segunda-feira, 19 de setembro de 2011

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Quatro teses sobre o que é “ser santo”





Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: ‘Sejam santos, porque eu sou santo” (1Pedro 1.15-16).


Quatro... É o número de vezes em que a sentença “sejam santos, porque eu sou santo” aparece somente no livro de Levítico – sem contar com esta passagem da primeira carta de Pedro, é claro, que faz referência àquela. Qual é a possível mensagem implícita nesta sentença? A de que devemos ser “iguais a Deus”? A de que nos compararemos a Ele em sua Santidade? A de que devemos lutar para que a santidade seja possível? Três vezes não! Mas, num primeiro plano, aparece a mensagem de que Deus, o Senhor, que tirou seu povo da terra do Egito, é “Santo”, isto é, incomparável, está “acima de todo nome”, não há outro igual a Ele, não é e nem pode ser idêntico a outros deuses, nem tampouco às formas, fórmulas ou nomes que tentam “descrever” Deus. Ele é o que é...


A Santidade, nesse sentido, é o que torna impossível qualquer espécie de cogitação sobre Deus, qualquer teologia que possa ser feita, por ser “sobre Deus”, ou visando “nomear Deus”. E a graça é o que torna, em contrapartida, possível a teologia como resposta ao falar e ao agir desse Deus Santo, no nível de nosso entendimento sobre ou da nossa experiência com este Deus.


Mas, em que medida se pode ser santo “como Deus é...”? Diria que não na medida em que ambicionamos a santidade, pois ser santo não é propriamente ambição, mas vocação. Ninguém “ambiciona” a santidade neste sentido (bíblico) estrito, pois não há vantagem, status ou benefício direto algum em ser santo. Não me torno melhor e nem pior que ninguém. Não ganho nenhum “Prêmio Nobel de Santidade”. Sou apenas “diferente”, e diferente “apenas”. E assim sou na medida em que me deixo levar pelo jeito divino de me fazer diferente sem ser extraterreno ou extra-humano – o que demonstra que a santidade sobre a qual falo não tem nada a ver com a conotação religiosa do santo-beato.


Santos, portanto, são chamados. Pedro diz: “Santo” é “aquele que os chamou”. Paulo, quando escreve aos Romanos – e esta é uma linguagem que repetidamente aparecerá em suas cartas – assim endereça: “A todos os que em Roma são amados de Deus e chamados para serem santos” (Romanos 1.7). Santidade, então, não é essencialmente um alvo humano, mas alvo de Deus para a humanidade; os que são chamados “santos” na perspectiva bíblica não o são porque perseguiram este caminho ou porque fizeram “das tripas o coração” para se tornarem “santos” aos olhos de Deus e do mundo, mas porque foram “perseguidos” e atraídos por e para esta via, que é uma via de graça.


Ser santo, assim, é um fado, isto é, um destino, uma vocação. Um fado que pode se tornar fardo, às vezes, seja (dentro de um estado “normal” de coisas) quando reconheço a complexidade dessa carreira que me está proposta (fardo-desafio, que pode ter tonalidades positivas), ou, pior, é fardo quando penso que a santidade depende de mim e de meus esforços “apenas” para existir (dentro de um estado “anômalo” de coisas). Ao mesmo tempo, é uma vocação que pode e deve ser alegre, leve, cheia de vida, à medida que não se separa da graça de Deus, nem da beleza de viver e de ser humano, conformando-me com o exemplo do “filho do homem”.


Gostaria de propor, em suma, quatro teses (não inéditas) que endereçarão (parcialmente) a perspectiva que hoje tenho sobre santidade:


1. Ser santo, como Deus é santo, implica em despretensiosidade ou em aceitar-se como se é.
O que, no caso da santidade, significa assumir-se como um ser pecador e naturalmente incapaz de santidade. Nisto se configura o que Tillich chamou de “a coragem de ser”: “aceitar-se como sendo aceito, apesar de ser inaceitável”. Ele ainda acrescenta que “não é o bom, ou o sábio, ou o piedoso, quem está destinado à coragem de aceitar a aceitação, mas aqueles que são faltos de todas estas qualidades e estão certos de serem inaceitáveis” (Tillich, 1972, p. 128).


2. Ser santo, como Deus é santo, implica em abraçar a condição (contingente) de “ser como uma parte”, continuando a pensar com Tillich (1972, p. 70), e de se colocar, assim, como um ser sempre a caminho de se tornar.
Nisto também se configura a vocação: ela não é para aqueles que já-são, mas para os que, pela graça, podem vir-a-ser. Não seria este o convite do próprio Jesus: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores” (Marcos 2.17)?


3. Ser santo, como Deus é santo, implica em esvaziar-se da ambição diabólica de “ser como (igual) a Deus”, e cobrir-se, em contrapartida, de humanidade, de “nova humanidade”. Parafraseando Zélia Duncan e Mosca na música “Carne e sangue”, me cobrir de humanidade me fascina e me aproxima do céu.


Caminhar com Deus é um privilégio e uma dádiva, e não a conquista dos “caçadores de Deus” e suas formas de religiosidade sem conteúdo e sem vida, e, como disse J. Urteaga, cheias de “falsas virtudes que ocultam uma vergonhosa covardia” (Urteaga, 1967, p. 75). Santidade que nos priva da vida e da benção de ser apenas humano não vem de Deus. Pois, segundo Elienai Cabral Jr. (2009, p. 17), ela “subestima a vida humana e impõe uma agenda de pretensa divinização da vida. Insinua uma existência sem tensões, medos, dúvidas e aflições. Sem pequenos prazeres. Sem alegrias banais. Sem dança, festa, riso, vinho e amor”.


4. Ser santo, como Deus é santo, implica, por fim, na inconformidade com qualquer outra medida que não seja a “medida da estatura da plenitude de Cristo”, sobre a qual falou Paulo (Efésios 4.13). Para isto, é preciso “estar em Cristo”, que é tudo o que possibilita o caminhar em santidade de vida. O estar em Cristo me torna uma nova criatura. O “velho”, fraturado, vai dando lugar ao “novo”, em construção, e à “novidade de vida”.


Em suma: tendo sido feito-santo, não deixo de ser humano, que, por si só, é incapaz de santidade ou contingente. A diferença é que, agora que fui alcançado pela graça, existe algo que me move rumo a um horizonte de vida abundante ao qual, por enquanto, experimento apenas de relance. A ideia de santidade como vocação me faz pensar, assim, que existe um já que se apresenta como convite e como possibilidade de um vir a ser diário na graça. O santo-humano tem também seus demônios. Aprendendo a conviver com eles, sem a eles se render totalmente, é o que consiste em aceitar diariamente ao convite. Santidade sem sanidade (expressão de Robinson Cavalcanti) gera gente doente, e não gente santa. Em outras palavras, o anseio pela santidade sem o Evangelho não vira santidade, vira patologia.



Referências Bibliográficas
CABRAL JUNIOR, Elienai. Salvos da perfeição: mais humanos e mais perto de Deus. Viçosa, MG: Ultimato, 2009.
TILLICH, Paul. A coragem de ser. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1972.
URTEAGA, Jesus. O valor divino do humano. São Paulo: Quadrante, 1967.



Jonathan Menezes Professor de história e teologia na Faculdade Teológica Sul Americana e no ISBL – Centro Educacional Evangélico, em Londrina. É mestre em História Social pela Universidade Estadual de Londrina.



Vi no http://www.novosdialogos.com/artigo.asp?id=680
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“Que a voz do teu sangue nos diga alguma coisa”





No último dia 03 de setembro o estado de Alagoas viu ressurgir algo que havíamos pensado estar fora de moda: o crime de mando. Tombou, sob o impacto de doze covardes tiros, o médico e professor Luiz Ferreira, que também atuava na vida pública como vereador no município de Anadia. Virtual candidato à prefeitura daquela cidade, Luiz Ferreira foi vítima de uma emboscada logo após deixar um programa de rádio, onde anunciara sua virtual candidatura. Aos sessenta e um anos de idade, com um amplo currículo de serviço à sociedade alagoana nos campos da saúde, da educação e da política, Luiz Ferreira pagou com o próprio sangue o preço de assumir a postura político-ideológica que quis, e de colocar-se a serviço dos pequenos.


Infelizmente, a história recente de Alagoas tem sido constantemente manchada com o sangue de gente inconformada com os feudos políticos e com os currais eleitorais ainda muito vigentes por aqui. É muito grande a lista de pessoas que, seja no enfrentamento político, seja nos enfrentamentos dos movimentos sociais (principalmente na luta pela terra), foram vítimas dos caciques que não suportam sequer a ideia de terem seu poder questionado.


Estranhamente, não há a presença de padres, bispos, pastores e apóstolos nesta lista de mártires.


Digo “estranhamente” porque a Bíblia, livro-guia da fé cristã e chamado por padres, bispos, pastores e apóstolos de “regra de fé e prática”, está cheia de exemplos de pessoas que tais como Luiz Ferreira, pagaram com suas próprias vidas o preço do serviço aos mais humildes e do enfrentamento dos poderosos. Nós protestantes, por exemplo, professamos o sola scriptura, isto é, professamos que apenas as Escrituras Sagradas devem ser o referencial de nossa fé. Mas não são justamente as Escrituras Sagradas que chamam de “bem-aventurados” aqueles que são perseguidos e mortos por causa da justiça? (Mateus 5.10-12)


Os profetas do Antigo Testamento, em sua maioria, viram-se perseguidos por questionarem a manipulação religiosa, as falsas consolações populares, o monopólio do poder e a opressão que se impunha ao povo mais pobre. Elias foi perseguido por se opor à idolatria e aos desmandos reais de Acabe e Jezabel. Isaías, conforme certa tradição religiosa, foi perseguido e cerrado ao meio por conta de sua mensagem de denúncia à opressão política e religiosa. Jeremias foi perseguido por Zedequias por conta de sua denúncia das falsas consolações populares em relação à invasão babilônica. Conforme a tradição mais crida entre os cristãos, todos os apóstolos de Jesus Cristo foram perseguidos e mortos em função do conteúdo subversivo de sua mensagem. Apenas João teria tido morte natural. O próprio Jesus de Nazaré teve na cruz a resposta do Império Romano à sua práxis subversiva, considerada perigosa à estabilidade imperial nas províncias da Galiléia e da Judéia. A mensagem do “sacrifício vicário e salvífico” veio depois, como produto da fé dos primeiros cristãos.


Embora se dê muita ênfase aos aspectos sombrios e nefastos da Igreja Cristã na História – como as cruzadas, as caças às bruxas, as guerras religiosas europeias, a perseguição aos livres pensadores, a intolerância frente a outras religiões etc. –, não se pode esquecer que o Cristianismo também tem legado ao mundo uma rica lista de homens e mulheres que foram mártires em defesa da vida.


Dietrich Bonhoeffer (†1945), pastor protestante alemão, foi perseguido e morto pelo nazismo por conta de sua oposição a Hitler. Martin Luther King Jr. (†1968), pastor batista norte-americano, foi assassinado por conta de sua luta em prol dos direitos civis nos Estados Unidos. Dom Oscar Romero (†1980), arcebispo católico, foi assassinado em El Salvador por conta de sua defesa dos pobres e do seu enfrentamento dos poderosos. Ignácio Martin-Baró (†1989), padre católico e psicólogo social, e Ignácio Ellacuria (†1989), padre católico e teólogo da libertação, foram brutalmente assassinados com mais quatro companheiros da Universidade San José em El Salvador, por representarem ameaçadas às oligarquias que historicamente mantinham-se no poder. Dorothy Stang (†2005), missionária católica na Amazônia, foi brutalmente assassinada por conta de sua defesa dos direitos da floresta e daqueles que dela viviam e estavam sendo alijados desse direito. Esta é uma lista muito grande. Estes são apenas os nomes mais conhecidos.


Alagoas também tem sido uma terra de mártires. Mas, quem são eles? Este estado, historicamente caracterizado pela imposição voraz das oligarquias da terra, pela centralização das atividades econômicas na nefasta monocultura da cana, e pela idolatria do poder político caracterizada pelos feudos familiares, tem tido seu chão manchado pelo sangue de muita gente que ousou sonhar com uma Alagoas diferente. Mas, quem são essas pessoas? Repito: estranhamente não há a presença de padres, bispos, pastores e apóstolos nesta lista. Portanto, é inevitável perguntar: quem são os verdadeiros profetas nesta terra? É com vergonha e pesar que respondo olhando para mim mesmo: não somos nós, os religiosos.


Nós, padres, bispos, pastores e apóstolos não somos os profetas que têm manchado o chão de Alagoas com o sangue que rega a luta pela justiça. No lugar do enfrentamento, preferimos o conforto. No lugar de uma sociedade mais justa e inclusiva, preferimos o céu e suas delícias. No lugar da denúncia, preferimos o silêncio, quando não a camaradagem e o favor de certos déspotas alagoanos. Denunciamos os “perigos do mundo”, sem notar que nossa vidinha mesquinha e aquietada por nossos gordos salários, é tudo que “o mundo” espera de nós. Somos leões da moralidade, gigantes na defesa da família, vigilantes intermitentes dos perigos do sexo, ao mesmo tempo em que somos gatinhos manhosos frente à opressão política, anões frente à imposição das oligarquias econômicas, e completamente cegos para a dor da maioria do povo de Alagoas. Definitivamente, nós nunca fomos profetas de nada!


A voz do sangue de Luiz Ferreira clama por toda terra de Alagoas até os céus (Gênesis 4.10). O sangue deste mais novo mártir alagoano clama, em primeiro lugar, para que a justiça seja feita em relação aos seus algozes materiais e intelectuais. Em segundo lugar, a voz do sangue de Luiz Ferreira clama a toda sociedade alagoana, como uma trombeta tocando no alvorecer do dia, convidando-nos todos a acordar do sonho de paz e segurança. Em terceiro lugar, a voz de seu sangue clama nos recordando de que os poderes da morte estão muito vivos, e não querem conceder espaço para coisas diferentes, para uma sociedade mais igualitária, mais inclusiva e mais participativa. Em quarto lugar, a voz do sangue de Luiz Ferreira clama a nós, padres, bispos, pastores e apóstolos, para que saiamos de nosso mundo imaginário e sublimatório de paz e segurança. Ela clama nos convidando a despedaçar o cálice de ópio que nos embriaga há tanto tempo.



Paulo Nascimento é baiano de Muritiba, terra de Castro Alves. É casado com Patrícia Nascimento e sem filhos. Também é Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Nordeste (Feira de Santana-BA) e graduando em Psicologia pela Universidade Federal de Alagoas. Além disso, é pastor batista em Maceió e professor de Teologia Sistemática no Seminário Teológico Batista de Alagoas. É autor de Ópio coisa nenhuma: Ensaio de Teologia Crítica a partir de Alagoas.



Vi no http://www.novosdialogos.com/artigo.asp?id=681

sábado, 17 de setembro de 2011

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O ateísmo de Nando Reis

Dia desses o cantor e compositor Nando Reis declarou-se ateu. Isso bastou pra que ele passasse a sofrer uma saraivada de insultos e ameaças por parte dos “amorosos” seguidores de Deus. Tem alguma coisa errada nisso. Não na declaração do artista, que, num país livre, deve ser recebida com naturalidade, mas na reação daqueles que se declaram tão crentes, tão seguros de sua fé, tão plenos da certeza da própria salvação. Se há tanta segurança, por que achar que declarações desse tipo sejam uma ameaça? Se há tanta fidelidade a Deus, não seria o caso de agir com mais amor com os que não professam a mesma fé, já que Deus é amor?


Desconfio que as ditas reações só reforcem o distanciamento de muitos. Quem é que quer um Deus tão virulento, tão tosco, que se sente tão ameaçado pela descrença, tão rancoroso com os que crêem diferente ou simplesmente não crêem? Eu é que não quero. O Deus que Saramago, outro célebre ateu, retratou no livro Caim, bem reflete as atitudes de muita gente crente, mas é um Deus completamente truculento e manipulador. Também sou ateu de um Deus assim.


Quanto mais truculentas forem as atitudes dos crentes com relação às descrenças, mais descrentes haverá, e com razão. Quanto mais gente houver que se acha portadora da lista dos que vão desfrutar o céu e dos que vão torrar no inferno, mais gente vai se declarar descrente. Quanto mais exclusivistas forem as instituições religiosas, tanto mais pessoas vão considerá-las irrelevantes e antipáticas.


Há um descompasso entre a forma como Jesus agia e como muitos de seus pretensos seguidores agem. Ele foi extremamente acolhedor e compreensivo, principalmente com aqueles que estavam fora dos quintais religiosos, os marginalizados e oprimidos. Socorreu até aqueles que crendo, descriam. Sua intolerância era apenas com religiosos que se viam como senhores da verdade, incontestáveis, implacáveis. A esses ele chamou de raça de víboras.


As virtudes revolucionárias do evangelho são, entre outras, amor incondicional, solidariedade, altruísmo, igualdade, liberdade, respeito à dignidade humana. Mas elas não passam nem perto dessa turma que mais se preocupa em anotar nomes de incréus na caderneta do inferno. Se gastassem suas energias em viver e espalhar aquelas virtudes o mundo seria outro e os descrentes, amados e, talvez, não tão descrentes.


Acho que é preciso aprender com o seguinte poema:


“Pra você guardei o amor que sempre quis mostrar, o amor que vive em mim. Vem visitar, sorrir, vem colorir, solar, vem esquentar e permitir.


Quem acolher o que ele tem e traz, quem entender o que ele diz no giz do gesto, o jeito pronto do piscar dos cílios, que o convite do silêncio exibe em cada olhar.


Guardei, sem ter porque, nem por razão, ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer, pra ter um jeito meu de me mostrar.”


Sim, esta é uma canção dele, Nando Reis.


Márcio Rosa da Silva




Vi no http://marciorosa.wordpress.com/2011/09/09/o-ateismo-de-nando-reis/

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

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Se Jesus fosse neopentecostal

Se Jesus fosse neopentecostal, não venceria satanás pela palavra, mas teria o repreendido, o amarrado, mandado ajoelhar, dito que é derrotado, feito uma sessão de descarrego durante 7 terças-feiras, aí sim ele sairia. (Mt 4:1-11)


Se Jesus fosse neopentecostal, não teria feito simplesmente o “sermão da montanha”, mas teria realizado o Grande Congresso Galileu de Avivamento Fogo no Monte, cuja entrada seria apenas 250 Dracmas divididas em 4 vezes sem juros. (Mt 5:1-11)


Se Jesus fosse neopentecostal, jamais teria dito, no caso de alguém bater em uma de nossa face, para darmos a outra; Ele certamente teria mandado que pedíssemos fogo consumidor do céu sobre quem tivesse batido pois “ai daquele que tocar no ungido do senhor” (MT 5 :38-42)


Se Jesus fosse neopentecostal, não teria curado o servo do centurião de cafarnaum à distância, mas o mandaria levar o tal servo em uma de suas reuniões de milagres e lhe daria uma toalhinha ungida para colocar sobre o seu servo durante 7 semanas, aí sim, ele seria curado. (Mt 8: 5-13)


Se Jesus fosse neopentecostal, não teria multiplicado pães e peixes e distribuído de graça para o povo, de jeito nenhum!! Na verdade o pão ou o peixe seriam “adquiridos” através de uma pequena oferta de no mínimo 50 dracmas e quem comesse o tal pão ou peixe milagrosos seria curado de suas enfermidades. (Jo 6:1-15)


Se Jesus fosse neopentecostal, ele até teria expulsado os cambistas e os que vendiam pombas no templo, mas permaneceria com o comercio, desta vez sob sua gerência. (MT 21:12-13)


Se Jesus fosse neopentecostal, quando os fariseus o pedissem um sinal certamente ele imediatamente levantaria as mãos e de suas mãos sairiam vários arco-íris, um esplendor de fogo e glória se formaria em volta dele que flutuaria enquanto anjos cantarolavam: “divisa de fogo varão de guerra, ele desceu a terra, ele chegou pra guerrear”. E repetiria tal performance sempre que solicitado. (Mt 16:1-12)


Se Jesus fosse neopentecostal, nunca teria tido para carregarmos nossa cruz, perdermos nossa vida para ganhá-la, mas teria dito que nascemos para vencer e que fazemos parte da geração de conquistadores, e que todos somos predestinados para o sucesso. E no final gritaria: receeeeeeebaaaaaa! (Lc 9:23)


Se Jesus fosse neopentecostal, não teria curado a mulher encurvada imediatamente, mas teria a convidado para a Escola de Cura para o aprender os 7… veja bem, os 7 passos para receber a cura divina. (LC 13:10-17)


Se Jesus fosse neopentecostal, de forma alguma teria entrado em Jerusalém montado num jumento, mas teria entrado numa carruagem real toda trabalhada em pedras preciosas, com Poncio Pilatos, Herodes e a cantora Maria Madalena cantando hinos de vitória “liberando” a benção sobre Jerusalém. E o povo não o receberia declarando Hosana! Mas marchariam atrás da carruagem enquanto os apóstolos contaariam quantos milhões de pessoas estavam na primeira marcha pra Jesus. (MT 21:1-15)


Se Jesus fosse neopentecostal, ao curar o leproso (Mc 1:40-45), este não ficaria curado imediatamente, mas durante a semana enquanto ele continuasse crendo. Pois se parasse de crer.. aiaiaiaia


Se Jesus fosse neopentecostal, não teria expulsado o demônio do geraseno com tanta facilidade, Ele teria realizado um seminário de batalha espiritual para, a partir daí se iniciar o processo de libertação daquele jovem. (Mc 5:1-20)


Se Jesus fosse neopentecostal, o texto seria assim: “ Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um pobre entrar no reio dos céus” (Mt 19:22-24)


Se Jesus fosse neopentecostal, não teria transformado água em vinho, mas em Guaraná Dolly. (Jo 2:1-12)


Se Jesus fosse neopentecostal, ele teria sim onde recostar sua cabeça e moraria no bairro onde estavam localizados os palácios mais chiques e teria um castelo de verão no Egito. (Mt 8:20)


Se Jesus fosse neopentecostal, Zaqueu não teria devolvido o que roubou, mas teria doado seu ao ministério. (Lc 19:1-10)


Se Jesus fosse neopentecostal, não pregaria nas sinagogas, mas na recém fundada Igreja de Cristo, e Judas ao traí-lo não se mataria, mas abriria a Igreja de Cristo Renovada.


Se Jesus fosse neopentecostal, não diria que no mundo teríamos aflições, mas diria que teríamos sucesso, honra, vitória, sucesso, riquezas, sucesso, prosperidade, honra…. (Jo 16:33)


Se Jesus fosse neopentecostal, ele seria amigo de Pôncio Pilatos, apoiaria Herodes e só falaria o que os fariseus quisessem ouvir.


Certamente, Se Jesus fosse neopentecostal, não sofreria tanto nem morreria por mim nem por você… Ele estaria preocupado com outras coisas. Ainda bem que não era.


Por Felipe Almada, postado no blog Fé e Razão / Púlpito Cristão


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Igrejas

Existem dois elementos fundamentais à caminhada da igreja cristã. A utopia e o projeto.


Utopia é uma ideia norteadora de vida, projeto é um instrumento para se viver. Utopia é subjetiva, formada por nuances, contornos leves e inspiradores, projeto é objetivo e concreto, formado por passos, metas e aferidores bem definidos. Utopia é algo que se persegue, projeto é algo que se realiza. Utopia sem projeto é sonho desprovido do solo da realidade, onde ele deve ser plantado. Projeto sem utopia é realidade árida, desprovida das sementes dos sonhos para fecundar sua terra.


Ambos são fundamentais para o sucesso de nossa caminhada cristã.


A igreja cristã tem quatro características básicas, que são determinadas pelos seus protagonistas fundantes. Tais características, constituem aquilo que devemos ser.


Em primeiro lugar, somos a IGREJA DO ESPÍRITO SANTO (Jo 3. 8), que tem como proposta, um “novo jeito de ser gente”. É uma proposta para o indivíduo. Para uma nova cosmovisão, uma nova consciência, despertada em nós por essa nova presença em nossas vidas. Somos chamados a ser como o vento, desapegado, desalojado, suave como brisa ou intenso como ventania, mas sempre perceptível.


Em segundo lugar, somos a IGREJA DE JESUS CRISTO (Mt 18. 20), que tem como proposta “uma nova forma de se relacionar”. É a igreja dos dois ou três, que prioriza as pessoas em detrimento das estruturas e as relações em detrimento dos programas. Na Igreja de Jesus, qualquer relação deve acontecer em seu nome, por isso, os relacionamentos são o ambiente de sua presença. Aqui, não há igreja do indivíduo. Para ser igreja, precisamos nos relacionar com gente. Mas não de qualquer forma. A chave é “reunidos em meu nome”. A substância desses relacionamentos é tudo o que pode gerar um “outro melhor” por se relacionar conosco. Confissão, oração, terapia, tanto quanto as irrelevâncias de conversas que sedimentam relações verdadeiras, são os elementos fundamentais dessa igreja.


Depois, vem a IGREJA DOS APÓSTOLOS (At 2. 42 – 47), cuja proposta é “uma nova forma de ser comunidade”. Os apóstolos, na medida em que o Espírito agrega à comunidade aqueles que vão sendo salvos, se veem na responsabilidade de organizar as coisas. Instituem posições mediante funções específicas, reúnem-se em locais e horários definidos, organizam-se com a intenção de que as necessidade básicas, emocionais, espirituais e sociais, de toda comunidade, sejam atendidas. Promovem um movimento para-estatal que equaliza as necessidades de todos, de forma que aquele que tem mais, se sente impelido a ofertar para que não falte ao que tem menos. Essa comunidade onde os problemas básicos são sanados, inspira àqueles que a observam, ao ponto de ganharem a simpatia do povo.


Por último, a IGREJA DE PAULO (At 11. 26 e 13. 1). A proposta aqui é “uma nova forma de ser sociedade”. Paulo é a pessoa escolhida por Deus para descortinar a proposta universal do Reino de Deus aos demais povos. Ele é treinado e discipulado para multiplicar o que, até então, estava praticamente restrito aos judeus. E ele o faz com excelência. Sabe escrever e compartilhar conceitos desconhecidos aos outros a partir de símbolos, linguagem e estrutura que lhe são comuns, de forma que aprendam sobre o desconhecido, tendo como ponto de partida o que lhes é familiar. É assim que ele age no areópago, na carta aos Romanos, nas epístolas pastorais. Apresenta as profundas realidades do Reino de Deus, inaugurado em Jesus Cristo, tendo como ponto de partida a realidade de seus destinatários.


A “Igreja do Espírito” e a “Igreja de Jesus”, são nossa utopia. Segundo Eduardo Galeano, “a utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”. A “Igreja dos Apóstolos” e a “Igreja de Paulo”, são nosso projeto. Um projeto deve acontecer em função de algo maior do que ele, em nosso caso, a utopia. O problema da institucionalização que vivemos hoje na igreja cristã, não se dá porque esse processo seja ruim, mas porque as instituições viraram o fim delas mesmas. O fim legítimo das instituições religiosas é promover a igreja que acontece como vento e no “dois ou três” e ser a igreja que atende às necessidades humanas, todas elas e se expande exercendo o senhorio de Cristo na terra, pelas portas do serviço e da missão, linguagem que todos entendem. Utopia sem projeto, é caminho sem chão. Projeto sem utopia, é chão sem caminho.


Está posto o desafio para todos nós, igreja contemporânea. Ser a “Igreja do Espírito”, um outro tipo de gente, consciente e aberta a novas e maiores realidades; “Igreja de Jesus”, onde as relações têm primazia e o pouco é suficiente, dois ou três; “Igreja dos Apóstolos”, organizada, atenta e atuante em sua realidade, promovendo a equidade e emancipação comunitárias e a “Igreja de Paulo”, inserida na sociedade, dialogando com demandas e realidades contemporâneas à luz das Escrituras, provando que existe a possibilidade de ser sociedade em categorias diferentes, sociedade que nós chamamos: Reino de Deus.


Por Fabricio Cunha


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O outro lado das Bem-aventuranças





Infeliz o homem de espírito orgulhoso, crê que não precisa de nada e de ninguém, na angústia vai perceber que seu tudo é nada, vai desejar trocar o que restou por um amigo, ter de volta a família, e então verá que já é muito tarde.


Infeliz o homem que sempre esconde os seus sentimentos e disfarça continuamente as suas lágrimas, nunca conhecerá o valor do carinho e consolo que se escondem por trás de um ombro amigo.


Infeliz o homem que se acomodou diante das injustiças, trocou a integridade pela hipocrisia, Deus pelo mundo, a paz pelo poder, o amor pelo dinheiro. O coração do homem ganancioso nunca está satisfeito.


Infeliz o homem que nunca agiu com misericórdia, amor, respeito e compreensão para com os outros, um dia desejará intensamente ser amado, respeitado, compreendido e não alcançará misericórdia.


Infeliz o homem que carrega a amargura no coração, seus olhos só enxergam maldade. Ainda que as preciosas bênçãos de Deus estejam diante dele não conseguirá enxergá-las.


Infeliz o homem que vive semeando contendas. Chegará o tempo em que todo o mal que espalha, cairá sobre a sua própria vida, ficará sozinho e será considerado um homem de natureza maligna.


Infeliz o homem que abandona a prática da verdade para não parecer diferente dos demais.


Infeliz o homem que diante de uma acusação se justifica sabendo no íntimo que é culpado. O peso da mentira em sua consciência será insuportável, o medo de ser desmascarado será constante e a tristeza terá abrigo em seu coração.


Não esqueça: Deus quer a sua felicidade!




Pr. Roberto Menezes - Fonte: IB FAROL.COM
Via: Evangelho Sem Contaminação



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Temos provocado um Deus santo!





Há certos temas que são recorrentes na maior parte dos púlpitos brasileiros. Percebe-se a igreja, por exemplo, bastante preocupada com pedofilia, lei da homofobia, aborto, pornografia, divórcio. Por motivo de integridade intelectual, não se pode crer no Novo Testamento e menosprezar esses assuntos. A liberdade de expressão, os direitos da criança, a santidade da vida humana, a pureza sexual e a importância do matrimônio são valores inegociáveis do cristianismo. Teme-se que se essas iniquidades não forem combatidas pela igreja, Deus julgará o seu povo.



Temos motivos, de fato, para nos preocupar. Porém, muito mais amplos do que o que inquieta a maior parte da igreja. Por que? Porque essas não são as únicas transgressões que a Bíblia denuncia e condena. Há iniquidades, tão graves quanto as supramencionadas, que passam despercebidas por aqueles cujos nomes constam no rol de membros das igrejas brasileiras, e presentes de modo histórico, disseminado e crônico no Brasil.



Não se menciona nos nossos púlpitos a desigualdade social, os casos de homicídio, as péssimas condições de moradia do pobre, a superlotação dos presídios, os salários baixos, a fome, a condição precária dos hospitais, a falta de acesso a educação de qualidade. Como pensar que seremos julgados por Deus pela prática daqueles pecados e não destes? O fato de uns estarem em vias de ser institucionalizados e outros não, não faz diferença, pois jamais houve o caso de um povo ser justificado diante de Deus pela beleza da sua legislação. A lei sem obras é morta.



Tem que ser igualmente enfatizado que o juízo sempre começa pela casa de Deus. O que falar dos que dizem representar os interesses da igreja nas assembléias legislativas estaduais e Congresso Nacional, eleitos com o voto do crente, em campanhas realizadas no horário do culto a Deus? Alguns são reputados como os mais reacionários, vaidosos, alienados, corruptos que se tem notícia. Como deixar de fazer menção das igrejas que lavam dinheiro? Como não mencionar os pastores que deixam suas congregações se transformarem em currais eleitorais de canalhas, em troca de concessão de rádio, aparelhagem de som, legalização de propriedade e tijolo para construir templo?



Não podemos deixar de deplorar as grandes mobilizações -marchas ufanistas-, capazes de levar milhares para as ruas para nada, absolutamente nada. Pessoas são assassinadas aos milhares nas cidades brasileiras, dinheiro público escoa pelo bueiro da corrupção, metade da população habita em bairros sem rede de esgoto, e a igreja se reúne, em número incontável, nas principais cidades do Brasil, sem anunciar que está indo para as ruas a fim de combater essas provocações à santidade de Deus. Qual o motivo de uma passeata pelos direitos e garantias fundamentais do povo brasileiro jamais ter sido realizada pela igreja? A preocupação com a vida, no seu sentido mais amplo, não está presente nos corações dos seus membros, uma vez que estes encontram-se completamente alheios à obscenidade da violação dos direitos humanos, na maioria das vezes perpetrada pelo próprio Estado.



Deixaremos de denunciar as nossas instituições de ensino teológico, muitas das quais, ensinam o exato oposto proclamado pelas Escrituras Sagradas, sem ter quem faça oposição? De igual modo, muitos dos nossos pastores terão que, antes de denunciar os pecados dos de fora, aprender a se desfazer das jóias de ouro que ostentam, dos ternos caríssimos que exibem, dos carros luxuosos que expõe como troféus do seu desempenho e padrão de vida endossado por uma teologia que só serve para justificar a riqueza dos profetas de causa própria, enquanto uma massa de crentes é mantida no padrão social dos mais baixos do país. Igualmente, convém proclamar, que envergonham os céus, campanhas para levantamento de ofertas que fazem tropeçar todo e qualquer brasileiro que tem cérebro, uma vez que apelam para a ignorância e crendice, num contexto de total falta de transparência da administração financeira de instituições evangélicas.



As afrontas a Deus, tanto na nossa nação quanto na igreja, são mais amplas e sérias do que pensamos. Temos provocado um Deus Santo. Por isso, o desrespeito da população brasileira pela igreja, o desprezo pela função do pastor, a falta de interesse dos meios de comunicação pelo que a igreja pensa. Perdemos credibilidade. Setores inteiros da nossa sociedade não conseguem se imaginar presentes em cultos barulhentos, onde não se fala coisa com coisa e dirigidos por homens de vida dúbia.



As maiores ofensas a Deus que ocorrem na nossa nação, só serão combatidas pela igreja, quando esta deixar de agir de modo espasmódico, ingênuo, estreito, superficial. Esses batalhas não se vencem sem evangelização que prega arrependimento para com Deus e fé em Jesus Cristo, oração, protesto nas ruas, busca de informação, pressão sobre as três esferas de poder da república, entre outras ações mais, tão ausentes da práxis das igrejas do nosso país. O que houve conosco? Somos protestantes. Atrás de nós, há uma legião de homens e mulheres, que -por crerem no que creram- protestaram, vindo a selar seu testemunho com seu próprio sangue.



Enquanto nossa mensagem for determinada por uma pregação estranha às reais demandas morais e espirituais do Brasil, carente de relevância, pobre de pertinência histórica, destituída de discernimento temporal e privada de fidelidade às Escrituras, continuaremos a deixar de pregar sobre aquilo que tão extensamente encontramos nos textos proféticos da Bíblia, e que seria proclamado com clareza, paixão e ousadia por qualquer profeta do passado que estivesse em nosso lugar -homens que costumavam ser valentes não apenas dentro do templo-, mas nos locais onde as verdades referentes às demandas do direito e da justiça tinham que fluir como um grande e caudaloso rio.



Rev. Antônio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra,
presidente do Rio de Paz (Via O Observador Cristão)
 
 
 
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Ricos e milionários para a glória de Deus?





Preciso confessar minha intolerância religiosa e politicamente incorreta. Sim! Porque se não confessá-la, neste momento e canal, estarei negligenciando historicamente tudo o que creio segundo a simplicidade do que se aprende pela verdade, transparência e honestidade em Jesus e também do que estou convencido ser meu compromisso profético de denunciar o engano.



É a mesma intolerância que motivou o Senhor a chamar alguns religiosos de seu tempo de "raça de víboras", "sepulturas pintadas" e "lobos enganadores". Este é o zelo pela verdade a ponto de virar a mesa dos cambistas do templo e chamá-los publicamente de ladrões e salteadores. Não eram simples religiosos, eram aqueles que ditavam as regras no seu tempo, jogavam as cartas do jogo de dominação e manipulação do povo, assentavam-se nos primeiros lugares da sinagoga/templo, homens cuja "santidade" e "poder de Deus" eram medidos/avaliados somente pela aparência, externamente, pelo tamanho dos filactérios e franjas das roupas que usavam; eram aqueles que gostavam de orar em pé durante os cultos para serem vistos e admirados pelos outros homens ou para demonstrar um poder que julgavam ter [e não tinham].



Sem rodeios, apesar das duras palavras, mas em profundo amor, Jesus denunciava o pecado fosse ele institucional ou pessoal; olhando nos olhos de quem quer que fosse, desmascarava o que ele sabia ser a perversão da vida e do convite amoroso de Deus no encontro com o homem.



Esta semana vi escrito em um outdoor de uma grande e famosa igreja do Rio de Janeiro a frase: "Deus está levantando ricos e milionários para a Sua Glória. (...) Venha ser um deles", havia também, estampada, a foto do pastor... (Ops!) eu disse pastor? Desculpe! Agora ele foi consagrado a apóstolo...




Pois, é! Não vou discutir a apostolicidade do nosso irmão, mas meu lamento e espanto, semelhante ao do apóstolo Paulo na carta aos Gálatas, quando ele diz: "Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho..." é perceber como uma grande parcela dos pastores/religiosos hoje estão cedendo à tentação de transformarem as pedras em pães, jogarem-se dos pináculos de seus templos midiáticos e se ajoelharem diante da "grandeza" e da Prosperidade para conquistarem a glória das cidades e reinos deste mundo.



Oro sinceramente para que ele e todos estes sacerdotes, profetas, missionários e apóstolos tenham tempo de se arrepender e crer no Evangelho simples de Jesus, a fim de encontrarem misericórdia e também [se possível] ensinar o caminho de volta aos seus discípulos, mas não posso ficar calado.



Deus não precisa fazer alguém rico ou milionário para ser glorificado, servido ou conquistar a terra. Já cantava inspiradamente o poeta: "a sabedoria mora com gente humilde (...)", mas quem consegue discernir este tempo sabe que o engano já se instalou no coração e esfriou o amor de quase todos. A proposta daquele outdoor pareceu-me não somente absurda e mentirosa, mas revela a grande iniqüidade e potestade camuflada de piedade e "bênção". Erra não só quem faz o convite para participar dos cultos a Mamom, mas também quem o cultua, serve-o com seus dízimos e ofertas e sobe as escadas dos pináculos atrás de seus líderes e guias espirituais na intenção de receber a mesma glória e poder deste mundo.



Sinto profundo constrangimento por esta geração perversa que só consegue ver "Deus" na riqueza e na troca, na barganha, na compra da "bênção". Este "Deus" não é o meu Deus, não creio em um "Deus" que apenas seja Deus se for servido por ricos e milionários. Não creio em um "Deus" que expressa sua glória somente para aqueles que podem pagar por ela.



Eu creio no Deus que se fez carne, que ao contrário do desejo de alcançar a glória para cima, pelo domínio, através da glória dos homens e do mundo, preferiu o caminho inverso e se rebaixou até se confessar como servo humilde.



Os que vivem de fato para a glória de Deus podem até possuir algum bem (ou bens) neste mundo, podem por acaso ser chamados de ricos, milionários, mas seu coração certamente não estará no acúmulo de tesouros, muito menos no prazer de serem considerados como tais. Os que vivem e expressam a glória de Deus são os simples, os misericordiosos, os limpos de coração; aqueles que mesmo não possuindo prata nem ouro sabem expressar o bem e a glória de amar a Deus não pelo que Ele pode dar, mas pelo Dom da vida em abundância vivida gratuitamente.



Lúcifer foi contaminado pelo brilho e ganância do seu próprio comércio, aliás este foi um dos motivos de sua queda. A avareza que derruba querubins facilmente derruba apóstolos e patriarcas, ainda nos dias de hoje. A denúncia que o apóstolo Pedro fez em sua comunidade neotestamentária é atual e verdadeira: "Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.



E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, FARÃO COMÉRCIO DE VÓS, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme." (2 Pedro 2.1-2)



Ainda dá tempo de voltar ao caminho da cruz e do arrependimento. Quem tem ouvidos para ouvir?



O Deus que é glorificado sem som e sem palavras pela obra de suas mãos te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!



Por Pablo Massolar (Via Ovelha Magra)



Vi no http://www.hermesfernandes.com/2010/09/ricos-e-milionarios-para-gloria-de-deus.html

sábado, 10 de setembro de 2011

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Dons Espirituais Sem Graça





Desde o último post, temos refletido sobre a possibilidade de eliminarmos do Evangelho o conceito de graça. Já vimos, portanto, que falar do Reino de Deus sem a graça é o mesmo que apresentar um Deus tirano, que almeja cumprir Seus desígnios sem levar em conta Suas criaturas. Demonstramos que a justiça e o amor, atributos aparentemente contraditórios, são harmonizados pela graça, possibilitando assim uma inabalável estabilidade em todos os rincões do Seu Reino. Portanto, reino e graça são conceitos entrelaçados e indissociáveis.



Alguns que se consideram mais “espirituais” que a média, talvez aleguem que se subtrairmos o conceito de graça do Evangelho, ainda teremos os dons espirituais, as manifestações sobrenaturais, os milagres. O que dizer de tal raciocínio?



De onde, afinal, provém os dons do Espírito? Por quais critérios eles são distribuídos?



Examinemos as Escrituras:



“Temos diferentes dons, segundo a graça que nos é dada. Se é profecia, seja ela segundo a medida da fé. Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exerce misericórdia, com alegria” (Romanos 12:6-8).



A palavra dom vem do grego charisma, que tem como prefixo o vocábulo charis, que significa graça.



Portanto, não há charisma sem charis, pois a graça é a fonte de todos os dons. Repare no que diz Tiago:



"Toda boa dádiva e todo dom perfeito é la do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tiago 1:17).



Tais dons não são distribuídos aleatoriamente, nem com base nos méritos humanos. Eles são concessões da graça. No dizer de Paulo, "um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo particularmente a cada um como quer" (1 Coríntios 12:11). O que vale aqui não são os méritos, nem o desejo humano, mas unicamente o propósito divino.
 
 
Ademais, a concessão de dons não eleva-nos ao status de espirituais. Um exemplo disso pode ser encontrado na igreja de Corinto, talvez a mais carismática/pentecostal igreja do primeiro século da Era Cristã. Paulo chega a dizer que nela não faltava dom algum (1 Co.1:7). Porém, na mesma epístola, ele diz: "Eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com alimento sólido, pois ainda não estáveis prontos para isso. Com efeito, ainda agora não estais prontos. Ainda sois carnais" (1 Co.3:1-3a). Faltava-lhes maturidade, apesar dos dons. Eram meninos, carnais, invejos, contenciosos, mesmo manifestando os carismas do Espírito. Se os dons fossem distribuídos meritocraticamente, aquele seria a última igreja que os receberia.



Se removermos a graça, o que vai sobrar é o culto ao ego, ao carisma humano disfarçado de carisma do Espírito. Pode ser que haja até manifestações aparentemente sobrenaturais, mas desprovidas do propósito central que é glorificar a Cristo e edificar o Seu Corpo. Os holofotes estarão sempre voltados para o indivíduo, suas habilidades, seu poder de persuasão, sua pseudo-santidade.



Eis, abaixo, o propósito pelo qual Ele distribui dons ao Seu povo:



“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do ministério, para a edificação do corpo de Cristo” (Efésios 4:11-12).



Os dons não devem jamais ser usados na promoção pessoal de quem quer que seja. O fato de Deus ter dado a uns o que não deu a outros, não os faz melhores ou superiores, e sim, servos dos demais. Este é o Espírito da Graça e da Verdade. Confira o que Jesus disse acerca disso:



“Mas, quando vier o Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade. Não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar” (João 16:13-14).



Quando o homem é glorificado no lugar de Deus, a mentira ocupou o lugar da verdade. Este age, ora na força do próprio braço, ora sob a influência de espíritos de engano. É o que Paulo chama de “operação do erro”, que opera segundo a “eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais e prodígios da mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem. Perecem porque não receberam o amor da verdade para se salvarem” (2 Tessalonicenses 2:9-10).



Que outra maneira teríamos de distinguir a atuação do Espírito de mero charlatanismo? Verifiquemos os frutos. O verdadeiro carisma do Espírito vem sempre acompanhado da manifestação do caráter de Jesus. Carisma sem caráter é embuste, carnalidade travestida de espiritualidade.



É a manifestação do caráter de Cristo que evidenciará nossa conversão. Falar em línguas pode até ser importante, mas não comprova que alguém fora realmente batizado no Espírito Santo. Lembre-se que Jesus jamais falou em línguas! E duvido que alguém tenha sido tão cheio do Espírito quanto Ele. A melhor evidência de quem alguém recebeu o Espírito de Cristo é “andar como ele andou” (1 João 2:6). E o Espírito Santo fará tudo para chamar a atenção de todos à Cristo, e não a Si mesmo ou àquele que O recebeu.



Acompanhe a continuação desta reflexão nos próximos posts.
 
 
 
 
Por Hermes C. Fernandes
 
 
 
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Malafaia pediu, a gente posta: “blogueiros são filhos do diabo”, diz o pastor




Por Vera Siqueira


O Pr. Silas Malafaia, no programa da semana passada (pois nessa semana ele está reprisando pela enésima vez a profetada gospel do Morris Cerullo), incitou os sites e blogs apologéticos, que criticam sua famigerada Teologia da Prosperidade, a postar o vídeo onde ele chama os blogueiros de “filhos do diabo”.


Pois bem, Silas, abaixo está o vídeo. Apesar de tristes por um pastor se deixar comprar pelos ensinos heréticos da teologia da prosperidade, que nada têm a ver com o Evangelho puro e simples de Jesus Cristo, ficamos felizes por saber que somos reconhecidos como diabos (adversários) dos profetas de Mamom, dos fariseus pós-modernos, dos lobos que ensinam as ovelhas a entesourarem na terra, a colocarem seus corações nas bênçãos materiais, ao invés de buscarem unicamente, e sem maiores interesses, a Jesus.


A Deus (ao verdadeiro!) seja toda a honra e toda a glória para sempre!


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Vera Siqueira edita o blog Estrangeira no Mundo e é colunista do Púlpito Cristão


Comentário de Leonardo Gonçalves


Silas Malafaia vendeu a alma a Mamom: Aquele que foi um dos maiores rebatedores desta heresia, hoje anda de mãos dadas com Morris Cerrulo, Mike Murdok, Myles Munroe e outros mercenários da fé. Mas, será que isso é tão ruim assim? Será que essa tal teologia da prosperidade é mesmo tão aberrante como a gente diz? Creio que sim, pelas seguintes razoes:


Em primeiro lugar, a teologia da prosperidade esvazia Deus da sua glória onipotente, indo na contra-mão da sua soberania. “A soberania de Deus é a doutrina que afirma que Deus é supremo, tanto em governo quanto em autoridade sobre todas as coisas. Nos círculos dos “ensinos da fé” [i.e. Movivento da Confissão Positiva / Teologia da Prosperidade], ela não é levada muito a sério. Verbos como exigir, decretar, determinar, reivindicar freqüentemente substituem os verbos pedir, rogar, suplicar etc.” (ROMEIRO, Paulo: Super Crentes)


A teologia da prosperidade também é execrável porque transforma o culto a Deus em uma reunião antropocêntrica, isto é, o centro do culto não é Deus e sua glória, nem mesmo Cristo e seu poder redentor, mas o homem e suas necessidades. É um culto totalmente humano, onde o fiel é o centro das atençoes e todos os movimentos do universo devem satisfazer seu ego voraz. Ora, isso só já seria suficiente para rejeitar essa teologia apóstata.


Mas a teologia da prosperidade também parte de um pressuposto demoniaco. Ora, basta observar Mateus capítulo 4 para constatar que quem oferece o mundo em troca de adoração é o diabo, e não Deus. Por isso, não hesitamos em dizer que este evangelho moderno pregado pelo senhor Malafaia e pelos demais arautos da prosperidade, serve aos propósitos de Satanás, e não de Deus. É teologia diabólica, fabricada no coração da antiga serpente para envergonhar, confundir e condenar.


A teologia da prosperidade é herética porque esconde a cruz. Qual foi a última vez que você ouviu um desses televangelistas pregarem sobre a cruz, necessidade de arrependimento, perdão e vida eterna? Na verdade, os pregoeiros da prosperidade esconderam a cruz e anteciparam a coroa! Prometem a glória e o reino na terra, e nem de longe tratam com o problema do pecado que aflige a alma humana. É um evangelho de glorias falsas, que vende a ilusão de que os problemas desaparecerão assim que a oferta for depositada no altar.


Finalmente, a teologia da prosperidade é um capitalismo disfarçado de espiritualidade. Um consumismo travestido de culto religioso onde Mamom, divindade do panteão caldeu, é quem dita as regras do jogo. Dá muita tristeza ver a igreja, que devia promover equilibrio social através de uma missão integral, espoliar o povo sob promessas absurdas de uma prosperidade falsa que só enriquece seus arautos.


Cada vez que leio a narrativa de Atos dos Apóstolos, fico ainda mais revoltado com o que os modernos pastores estão fazendo com o cristianismo. Nos tempos do cristianismo primitivo, ser pastor significava tornar-se alvo. Eles eram os primeiros a morrer em tempos de crise e perseguição. Hoje é diferente: ser pastor significa ter status. E os crentes? Estes eram humilhados, aprisionados e açoitados, lançados às feras; outros eram queimados vivos na ponta de uma estaca para iluminar os jardins do imperador. Vejo isso e me pergunto onde estava a prosperidade desses homens? Onde está a promessa de riqueza na vida deles? Será que eles não eram crentes? Sim, o eram. E em maior proporção que muitos de nós, que em meio à comodidade e ao luxo nos esquecemos de incluir Deus na nossa agenda diária.


E não é só na igreja primitiva que encontramos esses exemplos não: e o que dizer dos crentes de aldeias paupérrimas da África, que padecem das coisas mais necessárias e comuns? Crentes que fazem uma só refeição por dia e ainda agradecem a Deus pelo pouco que têm. Será que eles são amaldiçoados? Será que a promessa de prosperidade não se estende a eles? Quanta hipocrisia!


Quando ouço falar de pastores presidentes que vivem nababescamente com o dinheiro de dízimos e ofertas, quando vejo telepastores cuja renda mensal ultrapassa a cifra dos milhoes de reais, meu coração entristece ao ver o quanto nos distanciamos daquele cristianismo bíblico, saudável, puro e simples, que não promete riquezas na terra, mas garante um tesouro no céu.


Definitivamente, não posso compactuar com esse comércio da fé. Não posso concordar com essa doutrina diabólica e anticristã que transforma o evangelho em uma empresa religiosa, onde o distintivo do crente não é o amor, mas a folha de pagamento do “fiel”. Não consigo deixar de odiar esse sistema porco, imundo, onde o nome de Jesus é usado para ludibriar, corromper e escravizar. Também não posso deixar de desmascarar esses falsos mestres, discípulos de Balaão, que por causa da paixão pelo vil metal vão além dos limites bíblicos e profetizam o que Deus não mandou.


E se por causa disso somos chamados de “diabos”, ah… que alegria isso me dá! Chamaram meu Mestre de Belzebú, o que nao dirão de mim, um pobre candidato à servo inútil, sem méritos ou obras, cuja única glória é a cruz? Ah… me chame de diabo, de demônio, de filho do inferno se quiser! Meu esconderijo é a cruz, e Cristo é quem me justifica.

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5.10-12)

Assista à seguir o vídeo do pastor John Piper, onde ele expõe suas razões para repudiar a teologia da prosperidade:



***
Redação Púlpito Cristão



Vi no http://www.pulpitocristao.com/2011/09/malafaia-pediu-a-gente-posta-%e2%80%9cblogueiros-sao-filhos-do-diabo%e2%80%9d-diz-o-pastor/
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Silas Malafaia, Edir Macedo e Valdemiro Santiago: Escorpiões Gospels





Por Leonardo Gonçalves


Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio, e fez um pedido: “Sr Sapo, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?” O sapo respondeu: “Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralizado e vou afundar”. Disse o escorpião: “Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos”. Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio. Porém, ao chegar do outro lado do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo. Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: “Por quê? Por quê?” E o escorpião respondeu: “Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza”.


Silas é um escorpião: Depois de apoiar Marina Silva, jogou a candidata no "corredor polonês"



Silas Malafaia ficou conhecido na década de 90 como pregador ousado que desmascarava os arautos da doutrina da prosperidade fácil. Porém, em 1995, defendeu Edir Macedo e sua fábrica de fazer dinheiro – à saber: Igreja Universal do Reino de Deus – em rede nacional. Segundo Caio Fábio, Silas teria mordido uma grana preta para sair em defesa do bispo. Já na virada do século, Malafaia levantou a bandeira “anti-G12”. O movimento de crescimento de igrejas alcançava seu auge no Brasil com o método trazido da Colômbia, e o pastor tratou logo de gravar um DVD refutando as praticas gedozistas. Vendeu mais que água no deserto! Anos depois, o mesmo Silas apareceria de mãos dadas com Valnice Milhomens, embaixadora do G12 no Brasil, e o apóstolo patriarca Renê Terra Nova, o cara do M-12, versão manauara do movimento herético. Por detrás da amizade repentina está uma rede de contatos milionárias, a qual inclui Morris Cerulo e Mike Murdok.


Outro escorpião gospel é Valdemiro Santiago: Após aprender todos os segredos do mestre, lhe deu a maior rasteira ao fundar a Igreja Mundial




Nas eleições, Silas defendeu Marina Silva, candidata evangélica e até onde se sabe, um modelo de integridade na vida pública. Mas ao perceber que Marina não teria chance de vencer o pleito, o telepastor jogou a candidata num “corredor polonês” virtual, dizendo que à candidata era à favor da liberação da maconha, do casamento gay e outras mentiras mais. No entanto, o que predominou mais uma vez foi a ganância do Malafaia, que viu na eleição do candidato José Serra, a possibilidade de obter a concessão de um canal de TV.


Silas Malafaia não tem amigos; ele tem comparsas. Seus “camaradas” também são escorpiões, e parece que o homem da “bíblia do milhão” já está sentindo o veneno correr em suas veias. Primeiro foi Edir Macedo, o cara que o Silas defendeu em 1995: O bispo descarregou todo seu arsenal nele, escrevendo em seu blog pessoal. Silas rebateu como pode, mas Caio Fabio apareceu aos 45 minutos do segundo tempo com um vídeo revelador.


Quem é o escorpião e quem é o sapo? Hum... Difícil!







Recentemente, Valdemiro Santiago, o apóstolo suado que apesar de fazer tantos sinais, não conseguiu fazer o milagre de limpar sua ficha policial [e fez discípulos! Veja mais aqui], injetou seu veneno no Malafaia. Depois de ter defendido o apóstolo no programa “Vitória em Cristo” por ocasião do fechamento da Igreja Mundial do Poder de Deus, Silas pensou ter ganhado um amigo. Mas a aliança “fraterna” entre Silas e Valdemiro se consolidou mesmo quando ele criticou duramente o missionário RR Soares por ter comprado horários de Valdemiro na CNT, afinal, “Que crocodilagem, né?”. O sol nasce para todos, Sr. Soares, e o apóstolo só está querendo ganhar a vida “honestamente” na TV, igual a você! Mas escorpião é sempre escorpião, e num vacilo do Malafaia, Valdeco Molhado pagou mais do que Silas Malafaia podia oferecer e tirou o ex-bigodudo da madrugada da Band.


Que rasteira! Haja veneno!


Escorpiões são assim: Não possuem compromisso com a ética ou com a verdade. O Deus deles é o dinheiro, e por causa dele são capazes de injetar seu veneno em qualquer um. E Silas, Valdemiro e Edir Macedo seguirão assim para sempre, à menos que Deus efetue a transformação das suas naturezas moribundas. Sim, pois no final, tudo é uma questão de “natureza má”.


PS: A última notícia é que Silas estaria negociando um horário nas tardes, na mesma emissora. Para isso, a Band deixaria de exibir sua programação infantil, o que seria uma baita duma #sacanagem


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Leonardo Gonçalves é editor do Púlpito Cristão



Vi no http://www.pulpitocristao.com/2011/08/silas-malafaia-edir-macedo-e-valdemiro-santiago-escorpioes-gospels/

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

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Gênesis de uma igreja contemporânea

1 No princípio ele criou a sua própria igreja, alugando um lugar para reunir algumas pessoas sem ter denominação alguma e declarou a si mesmo “pastor”.
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2 E a igreja era sem forma e vazia, mesmo assim algumas pessoas vieram apoiá-lo. E até então o Espírito de Deus pairava sobre a face daquele lugar.
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3 E o pastor disse: façamos uma oferta para arrumar a igreja e a oferta foi recolhida.
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4 E o pastor viu que a oferta e as pessoas eram boas e apoiavam suas idéias; então separou uma oferta para a igreja e outra para si mesmo.
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5 E o pastor chamou aquilo de doações para não pagar impostos e as que cobriam suas despesas foram chamadas de dízimo. E passou a tarde e a manhã pedindo dinheiro.
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6 Então disse o pastor: haja expansão entre os congregantes e separou as pessoas que o interessavam das que não interessavam muito.
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7 E fez o pastor uma expansão e separou os menores de idade e os chamou de crianças e adolescentes e os maiores de idade de: assembleia geral, grupo de homens, de mulheres, de adultos solteiros… E assim por diante.
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8 E o pastor chamou a expansão de “Minha igreja”. E passou a tarde e a manhã fazendo uma reunião especial para atrair mais pessoas.
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9 Então disse o pastor: Juntem-se aqueles que sabem tocar algum instrumento e descubram quem gosta de cantar. E isso aconteceu.
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10 E chamou o pastor os que tocavam e cantavam de “Meu grupo de louvor” e as outras pessoas de servos. E viu o pastor que isso era bom e lhe convinha.

11 Então disse o pastor: Surja dentre o povo quem venha para a igreja disposto a lavar e limpar os banheiros, cadeiras e deixar tudo arrumado e limpo. E isso aconteceu.
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12 Pois a igreja produzia pessoas de bom coração que ajudavam sem reclamar, pessoas que trabalhavam sem esperar nada em troca e sabiam em seu coração que aquilo que faziam valia a pena, mesmo sem serem reconhecidos. E viu o pastor que para ele isso era bom e lhe convinha.
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13 E passaram a tarde e a manhã fazendo limpeza e arrumando o templo e colocavam todos dinheiro do próprio bolso para isso.
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14 Então disse o pastor: Haja luz e aparelhos de som para as reuniões e também para eventos especiais; pessoas que entendam de som e venham antes da reunião para preparar tudo e sejam tão comprometidos que posso reclamar se algo não ficou muito bom
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15 e dar ordens como se fossem meus empregados mesmo que nunca recebam um centavo sequer para isso e me servam por muitos anos. E isso aconteceu.
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16 E fez o pastor duas grandes equipes de líderes, os 12 líderes “importantes”, seus amigos e vice-líderes de célula para lhe obedecer sem precisar se relacionar com eles. Assim nasceram as “estrelas”.
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17 E fez o pastor a expansão de sua igreja e chamou isso de “ministérios”
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18 para exercer domínio em todas as áreas de serviço, o tempo todo procrurando ofuscar os outros e fingindo ter elevados níveis de espiritualidade para alcançar uma posição de liderança. E viu o pastor que isso era bom nisso e o ajudava a controlá-los melhor.
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19 E houve durante a tarde e a manhã cursos de “liderança”.
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20 Disse o pastor: Produzam mais pessoas responsáveis ​​pelas crianças, porque são muito inquietas e distraem os pais da minha pregação da e hora da oferta.
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21 E criou os grandes animais do pastor e os traumas de infância, enchendo as crianças de histórias repetitivas em aulas chatas, professores sem preparação que só conseguiram fazer que ninguém queria ouvi-lo. E lá estava o pastor que não era bom.
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22 O pastor parabenizou os líderes dizendo: “sejam frutíferos, multipliquem os membros de minha igreja, me tragam ofertas e relatos de pessoas que estão em rebeldia por não pensarem como eu para que possa convencê-las ou mandar embora. E os líderes concordaram.
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23 E houve durante a tarde e a manhã uma refeição apenas para os doze líderes.
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24 Então disse o pastor : Gravem um CD de louvor ao vivo de nossa congregação, um site, uma editora para os meus livros e tudo que seja necessário para que vejam como a minha igreja é mais moderna, mais abençoado e melhor que as outras . E isso aconteceu.
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25 E fez ele congressos de jovens, de mulheres, de homens, de líderes de louvor, teve livros publicados, CDs de música gravados; vendeu pregação, ingressos para cafés, seminários, pré-encontros, encontros, reuniões e pós-encontros. E viu o pastor que para ele isso era bom.
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26 Então disse o pastor : “Façamos Deus à minha imagem e semelhança, do jeito que sou e tudo que eu digo de bom ou de ruim, aceitável ou inaceitável, incluindo música, televisão, cinema, roupas, forma de falar, de liderar uma reunião e assim por diante. Mesmo quando não há base bíblica e são apenas meros caprichos serei respeitado. Quem pensar o contrário será julgados à revelia e expulso de minha igreja. Eu vou reinar sobre todos os membros da minha igreja dizendo: “Deus quer, Deus me disse, Deus me mostrou”, quando na realidade é apenas o que “eu digo, eu sinto e eu amo”


27 E o pastor criou Deus à sua imagem… e Deus viu que isso não era bom.
tradução: Jarbas Aragão
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dica do Ricardo Gondim


Vi no http://foradazonadeconforto.blogspot.com/2011/09/genesis-de-uma-igreja-contemporanea.html
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Compreendendo o agir de Deus na História





A maioria dos cristãos crê que haverá um tempo de justiça e paz no mundo. Uns crêem que isso se dará através da cristianização do mundo, pela agência da igreja. Mas a maioria prefere acreditar que isso se dará subitamente, quando Cristo vier em glória e aqui estabelecer o Seu reino.


Para nutrirmos uma esperança bem fundamentada, precisamos recorrer às Escrituras, em busca do modus operandi de Deus.


Como Deus tem trabalhado ao longo da História?


A questão que surge é: Deus prefere trabalhar com rupturas ou transições?


Se Ele trabalha com rupturas, é justo esperar que a qualquer momento a História sofrerá uma intervenção radical por parte de Deus, seja através de um vultuoso avivamento repentino, ou através da volta iminente de Cristo para o estabelecimento do Seu reino de paz e justiça.


Mas se for comprovado que o método usado por Deus é caracterizado por transições em vez de rupturas, é plausível esperar que Ele trabalhe de maneira gradativa na expansão do Seu reino entre os homens.


Será que encontramos na natureza algum indício de como Deus trabalha?



Em Gênesis 8:22 lemos: “Enquanto a terra durar, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite”.


Verão e inverno são dois extremos dentre as estações. Foram as duas primeiras estações a serem nomeadas pelos humanos. O verão é caracterizado pelo calor, enquanto o inverno, pelo frio. Com o passar do tempo, os homens observaram que entre um extremo e outro, havia uma período de transição. O calor do verão não cede ao frio do inverno de um dia para o outro. Antes que o inverno chegue, o verão tem que ceder lugar ao outono. E antes que o verão volte, o inverno cede sua vez à primavera.


Hoje entendemos que o ano é dividido em quatro estações, e não apenas duas.


Da mesma maneira, o dia é dividido em duas partes de doze horas cada: o dia e a noite. O dia não vira noite de um minuto para o outro. Não se acende o sol como quem aperta um interruptor. Para que a noite vire dia, há um período extenso de transição que chamamos de “madrugada”. E para que o dia se torne noite, há um período chamado de “tarde”, ou “entardecer”. Da madrugada para a manhã há um breve momento chamado de “aurora”, ou “alvorada”. Da tarde para a noite há um breve momento chamado de “crepúsculo” (pôr-do-sol). Nada acontece abruptamente. Tudo obedece a uma ordem, a uma seqüência.


Podemos observar algo parecido no desenvolvimento da vida humana. Entre a infância e a vida adulta, há um período intermediário chamado “adolescência”. Neste período o indivíduo se adapta às novas dimensões do seu corpo, bem como às novas responsabilidades sociais da fase adulta. Ora se comporta como criança, ora como adulto. Alguns chamam esta fase de “aborrecência”, devido aos aborrecimentos sofridos pelos pais. Mas até isso é uma maneira de preparar os pais para “perder” seus filhos, atenuando o sofrimento por sua partida.



Da fase adulta à velhice, há um período intermediário que chamamos de “meia-idade”. Aos poucos, nossas forças diminuem, e nos habituamos às limitações da terceira-idade.



Já a velhice nos prepara para o grande salto, o momento da morte. O fato de sermos relegados a um segundo plano, nos dá a consciência de que a vida segue sem nós, de que não somos indispensáveis. O maior sofrimento que a morte trás se deve ao fato de não admitirmos que somos dispensáveis. Rubens Alves disse certa vez, quando perguntado se tinha medo da morte: “Não tenho medo da morte, tenho pena”. A gente tem dificuldade de aceitar que o mundo continua em sua trajetória, mesmo em nossa ausência. Não somos indispensáveis. E a velhice é o período que nos dá essa lição.


Imagine se dormíssemos crianças, e acordássemos adultos? E se no outro dia, amanhecêssemos idosos?


O filme “De repente trinta” fala sobre uma adolescente que acorda com trinta anos. Sem ter tido tempo pra se adaptar, ela passa pelas situações mais inusitadas e cômicas.


Cada fase do desenvolvimento humano traz seus próprios desafios, e nos prepara para a próxima.


O próprio Cristo teve de passar por cada fase. Ele poderia ter descido do céu já adulto. Mas em vez disso, experimentou ser um espermatozóide, depois um feto, um embrião, um bebê, uma criança, um adolescente, até chegar à maturidade, quando teve Sua trajetória interrompida pela morte, e por isso, não teve oportunidade de envelhecer.


Por que Ele não apareceu já adulto, oferecendo-Se para morrer por nossos pecados? Pra quê ter que passar por tudo aquilo? Ter que aprender a engatinhar, a falar, a andar?


Tudo isso indica que Deus usualmente trabalha através de transições, e não de rupturas.


Vejamos, agora, através da História, a maneira preferível de Deus trabalhar.


Na criação, por exemplo, Ele poderia ter feito todas as coisas instantaneamente. Bastava um estalar de dedos, e tudo surgiria do nada. Ninguém duvida que teria poder para isso. Entretanto, preferiu seguir uma seqüência. Tenha sido de 6 dias literais, como crêem alguns, ou em bilhões de anos, como advogam os cientistas, o fato é que Deus criou todas as coisas gradativamente, sem pressa.


Ao tirar o povo Hebreu do Egito, Deus poderia tê-los arrebatados até a Terra Prometida. Isso não constituiria qualquer dificuldade para Deus. Se Ele foi capaz de arrebatar Filipe, levando-o de um lugar ao outro em segundos, por que não poderia arrebatar todos os hebreus de uma só vez, poupando tanto trabalho? Mas em vez disso, permitiu que eles peregrinassem por 40 anos no deserto, até que estivessem prontos para herdar a Terra da Promessa. Já foi dito que o mais difícil não foi tirá-los do Egito, mas tirar o Egito do coração deles.


O deserto representa o período de transição entre o cativeiro e a promessa.


Quando chegaram à Terra que manava leite e mel, Deus poderia ter instituído um reino imediatamente. Mas antes que Israel estivesse pronto para ser governado por um monarca escolhido por Deus, teve que viver debaixo da autoridade dos juízes por muitos anos. Homens como Gideão, Sansão, Samuel, e até uma mulher, Débora, ajudaram a preparar o povo israelita para viver sob a autoridade de um rei ungido por Deus.


Quando Jesus inaugurou a era da Graça, Ele sabia que a igreja necessitaria de um período de adaptação. O livro de Atos narra essa fase de transição. Por isso, não pode tomar o livro de Atos como normativo para igreja nos dias de hoje. A igreja primitiva não nos serve de modelo. Nela, encontramos situações atípicas, como a que Paulo tomou a Timóteo, que era filho de pai grego, e o circuncidou “por causa dos judeus” (At.16:3). Mais tarde, o próprio Paulo advertiu: “Escutai! Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará” (Gl.5:2).


Atos nos apresenta uma igreja adolescente, que ainda não se acostumara à realidade da Graça, e por isso, insistia em manter alguns resquícios da Lei.


O livro de Atos equivale, no Novo Testamento, ao livro de Êxodos no Antigo Testamento. Ele narra a peregrinação do Novo Israel, da escravidão da Lei, para a liberdade da Graça.


Por isso, nenhuma doutrina pode se fundamentar unicamente no livro de Atos dos Apóstolos. Entre a remoção da Antiga Aliança, e a implementação da Nova, houve um período de transição. Foram necessários cerca de 40 anos, o equivalente a uma geração, para que a igreja tivesse o seu cordão umbilical cortado, rompendo de vez com o judaísmo. Isso se deu quando Jerusalém foi sitiada pelos romanos, e seu templo destruído, conforme previsto por Jesus.


A antiga Jerusalém teve que dar lugar à nova Jerusalém, a igreja de Cristo.


E quanto ao Reino de Deus? De que maneira ele se estabelecerá no mundo? Será por uma intervenção abrupta, ou gradativamente?


Deixemos que o próprio Jesus nos diga:



“A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei? É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e plantou na sua horta. Cresceu e fez-se árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu. Perguntou mais: A que compararei o reino de Deus? É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até que tudo levedou” (Lc.13:18-21).


Ambas as parábolas indicam claramente que a implantação do Reino de Deus é gradual, e não abrupta.


É comum vermos crentes sinceros esperando por uma manifestação espetacular do Reino de Deus no mundo. Mas o modus operandi de Deus é outro. Ele prefere a discrição, em vez do espetáculo. Jesus deixa isso bem claro ao declarar que “o reino de Deus não vem com aparência visível. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque o reino de Deus está dentro de vós”(Lc.17:20-21).


Se Ele quisesse, poderia simplesmente aparecer para todos os homens, em um glorioso espetáculo, e dizer: Eu sou Deus! Tratem de obedecer aos meus mandamentos! Mas, pelo que tudo indica, não é isso que Ele pretende fazer.


A semente de mostarda já foi plantada. O Filho de Deus já estabeleceu Seu Reino entre os homens em Seu primeiro advento. E o fermento já começa a levedar!


Estamos vivendo em um período de transição.


Em breve, aquela pequena semente terá se espalhado em toda a Terra, e justiça do Reino brotará.


Não é à toa que Jesus Se apresenta como a “Estrela da Manhã”, aquela que anuncia que o dia já está amanhecendo.


O caminho proposto por Deus à igreja é a vereda dos justos, que “é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv.4:18). Estamos a caminho do dia perfeito, quando o Sol da Justiça brilhará em todo o Seu resplendor.


João dá testemunho de que “as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz” (1 Jo.2:8).


Paulo também parece concordar com a afirmação joanina, ao declarar: “A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz”(Rm.13:12).


Podemos dizer que estamos vivenciando a aurora do Novo Dia. Já podemos contemplar o dégradé, resultado dos primeiros raios solares que despontam no horizonte celeste.


Cabem aqui as palavras proféticas proferidas por Isaías: “Levanta-te, resplandece, pois já vem a tua luz, e a glória do Senhor vai nascendo sobre ti. As trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o Senhor vem surgindo, e a sua glória se vê sobre ti” (Is.60:1-2).


Repare no uso do gerúndio, demonstrando claramente que se trata de uma transição, e não de algo abrupto: “A glória do Senhor vai nascendo sobre ti (...) Sobre ti o Senhor vem surgindo”. Portanto, é hora de levantar, de despertar de nosso sono letárgico, e assumirmos uma postura de vanguarda neste mundo. Esta é a ordem do dia para igreja de Cristo espalhada no mundo:“Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará”(Ef.5:14). Em vez de ficarmos aguardando uma manifestação repentina do Reino de Deus, arregacemos as mangas e trabalhemos por sua expansão.


Já, já, poderemos fazer coro com Salomão: “Vê! Já passou o inverno; as chuvas cessaram, e se foram. Aparecem as flores na terra; o tempo de cantar chegou, e a voz das rolas ouve-se em nossa terra. A figueira já deu os seus figos, e as vides em flor exalam o seu aroma” (Ct.2:11-13a).




Por Hermes C. Fernandes




Vi no http://www.hermesfernandes.com/2010/09/o-degrade-divino.html