terça-feira, 28 de junho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
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Jesus e o homossexual
"Ao amanhecer ele apareceu novamente no templo, onde todo o povo se reuniu ao seu redor, e ele se assentou para ensiná-los. Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe um homossexual surpreendido em sodomia. Fizeram-no ficar em pé diante de todos e disseram a Jesus: 'Mestre, este homossexual foi surpreendido em ato de sodomia. Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais homossexuais. E o senhor, que diz?'
Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.
Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: 'Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nele'. Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão. Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos. Jesus ficou só, com o homossexual em pé diante dele.
Então Jesus pôs-se em pé e perguntou-lhe: "Onde estão eles? Ninguém o condenou?"
'Ninguém, Senhor', disse ele. Declarou Jesus: 'Eu também não te condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado'."
Os ânimos no meio evangélico mostram-se cada dia mais acirrados. O prenúncio parece ser de uma batalha, tendo os cristãos do lado dos "defensores da família" e do outro os pervertidos e imorais homossexuais, ou "gayzistas" como alguns dizem.
Obviamente o texto acima nunca aconteceu, substituí a mulher adúltera pela figura de um homossexual nesse episódio da vida de Jesus. Não pude pensar em melhor ilustração para os nossos dias do que essa. Se Jesus estivesse em nosso meio, como esteve a dois mil anos atrás, seria com essa mesma animosidade dos cristãos e defensores da moral e dos bons costumes? Minha resposta a essa questão é NÃO.
Jesus era acusado de andar com pecadores, leprosos, beberrões, publicanos, samaritanos, prostitutas, pessoas odiadas e repudiadas pelos religiosos, não coadunando com suas atitudes pecaminosas, mas sim estando sempre em seu meio com atitudes amorosas e transformadoras.
Esse movimento contra os homossexuais, em sua grande maioria, é representado por gente inescrupulosa, que rouba dinheiro dos fiéis com pregações mentirosas, vendendo tudo quanto é porcaria em nome de Deus, sem caráter e oportunistas, usando todo tipo de política e politicagem para exaltar seus próprios nomes e não o de Cristo, colocam-se como os defensores das verdades do Reino de Deus, mas que no fundo não passam de charlatães da fé.
Me recuso a ser representado por esses tais em nome dessa "causa", e como evangélico reitero que não faço parte desse movimento pautado pelo ódio.
Obviamente como um cristão que procura pautar seus princípios pela bíblia também não aprovo a atitude de certos líderes liberais que pervertem o valor das Escrituras para ignorar as práticas pecaminosas e inseri-las no contexto da fé evangélica. A bíblia condena e sempre condenou a homossexualidade, sendo algo que fere o plano de Deus para o homem. Essa prática afasta o pecador cada vez mais de Deus, assim como qualquer outro pecado, não sendo pior ou melhor, apenas tendo consequências diferentes.
O Jesus que eu conheço veio para os doentes, andou no meio dos rejeitados, comeu junto com os excluídos, e sempre perdoou os arrependidos dizendo simplesmente "Eu também não te condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado".
Por Matheus Soares
Vi no http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/jesus-e-o-homossexual
Eles estavam usando essa pergunta como armadilha, a fim de terem uma base para acusá-lo. Mas Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo.
Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: 'Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nele'. Inclinou-se novamente e continuou escrevendo no chão. Os que o ouviram foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos. Jesus ficou só, com o homossexual em pé diante dele.
Então Jesus pôs-se em pé e perguntou-lhe: "Onde estão eles? Ninguém o condenou?"
'Ninguém, Senhor', disse ele. Declarou Jesus: 'Eu também não te condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado'."
Os ânimos no meio evangélico mostram-se cada dia mais acirrados. O prenúncio parece ser de uma batalha, tendo os cristãos do lado dos "defensores da família" e do outro os pervertidos e imorais homossexuais, ou "gayzistas" como alguns dizem.
Obviamente o texto acima nunca aconteceu, substituí a mulher adúltera pela figura de um homossexual nesse episódio da vida de Jesus. Não pude pensar em melhor ilustração para os nossos dias do que essa. Se Jesus estivesse em nosso meio, como esteve a dois mil anos atrás, seria com essa mesma animosidade dos cristãos e defensores da moral e dos bons costumes? Minha resposta a essa questão é NÃO.
Jesus era acusado de andar com pecadores, leprosos, beberrões, publicanos, samaritanos, prostitutas, pessoas odiadas e repudiadas pelos religiosos, não coadunando com suas atitudes pecaminosas, mas sim estando sempre em seu meio com atitudes amorosas e transformadoras.
Esse movimento contra os homossexuais, em sua grande maioria, é representado por gente inescrupulosa, que rouba dinheiro dos fiéis com pregações mentirosas, vendendo tudo quanto é porcaria em nome de Deus, sem caráter e oportunistas, usando todo tipo de política e politicagem para exaltar seus próprios nomes e não o de Cristo, colocam-se como os defensores das verdades do Reino de Deus, mas que no fundo não passam de charlatães da fé.
Me recuso a ser representado por esses tais em nome dessa "causa", e como evangélico reitero que não faço parte desse movimento pautado pelo ódio.
Obviamente como um cristão que procura pautar seus princípios pela bíblia também não aprovo a atitude de certos líderes liberais que pervertem o valor das Escrituras para ignorar as práticas pecaminosas e inseri-las no contexto da fé evangélica. A bíblia condena e sempre condenou a homossexualidade, sendo algo que fere o plano de Deus para o homem. Essa prática afasta o pecador cada vez mais de Deus, assim como qualquer outro pecado, não sendo pior ou melhor, apenas tendo consequências diferentes.
O Jesus que eu conheço veio para os doentes, andou no meio dos rejeitados, comeu junto com os excluídos, e sempre perdoou os arrependidos dizendo simplesmente "Eu também não te condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado".
Por Matheus Soares
Vi no http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/jesus-e-o-homossexual
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O Cavalheirismo Divino
Em seu afã por defenderem o atributo poder da divindade, muitos teólogos anulam seu amor. Fazem de Deus um impotente, capaz de destruir o mundo com água ou saraiva ou terremotos, mas não de salvar uma alma penitente.
Limites e liberdade andam juntos. Um Deus que não é absolutamente onipotente, não é um Deus limitado, mas sim livre; livre até mesmo para poder não poder o que bem entender. Deus em seu amor optou por poder também não saber e/ou determinar todo o futuro.
Deus não pode, não porque não queira. Ele não pode, não porque não deva. Ele não pode por simples incapacidade. Por exemplo, Deus é incapaz de cometer um assassinato. Deus é impotente para violentar uma criança, mulher ou ser humano. Deus não planeja catástrofes naturais. Deus não arquiteta dilúvios. Campos de concentração e assassinatos em massa não são dirigidos ou controlados por Deus.
A origem do mal não está em Deus. O mal em última análise não tem origem lógica ou no Logos (por definição), por isso então: mal. O mal está na ausência de Deus.
O conceito de um Deus onipotente no sentido absoluto tem sua origem mais na tradição grega do que na bíblica, essa diz, por exemplo, ser impossível que Deus minta. A onipotência grega é matemática, cartesiana, mecânica. A onipotência bíblica é pessoal, passional, amorosa. O amor é uma forma de onipotência. Só quem ama pode tudo.
Deus só é todo poderoso porque ama. Se não amasse não poderia nada. O amor é mais forte e maior que o poder. Quando em minha teologia ou hermenêutica o poder de Deus atropela seu amor, preciso repensar seus pressupostos. Deus caminha junto. Às vezes vai na retaguarda, às vezes nos ultrapassa, mas nunca nos atropela.
Deus não é poder, Deus é amor.
O incrível não está em Jesus pegar no chicote para por ordem no Templo (Sua casa), mas em Ele ter demorado tanto para fazer isso.
Se Deus usa de violência ou agressão, só pode ser um poder disciplinador, que visa o meu bem. Ele açoita e castiga os que ama. Por isso nem toda cacetada pode vir de Deus. Os açoites de Deus Pai visam o meu bem, o bem do filho. Sua vara e seu cajado me consolam. (Pauladas cheias de ódio não vem de Deus).
Quando Jesus ora, não a minha vontade mas a Sua. Ele não só mostra obediência, mas nos revela liberdade. Liberdade para obedecer e – mesmo assim - manter sua própria vontade, distinta da do Pai.
Deus nunca impõe seus valores à base da força, Jesus é a prova encarnada desse cavalheirismo divino. Às vezes não se sabe se está obedecendo, prestando favor, ou agindo por motivos próprios. No jogo de interesses, a autoridade nem sempre é clara. Quando o amor porém entra em cena, as relações de autoridade e poder perdem em força, o que falará mais alto é o tamanho do amor.
A ética ou moral de Deus não tem o seu ponto alto no Sinai, mas no Gólgota; não na força da Lei, mas fraqueza da Cruz.
Por Roger
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Venho das fronteiras. Filho de preso politico e de feminista, sei o preço do exílio. Canhoto, acostumei-me a não encontrar lugar nas salas de aula. Excomungado da Igreja Presbiteriana antes de completar 20 anos de idade, perdi o medo de cenho franzido. Pentecostal entre teólogos com bom currículo, experimentei o peso da suspeita. Migrante nordestino em São Paulo, senti na pele a sutileza do preconceito.
Na adolescência, enquanto esperava papai descascar laranja para todos os filhos, ouvia seu conselho: “Nunca negociem suas convicções”. Nos anos de chumbo da ditadura, ele vira seus colegas de farda simplesmente calarem. Amigos, para fugir da inclemência do regime, desciam a calçada para não cumprimentá-lo. Papai se sentiu só. “Silêncio”, dizia meu velho, “pode ser a mais covarde das covardias”. Nessas horas, sabemos quem é quem. Aprendi com ele: "chacais e colibris não bebem da mesma fonte; ratos e gatos não se escondem no mesmo lugar".
Mas ele também me ensinou que o bem prevalecerá até quando custa a vida de mártires. Mesmo na indiferença histórica, quando a lua se recusa a amenizar a noite e vampiros se desentocam, um bom fermento não cessa de levedar a massa. Meu pai, agnóstico, repetiu diversas vezes a verdade do Salmo primeiro: “Os ímpios não subsistirão na congregação dos justos; uma breve aragem se transformará em vendaval e os ímpios se espalharão como a moinha no deserto".
Moramos de favor na casa da vovó. Éramos uma “Grande Família”; talvez demasiadamente expostos uns aos outros, mas foi ali que aprendi a detectar arengas mal ensaiadas. Vem desde aqueles dias o asco com o sorriso manso de quem procura disfarçar sua mazela. Lobos vestidos de ovelhas acham que ninguém nota como são patéticos. Esforçam-se para parecer ortodoxos quando, na verdade, só defendem suas conveniências.
Anos se passaram e eu continuo nas fronteiras. Fiscais da "reta doutrina" estão permanentemente de plantão na espreita de um til mal colocado que sirva de combustível para suas censuras. O bombardeio é renitente.
Mas, espicaçado, achincalhado, não me vitimizo quando noto que estou me estrangeirando ao gueto. Não me impressiono quando avisado que sou “emissário do diabo”, “inimigo de Deus” ou “apóstata”. Meu caminho é inexorável. Não atenderei quem “têm zelo por minha alma” e pede: “volte atrás antes de queimar eternamente no inferno”. Sinto-me constrangido, nunca fragilizado, com o silêncio obsequioso de quem (só agora) receia ter o nome, minimamente, associado ao meu.
Paulo avisa que a obra de cada um será testada no fogo. Disponho-me a submeter no tribunal de Deus os milhões de quilômetros que viajei para ajudar igrejas de outras denominações, as escolas que a Betesda fundou, os seminários, conferências, congressos onde falei, o meu caráter na tesouraria, os aconselhamentos pastorais, as noites de vigília que passei ao lado de famílias enlutadas, os livros que escrevi, os sermões que preguei.
Na renitente cruzada contra mim, resta-me suplicar como Davi: “Caia eu nas mãos de Deus e não dos homens”. Deixo apenas uma nota aos que tentam me condenar: julgar precipitadamente é pecado. Balança enganosa é abominação. Alguns preferem cegar ao mercadejamento da verdade, à banalização do sagrado e ao aviltamento da ética para me caçarem. Do exílio, minha única surpresa talvez seja a de constatar que milhões, indignados com o livre pensar, são condescendentes com os neocambistas quando convocam Marchas por coisa nenhuma.
Se o Batista foi porta voz do que clama no deserto, não posso temer o meu ostracismo. Rechaço o conselho dos apóstolos da cautela. Vou no meu ritmo, não dos pusilânimes. Continuarei a clamar “basta” antes que pedras o façam em meu lugar. Acantonar-se é abrir passagem para os aproveitadores da credulidade popular.
Ensurdeço aos ataques porque me lembro: a tarefa de separar joio e trigo pertence aos anjos. O Supremo pastor apartará a ovelhas do bodes, mas seus critérios se distinguem dos doutores da lei. Fortaleço a minha caminhada porque logo será alardeado de cima do telhado o que aconteceu na surdina.
Soli Deo Gloria
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=66&sg=0&id=2414
Nasci e vivi nas fronteiras
Na adolescência, enquanto esperava papai descascar laranja para todos os filhos, ouvia seu conselho: “Nunca negociem suas convicções”. Nos anos de chumbo da ditadura, ele vira seus colegas de farda simplesmente calarem. Amigos, para fugir da inclemência do regime, desciam a calçada para não cumprimentá-lo. Papai se sentiu só. “Silêncio”, dizia meu velho, “pode ser a mais covarde das covardias”. Nessas horas, sabemos quem é quem. Aprendi com ele: "chacais e colibris não bebem da mesma fonte; ratos e gatos não se escondem no mesmo lugar".
Mas ele também me ensinou que o bem prevalecerá até quando custa a vida de mártires. Mesmo na indiferença histórica, quando a lua se recusa a amenizar a noite e vampiros se desentocam, um bom fermento não cessa de levedar a massa. Meu pai, agnóstico, repetiu diversas vezes a verdade do Salmo primeiro: “Os ímpios não subsistirão na congregação dos justos; uma breve aragem se transformará em vendaval e os ímpios se espalharão como a moinha no deserto".
Moramos de favor na casa da vovó. Éramos uma “Grande Família”; talvez demasiadamente expostos uns aos outros, mas foi ali que aprendi a detectar arengas mal ensaiadas. Vem desde aqueles dias o asco com o sorriso manso de quem procura disfarçar sua mazela. Lobos vestidos de ovelhas acham que ninguém nota como são patéticos. Esforçam-se para parecer ortodoxos quando, na verdade, só defendem suas conveniências.
Anos se passaram e eu continuo nas fronteiras. Fiscais da "reta doutrina" estão permanentemente de plantão na espreita de um til mal colocado que sirva de combustível para suas censuras. O bombardeio é renitente.
Mas, espicaçado, achincalhado, não me vitimizo quando noto que estou me estrangeirando ao gueto. Não me impressiono quando avisado que sou “emissário do diabo”, “inimigo de Deus” ou “apóstata”. Meu caminho é inexorável. Não atenderei quem “têm zelo por minha alma” e pede: “volte atrás antes de queimar eternamente no inferno”. Sinto-me constrangido, nunca fragilizado, com o silêncio obsequioso de quem (só agora) receia ter o nome, minimamente, associado ao meu.
Paulo avisa que a obra de cada um será testada no fogo. Disponho-me a submeter no tribunal de Deus os milhões de quilômetros que viajei para ajudar igrejas de outras denominações, as escolas que a Betesda fundou, os seminários, conferências, congressos onde falei, o meu caráter na tesouraria, os aconselhamentos pastorais, as noites de vigília que passei ao lado de famílias enlutadas, os livros que escrevi, os sermões que preguei.
Na renitente cruzada contra mim, resta-me suplicar como Davi: “Caia eu nas mãos de Deus e não dos homens”. Deixo apenas uma nota aos que tentam me condenar: julgar precipitadamente é pecado. Balança enganosa é abominação. Alguns preferem cegar ao mercadejamento da verdade, à banalização do sagrado e ao aviltamento da ética para me caçarem. Do exílio, minha única surpresa talvez seja a de constatar que milhões, indignados com o livre pensar, são condescendentes com os neocambistas quando convocam Marchas por coisa nenhuma.
Se o Batista foi porta voz do que clama no deserto, não posso temer o meu ostracismo. Rechaço o conselho dos apóstolos da cautela. Vou no meu ritmo, não dos pusilânimes. Continuarei a clamar “basta” antes que pedras o façam em meu lugar. Acantonar-se é abrir passagem para os aproveitadores da credulidade popular.
Ensurdeço aos ataques porque me lembro: a tarefa de separar joio e trigo pertence aos anjos. O Supremo pastor apartará a ovelhas do bodes, mas seus critérios se distinguem dos doutores da lei. Fortaleço a minha caminhada porque logo será alardeado de cima do telhado o que aconteceu na surdina.
Soli Deo Gloria
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=66&sg=0&id=2414
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Venho a ti, Mestre das parábolas, com sede de poesia. Viajei por compêndios acadêmicos exatos, perambulei por pensadores herméticos. Li e reli, mas nos recessos da alma permaneço com uma sede insaciável. Entardeço com a angústia do Eclesiastes (6.8): “Que vantagem tem o sábio em relação ao tolo?”. A busca do conhecimento absoluto enlouquece. Repito G. K. Chesterton (1874-1936): “Imaginação não produz a loucura; o que produz a loucura é exatamente a razão. Os poetas não enlouquecem. A poesia é sã porque flutua, facilmente, num mar infinito; a razão procura cruzar o mar infinito para, assim, torná-lo finito”. Em meio à minha carência, prometo prestar mais atenção às tuas estórias, Mestre da narrativa. Quero escutar o inaudível.
Desisto. Dissecar tuas verdades não me conduziu ao mistério. Procurar solucionar o inescrutável, exaure. Só a poesia chega ao pé do arco-íris. Só nas palavras vestidas com alegoria se percebem os meandros do eterno. Anseio por meditar. Quem rumina no insólito, voa acima das nuvens, contempla o mundo do alto e vê santos e vilões, heróis e tímidos, damas e prostitutas como uma só humanidade.
Abandono a meta de querer dar nexo ao paradoxal. Admito, Mestre da imaginação, que o reino pertence aos pequeninos. Sentarei com crianças para intuir o extraordinário.
Quero me embeber com as palavras que fluem com ternura. Só na prosa desarmada é possível desobstruir os ouvidos e perceber o essencial. Quero me deixar irrigar com textos que destilam bondade. Buscarei inundar os fossos do egocentrismo nas entrelinhas da verdade.
Venho a ti, Autor da vida, com sede de humanidade. Confesso-te minha aridez. Sinto-me arfando como a corça perdida. Empolguei-me com bravatas. Iludi-me com impostores. Enfeiticei-me pela riqueza que a ferrugem corrói. Negligenciei Mateus 25. Eu não podia esquecer a mensagem deste capítulo: só entrará no céu quem apresentar carta de recomendação dos pobres. Desumanizar-se não se resume em capitular diante da selvageria. Estão desumanizados os insensíveis à imagem de Deus no próximo. Diante da miséria, quem não transforma sensibilidade em ações também não possui o Espírito de Cristo.
Em minha sede, abraço o mandato de ser empático (em: em, dentro; pathos: sentimento) com os que sofrem. Não posso abrir as portas do meu ser ao cinismo. Como virar o rosto para os porões escuros dos navios de emigrantes africanos? Mestre da vida, ajuda-me a não ser indiferente aos nordestinos que vivem no sertão sem chuva.
Venho a ti, Cristo crucificado, com sede de humildade. Vejo-te esvaziado e me convido ao desapego do poder. Não quero cobrar de mim o que nunca conseguirei ser. Se encantar-me com a capacidade de ser perfeito, serei carrasco de minhas inadequações. Vou procurar aliar-me à Graça para ter mais cautela com o homem que sou. Vejo-te perdoador. Convido o coração a compreender os outros por aquilo que são e não pelo que eu gostaria que se tornassem. Diante da maldade humana muitas vezes hesito em como reagir. Fico entre a violência e o amor humilde. Quero recorrer ao doce e delicado; só os mansos herdarão a terra. Em Ti, a fraqueza do amor se tornou a força mais formidável do universo.
Anseio pela não-violência que inspirou alguns de meus heróis. Farei da paz a pedra de apoio de minha vocação. Relembrarei que tu, Jesus de Nazaré, abriste mão da glória e preferiste a cruz. Em tua morte, o paradoxo da fragilidade do Deus encarnado se transformou na mais alvissareira notícia. Desejo arrancar as vestes da arrogância e me cobrir de gentileza.
Venho a Ti, Viajante do caminho de Emaús, com sede de companhia. Não pretendo encarar as estradas da vida trancado em mim mesmo. Quero cantar: “Amigo é coisa para se guardar, debaixo de sete chaves, dentro do coração”. Desejo ser o companheiro que nunca tenta oprimir. Tu, que és o Rei da glória, não quiseste vassalos. Quem sou eu para intimidar amigos? Guardarei Provérbios 17.17 como lema: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão”. Mais que amigo, quero ser irmão. Vejo-te em busca da glória do Pai e me lembro que amizade original e perfeita pertence à Trindade -- que convive eternamente preferindo o Outro. Reconheço que os seres humanos foram criados com a eternidade no coração e por isso respeitarei a singularidade de cada um para amar melhor.
Venho a Ti, Fonte de Água Viva, com muitas sedes. Um gole de tua verdade e eu viverei com menos farsa. Por te seguir, guerreio para desmascarar o impostor que habita nos porões do inconsciente. Ele tenta tornar-me estranho diante do homem que vejo no espelho. Teu discípulo, teimosamente rejeitarei armaduras emprestadas. Ousarei comparecer ao grande banquete com os mesmos trajes (respingados com teu sangue, Cordeiro) com que lutei e peregrinei pelas estradas da vida.
O Evangelho avisa que tu sacias a sede de qualquer um. Sendo assim, venho pedir-te: Não permitas que eu permaneça arfando como corça, sem achar os ribeiros da plenitude. Antes que se rompa o fio de prata, dá-me de beber, e do meu interior fluirão rios de água viva.
Soli Deo Gloria
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=61&sg=0&id=1087
Sede d’água viva
“Se alguém tem sede, venha a mim e beba”[João 7.37]
Venho a ti, Mestre das parábolas, com sede de poesia. Viajei por compêndios acadêmicos exatos, perambulei por pensadores herméticos. Li e reli, mas nos recessos da alma permaneço com uma sede insaciável. Entardeço com a angústia do Eclesiastes (6.8): “Que vantagem tem o sábio em relação ao tolo?”. A busca do conhecimento absoluto enlouquece. Repito G. K. Chesterton (1874-1936): “Imaginação não produz a loucura; o que produz a loucura é exatamente a razão. Os poetas não enlouquecem. A poesia é sã porque flutua, facilmente, num mar infinito; a razão procura cruzar o mar infinito para, assim, torná-lo finito”. Em meio à minha carência, prometo prestar mais atenção às tuas estórias, Mestre da narrativa. Quero escutar o inaudível.
Desisto. Dissecar tuas verdades não me conduziu ao mistério. Procurar solucionar o inescrutável, exaure. Só a poesia chega ao pé do arco-íris. Só nas palavras vestidas com alegoria se percebem os meandros do eterno. Anseio por meditar. Quem rumina no insólito, voa acima das nuvens, contempla o mundo do alto e vê santos e vilões, heróis e tímidos, damas e prostitutas como uma só humanidade.
Abandono a meta de querer dar nexo ao paradoxal. Admito, Mestre da imaginação, que o reino pertence aos pequeninos. Sentarei com crianças para intuir o extraordinário.
Quero me embeber com as palavras que fluem com ternura. Só na prosa desarmada é possível desobstruir os ouvidos e perceber o essencial. Quero me deixar irrigar com textos que destilam bondade. Buscarei inundar os fossos do egocentrismo nas entrelinhas da verdade.
Venho a ti, Autor da vida, com sede de humanidade. Confesso-te minha aridez. Sinto-me arfando como a corça perdida. Empolguei-me com bravatas. Iludi-me com impostores. Enfeiticei-me pela riqueza que a ferrugem corrói. Negligenciei Mateus 25. Eu não podia esquecer a mensagem deste capítulo: só entrará no céu quem apresentar carta de recomendação dos pobres. Desumanizar-se não se resume em capitular diante da selvageria. Estão desumanizados os insensíveis à imagem de Deus no próximo. Diante da miséria, quem não transforma sensibilidade em ações também não possui o Espírito de Cristo.
Em minha sede, abraço o mandato de ser empático (em: em, dentro; pathos: sentimento) com os que sofrem. Não posso abrir as portas do meu ser ao cinismo. Como virar o rosto para os porões escuros dos navios de emigrantes africanos? Mestre da vida, ajuda-me a não ser indiferente aos nordestinos que vivem no sertão sem chuva.
Venho a ti, Cristo crucificado, com sede de humildade. Vejo-te esvaziado e me convido ao desapego do poder. Não quero cobrar de mim o que nunca conseguirei ser. Se encantar-me com a capacidade de ser perfeito, serei carrasco de minhas inadequações. Vou procurar aliar-me à Graça para ter mais cautela com o homem que sou. Vejo-te perdoador. Convido o coração a compreender os outros por aquilo que são e não pelo que eu gostaria que se tornassem. Diante da maldade humana muitas vezes hesito em como reagir. Fico entre a violência e o amor humilde. Quero recorrer ao doce e delicado; só os mansos herdarão a terra. Em Ti, a fraqueza do amor se tornou a força mais formidável do universo.
Anseio pela não-violência que inspirou alguns de meus heróis. Farei da paz a pedra de apoio de minha vocação. Relembrarei que tu, Jesus de Nazaré, abriste mão da glória e preferiste a cruz. Em tua morte, o paradoxo da fragilidade do Deus encarnado se transformou na mais alvissareira notícia. Desejo arrancar as vestes da arrogância e me cobrir de gentileza.
Venho a Ti, Viajante do caminho de Emaús, com sede de companhia. Não pretendo encarar as estradas da vida trancado em mim mesmo. Quero cantar: “Amigo é coisa para se guardar, debaixo de sete chaves, dentro do coração”. Desejo ser o companheiro que nunca tenta oprimir. Tu, que és o Rei da glória, não quiseste vassalos. Quem sou eu para intimidar amigos? Guardarei Provérbios 17.17 como lema: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão”. Mais que amigo, quero ser irmão. Vejo-te em busca da glória do Pai e me lembro que amizade original e perfeita pertence à Trindade -- que convive eternamente preferindo o Outro. Reconheço que os seres humanos foram criados com a eternidade no coração e por isso respeitarei a singularidade de cada um para amar melhor.
Venho a Ti, Fonte de Água Viva, com muitas sedes. Um gole de tua verdade e eu viverei com menos farsa. Por te seguir, guerreio para desmascarar o impostor que habita nos porões do inconsciente. Ele tenta tornar-me estranho diante do homem que vejo no espelho. Teu discípulo, teimosamente rejeitarei armaduras emprestadas. Ousarei comparecer ao grande banquete com os mesmos trajes (respingados com teu sangue, Cordeiro) com que lutei e peregrinei pelas estradas da vida.
O Evangelho avisa que tu sacias a sede de qualquer um. Sendo assim, venho pedir-te: Não permitas que eu permaneça arfando como corça, sem achar os ribeiros da plenitude. Antes que se rompa o fio de prata, dá-me de beber, e do meu interior fluirão rios de água viva.
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=61&sg=0&id=1087
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PERPLEXOS SIM, MAS NÃO DESEPERADOS…
Não faz muitos anos que escrevi um texto chamado “Inadequações” (agosto/2009). Nesse, escrevo um pouco dos espaços que passei, pessoas que conheci e minhas crises em não conseguir me enquadrar nos padrões estabelecidos e nas expectativas depositadas sobre mim.
Falei, mesmo que de modo superficial, da menina tímida e magricela que preferia os esportes, ao invés das danças; que jogava bola com os meninos e torcia pelo Flamengo, ao invés das brincadeiras de meninas; que participava das olimpíadas de matemática e física, ao invés dos salões de beleza; que preferia ao heavy metal e o punk rock ao pop romântico. Essas e muitas outras inadequações, de fato, fizeram e fazem parte da minha história e as carregarei por toda a vida.
Mas, de uns tempos para cá, um outro tipo de inadequação tem se sobressaído dentre as demais: a inadequação religiosa. É fato que sempre escolhi caminhos pouco trilhados… Optei pelo labor teológico e pelo exercício de repensar a fé. “Uma igreja reformada sempre reformando”, era isso o que eu queria ser… uma espécie de “metamorfose ambulante” que jamais se conformaria com respostas simplistas, não abriria mão da dúvida, do questionamento, do ressignificar.
Sabia que esse caminho seria difícil, mas, sinceramente, nunca imaginei que atrairia para mim tanto repúdio e ojeriza. E pior, dos mais chegados… Sim, porque esperar que os que me conhecem “de ouvir falar” o rótulo de herege, apóstata, idólatra, condenada ao inferno e tantos outros adjetivos que não convém aqui dizer, eu já esperava. Para ser mais sincera, eu não tô nem aí para o que os fariseus de plantão e os defensores da “reta doutrina” dizem ao meu respeito. Mas, honestamente, não esperava isso dos que me conhecem “de comigo estar”. O fato é que me sinto descartável…
Pessoas que conheceram e conhecem minhas obras, que andaram comigo em evangelismos nos Tapebas, que viram de perto meu trabalho com crianças e adolescentes, que escutaram de perto minhas pregações, que me diziam que fui um canal de bençãos para suas vidas, hoje me viram as costas pelo simples fato de pensar diferente da maioria. Criticam-me pelas costas, riem de mim de forma sutil, difamam o meu nome e jogam na lata do lixo anos de companheirismo e respeito. Deixei de ser benção para tornar-me maldição. Mais uma vez, inadequada…
Nessa roda viva, cansei de me explicar, de me fazer entender por aqueles que claramente não o querem fazer. Prometi a mim mesma que o silêncio será minha melhor resposta e o tempo o melhor remédio. Até porque não tenho mais nada a dizer, minhas obras são conhecidas, meu caráter coloco a prova diariamente, e minha fé faz com que eu continue a caminhada. Na angustia lembro-me das palavras de Paulo:
De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. (…) Está escrito: “Cri, por isso falei”. Com esse mesmo espírito de fé nós também cremos e, por isso, falamos (…) Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno. (2a. Carta de Paulo aos Corintios 4:8-10;13;16-18)
Sigo adiante na minha jornada, sabendo que é apenas o começo! Peço ao Senhor que renove minhas forças como a da águia; que console minha alma com o Seu santo Espírito, para que eu não me sinta desamparada; que me dê sabedoria para falar, mas também para calar quando for preciso; e que me encha do Seu amor, para que eu não odeie os que me perseguem.
Não posso voltar atras, muito menos parar. O caminho que escolhi para mim é longo e eu mal comecei a trilhar nele. Me encanto a cada passo, fortaleço a minha fé a cada quilômetro percorrido. O solo por onde piso não é os da certeza e do conformismo, e sim o da dúvida e do questionamento. Sei que não descansarei a sombra das multidões… muitas vezes não terei onde “reclinar a cabeça”. Mas não desanimarei!
Sei que encontrarei nesse caminhar quem poderei verdadeiramente chamar de amigo. Sei que encontrarei os “sete mil que não se curvaram a Baal” e com eles ajudarei a construir o Reino de Deus que já está no meio de nós.
RESPOSTA (Maysa)
Ninguém pode calar dentre mim
Esta chama que não vai passar
É mais forte que eu
E não quero dela me afastar
Esta chama que não vai passar
É mais forte que eu
E não quero dela me afastar
Eu não posso explicar quando foi
E nem quando ela veio
E só digo o que penso, só faço o que gosto
E aquilo que creio
E nem quando ela veio
E só digo o que penso, só faço o que gosto
E aquilo que creio
Se alguém não quiser entender
E falar, pois que fale
Eu não vou me importar com a maldade
De quem nada sabe
E se alguém interessa saber
Sou bem feliz assim
Muito mais do que quem já falou
Ou vai falar de mim
E falar, pois que fale
Eu não vou me importar com a maldade
De quem nada sabe
E se alguém interessa saber
Sou bem feliz assim
Muito mais do que quem já falou
Ou vai falar de mim
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Nada é mais emblemático do que o diálogo de Jesus com a mulher samaritana. “Dá-me de beber”, diz o Galileu. A surpresa foi tamanha que a mulher responde: “como sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?” Como pode uma mulher, samaritana, tendo vivido com vários maridos e, então, amancebada com o último, dar de beber ao próprio Deus?
Vi no http://dinha.wordpress.com/2011/06/25/toda-forma-de-amor-vale-a-pena/#_ftnref1
TODA FORMA DE AMOR VALE A PENA…
Depois de toda discussão sobre a lei da união homoafetiva resolvi me pronunciar. Como vocês mesmo devem já terem percebido, eu não sou do tipo que se omite, muito menos que fica em cima do muro. Então, serei breve no que tenho a dizer quanto a esta questão.
Não usarei aqui, como diria meu querido amigo Marcos Monteiro, de sutileza semântica, nem de complicação linguística. Como geralmente não faço poesia (não que eu já não tenha tentado, ou tenha orgulho disso) e costumo escrever em prosa, vou conversando, mesmo que de modo simplificado, o que pude perceber de todo esse frenesi!
Em primeiro lugar, percebo que Jesus de Narazé se coloca em defesa das minorias. Desde os direitos das mulheres, defendido por Jesus em uma sociedade patriarcal – logo machista – até os direitos dos negros defendidos pelo pastor Martin Luther King Jr., fica perceptível a luta por parte dos que se dizem seguidores do evangelho para dar voz e vez às minorias perseguidas e marginalizadas.
Simples. Jesus não estava preocupado com sua reputação diante dos sacerdotes de plantão, nem mesmo de seus discípulos – que também não viram com bons olhos o gesto de seu mestre. O seu compromisso não era com a reputação, mas sim com a justiça e a dignidade humana. E nós que nos afirmamos seguidores dEle deveríamos fazer o mesmo.
Em segundo lugar, entendo que o evangelho é a filosofia do amor contra qualquer indiferença. Como diria Lulu Santos, deveríamos considerar “justa toda forma de amor”, ou ainda nas palavras de Milton Nascimento e Caetano Veloso “qualquer maneira de amor vale amar; qualquer maneira de amor vale a pena; qualquer maneira de amor valerá”. Contudo, não é este o entendimento que configura a concepção da maioria dos religiosos sobre o assunto. Pelo contrário, expressam-se com ojeriza, de uma forma a repulsar ostensivamente toda manifestação amorosa que não se enquadre no padrão estabelecido tradicionalmente por seus moldes pretensamente inquestionáveis.
Nunca vi tanto ódio sendo destilado por pessoas do meio evangélico, que se dizem defensoras do amor incondicional de Deus. Escondendo-se por trás de um discurso do “amo o pecador, mas odeio o pecado”, se acham no direito de julgar, demonizar, “crucificar”.
Assumem o papel de juiz e de modo desumano querem a qualquer preço separar o que é “joio e o que é trigo”, e dar a palavra final sobre a vida e espiritualidade das pessoas. Sendo assim, poderíamos ser reconhecidos como a religião do amor, se nossas práticas só refletem ódio e guerra? Ao que parece, existe é certo prazer sádico em condenar ao inferno…
E em terceiro lugar, a luta pela justiça é algo que deve garantir o bem estar de todos independentemente de raça, crença ou sexualidade. Jesus, em seu mais famoso sermão nos ensina que “bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados” (Mateus, 5:6). Em outras palavras, a justiça deveria ser algo tão imprescindível para nós quanto à vontade de comer! Fome de justiça!
Contudo, o que parece latente no movimento evangélico é que a “luta pela justiça” só deve ser perseguida se esta incorrer em benefício particular de alguma forma… algo totalmente mesquinho e anticristão, uma vez que no cristianismo o princípio fundamental que nos identifica é a busca do bem estar do outro (“eu vim para servir, e não para ser servido”).
Esquecem-se (ou por ignorância não sabem) que a justiça não está a favor de um grupo, ou uma classe social, raça, partido político, etc. Não se pode falar de promoção da justiça sem falar de respeito e na igualdade de todos os cidadãos. Todavia, isso só pode ser possível por intermédio da preservação dos direitos em sua forma legal e da sua aplicação.
Antes de sermos negros, gays, evangélicos, petistas, amarelos, viúvos, crianças, budistas, mulheres, velhos, ou qualquer outro rótulo que nos classifique e nos distinga, somos seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus, cidadãos com deveres e direitos que devem ser garantidos para o bem estar de todos e o exercício da cidadania. Todos nós temos (ou deveríamos ter) o direito de nascer, comer, estudar, morar com dignidade, casar, descasar, ir, vir, expressar-se, etc. Essa é a nossa luta! Garantir que todos possam exercer seus direitos na sua plenitude. Nisso fazemos justiça e somos saciados!
Quero ainda dizer que este texto não reflete nenhuma ideia institucional, ele é fruto de uma reflexão pessoal. Falo isso porque não quero que vinculem minhas palavras a nenhuma denominação religiosa, e nem usem meus escritos como pretexto para sistematizar o pensamento de alguma instituição com o intuito de rotulá-la. De jeito nenhum! Tudo o que penso e escrevo é de minha responsabilidade e não me envergonho de expor a quem quer que seja.
Sei que causarei o repudio de muitos e tantos outros me rotularão de herege. Não me incomodo com isso. Meu compromisso não é com uma tradição engessada que não ousa reinventar-se historicamente, e sim com a justiça, o amor e o evangelho de Jesus que não faz acepção de pessoas. Termino esse texto com uma poesia do meu amigo Jeyson Rodrigues[1], companheiro de fé, luta e resistência:
BELEZ’ENTRE CURVAS
Eis um corpo de femininas curvas
Tocando outro corpo, outras femininas curvas
Curvas que tocam deslizando: música
Dança das curvas ao som
Ao som gerado entre curvas
Amor em curvas, toques e músicas
Tocando outro corpo, outras femininas curvas
Curvas que tocam deslizando: música
Dança das curvas ao som
Ao som gerado entre curvas
Amor em curvas, toques e músicas
Se dois femininos corpos em curvas
Se amam e desejam tocar-se
Que as curvas de uma, misturem
Às belas curvas da outra
E que os dedos dedilhem, tocando
As cordas, os braços, as bocas
Enquanto fluem das curvas
A arte amada, em notas agudas
Na feminina música de quem ama
O feminino corpo de sons em curvas
Se amam e desejam tocar-se
Que as curvas de uma, misturem
Às belas curvas da outra
E que os dedos dedilhem, tocando
As cordas, os braços, as bocas
Enquanto fluem das curvas
A arte amada, em notas agudas
Na feminina música de quem ama
O feminino corpo de sons em curvas
Se as curvas se amam e querem o toque
Que se toquem, que se amem, nuas
Que se desliz’em sonoros, dedilhados
No amor dum só gênero, artístico
Na arte erótica do amor entre curvas
Que se sonorizam e artem
Que se amam, se tocam
Que se querem e se deixam tocar-se
Que se toquem, que se amem, nuas
Que se desliz’em sonoros, dedilhados
No amor dum só gênero, artístico
Na arte erótica do amor entre curvas
Que se sonorizam e artem
Que se amam, se tocam
Que se querem e se deixam tocar-se
Toda curva é bela
Todo amor é santo
Todo toque é arte
Toda nudez é pura
E o amor que se curva
À belez’entre curvas
É amor artístico, belo e amante
É amante do amor
Da feminina beleza
E da belez’entre curvas
Todo amor é santo
Todo toque é arte
Toda nudez é pura
E o amor que se curva
À belez’entre curvas
É amor artístico, belo e amante
É amante do amor
Da feminina beleza
E da belez’entre curvas
Cláudia Sales
[1] Teólogo pluralista, estudante de Ciência das Religiões pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, e de Ciências Sociais pela Universidade Federal de Alagoas. Lecionou História do Cristianismo no Seminário Teológico Batista de Alagoas. Livre-pensador. Blog: http://jeysonrodrigues.blogspot.com/
Vi no http://dinha.wordpress.com/2011/06/25/toda-forma-de-amor-vale-a-pena/#_ftnref1
sábado, 25 de junho de 2011
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Sobram textos bíblicos sobre o retorno de Cristo. Nos evangelhos, nas diversas epístolas e na longa tradição da igreja, cristãos sempre guardaram o grito esperançoso do Maranata – “venha logo, Senhor”.
Escatologia, o estudo do fim, maneja as diferentes passagens do texto sagrado em busca de entender como os eventos se encadearão antes do zênite da história. Cristo voltará, isto sempre foi certo nas diversas comunidades de fé. Porém, nunca houve consenso nos muitos séculos e nas muitas tendências do pensamento cristão sobre quando?; como?; em que circunstâncias?
Um dos teólogos mais ousados no trato da escatologia no século XX foi Jürgen Moltmann. Quando escreveu “Teologia da Esperança”, Moltmann causou espécie. Sua obra encantou. E como todo pensador de vanguarda, importunou. Seu livro foi primeiro publicado em 1964. Alguns o consideraram a concretização de temas que “estavam em suspenso”. Havia alguma intuição sobre o assunto, mas, escatologia era considerada uma seção bem precária da teologia. Lidar com a linguagem profética nunca pareceu fácil.
Alguns chegaram a afirmar que Moltmann cumpriu um kairós, já que seu texto convidava a refletir sobre um tema que não podia permanecer como um simplismo. Ele afirmava que era inevitável encarar de frente uma área da teologia, complicada e controversa.
Moltmann estava sintonizado com um tempo, que amadurecera. Na Igreja Católica Romana, o Concílio do Vaticano II propunha a atualização de missão, liturgia e teologia. Nos Estados Unidos, o movimento pelos direitos civis ganhava força com Martin Luther King Jr., que popularizava o “Evangelho Social”. King mobilizava multidões desde a defesa dos direitos civis dos negros, à guerra do Vietnam e à mobilização trabalhista. Em Cuba, jovens guerrilheiros tomavam o poder de Batista, fantoche do crime organizado estadunidense. Na América Latina, o despertar da esperança se transformava em hino dos pobres. O ambiente já vinha fertilizando pensadores. Tornava-se importante a elaboração de teologias que lidassem com o juízo de Deus sobre a injustiça e sobre a esperança (Rubem Alves, um dos precursores da Teologia da Libertação, escrevia o livro “Da Esperança”)
Reli Moltmann depois de vinte anos. Ao virar as páginas, perguntava-me: “onde estive todos esses anos que não apreendi os conceitos deste privilegiado pensador?”. Moltmann repensava o signficado de “escatologia” – a doutrina das últimas coisas – não para esvaziá-la de sentido, mas para mobilizar a igreja em práxis.
Moltmann sustenta que escatologia precisa exceder o senso comum, deixar de ser uma mera compreensão de como se darão as últimas coisas, para englobar o estudo do mundo, história e humanidade. Estudar os eventos seria, para ele, mais importante que alfinetar uma data para o fim dos tempos. Entender os fios que ligam os acontecimentos históricos é dar sentido à volta de Cristo em glória, o juízo universal e consumação do reino, à ressurreição universal dos mortos e necessidade de uma nova criação.
“Esses acontecimentos finais irromperiam de fora da história para dentro dela e poriam fim à história universal, na qual tudo se move e se agita”. (o grifo é meu)
Moltmann considera, então, que, a razão pela qual a teologia dava a esses acontecimentos pouca importância é porque elas jaziam no limiar do “último dia”. Por isso, a escatologia perdeu força como animadora de ações transformadoras; era uma crença passiva. Projetada como expectativa para os “tempos vividos antes do fim”, escatologia se condenava a ser apenas uma aspiração piedosa. Isso explicaria, segundo ele, porque “as doutrinas do fim vegetavam esterilmente nas últimas páginas da dogmática cristã. Eram como um apêndice meio solto, que definhavam em sua insignificância apócrifa”.
Daí, a ousadia de Moltmann. Ele teve coragem de resignificar a escatologia, trazendo-a para o presente; afirmou que “a escatologia é idêntica à doutrina da esperança cristã, que abrange tudo aquilo que se espera como o ato de esperar, suscitado por esse objeto”. A escatologia não adia, sine die, o apogeu da história, mas o trás para o presente, porque, “o cristianismo é total e visceralmente escatologia, e não só como apêndice; ele é perspectiva, e tendência para frente, e, por isso mesmo, renovação”. Escatologia é convite a sinalizar, aqui e agora, o que esperamos como irrupção do novo, que virá na parousia.
“O escatológico não é algo que se adiciona ao cristianismo, mas é simplesmente o meio em que se move a fé cristã, aquilo que dá o tom a tudo há nele, as cores da aurora de um novo dia esperado que tingem tudo o que existe”.
Para Moltmann, portanto, a doutrina da “escato-logia” deve ser substituída por uma teologia da esperança: “Mas como falar de um futuro que ainda não existe e de acontecimentos vindouros aos quais ninguém ainda assistiu? Não se trataria aí de sonhos, especulações, desejos e temores, todos necessariamente vagos e indefinidos, já que ninguém pode verificá-los?”.
Faz sentido, se doutrina deve ser compreendida “como uma coleção de afirmações doutrinárias que se conhecem a partir de experiências que podem ser repetidas e feitas por todos; o termo logos se refere a uma realidade que está aí, que existe sempre e que pode ser conhecida como verdade na palavra que lhe corresponde”.
Concordo com Moltmann, pois também acredito que “não é possível haver logos do futuro, a não ser que o futuro seja a continuação ou retorno periódico e regular do presente. Mas se o futuro traz algo de surpreendente e novo, sobre ele nada podemos afirmar, nem conhecer sobre ele qualquer coisa que tenha sentido, pois a verdade ‘lógica’ (verdade com logos) não pode existir no que acontece no futuro como novo, mas tão somente naquilo que é permanente e retorna regularmente”.
Moltmann desmonta a arrogância do teólogo que se imagina capaz de fixar a verdade, pois os conceitos teológicos não podem se tornar dogmas. Nada mais inútil que fixar uma data, que pretende estancar a realidade naquilo que ela é. No cristianismo, as análises são provisórias. Tudo depende do desenrolar das perspectivas e suas possibilidades futuras. Conceitos teológicos não devem engessar a realidade, mas ampliá-la pela esperança e assim antecipar seu futuro. "Não devem arrastar-se atrás da realidade, nem olhar para ela com os olhos da coruja de Minerva, mas iluminar a realidade, mostrando-lhe seu futuro”.
Em qualquer teologia que mexa com esperança, Deus não está em alguma parte no além, alheio e indiferente ao desenrolar da vida. Se afirmamos que ele vem é porque sempre esteve presente. Dizer que Cristo voltará implica em aceitar que estamos desde já comprometidos com a promessa de um novo mundo de vida plena. Justiça e verdade se irmanarão como a glorificação final das ações vivenciadas por todos os que "buscaram em primeiro lugar o reino de Deus".
Essa promessa não apazigua; ela não é ópio, mas põe o mundo em questão. O retorno de Cristo não gera desprezo pelo mundo. Apenas avisa que a realidade que é colocada como inexaurível poderia ser diferente.
Pelo fato de o mundo e a existência serem assim questionados, eles se tornam “históricos”, pois são expostos na berlinda e colocados no espelho do futuro prometido. Quando o novo aparece como possibilidade, o velho se manifesta anacrônico.
Quando algo de novo é prometido, vê-se que o antigo se tornou passageiro, e superável. Quando se espera e antecipa o que parece impossível, nasce a liberdade de abandonar o roto. Assim a escatologia cristã faz com que a “história” desabroche a partir da visão de seu término. A concretude do que acontece passa a ser percebida na promessa iluminadora do que, no momento, soa apenas como utopia.
Só assim a escatologia não fica soterrada na areia movediça da história. Ter uma maquete do fim, ao contrário, escancara a história para a vida; viva por meio da crítica e da esperança. A história cruel e desumana é julgada pela luz que brilha desde a transcendência, desde o fim.
A impressão da transitoriedade universal, fica patente quando se faz projeção idealizada do novo mundo. Quem tem olhar prospectivo, percebe em retrospectiva.
Moltamann afirma que a história não tem força para engolir a escatologia (Albert Schweitzer), nem a escatologia engole a história (Rudolf Bultmann). O logos do eschaton é a promessa daquilo que ainda não existe. A promissio, que anuncia o eschaton e na qual o eschaton se anuncia, é o motor, a motivação, a mola propulsora e o tormento da história.
Eu creio que Cristo voltará. Mas esta afirmação não gera comodismo em minha alma. Complacência não pode se confundir com esperança. Nietzsche se revoltou contra a esperança que rouba a gesta transformadora. Esperança postergada, e que se acovarda no enfrentamento da vida, não passa de apanágio ideológico para favorecer o opressor.
Afirmar que Cristo virá de fora (transcendência) significa dizer que a ação humana (imanência) não consertará a história. O Deus que encarnou retornará, de fora da história, trazendo juízo, cura e esperança. Naquele dia, o horizonte utópico se desfará e entenderemos o porquê de toda a mobilização que nos incentivou a trabalhar pelo Reino.
Profecia é incentivo, nunca entorpecimento. A esperança cristã desdenha do capitalismo, que não tem a última palavra sobre o paraíso; critica o marxismo, incapaz do progresso que desemboca em equidade plena; afasta-se da religião, que tenta se confundir com a Cidade Celestial. Por enquanto, Paraíso é maquete. Até aquele dia, a nova Jerusalém nos desaloja da zona de conforto. O ainda não revela que o mundo do jeito que está permanece um acinte ao propósito divino. Mas chegará o dia, grande e glorioso, quando céu e terra se tornarão uma só realidade. Na revelação plena do Cordeiro, saberemos que não lutamos em vão, e celebraremos.
Maranata, venha logo, Jesus!
Soli Deo Gloria
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=61&sg=0&id=1853
O que penso sobre a volta de Cristo
Escatologia, o estudo do fim, maneja as diferentes passagens do texto sagrado em busca de entender como os eventos se encadearão antes do zênite da história. Cristo voltará, isto sempre foi certo nas diversas comunidades de fé. Porém, nunca houve consenso nos muitos séculos e nas muitas tendências do pensamento cristão sobre quando?; como?; em que circunstâncias?
Um dos teólogos mais ousados no trato da escatologia no século XX foi Jürgen Moltmann. Quando escreveu “Teologia da Esperança”, Moltmann causou espécie. Sua obra encantou. E como todo pensador de vanguarda, importunou. Seu livro foi primeiro publicado em 1964. Alguns o consideraram a concretização de temas que “estavam em suspenso”. Havia alguma intuição sobre o assunto, mas, escatologia era considerada uma seção bem precária da teologia. Lidar com a linguagem profética nunca pareceu fácil.
Alguns chegaram a afirmar que Moltmann cumpriu um kairós, já que seu texto convidava a refletir sobre um tema que não podia permanecer como um simplismo. Ele afirmava que era inevitável encarar de frente uma área da teologia, complicada e controversa.
Moltmann estava sintonizado com um tempo, que amadurecera. Na Igreja Católica Romana, o Concílio do Vaticano II propunha a atualização de missão, liturgia e teologia. Nos Estados Unidos, o movimento pelos direitos civis ganhava força com Martin Luther King Jr., que popularizava o “Evangelho Social”. King mobilizava multidões desde a defesa dos direitos civis dos negros, à guerra do Vietnam e à mobilização trabalhista. Em Cuba, jovens guerrilheiros tomavam o poder de Batista, fantoche do crime organizado estadunidense. Na América Latina, o despertar da esperança se transformava em hino dos pobres. O ambiente já vinha fertilizando pensadores. Tornava-se importante a elaboração de teologias que lidassem com o juízo de Deus sobre a injustiça e sobre a esperança (Rubem Alves, um dos precursores da Teologia da Libertação, escrevia o livro “Da Esperança”)
Reli Moltmann depois de vinte anos. Ao virar as páginas, perguntava-me: “onde estive todos esses anos que não apreendi os conceitos deste privilegiado pensador?”. Moltmann repensava o signficado de “escatologia” – a doutrina das últimas coisas – não para esvaziá-la de sentido, mas para mobilizar a igreja em práxis.
Moltmann sustenta que escatologia precisa exceder o senso comum, deixar de ser uma mera compreensão de como se darão as últimas coisas, para englobar o estudo do mundo, história e humanidade. Estudar os eventos seria, para ele, mais importante que alfinetar uma data para o fim dos tempos. Entender os fios que ligam os acontecimentos históricos é dar sentido à volta de Cristo em glória, o juízo universal e consumação do reino, à ressurreição universal dos mortos e necessidade de uma nova criação.
“Esses acontecimentos finais irromperiam de fora da história para dentro dela e poriam fim à história universal, na qual tudo se move e se agita”. (o grifo é meu)
Moltmann considera, então, que, a razão pela qual a teologia dava a esses acontecimentos pouca importância é porque elas jaziam no limiar do “último dia”. Por isso, a escatologia perdeu força como animadora de ações transformadoras; era uma crença passiva. Projetada como expectativa para os “tempos vividos antes do fim”, escatologia se condenava a ser apenas uma aspiração piedosa. Isso explicaria, segundo ele, porque “as doutrinas do fim vegetavam esterilmente nas últimas páginas da dogmática cristã. Eram como um apêndice meio solto, que definhavam em sua insignificância apócrifa”.
Daí, a ousadia de Moltmann. Ele teve coragem de resignificar a escatologia, trazendo-a para o presente; afirmou que “a escatologia é idêntica à doutrina da esperança cristã, que abrange tudo aquilo que se espera como o ato de esperar, suscitado por esse objeto”. A escatologia não adia, sine die, o apogeu da história, mas o trás para o presente, porque, “o cristianismo é total e visceralmente escatologia, e não só como apêndice; ele é perspectiva, e tendência para frente, e, por isso mesmo, renovação”. Escatologia é convite a sinalizar, aqui e agora, o que esperamos como irrupção do novo, que virá na parousia.
“O escatológico não é algo que se adiciona ao cristianismo, mas é simplesmente o meio em que se move a fé cristã, aquilo que dá o tom a tudo há nele, as cores da aurora de um novo dia esperado que tingem tudo o que existe”.
Para Moltmann, portanto, a doutrina da “escato-logia” deve ser substituída por uma teologia da esperança: “Mas como falar de um futuro que ainda não existe e de acontecimentos vindouros aos quais ninguém ainda assistiu? Não se trataria aí de sonhos, especulações, desejos e temores, todos necessariamente vagos e indefinidos, já que ninguém pode verificá-los?”.
Faz sentido, se doutrina deve ser compreendida “como uma coleção de afirmações doutrinárias que se conhecem a partir de experiências que podem ser repetidas e feitas por todos; o termo logos se refere a uma realidade que está aí, que existe sempre e que pode ser conhecida como verdade na palavra que lhe corresponde”.
Concordo com Moltmann, pois também acredito que “não é possível haver logos do futuro, a não ser que o futuro seja a continuação ou retorno periódico e regular do presente. Mas se o futuro traz algo de surpreendente e novo, sobre ele nada podemos afirmar, nem conhecer sobre ele qualquer coisa que tenha sentido, pois a verdade ‘lógica’ (verdade com logos) não pode existir no que acontece no futuro como novo, mas tão somente naquilo que é permanente e retorna regularmente”.
Moltmann desmonta a arrogância do teólogo que se imagina capaz de fixar a verdade, pois os conceitos teológicos não podem se tornar dogmas. Nada mais inútil que fixar uma data, que pretende estancar a realidade naquilo que ela é. No cristianismo, as análises são provisórias. Tudo depende do desenrolar das perspectivas e suas possibilidades futuras. Conceitos teológicos não devem engessar a realidade, mas ampliá-la pela esperança e assim antecipar seu futuro. "Não devem arrastar-se atrás da realidade, nem olhar para ela com os olhos da coruja de Minerva, mas iluminar a realidade, mostrando-lhe seu futuro”.
Em qualquer teologia que mexa com esperança, Deus não está em alguma parte no além, alheio e indiferente ao desenrolar da vida. Se afirmamos que ele vem é porque sempre esteve presente. Dizer que Cristo voltará implica em aceitar que estamos desde já comprometidos com a promessa de um novo mundo de vida plena. Justiça e verdade se irmanarão como a glorificação final das ações vivenciadas por todos os que "buscaram em primeiro lugar o reino de Deus".
Essa promessa não apazigua; ela não é ópio, mas põe o mundo em questão. O retorno de Cristo não gera desprezo pelo mundo. Apenas avisa que a realidade que é colocada como inexaurível poderia ser diferente.
Pelo fato de o mundo e a existência serem assim questionados, eles se tornam “históricos”, pois são expostos na berlinda e colocados no espelho do futuro prometido. Quando o novo aparece como possibilidade, o velho se manifesta anacrônico.
Quando algo de novo é prometido, vê-se que o antigo se tornou passageiro, e superável. Quando se espera e antecipa o que parece impossível, nasce a liberdade de abandonar o roto. Assim a escatologia cristã faz com que a “história” desabroche a partir da visão de seu término. A concretude do que acontece passa a ser percebida na promessa iluminadora do que, no momento, soa apenas como utopia.
Só assim a escatologia não fica soterrada na areia movediça da história. Ter uma maquete do fim, ao contrário, escancara a história para a vida; viva por meio da crítica e da esperança. A história cruel e desumana é julgada pela luz que brilha desde a transcendência, desde o fim.
A impressão da transitoriedade universal, fica patente quando se faz projeção idealizada do novo mundo. Quem tem olhar prospectivo, percebe em retrospectiva.
Moltamann afirma que a história não tem força para engolir a escatologia (Albert Schweitzer), nem a escatologia engole a história (Rudolf Bultmann). O logos do eschaton é a promessa daquilo que ainda não existe. A promissio, que anuncia o eschaton e na qual o eschaton se anuncia, é o motor, a motivação, a mola propulsora e o tormento da história.
Eu creio que Cristo voltará. Mas esta afirmação não gera comodismo em minha alma. Complacência não pode se confundir com esperança. Nietzsche se revoltou contra a esperança que rouba a gesta transformadora. Esperança postergada, e que se acovarda no enfrentamento da vida, não passa de apanágio ideológico para favorecer o opressor.
Afirmar que Cristo virá de fora (transcendência) significa dizer que a ação humana (imanência) não consertará a história. O Deus que encarnou retornará, de fora da história, trazendo juízo, cura e esperança. Naquele dia, o horizonte utópico se desfará e entenderemos o porquê de toda a mobilização que nos incentivou a trabalhar pelo Reino.
Profecia é incentivo, nunca entorpecimento. A esperança cristã desdenha do capitalismo, que não tem a última palavra sobre o paraíso; critica o marxismo, incapaz do progresso que desemboca em equidade plena; afasta-se da religião, que tenta se confundir com a Cidade Celestial. Por enquanto, Paraíso é maquete. Até aquele dia, a nova Jerusalém nos desaloja da zona de conforto. O ainda não revela que o mundo do jeito que está permanece um acinte ao propósito divino. Mas chegará o dia, grande e glorioso, quando céu e terra se tornarão uma só realidade. Na revelação plena do Cordeiro, saberemos que não lutamos em vão, e celebraremos.
Maranata, venha logo, Jesus!
Soli Deo Gloria
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=61&sg=0&id=1853
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Como a corça que anseia por água, temos sede de viver. Ouvimos o Nazareno: “eu vim para que tenham vida e vida com abundância”. Sua oferta é convite para que embarquemos na aventura de desdobrar a existência em vida? Sim, existir e viver se diferenciam qualitativamente. Existir cumpre o trajeto biológico de nascer e morrer ou de meramente sobreviver. Vida em abundância confere significado àquele hífen que separa as duas datas que constam em todas as lápides.
Vida em abundância hospeda beleza. Se há alguma sublimidade no universo, ela mora dentro da gente. A única formosura possível é a que retemos. O belo é jeito de agasalhar aquilo que percebemos. Não existe esplendor essencial, absoluto, descolado do olhar. O barulho de uma árvore caindo na floresta inexiste. Sem alguém para contemplar, o arco-íris nunca se forma. Tudo depende das conexões, das analogias que fazemos entre o que somos e o mundo que nos rodeia. Viver é contemplar o prado congelado e poder associá-lo ao que quisermos. Uma geleira pode lembrar seu extremo oposto, o sertão calcinado; e ambos são esplêndidos. Para o poeta, tanto faz a neve alva e fresca da cordilheira como o areal perolizado semi incandescente da duna. Os dois inspiram mundos diversos; ao dar-lhes infinitos significados, a vida transcende.
Viver é povoar o coração de memórias vivas. Só as recordações salvam os olhos da insipidez. A realidade esterilizada, pobre de sentido, é morta. Marcel Proust provou um biscoito “madeleine” e todo o passado se atualizou, ressurgiu. Bastou-lhe um sabor para sair “em busca do tempo perdido”. Eu farejo farofa com cebola na manteiga e também volto à cozinha de minha avó. O gosto de um xarope travoso me devolve o rosto preocupado da mamãe; quantas vezes precisei adoecer para ganhar a sua atenção. Na sala onde dormia, o ranger da rede me amedrontava como o piado de uma coruja; aquele barulho ainda me faz tremer nas madrugadas insones. Em qualquer ônibus, a janela continua a significar um lugar de isolamento e introspeção.
Viver é desabotoar a alma e não deixar que a grandiosidade do que está lá fora passe desapercebida. Vida abundante acontece no ancoradouro, no poente, quando celebramos o instante único, sem esquecer que duas tardes nunca são iguais. Vive quem não se acomoda, mas corre na direção do horizonte, sempre afastado. Só no delírio de viver, a linha que junta céu e mar se descostura. Viver é desafiar limites. Criados com a eternidade no coração, carregamos o imperativo de sonhar para além do possível.
Viver é meditar no mistério, intuir o belo, florescer o delicado, celebrar o eterno. Vida abundante transforma pedregulho em esmeralda. O excelso merece o exagero do superlativo. Quem vive se torna arauto da esperança e artesão de uma nova história. Vida abundante se esconde nas trilhas bucólicas onde poucos peregrinos se aventuram. O segredo da promessa do Messias mora em bosques selvagens. Só viajores sequiosos sabem que no percurso, não na chegada, está a vida abundante.
Soli Deo Gloria
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&sg=0&id=2274
Vida abundante, o que é isso?
Vida em abundância hospeda beleza. Se há alguma sublimidade no universo, ela mora dentro da gente. A única formosura possível é a que retemos. O belo é jeito de agasalhar aquilo que percebemos. Não existe esplendor essencial, absoluto, descolado do olhar. O barulho de uma árvore caindo na floresta inexiste. Sem alguém para contemplar, o arco-íris nunca se forma. Tudo depende das conexões, das analogias que fazemos entre o que somos e o mundo que nos rodeia. Viver é contemplar o prado congelado e poder associá-lo ao que quisermos. Uma geleira pode lembrar seu extremo oposto, o sertão calcinado; e ambos são esplêndidos. Para o poeta, tanto faz a neve alva e fresca da cordilheira como o areal perolizado semi incandescente da duna. Os dois inspiram mundos diversos; ao dar-lhes infinitos significados, a vida transcende.
Viver é povoar o coração de memórias vivas. Só as recordações salvam os olhos da insipidez. A realidade esterilizada, pobre de sentido, é morta. Marcel Proust provou um biscoito “madeleine” e todo o passado se atualizou, ressurgiu. Bastou-lhe um sabor para sair “em busca do tempo perdido”. Eu farejo farofa com cebola na manteiga e também volto à cozinha de minha avó. O gosto de um xarope travoso me devolve o rosto preocupado da mamãe; quantas vezes precisei adoecer para ganhar a sua atenção. Na sala onde dormia, o ranger da rede me amedrontava como o piado de uma coruja; aquele barulho ainda me faz tremer nas madrugadas insones. Em qualquer ônibus, a janela continua a significar um lugar de isolamento e introspeção.
Viver é desabotoar a alma e não deixar que a grandiosidade do que está lá fora passe desapercebida. Vida abundante acontece no ancoradouro, no poente, quando celebramos o instante único, sem esquecer que duas tardes nunca são iguais. Vive quem não se acomoda, mas corre na direção do horizonte, sempre afastado. Só no delírio de viver, a linha que junta céu e mar se descostura. Viver é desafiar limites. Criados com a eternidade no coração, carregamos o imperativo de sonhar para além do possível.
Viver é meditar no mistério, intuir o belo, florescer o delicado, celebrar o eterno. Vida abundante transforma pedregulho em esmeralda. O excelso merece o exagero do superlativo. Quem vive se torna arauto da esperança e artesão de uma nova história. Vida abundante se esconde nas trilhas bucólicas onde poucos peregrinos se aventuram. O segredo da promessa do Messias mora em bosques selvagens. Só viajores sequiosos sabem que no percurso, não na chegada, está a vida abundante.
Soli Deo Gloria
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Observando a forma como evangélicos reagem como grupo, percebi uma analogia entre a forma pela qual eles se movimentam, e as baratas, quando atingidas por um jato de baygon, por exemplo, ou quando são obrigadas a se desentocar de seus esconderijos por qualquer motivo. A expressão “barata tonta” não existe por acaso, porque elas correm em desespero, mas estão na verdade desorientadas fora das tocas, fora do ambiente que consideram seguro.
O que isso tem a ver com os movimentos dos evangélicos? A forma é a mesma. Eles parecem movidos por um botão de PÂNICO. Um botão que, quando pressionado, faz com que saiam desesperados, angustiados, apavorados, ou simplesmente raivosos, supostamente para defender a fé, a igreja, Deus, Jesus, a sã doutrina, a moral, os bons costumes, ou seja lá o que for. Sem equilíbrio, de forma irracional e emocional, num movimento de histeria coletiva induzida, que seus líderes sabem tanto detonar, quanto sabem explorar muito bem. Os líderes tocam o terror, literalmente, nesse caso, e os crentes correm ora contra algum “ismo”, ora contra gays, ora contra hereges, ora contra ateus, não necessariamente nesta ordem.
Aliás, evangélicos em geral são os mais angustiados que já conheci. Parece que essa história de ficar sentados esperando Jesus voltar a qualquer momento, faz mais mal do que bem à saúde mental deles. Mas, quando alguém fala em esperar sim, mas não sentados, e sim com as mangas arregaçadas, e trabalhando para ser o corpo de Deus aqui na Terra, distribuindo o amor e o perdão dEle a quem quiser (porque como diz um velho ditado, cabeça vazia é oficina do diabo – e como tem cabeça de crente vazia por aí, vou te contar), de novo, alguém aperta o botão de PÂNICO e lá vão eles, para mais um ataque de nervos. “Despedacem este herege, que está dizendo que Jesus não vai voltar.” Vale sensacionalismo barato, desonestidade intelectual, distorção, qualquer coisa, desde que o resultado seja disparar o alerta vermelho, e as “baratas” fiquem tontas. Desperdício de energia, ou uma forma de descarregar o excesso de energia e neurose acumuladas, de forma surtada?
E eu que pensei que a ideia era descansar nEle, e não viver a beira de um ataque histérico. Me tornei cristã, para me juntar a essas pessoas, em seus movimentos de baratas tontas? Claro que não. Isso seria o mesmo que propor que eu ficasse pior do que era antes de ser cristã, e não acho que seja uma boa proposta. Participar de movimentos irracionais, incitados por um botão de pânico, não é um projeto de vida capaz de me atrair.
Jesus veio para libertar pessoas, e não para propor que elas fossem feitas reféns desse tipo de liderança, que incentiva o desequilíbrio emocional, a irracionalidade, a ignorância, as reações destemperadas e baseadas no medo.
Vi no http://nihilsubsolenovum.wordpress.com/2011/06/19/evangelicos-e-baratas/
Evangélicos e baratas
É sempre interessante observar o comportamento dos grupos humanos. Mas dentre os diferentes grupos que seres humanos criam em torno de interesses comuns, um se comporta de forma peculiar: os evangélicos de uma forma geral.
O que isso tem a ver com os movimentos dos evangélicos? A forma é a mesma. Eles parecem movidos por um botão de PÂNICO. Um botão que, quando pressionado, faz com que saiam desesperados, angustiados, apavorados, ou simplesmente raivosos, supostamente para defender a fé, a igreja, Deus, Jesus, a sã doutrina, a moral, os bons costumes, ou seja lá o que for. Sem equilíbrio, de forma irracional e emocional, num movimento de histeria coletiva induzida, que seus líderes sabem tanto detonar, quanto sabem explorar muito bem. Os líderes tocam o terror, literalmente, nesse caso, e os crentes correm ora contra algum “ismo”, ora contra gays, ora contra hereges, ora contra ateus, não necessariamente nesta ordem.
Aliás, evangélicos em geral são os mais angustiados que já conheci. Parece que essa história de ficar sentados esperando Jesus voltar a qualquer momento, faz mais mal do que bem à saúde mental deles. Mas, quando alguém fala em esperar sim, mas não sentados, e sim com as mangas arregaçadas, e trabalhando para ser o corpo de Deus aqui na Terra, distribuindo o amor e o perdão dEle a quem quiser (porque como diz um velho ditado, cabeça vazia é oficina do diabo – e como tem cabeça de crente vazia por aí, vou te contar), de novo, alguém aperta o botão de PÂNICO e lá vão eles, para mais um ataque de nervos. “Despedacem este herege, que está dizendo que Jesus não vai voltar.” Vale sensacionalismo barato, desonestidade intelectual, distorção, qualquer coisa, desde que o resultado seja disparar o alerta vermelho, e as “baratas” fiquem tontas. Desperdício de energia, ou uma forma de descarregar o excesso de energia e neurose acumuladas, de forma surtada?
E eu que pensei que a ideia era descansar nEle, e não viver a beira de um ataque histérico. Me tornei cristã, para me juntar a essas pessoas, em seus movimentos de baratas tontas? Claro que não. Isso seria o mesmo que propor que eu ficasse pior do que era antes de ser cristã, e não acho que seja uma boa proposta. Participar de movimentos irracionais, incitados por um botão de pânico, não é um projeto de vida capaz de me atrair.
Jesus veio para libertar pessoas, e não para propor que elas fossem feitas reféns desse tipo de liderança, que incentiva o desequilíbrio emocional, a irracionalidade, a ignorância, as reações destemperadas e baseadas no medo.
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Longe de um jardim
Como eu ia dizendo, tudo é irrecuperável. Tudo se perde. Talvez nem tudo seja inevitável, mas sem qualquer dúvida tudo é irreversível. Esta é a maldição deste universo, e também sua mais desconcertante fonte de beleza.
Há uma visão a respeito de Deus que poupa a divindade precisamente desse constrangimento – poupa-o da irreversibilidade que caracteriza a essência da experiência humana e da realidade. Essa é provavelmente a visão mais popular a respeito de Deus, talvez por dar a impressão que, tornando tudo no universo recuperável para Deus, está fazendo um grande favor à reputação da grandeza divina.
Segundo essa visão, Deus é onipotente no sentido em que é capaz de, em cada momento da história e até o fim, reverter qualquer injustiça, reparar qualquer erro, anular qualquer deslize, ressuscitar qualquer personagem, engendrar qualquer final feliz. Para os que abraçam essa visão, Deus pode se quiser apagar os horrores do nazismo e cancelar o embaraço das cruzadas e das inquisições. Pode apagar toda a história que nos separa da Queda ou do Caos (a mesma história que nos une a eles). Pode apagar todos os traços do constrangedor experimento que é o nosso universo e deixar a lousa imaculadamente limpa para outra tentativa. Se não o faz permanece sendo questão da inegociável autonomia divina; porém devemos entender como magnífico consolo saber ou acreditar que, caso quisesse, ele poderia.
Esse Deus fora do tempo e segurado contra terceiros é uma curiosidade filosófica e existe inteiramente à margem do testemunho apaixonado da narrativa bíblica. O Deus da Bíblia conhece plenamente e sabe lamentar pungentemente o peso do que é irreversível; ele conhece a vastidão da sepultura, a assolação das omissões, o abismo profundo das ausências, a cicatriz sem consolo das violências, o terror sagrado das traições. E em Jesus, para quem acredita nele, Deus experimenta na própria carne cada uma dessas desolações.
O Deus da Bíblia é um marido traumatizado pela deslealdade da esposa, um homem marcado pelo abandono dos amigos, um visionário ultrajado pelo fogo da traição e da incompreensão; é um ressuscitado com cicatrizes muito visíveis, um idealista que não desconhece a amargura, um leão vivo que é também um cordeiro que conheceu a morte. Se não deixa em momento algum de amar, não é por ter o conforto de poder restaurar a qualquer momento o que foi perdido, mas por saber que tudo no universo e na história que não foi redimido pelo amor é para sempre irrecuperável.
Como tudo é irrecuperável, segue-se que tudo é santo, mesmo aquilo que a experiência humana tem de mais abominável e aterrador. Santo, numa palavra, quer dizer singular. Cada momento é santo porque é singularíssimo e irrecuperável, cada injustiça é santa porque reside num momento que poderia ter sido vivido de outra forma e nunca será. Nunca mais.
Talvez seja esse o sentido e a necessidade do lago de fogo postulado pelo Apocalipse, o lago de enxofre que arde dia e noite para todo sempre, paralelamente aos esplendores do paraíso e quem sabe ajudando a iluminá-los. Os momentos abomináveis da história humana – os momentos abomináveis da minha história – são irreversíveis e a justiça ausente deles é para sempre irrecuperável. O lago de fogo existe para que sejam eternamente lamentados, isto é, eternamente celebrados, e esse incansável ranger de dentes talvez seja o mais próximo que esses momentos chegarão da redenção.
Seria ao mesmo tempo injusto e inconcebível que o Paraíso prescindisse dessa eterna dor, da qual brota a flor mais imaculada e cegante da sua beleza. As folhas da árvore da vida curam as nações, mas não mudam a história de suas enfermidades. A ressurreição injeta vida no que era inerte e estéril, mas não apaga as cicatrizes da violência e as reminiscências da morte.
Paulo Brabo
Vi no http://www.baciadasalmas.com/2011/longe-de-um-jardim/
Há uma visão a respeito de Deus que poupa a divindade precisamente desse constrangimento – poupa-o da irreversibilidade que caracteriza a essência da experiência humana e da realidade. Essa é provavelmente a visão mais popular a respeito de Deus, talvez por dar a impressão que, tornando tudo no universo recuperável para Deus, está fazendo um grande favor à reputação da grandeza divina.
Segundo essa visão, Deus é onipotente no sentido em que é capaz de, em cada momento da história e até o fim, reverter qualquer injustiça, reparar qualquer erro, anular qualquer deslize, ressuscitar qualquer personagem, engendrar qualquer final feliz. Para os que abraçam essa visão, Deus pode se quiser apagar os horrores do nazismo e cancelar o embaraço das cruzadas e das inquisições. Pode apagar toda a história que nos separa da Queda ou do Caos (a mesma história que nos une a eles). Pode apagar todos os traços do constrangedor experimento que é o nosso universo e deixar a lousa imaculadamente limpa para outra tentativa. Se não o faz permanece sendo questão da inegociável autonomia divina; porém devemos entender como magnífico consolo saber ou acreditar que, caso quisesse, ele poderia.
Esse Deus fora do tempo e segurado contra terceiros é uma curiosidade filosófica e existe inteiramente à margem do testemunho apaixonado da narrativa bíblica. O Deus da Bíblia conhece plenamente e sabe lamentar pungentemente o peso do que é irreversível; ele conhece a vastidão da sepultura, a assolação das omissões, o abismo profundo das ausências, a cicatriz sem consolo das violências, o terror sagrado das traições. E em Jesus, para quem acredita nele, Deus experimenta na própria carne cada uma dessas desolações.
O Deus da Bíblia é um marido traumatizado pela deslealdade da esposa, um homem marcado pelo abandono dos amigos, um visionário ultrajado pelo fogo da traição e da incompreensão; é um ressuscitado com cicatrizes muito visíveis, um idealista que não desconhece a amargura, um leão vivo que é também um cordeiro que conheceu a morte. Se não deixa em momento algum de amar, não é por ter o conforto de poder restaurar a qualquer momento o que foi perdido, mas por saber que tudo no universo e na história que não foi redimido pelo amor é para sempre irrecuperável.
Como tudo é irrecuperável, segue-se que tudo é santo, mesmo aquilo que a experiência humana tem de mais abominável e aterrador. Santo, numa palavra, quer dizer singular. Cada momento é santo porque é singularíssimo e irrecuperável, cada injustiça é santa porque reside num momento que poderia ter sido vivido de outra forma e nunca será. Nunca mais.
Talvez seja esse o sentido e a necessidade do lago de fogo postulado pelo Apocalipse, o lago de enxofre que arde dia e noite para todo sempre, paralelamente aos esplendores do paraíso e quem sabe ajudando a iluminá-los. Os momentos abomináveis da história humana – os momentos abomináveis da minha história – são irreversíveis e a justiça ausente deles é para sempre irrecuperável. O lago de fogo existe para que sejam eternamente lamentados, isto é, eternamente celebrados, e esse incansável ranger de dentes talvez seja o mais próximo que esses momentos chegarão da redenção.
Seria ao mesmo tempo injusto e inconcebível que o Paraíso prescindisse dessa eterna dor, da qual brota a flor mais imaculada e cegante da sua beleza. As folhas da árvore da vida curam as nações, mas não mudam a história de suas enfermidades. A ressurreição injeta vida no que era inerte e estéril, mas não apaga as cicatrizes da violência e as reminiscências da morte.
Paulo Brabo
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Nunca os conheci
Partindo dos atributos onipotência, onipresença e onisciência jamais chegaremos ao Deus revelado por Jesus. Ele esvaziou-se dessas coisas (se é que as possuía). Jesus, para nos revelar Deus, esvaziou-se daqueles três atributos, não deixando, porém nunca de ser pessoal e amoroso.
Para conhecermos quem é Deus precisamos sondar cuidadosamente a humanidade de Jesus.
Parece-me que Deus não é onisciente, nem tanto por limitação, mas por opção. "O dia de amanhã cuidará de si mesmo", aconselhou-nos o Carpinteiro de Nazaré.
Deus, então, para manter-se coerente e dá-nos o exemplo, deixa o futuro cuidar de si mesmo.
Antes que você tire Deus do tempo e do espaço, advogo minha posição ao trazê-lo, novamente, para estas dimensões tão rasas. Afinal foi Ele mesmo quem deu o primeiro passo nessa direção, deixando seu paço celestial e vindo nascer num estábulo.
Jesus foi, aliás, um homem inteligentíssimo que gostava muito de metáforas, eis uma delas:
"Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados".
Quer outra?
"Contudo, nenhum deles [pardais] cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês".
O que o Mestre dos Mestres está falando aqui é figurativo. Deus não mantém um banco de dados com o número de cabelos de nossas cabeças, nem está assinando formulários para autorizar morte de pardais. Ele está apenas dizendo que Deus está no comando, por isso não precisamos temer ao mal, mas sim a Deus, nosso Pai. O mal está aí, e parece triunfar, mas Deus é maior do que o mal! Não há razão para temer. Para deixar isto bem claro Jesus precisava usar uma ilustração bem forte.
A suposta onisciência de Deus, que não passa de uma subdivisão de sua suposta onipotência, deve ser relativizada se quisermos vislumbrar um Deus mais pessoal e mais real.
Gosto quando o salmista diz “tu me sondaste e me conheces…”, ou “sonda-me e conheces o meu coração, prova-me e conheces os meus pensamentos”. É também notório quando Deus diz a Abraão, “agora sei que não me negarias o teu próprio filho”.
Deus está se esmerando na atividade de conhecer-nos, talvez a mais ousada ação nesse sentido foi ter tornado-se homem.
Mesmo assim ele não conseguirá conhecer todos, especialmente aqueles que estão ocupados em profetizar, em realizar milagres e em expulsar demônios no nome dele. A esses ele terá que revelar também sua desconcertante não onisciência:
“Nunca os conheci.”
Por Roger
quarta-feira, 22 de junho de 2011
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Estou em processo. Dinamito alguns pressupostos e, sem pressa, procuro novos alicerces para minha elaboração teológica. Identifico uma mudança - que vem acontecendo sem que eu mesmo perceba: largo a sistematização do mistério. Há alguns anos escrevi um texto em que confessava cansaço. Na verdade eu não estava fadigado. Era meu grito. Um profundo anseio por mudança. Intuitivamente, percebia que os fios que conectavam minhas várias lógicas religiosas estavam soltos e que perdia energias existenciais, espirituais e emocionais.
Li diversos autores e criei coragem de fazer algumas perguntas difíceis. Obedeci o conselho de Jesus, calculei os riscos, e resolvi tomar o caminho menos trilhado. Agora confesso: estou em transformação. Procuro fazer teologia no ritmo da poesia. Esforço-me para garimpar esperança na verdade poética. Noto quanta força a poesia tem para salvar o mundo. Já se perguntou se era possível sentir o poema “fervilhando em larvas numa terra prenhe de cadáveres”. Eu respondo que sim! Insisto na caminhada porque entendo a Bíblia como uma linda obra poética; sem pretensão de codificar o divino, as Escrituras falam nas frestas da metáfora, do mítico, da parábola, do poema.
Acredito que somente a beleza pode enfrentar a feiura. Deus ainda fala e suas palavras são como água fresca na caatinga. Passarão céus e terra, mas o recado divino continua boas notícias em um mundo esfacelado. No fiat primordial, o universo explodiu prenhe, mas de formosura. É preciso não perder o propósito da criação de fazer a humanidade aquarela, diapasão das sinfonias, chave misteriosa dos enigmas existenciais e eureca sagrada do Espírito. Temos o potencial de sermos espetaculares e não podemos deixar tanta riqueza se perder.
Sim, o mal existe. A perversidade se multiplica. Não faltam ímpios em busca de perpetuar estruturas demoníacas. Mas resistem os artistas, estivadores, lavadeiras de beira de rio, médicos, violinistas, filósofas, sacerdotes, cantores de churrascaria, psicólogas. Nem sempre prevalece a sanha dos traficantes, dos mercadores internacionais de fuzis, dos cafetões ou dos exploradores da mão de obra infantil. Pego na mão dessa gente e não desespero, sei que podemos fazer sinalizar lampejos do Amanhã tão aguardado, daquele porvir que ainda não alvoreceu.
Insisto em fazer teologia porque acredito que o caminho do perverso não prevalecerá. Os grilhões do vício não resistirão ao dobrar dos sinos do Reino final. Do alto da torre da Cidade Celestial se proclamará o triunfo da luz sobre as trevas. Juntos celebraremos o brilho do sol da justiça. A bondade é fermento, a mansidão, ácido e a integridade, aríete. Um dia, ruirá por terra o castelo da maldade.
Preservo meu fôlego. Preciso me manter dócil. Vivo em um mundo que banalizou a morte. Necessito continuar a acreditar no perfume do amor, na densidade da mansidão e na energia da solidariedade. Quando acossado pela decepção, procuro trazer à memória o soldado romano que se fez servo de um escravo, a mãe cananeia ajoelhada pela filha aflita, os dois cegos peitando a sorte e o ladrão que prenunciou o paraíso no seu derradeiro instante.
Faço teologia sem esquecer de reverenciar os sete mil profetas que permanecem de pé. Rodeado de gente que não renegou o martírio, procuro não fugir ao meu. Inspirado no meu Salvador, percebo a força embutida na fragilidade. Sei que o Cordeiro é digno de abrir o rolo da História e que, na sua volta, o acolheremos. Faço teologia e aguardo o grande dia quando terra e céu se tornarão uma só realidade.
Soli Deo Gloria.
Vi no http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&sg=0&id=1891
Enquanto aguardo a volta de Cristo
Li diversos autores e criei coragem de fazer algumas perguntas difíceis. Obedeci o conselho de Jesus, calculei os riscos, e resolvi tomar o caminho menos trilhado. Agora confesso: estou em transformação. Procuro fazer teologia no ritmo da poesia. Esforço-me para garimpar esperança na verdade poética. Noto quanta força a poesia tem para salvar o mundo. Já se perguntou se era possível sentir o poema “fervilhando em larvas numa terra prenhe de cadáveres”. Eu respondo que sim! Insisto na caminhada porque entendo a Bíblia como uma linda obra poética; sem pretensão de codificar o divino, as Escrituras falam nas frestas da metáfora, do mítico, da parábola, do poema.
Acredito que somente a beleza pode enfrentar a feiura. Deus ainda fala e suas palavras são como água fresca na caatinga. Passarão céus e terra, mas o recado divino continua boas notícias em um mundo esfacelado. No fiat primordial, o universo explodiu prenhe, mas de formosura. É preciso não perder o propósito da criação de fazer a humanidade aquarela, diapasão das sinfonias, chave misteriosa dos enigmas existenciais e eureca sagrada do Espírito. Temos o potencial de sermos espetaculares e não podemos deixar tanta riqueza se perder.
Sim, o mal existe. A perversidade se multiplica. Não faltam ímpios em busca de perpetuar estruturas demoníacas. Mas resistem os artistas, estivadores, lavadeiras de beira de rio, médicos, violinistas, filósofas, sacerdotes, cantores de churrascaria, psicólogas. Nem sempre prevalece a sanha dos traficantes, dos mercadores internacionais de fuzis, dos cafetões ou dos exploradores da mão de obra infantil. Pego na mão dessa gente e não desespero, sei que podemos fazer sinalizar lampejos do Amanhã tão aguardado, daquele porvir que ainda não alvoreceu.
Insisto em fazer teologia porque acredito que o caminho do perverso não prevalecerá. Os grilhões do vício não resistirão ao dobrar dos sinos do Reino final. Do alto da torre da Cidade Celestial se proclamará o triunfo da luz sobre as trevas. Juntos celebraremos o brilho do sol da justiça. A bondade é fermento, a mansidão, ácido e a integridade, aríete. Um dia, ruirá por terra o castelo da maldade.
Preservo meu fôlego. Preciso me manter dócil. Vivo em um mundo que banalizou a morte. Necessito continuar a acreditar no perfume do amor, na densidade da mansidão e na energia da solidariedade. Quando acossado pela decepção, procuro trazer à memória o soldado romano que se fez servo de um escravo, a mãe cananeia ajoelhada pela filha aflita, os dois cegos peitando a sorte e o ladrão que prenunciou o paraíso no seu derradeiro instante.
Faço teologia sem esquecer de reverenciar os sete mil profetas que permanecem de pé. Rodeado de gente que não renegou o martírio, procuro não fugir ao meu. Inspirado no meu Salvador, percebo a força embutida na fragilidade. Sei que o Cordeiro é digno de abrir o rolo da História e que, na sua volta, o acolheremos. Faço teologia e aguardo o grande dia quando terra e céu se tornarão uma só realidade.
Soli Deo Gloria.
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sábado, 18 de junho de 2011
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Continuando a caminhar… (minha carta ao Ricardo Gondim)
Faz exatamente 13 anos que conheci e me congrego (de alguma forma) na igreja Betesda e naquela época, meados de 1998, eu já escutava de forma encantada o seu discurso de vanguarda e percebia notoriamente as insatisfações dos mais conservadores e a euforia dos mais progressistas. Mas, ainda que dividida entre essas dua alas (ou melhor dizendo, rótulos), existia, mesmo que de forma ilusória, um espírito de unidade e uma tentativa de se construir uma identidade para a Betesda.
Lembro-me bem que, ainda na gestão do nosso querido Allison, essas questões sobre identidade, teologia, poder, fundamentalismos, liberalismos borbulhavam pelos corredores. Claro que não foi do dia para noite que muitas igrejas decidiram que não queriam mais caminhar junto com a Betesda, esse foi um processo lento, mas continuo.
Anos se passaram para que um dos piores traumas para a Instituição Betesda acontecesse de fato. Rachas, “amizades” desfeitas, pessoas magoadas… muita coisa aconteceu. Mas, algo de positivo poderíamos tirar de todo esse processo doloroso: em 2007, pastores e membros, especialmente os da Betesda do Ceará, tiveram uma rica oportunidade de se pronunciarem e escolherem que caminhos gostariam de trilhar.
Em tese, e só em tese mesmo, quem resolvesse ficar na Betesda do Ceará, não estaria simplesmente abraçando as ideias de sua igreja local, ou protegendo os interesses do seu “pequeno vaticano” particular. Quem se propôs a ficar estaria disposto a continuar a andar numa trilha sem volta, um caminho de reflexão que na grande maioria das vezes desagradaria a um público evangélico fundamentalista, conservador, bairrista e preconceituoso.
Um caminho estreito, árduo, que não tem a “glória” das multidões, a aceitação da mesa dos escarnecedores, nem o sucesso financeiro prometidos pelos pseudos televangelistas de plantão. Não seríamos mais chamados para pregar nos grandes eventos gospel, nossos nomes seriam muitas vezes difamados… mas, em contrapartida, esse caminho estaria comprometido com a promoção da justiça e a construção de um mundo melhor hoje, um Reino de Deus que se instaura por intermédio de mãos e pés de carne.
Infelizmente, quando olho hoje para a Betesda do Ceará o que vejo? Visualizo “franquias” fragmentadas e fundamentadas no cada um por si (e Deus por todos?), tentando a todo custo (questão de sobrevivência) aparecer novamente no cenário gospel, querendo “limpar-se” da “queimação de filme” que os afastaram da lógica evangélica (mas que nos trouxeram para mais próximo de Deus e do próximo). Negam assim, uma história de luta e resistência, de reflexão e companheirismo, em prol da lógica capitalista religiosa, do individualismo e do “se vira nos 30”.
Aliás, uma franquia é mais coerente do que temos aqui hoje no cenário da Betesda do Ceará. Porque quem deseja abrir uma franquia, seja ela qual for, no mínimo precisa acreditar no produto que está se propondo representar. Ter confiança na qualidade e respeitar a marca.
Digo tudo isso porque me sinto enlutada. De certa forma, a autonomia das igrejas Betesda do Ceará traz um desligamento da Betesda de São Paulo e o que restará aqui não passará de uma propaganda enganosa da Instituição Betesda, que sempre terá como referência o nome de seu maior representante Ricardo Gondim (mesmo que se tente negar, ou apagar isso).
Ao invés de se juntarem e fortalecerem uns aos outros para persistirem nessa caminhada, que sabíamos que não seria fácil, e que seria estreito, optaram pelo caminho largo, mais fácil e confortável de trilhar, porém, que traz como consequência mais isolamento, segregação, dicotomia entre Sudeste – Nordeste e que joga no lixo toda a luta e história de uma igreja que SEMPRE optou andar na contramão da lógica mercadológica e dogmática evangélica.
Declaro aqui que eu não concordo com esse isolamento “elegante” e decido continuar andando pelo caminho que escolhi em 1998. O caminho da reflexão e rupturas, o caminho da dúvida e das incertezas (pois só assim a fé faz sentido), o caminho mergulhado na Graça de Deus que anuncia o Reino que já está no meio de nós.
Ricardo, conte com meu apoio e carinho. Não continuo caminhando com você apenas pelo que você pensa, diz, ou escreve. Não quero apenas caminhar com sua teologia; quero caminhar com gente como você que erra, acerta, volta, repensa, constrói, desconstrói, perdoa, chora, ri, abraça, beija, ama. A grandiosidade da sua humanidade é o que mais me encanta e me convida a caminhar junto! Não abaixo, nem tão pouco acima, mas ao lado, como uma igual. Sinto-me honrada de fazer parte dessa história chamada Betesda. História essa escrita não com tinta, mas com o sangue e as lágrimas dos que persistem nessa eterna e constante construção.
Grata.
Cláudia Sales
“O melhor ainda está por vir”
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A Betesda, antes de qualquer coisa, é conhecida em sua história por ser uma Igreja reflexiva e inserida na realidade. Quanto ao nosso pastor presidente, desnecessário é fazer referência ao seu caráter, pois sua reputação é, sabidamente, intocável.
Os membros da Betesda testemunham que são pessoas menos religiosas e mais apaixonadas por Jesus. Quando entregam suas contribuições não o fazem por barganha, ou por medo de serem castigadas, mas por um compromisso e ato de fé. São testemunhas de um cristianismo leve, livre e obviamente de uma enorme responsabilidade.
Há algo mais a ser requerido de um pastor?
As questões que perturbam os que se intitulam defensores da verdade do evangelho e influenciam muitos, vêm da aberta renúncia de Ricardo Gondim à lógica evangélico-calvinista que impera na teologia de nossa pátria.
Testemunhamos que, de nós pastores, sempre foi exigido corresponder com as atribuições inerentes à responsabilidade pastoral. Honrarmos as contribuições dos fiéis que confiam a nós sua fé trabalhando com mais afinco, pastoreando, dedicando-nos ao crescimento pessoal e ao estudo para que a mensagem seja bem preparada e comunique a todas as pessoas a vontade de Deus conectada com a realidade.
As reflexões, estudos e questionamentos que temos praticado com seriedade, pertinência e sem restrições de pensamentos, nos levaram às desconstruções da lógica do movimento evangélico brasileiro, que sabemos também ser uma construção humana e cultural; e ao contrário do que se pensa, elas, as desconstruções, não serviram para nos afastar ou esfriar na fé, mas sim compreendermos melhor o amor de Deus.
Confirmamos que ele, assim como nós pastores da Igreja Betesda, não reconhecemos as acusações de que nos desviamos da fé cristã.
Rejeitamos as acusações de que o pastor Ricardo Gondim, na entrevista à Carta Capital, tenha ferido a fé cristã. Fazemos coro com a Bíblia, que defende os direitos dos oprimidos, dos abandonados e injustiçados; que o pecador precisa ser acolhido e orientado e a que os direitos civis dos cidadãos, independente de credo, raça, etnia e gênero, devem ser respeitados e defendidos; por consciência democrática nenhuma expressão religiosa deve gerir o Estado, assim como o Estado deve preservar os direitos das expressões religiosas.
Negamos que haja na Betesda qualquer manual a ser obedecido ou norma que fira o princípio de liberdade, igualdade e justiça e, principalmente, que contrarie o legado deixado por Jesus Cristo revelado na Bíblia.
Damos nosso inteiro apoio ao pastor Ricardo Gondim e reiteramos nossa caminhada com ele.
Ricardo Gondim tem demonstrado uma fé lúcida, tecido reflexões pertinentes e comunicado todo o evangelho de forma íntegra para toda humanidade.
Nós, que com ele andamos, e dele ouvimos não só as palavras, mas mais ainda, seu coração, reconhecemos que, se há um pastor a ser reconhecido como um servo de Deus que não se vende ao discurso que visa encher templos, que não se associa a políticas para obter vantagens em nome do Reino de Deus, não vende bênçãos, e se preocupa em promover a vida e pastorear os corações pela Palavra de Deus, é ele.
O que tem sido colocado na boca de muitos é fruto de manipulação religiosa e, no mínimo, falta de compreensão.
Os brasileiros precisam ouvir mais mensagens como as que vêm sendo pregada na Betesda para que saibam que há um Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que ama a todos e é o Salvador de todos os homens e mulheres, pois não faz acepção de pessoas e estende sua graça à humanidade.
Assinam o presente pronunciamento as Igrejas Betesda:
Representadas pelos seus pastores:
PRONUNCIAMENTO DOS PASTORES DA IGREJA BETESDA SP
Nós, pastores da Igreja Betesda de São Paulo, orientados a não tolerar a injustiça e a defender os inocentes, temos nos incomodado com os recentes acontecimentos que atingem nosso pastor presidente, Ricardo Gondim, o que por si só pede de nossa parte uma manifestação, haja vista a maneira exemplar e digna com que tem conduzido nossa igreja em todo o tempo.
Quando as desinformações dos assuntos tratados e a distorção da verdade cristã que praticamos e cremos desviam pessoas crédulas e mais inexperientes em seus passos de Jesus, não podemos nos calar.
A Betesda, antes de qualquer coisa, é conhecida em sua história por ser uma Igreja reflexiva e inserida na realidade. Quanto ao nosso pastor presidente, desnecessário é fazer referência ao seu caráter, pois sua reputação é, sabidamente, intocável.
O pastor Ricardo tem dedicado sua vida para que a verdade de Cristo seja conhecida por todas as pessoas. Apaixonado por Jesus trabalhou e trabalha incansavelmente.
Se há algo que Jesus manda verificar em seus discípulos são os frutos.
Ninguém há que possa acusá-lo de ter ensinado, incitado ou produzido o mal.
Suas mensagens pelo rádio, os seus livros, site e internet com suas exposições disponíveis atestam a verdade. Pessoas testemunharam e testemunham que, impactadas pelo evangelho pregado, se tornaram melhores e livres do tacão da religião e da manipulação de líderes inescrupulosos e manipuladores da boa fé. São mais autônomas e responsáveis através de seu ministério.
Os membros da Betesda testemunham que são pessoas menos religiosas e mais apaixonadas por Jesus. Quando entregam suas contribuições não o fazem por barganha, ou por medo de serem castigadas, mas por um compromisso e ato de fé. São testemunhas de um cristianismo leve, livre e obviamente de uma enorme responsabilidade.
Também testemunhamos que mesmo os que saíram, foram servidos, alimentados e cuidados pela mentoria do pastor Ricardo.
Há algo mais a ser requerido de um pastor?
O fruto serve para testemunho de quem é de Jesus. Não aceitamos que alguém digno, referência de cristianismo, que dedicou e dedica sua vida para o bem do Reino de Deus, que fala a verdade do evangelho sem rodeios, seja enxovalhado por interpretações errôneas da verdade, abusos e ataques inescrupulosos.
Em nome da defesa do evangelho, estes opositores maculam o significado mais profundo do Reino de Deus.
As questões que perturbam os que se intitulam defensores da verdade do evangelho e influenciam muitos, vêm da aberta renúncia de Ricardo Gondim à lógica evangélico-calvinista que impera na teologia de nossa pátria.
É fato que alguns pastores desistiram desta caminhada, e reconhecemos isto, pois diante da pressão existente por parte de líderes opositores gratuitos, desejaram seguir seu próprio caminho e ter suas próprias igrejas.
Testemunhamos que, de nós pastores, sempre foi exigido corresponder com as atribuições inerentes à responsabilidade pastoral. Honrarmos as contribuições dos fiéis que confiam a nós sua fé trabalhando com mais afinco, pastoreando, dedicando-nos ao crescimento pessoal e ao estudo para que a mensagem seja bem preparada e comunique a todas as pessoas a vontade de Deus conectada com a realidade.
As reflexões, estudos e questionamentos que temos praticado com seriedade, pertinência e sem restrições de pensamentos, nos levaram às desconstruções da lógica do movimento evangélico brasileiro, que sabemos também ser uma construção humana e cultural; e ao contrário do que se pensa, elas, as desconstruções, não serviram para nos afastar ou esfriar na fé, mas sim compreendermos melhor o amor de Deus.
Corroboramos com a proposta da reforma, sempre reformanda, e isto se dá mediante a reflexão, ouvindo o Espírito e compreendendo nosso Mundo.
Confirmamos que ele, assim como nós pastores da Igreja Betesda, não reconhecemos as acusações de que nos desviamos da fé cristã.
Somos testemunhas de sua pregação, com Bíblia em punho, da fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador e o único mediador entre Deus e os homens. Da ressurreição dos mortos, da volta de Cristo. Da triunidade de Deus como Pai-Filho-Espírito Santo, da Bíblia como Palavra de Deus. Consideramos que não se faz necessário repetir todo o credo apostólico e nem as afirmações como os atributos divinos, pois estas e outras afirmações encontram-se em todas as publicações da Betesda e do próprio pastor Ricardo. (indicamos o livro “Creio, mas tenho dúvidas”, Ed Ultimato, pg 28ss).
Rejeitamos as acusações de que o pastor Ricardo Gondim, na entrevista à Carta Capital, tenha ferido a fé cristã. Fazemos coro com a Bíblia, que defende os direitos dos oprimidos, dos abandonados e injustiçados; que o pecador precisa ser acolhido e orientado e a que os direitos civis dos cidadãos, independente de credo, raça, etnia e gênero, devem ser respeitados e defendidos; por consciência democrática nenhuma expressão religiosa deve gerir o Estado, assim como o Estado deve preservar os direitos das expressões religiosas.
Negamos que haja na Betesda qualquer manual a ser obedecido ou norma que fira o princípio de liberdade, igualdade e justiça e, principalmente, que contrarie o legado deixado por Jesus Cristo revelado na Bíblia.
Damos nosso inteiro apoio ao pastor Ricardo Gondim e reiteramos nossa caminhada com ele.
Desejamos a continuidade da Betesda, como tem sido nestes 30 anos de sua existência: uma igreja relevante para a sociedade em que está inserida. Consideramos, portanto, as acusações maldosas, inconsistentes e vazias do significado cristão.
Ricardo Gondim tem demonstrado uma fé lúcida, tecido reflexões pertinentes e comunicado todo o evangelho de forma íntegra para toda humanidade.
Nós, que com ele andamos, e dele ouvimos não só as palavras, mas mais ainda, seu coração, reconhecemos que, se há um pastor a ser reconhecido como um servo de Deus que não se vende ao discurso que visa encher templos, que não se associa a políticas para obter vantagens em nome do Reino de Deus, não vende bênçãos, e se preocupa em promover a vida e pastorear os corações pela Palavra de Deus, é ele.
O que tem sido colocado na boca de muitos é fruto de manipulação religiosa e, no mínimo, falta de compreensão.
Os brasileiros precisam ouvir mais mensagens como as que vêm sendo pregada na Betesda para que saibam que há um Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que ama a todos e é o Salvador de todos os homens e mulheres, pois não faz acepção de pessoas e estende sua graça à humanidade.
Assinam o presente pronunciamento as Igrejas Betesda:
Em São Paulo SP - Jardim Marajoara, Zona Leste, Vila das Belezas, Jardim das Fontes;
Diadema;
São José dos Campos -Jardim Satélite, Jardim Uirá e São Judas.
Representadas pelos seus pastores:
Airton Mendes, Antônio Teles, Célia Bonilha, Daniel Aldemir, Daniel Santos, Eliel Batista, Elienai Jr, Fátima Nascimento, Laércio Amorim, Lucas Lujan, Marcelo Néry, Mário Mingoni, Paulo Silvano, Salvador Júnior, Sérgio Oliveira, Silvia Geruza, Telma Mingoni e Villy Fomin.
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