fez para proteger seus direitos... mas vai perguntar o que você fez para garantir os direitos dos outros.



Deus não vai perguntar em que bairro você morou... mas vai perguntar como você tratou seus vizinhos.



Deus não vai perguntar quantos diplomas você conquistou... mas vai perguntar como você usou seu conhecimento para o bem comum.



Deus não vai perguntar quantos hectares tinha sua propriedade... mas vai perguntar se você ajudou a proteger o meio-ambiente.



Deus não vai perguntar quantas pessoas você atraiu para a igreja... mas vai perguntar como você influenciou o Mundo à sua volta.



Deus não vai perguntar que herança você deixou para seus filhos... mas vai perguntar que legado deixou para as próximas gerações.



E eu me pergunto:



Que tipo de respostas terei para dar?



Talvez Ele nem faça pergunta alguma. Bastaria Seu olhar prescrutante para que todas essas perguntas nos viessem à mente num abrir e piscar de olhos.



E você, está pronto pra encontrar-se com Deus?



Postado por Hermes C. Fernandes



Vi no http://hermesfernandes.blogspot.com/

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

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Quando é possível ouvir a voz de Deus.



Tem umas coisas na vida que começamos a fazer apenas para superar os próprios limites e com isso obter satisfação pessoal. Eu coloquei na cabeça que vou correr uma maratona. Tive inspiração num dos meus mentores, Ricardo Gondim, que já correu várias maratonas e serviu-me de exemplo. É algo meio insano, correr 42 km e 195 metros é agressivo ao corpo, antinatural até. Mas é uma superação.




Quando comecei a correr, há uns dois anos e meio, quase morri ao completar dois quilômetros. Pensei que jamais correria a “9 de julho”, de 10 km. Insisti nos treinos e, no ano passado completei a corrida do aniversário de Boa Vista. Inscrito para uma maratona que vai acontecer em outubro deste ano, comecei um treino mais sério, auxiliado por um especialista. De quando em quando temos que fazer um longão, treinos de longa distância, no jargão dos maratonistas.



Dia desses, eu e o meu treinador colocamos como alvo a distância de 25 km. Seria a primeira vez que completaria tal percurso. Para tanto é necessário que haja hidratação, o corpo perde muito líquido através da transpiração e a reposição é imprescindível. Chamei dois amigos para acompanharem a corrida de bicicleta e levarem a água para mim e meu treinador. Foram o Felipe e o Kyldery, dois jovens que freqüentam a mesma igreja que eu. A gentileza deles fez toda a diferença, e não só pela água, como vou deixar mais claro logo adiante.



Há algum tempo descobri que nossas experiências com Deus, perceber Sua presença, ouvir Sua voz, não acontecem só nos ambientes religiosos. Aliás, as epifanias, essas percepções de Deus, acontecem mesmo no cotidiano, na vida real, fora dos momentos e rituais religiosos. Pois tive uma dessas epifanias naquele domingo de manhã, enquanto corria. Eu ouvi a voz de Deus.



Quando cheguei na altura do 21º km eu já estava além dos meus atuais limites. A respiração estava bem, mas minhas pernas doíam muito, estavam pesadas e as articulações latejavam. Para completar, peguei uma avenida em que o vento estava contrário. Parece ridículo dizer isso, mas a essa altura ter um vento contrário faz sim diferença, você tem que fazer um esforço adicional, quando o corpo já está cansado.



Lá estavam o Felipe e o Kyldery me esperando para entregar a garrafinha d’água. Meu treinador, mais rápido e mais resistente, já tinha saído do meu campo de visão. Como não estava com sede, pedi que os meninos me encontrassem na próxima rotatória. Foi quando o Felipe perguntou como eu estava. Gritei que o corpo doía todo e que o vento ainda estava atrapalhando. Ele respondeu: “É assim mesmo, afinal são 25 km, eu estarei lá na frente te esperando”, depois pegou a bicicleta e foi embora.



Corri os próximos dois quilômetros chorando. Pude perceber que Deus diz exatamente a mesma coisa a nós. Algo como: “a vida é assim mesmo, você tem e terá dores, o vento pode atrapalhar, mas isso faz parte da vida. Só não esqueça que eu estarei por aqui, estarei logo ali na frente te esperando”. A certeza que nos move não é a de que Ele vai nos livrar das dores, mas que estará ao nosso lado. É isso que nos renova as forças para prosseguirmos na maratona da vida.



A voz do Felipe, naquela manhã, foi para mim como a voz de Deus.




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Igreja boa não é a que ajunta, mas a que espalha.



Nós temos uma vontade muito grande de que as pessoas nos sigam, de que possamos ser influentes. O Twitter é um exemplo claro disso. Tem prestígio quem tem muitos followers (seguidores). Assim também no Orkut, Facebook e outras redes sociais na internet, quem tem muitos amigos adicionados no seu perfil tem prestígio.




Da mesma forma, uma grande organização comercial sempre vai alardear quantas filiais possui, quantos empregados trabalham nela, quantos clientes tem, qual o faturamento da empresa, etc. Isso traz prestígio, se os números foram grandes, claro.



No mundo religioso, em especial no Ocidente, não parece ser diferente. Já virou motivo de piada os números “evangelásticos” de alguns movimentos. O evento reuniu 200 mil pessoas, mas a organização diz que foram um milhão de pessoas. E assim sempre.



Já se perdeu a conta de quantos livros já foram escritos para ensinar como fazer a igreja crescer. São livros que vendem como água, porque pretensamente “ensinam”, em poucos passos, como fazer a igreja local crescer e como tornar os membros da igreja fiéis. Em outras palavras, como fidelizá-los para que eles não saiam daquela igreja e ainda estejam sempre dispostos a fazer o que líder mandar.



Depois se diz que tal movimento realmente é de Deus porque cresce muito e as pessoas aderem a ele fervorosamente. É preciso ter cuidado ao dizer que o fato de muitas pessoas aderirem a um movimento o torna legítimo. O Nazismo contava com a adesão fervorosa de milhões e pessoas. E era o Nazismo.



O tamanho não legitima nada. Apenas dá poder ao movimento, à organização, seja lá o que for. Igreja, partido político, organizações comerciais, ou mesmo organizações criminosas, o que for, sempre que houver muita gente, esse grupo será poderoso, mas isso não quer dizer que as ações dessa organização sejam legítimas.



É evidente que eu sou um fervoroso defensor de que a igreja tem mesmo que crescer e ser frequentada. Ela é a comunidade dos seguidores de Jesus, e nas suas reuniões há, ou deveria haver, estímulo, oração comunitária, louvor comunitário, ajuda mútua e isso é muito bom. Aprendemos juntos sobre a palavra de Deus e aprendemos uns com os outros a viver essa palavra. Isso é muito desejável.



Mas ter uma igreja com muitas pessoas não é um fim em si mesmo. É uma oportunidade para dizer às pessoas que, ao saírem das reuniões da igreja, elas devem ser verdadeiros discípulos de Jesus indo pelo mundo, não apenas ficando na igreja, mas saindo dela e sendo realmente sal e luz num mundo que carece de um reflexo de Jesus.



Por diversas vezes, Jesus disse vem. Assim foi com seus discípulos, que depois formaram o grupo de apóstolos e para tantos outros. Mas, mais do que dizer “vem”, Jesus disse “vai”. Sim, há mais ordens de Jesus dizendo “vai”, do que dizendo “vem”. Ele não estava tão interessado em ter muitos seguidores, mas sim em que as pessoas que tivessem se encontrado com ele fossem embora, agora vivendo suas vidas de modo diferente, amando a Deus e às pessoas.



Penso que, em vez de querermos que a igreja seja composta de uma multidão que apenas se reúne, temos que desejar que a igreja seja uma multidão que se espalha e, por onde passa, reflete a pessoa de Jesus Cristo.




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O mundo conspira contra mim. Será?



Temos a mania de transferir para os outros a razão de nossas frustrações. É mais fácil, menos doloroso, dizer que alguém é responsável por nossas agruras, do que encarar a realidade e enfrentar os desafios propostos pela vida.




Uma vez, quando Jesus encontrou um homem que já fazia 38 anos que estava paralítico, perguntou se ele queria ficar curado. O homem, que estava à beira do tanque de Betesda, onde qualquer um que ali entrasse após um movimento periódico das águas ficaria curado de qualquer enfermidade (era o que se acreditava), não disse que sim. Disse apenas que não tinha ninguém que o ajudasse a ir para o tanque quando as águas se moviam. Transferiu para outros a causa da frustração que ele tinha.



Nós fazemos isso o tempo todo. No caso do paralítico de Betesda, é como se ele dissesse: “a culpa por eu estar aqui é dos outros, que não me ajudam”. E talvez fosse mesmo. Com certeza os outros estavam sendo egoístas e não ajudavam aquele homem.



Sejamos francos, a vida é, às vezes, muito cruel. E as pessoas são, muitas vezes, muito egoístas. O problema está em ficar a vida toda se lamentado disso. Ficar se lamuriando, se lamentando e posando de vítima de uma conspiração das pessoas contra você não vai resolver nada. É preciso reconhecer, também, que boa parte dos nossos reveses é causada por nossas próprias decisões mal tomadas.



Isso é o que Henri Nouwen chama de “complexo do ferido”, quando a pessoa passa o tempo todo se queixando daqueles que o feriram, que não o ajudaram, que o abandonaram. Esse autor, um cristão admirável, escreveu que as pessoas que nós mais amamos, aquelas que nos rodeiam, em algum momento vão nos machucar. Elas são humanas. Assim, em vez de ficar se lamentando continuamente, é preciso compreender que os relacionamentos por vezes nos frustram e até nos machucam e perceber a segurança que há no relacionamento com Deus, e receber o Seu abraço.



Ficar envolto em queixumes pode nos levar à paralisia. Ficamos paralisados em nossa vida, seja pela raiva, pelo ressentimento, pela mágoa, pelo desânimo, pela frustração. Falta-nos a coragem para perdoar quem nos feriu. Falta-nos ânimo para tomar as rédeas da nossa vida e prosseguir. Somos tomados pela letargia.



A resposta de Jesus para aquele paralítico queixoso foi incisiva: “levante-se, tome sua cama e anda!”.



Acredito que para aqueles que estão também paralisados por suas queixas e lamúrias diante da vida, revoltados com tudo e com todos, sempre lançando a culpa de seus fracassos nos outros, a palavra de Jesus é a mesma: “levante-se, toma a sua vida e prossiga!”. Às vezes é necessário levar um chacoalhão desses para acordar e se levantar. É preciso encarar os fatos, levantar a cabeça, tomar as rédeas da vida, como uma pessoa adulta, e avançar, prosseguir. Ficar fazendo manha como uma eterna criança não vai resolver. Penso que Deus nos quer maduros em nossa fé e capazes de enfrentar a vida, com todas as suas vicissitudes.




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Tão cristãos, mas tão diferentes de Cristo.



É de Gandhi a famosa frase: “Eu gosto do seu Cristo… mas não de seus cristãos. Seus cristãos são tão diferentes de seu cristo”. Para completar seu pensamento, aquele que foi indicado cinco vezes ao Prêmio Nobel da Paz acrescentou: “Estou seguro de que se ele vivesse agora entre os homens, abençoaria a vida de muitos que talvez jamais tenham ouvido sequer seu nome”.




Gandhi estava absolutamente certo em relação à sua percepção do cristianismo. Boa parte dos cristãos não se parece nada com Cristo. O que é lamentável, porque o desejo de Jesus é que seguíssemos suas pisadas. Ele mesmo disse que deveríamos fazer nós também o que ele havia feito: servir, amar, promover a justiça e a paz. Quando, na forma de servo, lavou os pés dos discípulos, ele disse que tinha feito para eles assim também fizessem a outros.



Jesus deu grande ênfase na proposta de que fossemos um com ele, assim como ele era um com o Pai. Tivéssemos unidade, identidade, semelhança. Esse é o propósito final na obra de Cristo, o sonho de Deus para nós, que sejamos semelhantes a ele. Filhos e filhas de Deus, irmãos e irmãs de Jesus, nosso irmão mais velho.



Ser semelhante a Jesus é amar a Deus com todas as suas forças, com todo o entendimento e de todo o coração. E ao próximo como a si mesmo. E o próximo é mulher, homem, preto, branco, rico, pobre, índio, não índio, heterossexual, homossexual, religioso, ateu. Todos devem ser amados, sem discriminação.



Se todos amassem ao próximo como a si mesmos, o paraíso seria estabelecido na terra. Seria feita a vontade de Deus assim na terra como no céu. O Reino de Deus já estaria estabelecido. Porque esse é o amor absoluto, como diz François Varillon, com que Deus nos amou e nos ama, a ponto de morrer por nós. Eu não teria coragem de morrer por outros, talvez por algumas pessoas mais próximas, mas não por um desconhecido. Mas Deus, em Jesus, assim nos amou.



Como o bom samaritano, preciso aprender a amar e ajudar o pobre à beira do caminho, o vizinho necessitado, o familiar desassistido, o irmão que sofre. Esse amor tem se revestir de concretude para que eu vista o nu, dê comida ao faminto, água ao sedento, visite o preso e o doente, acolha o estrangeiro.



Ser semelhante a Cristo é abraçá-lo, olhar para ele e dizer: “quero ser como você quando crescer. Sei que não sou o que deveria ser, mas quero ser como você”.



Diante de tudo isso, só me resta concordar com Gandhi. Os cristãos somos muito diferentes do nosso Cristo. Eu, de minha parte, estou tentando e desejando muito ser parecido com ele. Estou tentando.



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