quarta-feira, 16 de junho de 2010

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Não me empurrem, por favor




Não tolero multidões. Não gosto de empurra-empurra. Sou de fácil convivência, mas não aceito me ver constrangido a fazer o que não quero. Sou dobrável, mas eu viro cavalo xucro quando noto que estão tentando encabrestar-me.




Suplico, não me empurrem para heroísmos vazios de significado. Recuso calçar coturnos que me deixariam com o garbo dos vencedores. Por mais que implore, alguns insistem, e não se conformam que eu não queira encarar certos desafios. Na fábula, a raposa desprezou as uvas que não conseguiu alcançar. Eu, todavia, desprezo as uvas que já comi. Testemunhei as vaidades de quem se sentia “usado por Deus” e vi que os “ungidos” viviam inebriados por seus discursos; mal conseguiam pisar o chão sujo, comum aos mortais. Mas, olhando para trás, os “usados por Deus” não passavam de celebridades bem acostumadas com palcos.



Suplico, não me empurrem para rinhas teológicas. Não aceito provocações. De nada adianta chamar-me de herético, apóstata, desviado. Quando era menino, briguei todas as vezes que mexeram com a mamãe. Mas passei dessa fase. Noto que alguns têm uma vontade doida de ganhar fama às minhas custas. Ainda dolorido com a sorte de centenas de milhares que morreram no Tsunami asiático, cai na esparrela de replicar a alguém que criticou o que escrevi. Acabei dando notoriedade aos argumentos de um fundamentalista, que subitamente ganhou notoriedade. Nunca mais deixarei que me façam de escada para que discursos assépticos fiquem conhecidos.



Suplico, não me empurrem para ambientes que desprezo. Não tentem me convencer que alguns eventos são precisos para o avanço do Reino de Deus. Não pretendo validar conceitos que estão embutidos em congressos que tentam consolidar dogmatismos toscos. Não vou a simpósios ideologicamente submissos a patrocinadores ricos. Quero pensar e me sentir livre para dizer o que penso. Filho de um preso político, sinto asco dos Torquemadas de qualquer estirpe.



Suplico, não me empurrem para longe de quem luta pela vida. Perdi todo o medo de quem não faz parte de meu arraial. Gosto de literatura e nunca pergunto a filiação religiosa dos grandes romancistas. Li “O Velho e o Mar” de Hemingway, “A Pérola” de Steinbeck, “Fogo Morto” de José Lins do Rego, “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, “Crime e Castigo” de Dostoievski e nunca perguntei se eram crentes, ateus, ou agnósticos. A cravo de Mozart, o pincel de Van Gogh, o cinzel de Michelangelo, os passos de Gandhi, as preces de Madre Teresa e a militância de Martin Luther King estão acima dos minguados catecismos do movimento evangélico.



Careço de leveza para caminhar, minha sina é pesada. Sentado à mesa para escrever, quero espaço para os cotovelos. Já não tão jovem, não posso jogar tempo pela janela com sufocos e encontrões. Naturalmente introspectivo, sofro com os constragimentos de quem gosta de guiar manadas. Por isso, insisto em minha súplica: não me empurrem, por favor.



Soli Deo Gloria



Vi no http://www.ricardogondim.com.br/






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Meu maior problema com Calvino/Calvinismo



Meu Maior Problema com Calvino/Calvinismo




Roger E. Olson

Professor de Teologia

George W. Truett Theological Seminary

Baylor University



Antes de tudo, quero deixar claro que eu admiro e respeito meus amigos e colegas calvinistas. Discordamos vigorosamente sobre alguns pontos de teologia, mas eu os tenho em alta estima por seu compromisso com a autoridade da Palavra de Deus e seu óbvio amor por Jesus Cristo e sua igreja assim como pelo evangelismo.



Entretanto, eu não admiro ou respeito João Calvino. Alguns vieram me dizer que ele não deveria ser considerado responsável pela morte do herético Servetus na fogueira porque, apesar de tudo, ele alertou o doutor e teólogo espanhol a não vir para Genebra e solicitou ao conselho da cidade para decapitá-lo ao invés de queimá-lo. E, afinal, Calvino foi um filho de sua época e todo mundo estava fazendo o mesmo. Todavia, eu ainda não consigo colocar um homem cúmplice de um assassinato em um pedestal.



Ademais, eu considero a doutrina de Deus de Calvino repulsiva. Ela eleva a soberania de Deus sobre o seu amor, colocando a reputação de Deus em dúvida. O que eu quero dizer é que a divindade que tudo determina e predestina é, na melhor das hipóteses, moralmente ambíguo e, na pior, moralmente repugnante.



Para vexame de alguns calvinistas contemporâneos, Calvino claramente ensinava que Deus preordenou a queda e a tornou certa (Institutas da Religião Cristã, III:XXIII.8). Ele também afirmava a dupla predestinação (III:XXI.5) e demonstrava uma insensibilidade com os reprovados que ele admitia que Deus compelia à obediência (desobediência) (I:XVIII.2). Calvino fazia distinção entre dois modos da vontade de Deus – o que os calvinistas posteriores têm chamado de vontades decretiva e preceptiva de Deus (III:XXIV.17). Deus decreta que o pecador peque ao mesmo tempo em que ele o comanda a não pecar e o condena por fazer o que Deus determinou que ele fizesse. Para Calvino, todas essas coisas pertencem aos propósitos secretos de Deus os quais nós não devemos pescrutar tão profundamente, mas isto deixa um gosto amargo na boca de qualquer um que considera Deus como amor acima de tudo.



John Wesley comentou sobre a afirmação dos calvinistas de que Deus ama até mesmo os reprovados de alguma maneira. Como um calvinista contemporâneo coloca, “Deus ama todas as pessoas de algumas maneiras mas apenas algumas pessoas de todas as maneiras.” Wesley dizia que este é um amor de causar arrepios.



O sucessor de Calvino em Genebra, Theodore Beza, disse uma vez que aqueles que se encontram sofrendo nas chamas do inferno por toda a eternidade podem pelo menos se sentir confortados com o fato de que eles estão lá para maior glória de Deus. Parafraseando Wesley, essa é uma glória de dar calafrios. Deus preordena algumas de suas próprias criaturas, criadas à sua própria imagem, ao inferno eterno para sua própria glória? Calvino pode não ter colocado de forma tão direta assim, mas muitos calvinistas colocam e é uma inferência necessária da lógica interna do Calvinismo consistente (III.XXII.11).



Tenho sido severamente criticado por alguns de meus amigos calvinistas por dizer que meu maior problema com o Calvinismo (pelo qual eu quero dizer o determinismo divino consistente) é que ele torna difícil para mim saber a diferença entre Deus e o diabo (Eu não estou dizendo que os calvinistas adoram o diabo!).



Para mim nada sobre a cosmovisão cristã é mais importante do que considerar Deus e o diabo como rivais absolutos neste universo e sua dramática história. Deus é bom e deseja o bem de toda criatura. Como o Pai da Igreja Ireneu disse, “A glória de Deus é o homem vivo.” O diabo é mau e deseja o mal para toda criatura. Enxergar o diabo como instrumento de Deus torna toda a narrativa bíblica uma zombaria.



Tradução: Paulo Cesar Antunes



Vi no  http://www.arminianismo.com/

terça-feira, 8 de junho de 2010

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Deus, um delírio?



Nesses últimos dia tenho ouvido muito a banda Augustana. Conheço eles relativamente a pouco tempo e por isso fui atras das letras pra sacar qual o contexto lírico.


Confesso que me surpreendi um pouco. Pela linha de som que eles fazem, achei que seriam letras sobre paixão, romance, relacionamentos quebrados e etc. Não que as músicas deles não tenham esse apelo, mas prestando atenção a letra da música Dust, você se depara com as seguintes frases… “Cause I believed in the Lord But he don’t show up anymore” (Porque eu acreditei em Deus mas Ele não aparece mais)… “If you can’t love sin, who can you love?” (Se você não pode amar o pecado, quem você vai amar?”



Eu, como músico, entendo que não se escreve uma letra com esse conteúdo sem um porque. Então lá vai eu novamente pesquisar sobre a banda.



Não foi tanta surpresa descobrir que Dan Layus, vocalista do Augustana engrossa a lista de pessoas que “nasceram dentro da igreja” e que hoje são totalmente céticos quanto a Deus. Ele me faz lembrar Katheryn Hudson, que aos 15 anos cantava na igreja e chegou até a gravar um CD com músicas cristãs e hoje é conhecida como Katy Perry e a compositora de um dos grandes hits da atualidade. “I kssed a girl and i liked it” (eu beijei uma garota e gostei) é a frase que ecoa em sua música.





Em uma entrevista, Dan diz o seguinte sobre sua “vida cristã” na época da escola.



“Eu era muito jovem para entender qualquer coisa e eu praticamente me sentia espiritualmente usado. Ao longo do ensino médio (em uma escola cristã) fiz coisas da qual sinto vergonha hoje. Eu tinha a mente tão fechada naquela época. Mas você não pode culpar a si mesmo quando se tem 15 ou 16 anos e seus pais e todos a sua volta dizem que tem que ser assim”.



Ele continua… “Finalmente eu comecei a ver as coisas um pouco mais claras. Parte disso se deu por que eu estava ligado a amigos que estavam se sentindo como eu. Então as coisas começaram a mudar e eu abandonei essa forma pensar”.



Garimpando um pouco mais sobre essas afirmações de Dan, vi um post de um amigo da época falando sobre a relação deles com Deus.



“Nós subiamos uma montanha aqui perto para gastar tempo com Deus. A gente se reunia na escola toda terca feira para orar. A gente ministrava louvor junto na igreja. Isso tudo, sem nunca haver um pastor nos pedindo e/ou mando fazer essas coisas. Ele (Dan) sempre o fez porque quis, e nao porque alguem pediu (nem mesmo eu)”



Um outro caso de abandono da fé cristã foi Gary Lenarie, ex-guitarrista e co-fundador da Banda Tourniquet, uma das mais expressivas bandas cristãs de metal no mundo. Gary abandonou a fé pela ciência, Deus pela Lógica. Inclusive chegou a lançar um livro chamado AN INFIDEL MANIFESTO – Why Sincere Believers Lose Faith (Um manifesto infiel. Porque crentes sinceros perdem a fé). Michael Shermer, escritor e fundador da Skeptic Magazine e colunista da Revista Scientific American faz o seguinte comentário sobre Lenarie.





“Nenhum cristão pode acusar Lenaire de não ser um crente verdadeiro, ou de ser desonesto, ou de ser tentado pelo Diabo, ou qualquer uma das desculpas dadas quando alguém abandona a fé. Gary Lenaire é um homem honesto com integridade e caráter, e deixou a igreja porque ela não fazia mais sentido racionalmente para ele”





OK!



Onde eu quero chegar com tudo isso?



Deus é ilógico e totalmente fora de qualquer padrão. Essa é uma verdade que não se explica. Ou você crê ou você não crê. Não tem meio termo.



C.S. Lewis comenta algo parecido sobre Jesus em seu livro Mero Cristianismo.



“Estou tentando aqui evitar que alguém diga a tolice que muitos costumam dizer sobre Ele: ‘Estou pronto a aceitar Jesus como um grande Mestre moral, mas não aceito Sua afirmação de ser Deus’. Essa é uma coisa que não devemos dizer. Um homem que tenha sido apenas homem e tenha dito o tipo de coisas que Jesus dizia não seria um grande mestre moral. Ou seria um lunático – do tipo de pessoa que diz que é um ovo cozido – ou então seria o diabo do inferno. Você precisa fazer a escolha. Ou esse Homem era, e é, Filho de Deus, ou seria um louco ou ainda pior. Você pode considerá-Lo tolo, pode cuspir nEle e matá-Lo como um demônio; ou pode cair aos Seus pés e chamá-Lo Senhor e Deus. Mas não venha com essa tolice de que Ele foi um grande mestre humano. Ele não deixou aberta essa possibilidade para nós.”



Apartir do momento que você se declara Cristão (ou não), Ele É o Eu Sou (Independente de você).



Usando a minha própria vida como base para essa afirmação, nosso problema em entender Deus são todas as SUPOSIÇÕES que fazemos dEle, tendo em vista o contexto e o momento de cada um.



Deus pode ser muito bom quando vou retirar meu carro novo na conscessionária, mas Deus pode ser muito mau quando eu não consigo pagar a prestação do mês.



Temos vários conceitos de bondade e lógica para com Deus. Mas qualquer conceito cai por terra apartir do momento que entendemos realmente que NÃO SOMOS DIGNOS de nada, mas foi a misericórdia e o favor de Deus nos alcançou.





Mark Driscoll cita o seguinte.



“A questão não é se Deus é bom ou não. É se nós confiamos nEle ou não. Essa é a questão”.



A biblia deixa claro que não saberemos tudo sobre tudo e todos.



Ser cristão não é lógico.



Ser cristão não é viver uma vida de riqueza, saúde e alegria em toda sua plenitude.



Paulo chorou, João chorou, Martin Luther King Jr chorou, Madre Teresa chorou… JESUS CHOROU.



Como ja falei acima, nosso problema com Deus, e consequentemente com o cristianismo, são as nossas suposições.




Consciente ou inconscientemente, muitas vezes a gente se acha mas esperto que Deus. Dando “dicas” pra Deus de como Ele deveria ou não agir. E quando Ele foge do nosso padrão ficamos todo chateadinho e emburrado com Ele. Até questionando Sua existência.



“…Deus é só um pensamento dentro da sua cabeça

Ou ele faz parte de você?

Cristo é só um nome que você leu em um livro

Quando você estava na escola?…



Talvez você pensará, antes de dizer que

Deus está morto e enterrado

Abra seus olhos, apenas perceba que ele é o único

O único que pode te salvar agora

De todo esse pecado e ódio”



(After Forever – Black Sabbath)



“Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens.” (I Coríntios 1:25)



“Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes;” (I Coríntios 1:27)



Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.



Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. (João 3:16-17)



Rod Silva


Vi no http://solomon1.com/a/2008/22/deus-um-delirio/

quarta-feira, 19 de maio de 2010

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Onipotência





Ouso pensar o mistério. Atrevo-me a nadar em águas sem fronteiras, aventurar-me no oceano infindável em que as afirmações suscitam novas dúvidas. De antemão, valho-me da máxima socrática: “Só sei que nada sei!”. Aproprio-me também do princípio de Tomás de Aquino em sua Suma Teológica: "A respeito de Deus, quando não podemos saber o que ele é, sabemos o que não é".



Reconheço que "teologia é uma linguagem sobre Deus", como bem afirmou Gustavo Gutierrez. Portanto, se teologia é linguagem, será imprecisa, precária e sempre relativa. Ninguém é possuidor da “verdade absoluta” e mesmo que fosse, seria incapaz de traduzi-la, explicá-la ou demonstrá-la com “absoluta exatidão”. Assim, toda a teologia é passível de ser criticada, revisada e aperfeiçoada.



Minha ousadia tem a ver com o conceito teológico da onipotência, tão defendido e tão comumente assumido na fé popular. Desde a República de Platão já era possível encontrar o pressuposto de que Deus é imutável e, óbvio, onipotente. Por onipotência, entende-se perfeição em poder. Portanto, um Deus onipotente é compreendido como um ente que mantém os acontecimentos previstos, realizados e supervisionados de acordo com sua vontade.



Esse conceito de perfeição, que vem da tradição grega, ressalta que um Deus onipotente nunca pode mudar. Qualquer mudança implicaria em uma aceitação de que o estado anterior era melhor ou pior, o que é impossível para a Divindade. Em outras palavras, se Deus alegrar-se é porque antes estava sério. E se alegria é melhor que sisudez, Deus teria melhorado. Impossível! Perdoar, ter misericórdia, alterar destinos, nada disso seria concebível para Deus pois são decisões que alteram a perfeição divina.



Influenciada por esse conceito, a teologia clássica pontifica que Deus é "o poder mais poderoso que se possa imaginar". E esse pressuposto é tão caro aos crentes, que muitos ficam zangados diante de qualquer questionamento. Mas cabe a pergunta: De que jeito é o poder mais poderoso que se possa imaginar? Os mais rápidos no gatilho teológico sacam as armas e respondem: “O poder de tudo controlar, de tudo organizar, de tudo gerenciar”. Para eles, o maior poder concebível seria Deus regulando ou arbitrando sobre os nano detalhes do universo.



Essa ideia sobre Deus parece a mais lógica porque, dentro de elaborações gregas, realmente é inconcebível que Deus continue Deus sem que dirija os eventos tanto do universo visível como invisível. Alguns, contudo, resistem ferozmente que uma onipotência os comande; não admitem um universo encabrestado. Esses preferem se tornar ateus. Pe François Varillon afirma:



Não sejamos superficiais ao analisar a posição desses homens; no fundo, eles julgam mais digno do homem e consequentemente mais verdadeiro preferir um céu vazio ao fantasma de um imperador do mundo, potentado, déspota, dramaturgo supremo, a manobrar as marionetes da tragicomédia humana, fixando petrificando ou curto-circuitando liberdades que, aliás, supõe-se que haja criado.



A presença do mal se transforma em um nó dificílimo de desatar na filosofia e na teologia. Se Deus tem o poder de tudo determinar e tudo gerenciar, como aconteceu o pecado? Existiu o livre arbítrio em algum tempo? Se existiu, duas vontades colidiram. Se pecado é escolher o mal ou o vício, como alguém (até mesmo o primeiro casal) poderia fazer essa escolha sem infringir a vontade onipotente de Deus? No caso de um pecado original, ou Deus se fez de rogado ou intencionou, por detrás dos panos, que acontecesse a primeira transgressão. No exato instante da primeira rebelião, Deus estava no controle?



Caso tenha decidido não interferir nas decisões erradas quando podia fazê-lo, será que Deus tem objetivos posteriores? A sua onipotência fica preservada, mas ele deixa um rastro suspeito. Deus trabalha com armações maquiavélicas, em que os fins justificam os meios? Será que a universalização do sofrimento com tragédias dantescas estão rigorosamente sob seu querer para que o capítulo final da história permaneça glorioso?



Aqui começam os problemas. Se Deus traçou todos os mínimos detalhes da história e tem tudo sob seu mais rígido mando, não só os esboços gerais dos acontecimentos, mas os detalhes estão “pré-ordenados”. Quando um maníaco estupra e mata seis adolescentes, o homicídio não foi só previsto, mas arquitetado pelo Divino. E como poder absoluto não pode admitir detalhes fora do seu governo, as sórdidas minúcias do crime, bem como a macabra execução, teriam que ser não só antecipados, como minimamente determinados por Deus. Criminosos, genocidas, torturadores não passariam de executores finais de uma vontade escondida. Se "soberania" não permite ações dentro de parâmetros largos, então "soberania" especifica cada atitude e micro-gerencia os pormenores das escolhas de Madre Teresa, Pinochet, Gandhi e Idi Amin. A história se resume ao mero desenrolar de uma "vontade ativa" ou "permissiva" de Deus.



Teólogos fundamentalistas escrevem coisas estranhas (não se espante nem ria): “A vontade de Deus era que o criminoso agisse, mas que o fizesse com liberdade”. Vem embutida nesta afirmação um conceito muito caro para o calvinismo: “É possível ser livre e controlado ao mesmo tempo”. Sabe-se lá o que isso significa. Já fui contestado com argumentos do tipo: “A vontade de Deus é que o maligno se sinta livre para praticar a sua malignidade, mas que escolha debaixo da rigorosa vontade de Deus”. A incoerência interna do argumento é tão absurda que não merece ser levada a sério. Entretanto, ela é repetida e comentada como “ortodoxa” em colóquios teológicos. Insisto na pergunta: Como uma pessoa pode agir com liberdade se foi programada e determinada, sem opção de transgredir?



Será que o poder de Deus é sua capacidade de fazer com que os humanos se comportem exatamente como ele quer, enquanto acreditam que são livres? Se esse for o caso, a humanidade vive sob o império do logro. A humanidade é pior do que os golfinhos que se imaginam livres quando fazem estripulias dentro dos aquários e mal percebem que só cumprem os acenos do adestrador. Sim, seríamos piores que os golfinhos. Eles não são dotados de uma racionalidade consciente como os humanos.



Varillon afirmou que “seria radicalmente impossível para mim fiar-me em Deus, abandonar-me a Ele em confiança se nada soubesse sobre a natureza de seu poder. Sim, Deus é todo-poderoso, mas poderoso com que poder?” O poder de Deus é o poder do seu amor.



No caso de haver um controlador, seja lá qual for esse poder, alguns (eu me incluo entre eles) preferem a liberdade à escravidão. Repito as palavras de Varillon: “Não posso afirmar que creio num Deus todo-poderoso, a não ser que tenha a certeza de que se trata de um poder que não ameaça a minha liberdade".



Portanto, “a onipotência de Deus é onipotência de amor”. Novamente concedo a palavra a Varillon:



Entre onipotência e amor todo-poderoso, há uma grande diferença; há literalmente um abismo. O cristão não diz acreditar que Deus é todo-poderoso, diz acreditar em um Deus Pai todo-poderoso. No Credo, a afirmação de Deus e de sua onipotência é pronunciada e compreendida num movimento de confiança e amor, expresso precisamente por essa preposição. Dizer:creio em ti é dizer: sei que teu poder não é um perigo para minha liberdade, mas que ele está, bem ao contrário, a serviço da minha liberdade.



Deus é amor. Seu amor é onipotente. Repito e repetirei um milhão de vezes: Deus tem poder para amar infinita e fielmente, nunca para controlar.



Soli Deo Gloria



Vi no http://www.ricardogondim.com.br/

quarta-feira, 21 de abril de 2010

1 comentários

A igreja e a crise de identidade



Passamos por muitas crises, porém quando temos uma crise de identidade, experimentamos um dos mais delicados momentos da nossa vida. Qualquer pessoa saudável emocional e existencialmente, passa por uma crise de identidade. Um momento no qual a maneira como nos percebemos e somos percebidos sofre profundas alterações. As forças comuns propiciadoras do equilíbrio são abaladas, o chão nos foge dos pés, uma certa angústia vinda de um sentimento de vazio se instala, as respostas, as certezas, são engolidas pelas dúvidas, um flerte com a frustração, a tristeza e a depressão se mistura a um namoro com a esperança, o odor de novos ares, a silhueta de novos horizontes.




Os chineses têm razão quando no seu complicado alfabeto escrevem a palavra crise com dois ideogramas, um representando perigo e outro oportunidade. São exatamente estas as duas sementes contidas numa crise de identidade, o perigo de nos perdermos e cristalizarmos quem somos repetindo automaticamente erros, ou a oportunidade de nos reinventar, superar limitações, corrigir rumos, sair da periferia e vir para o centro capaz de equilibrar tudo em nós e nos religar a nossa vocação mais original.



Não só as pessoas, mas também os grupos humanos sofrem crises de identidade. Quando olhamos para trás vemos na história da igreja momentos quando ela entrou em crise de identidade. Homens e mulheres se levantaram para questionar o status quo, rebelaram-se contra a maioria acomodada, desafiaram autoridades, apontaram erros e etc. Somente para citar alguns exemplos, foi assim com o nascimento do monasticismo no séc IV, com a reforma protestante no Séc XVI com a eclosão do pentecostalismo no séc XX. Todos esses e outros movimentos provocadores destes momentos grávidos de perigo e oportunidade, tinham algo em comum: clamaram por um retorno a identidade essencial da igreja! Buscavam responder as perguntas que se recusam a calar todo tempo: qual a razão de ser da igreja? O que essencialmente é sua identidade? Para que existe?



Em busca dessas respostas, confesso, um dia já cheguei a me perguntar se Jesus realmente quis a igreja! Qualquer leitura rasa dos evangelhos vai nos mostrar que o centro da pregação, da vida, da morte e da ressurreição de Jesus foi o Reino de Deus. Ele nos ensinou a orar dizendo venha o teu Reino e não a tua igreja. Me perguntei: será que Jesus sonhou o Reino e o que veio foi a igreja?



Então, percebi que Jesus também quis a igreja. É neste sonho original dele que está ancorada a identidade primordial de sua igreja. Me permitam a licença de imaginar: quando Jesus um dia na colinas da Galiléia fechou os olhos e sonhou sua igreja, me custa crer que a primeira coisa que veio a mente dele foi prédios maravilhosos, lideres com enorme habilidade gerenciais, pastores acomodados uma vidinha de meros capelães das necessidades emocionais e físicas de sua congregação, pregadores brilhantes atraindo pessoas mais interessadas na beleza de um discurso do que em verdades produtoras de quebrantamento e transformação, doutrinadores de plantão prontos para corrigir qualquer "erro", estruturas complexas consumidoras de tempo e energia na manutenção de programas que acontecem sem a necessidade da Presença dele, líderes movidos pela raiz de todos os males, o amor ao dinheiro, transformando, como previu Paulo, a piedade em fonte de lucro... acho que a imagem mental da sua igreja era uma comunidade de discípulos que se reunia para adorá-lo e renovar as forças para viverem sua missão transformadora deste mundo. Esta é a conspiração divina iniciada por Jesus: discípulos cheios do Espírito Santo imersos nas dores deste mundo sendo instrumentos da concretização do Reino de Deus. Esta é a identidade original da igreja, é para isso que ela existe.



Mas o que aconteceu com este sonho? Uma autêntica busca de resposta a esta pergunta vai nos levar como igreja a uma saudável crise de identidade. Muitas vezes a resposta do que somos está no passado, daí a necessidade de fazer os retornos necessários. Porém, existimos no presente caminhando para o futuro, daí a necessidade de fazer as atualizações necessárias. Tendo isto em mente compartilho com você algumas intuições do caminho de retorno ao ideal perdido e dos vislumbres para continuarmos indo em frente:



* Uma redefinição da igreja: uma comunidade relacional geradora de autênticos discípulos. Um centro de formação espiritual que irradia a vida do Reino para o mundo;



* Uma redefinição de discipulado: um processo de formação espiritual que nos convida a ser uma encarnação histórica do Reino de Deus. Falar de formação espiritual é falar de impactar e mudar o mundo e não de fazer mais um programa eclesiástico para o crescimento da igreja.



* Uma redefinição do papel pastoral: pessoas comprometidas com Deus em se tornar pais, mães, mentores, espirituais, agentes de formação espiritual. Buscar superar esta dinâmica pedagógica passiva na qual vai-se para a igreja para ouvir e não para ser desafiado a viver. Recusar ser meros animadores de auditório, líderes gerenciais de grandes projetos Amar mais indivíduos do que multidões, ainda que elas sejam uma conseqüência abençoada do investimento pessoal nas pessoas.



Que uma santa crise de identidade vem sobre todos nós e sejamos protagonistas de um retorno ao sonho original (Reino de Deus) que avança para a concretização de um ideal (igreja como um centro de formação espiritual)!





Renovare (Via Emeurgência)


Vi no http://hermesfernandes.blogspot.com/

segunda-feira, 12 de abril de 2010

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Onde os fracos não têm vez



Wilson Tonioli, no Verticontes. Divulgação: Púlpito Cristão


Vi no http://www.pulpitocristao.com/
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A borboleta azul e o apóstolo curandeiro




Por Oseias Marques Padilha




Toda manhã de domingo as ovelhinhas da fazenda do Seu Ataíde saíam para passear e comer algumas "verdinhas". Uma delas, fascinada por uma linda borboletinha azul, afastou-se do rebanho a fim de brincar com ela. Algumas horas se passaram e a borboletinha fora embora deixando a ovelha só naquele lugar desconhecido.



A ovelha ficou atônita... Mas não por estar sozinha, muito pelo contrário, estava agora rodeada por lobos ferozes. A ovelhinha indefesa corria perigo, afinal o rebanho a qual pertencia já estava longe dali, no entanto, ela sabia que se movesse uma pata para tentar alcançá-lo, aquele bando de lobos não hesitariam em tê-la como cardápio do dia. O que fazer? Oh, pobre ovelhinha...



Vamos parar com essa choradeira de novela mexicana; se bem que esta história está parecendo mais com filme de terror; quem mandou a ovelha sair do rebanho e ficar brincando com a borboletinha azul no campo? Ninguém não é verdade? A borboletinha azul sem intenção, e sem que a ovelha percebesse, a levou para o meio de uma alcatéia de lobos em pleno horário de almoço, e como é possível que algumas crianças estejam lendo este texto eu não vou dizer o que aconteceu com a ovelha, mas deixo algo bem claro, ela não é nenhuma coitadinha. Era preciso que ela obedecesse às regras do passeio para que nenhum mal lhe sobreviesse, mas apenas alguns momentos de distração e a ovelha... Deixa para lá...



E tem pastores evangélicos; se é que posso me referir a eles assim, afinal, estão reivindicando para si até o apostolado; que estão virando refeição de lobos famintos por perder o tempo com a borboletinha azul dos aplausos, do crescimento em massa, e da fama etc. Um exemplo recente disso é o caso dos líderes da Igreja Mundial do Poder de Deus, que tem tempo para cura, oração, programa na televisão, mas não tiveram tempo, ou não se deram ao luxo de regularizar as documentações da Igreja. Não tenham dúvida a borboletinha azul andou voando por lá. Porém, a desculpa foi muito bem arquitetada, “estamos sendo perseguidos” disseram eles. Ah... tá bom... Quando eu fazia coisa errada eu também era “perseguido” pela minha mãe, com a cinta!



As vezes nos tornamos “tão espirituais” que acabamos negligenciando nossas responsabilidades sociais, aí então passamos por aquele famoso “carão”, ou como diz os adolescentes pagamos um baita “micão” por confundir espiritualidade com alienação. Jesus deixou claro que devemos dar a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus.




Vi ainda alguns pastores assembleianos defendendo o Apostolo Valdomiro usando o pretexto de que existem igrejas de outros credos na mesma situação, mas que não são punidas. Reivindicar justiça nunca foi algo errado, porém reconhecer o erro ao agir de forma displicente muito menos. A Lei deve ser igual para todos, no entanto, também deve ser cumprida por todos. Por isso,se quisermos exigir da lei temos que estar em dia com ela. Qualquer grupo religioso independente do credo deve agir de conformidade com a Lei.É óbvio, que nós sendo cristãos, devemos cumprir a lei desde que esta não agrida os princípios bíblicos. Portanto, lacrar uma igreja por não ter uma álvara de funcionamento e apresentar risco a segurança dos membros da mesma, até onde eu sei, não subverte a palavra de Deus.



Estamos neste mundo na qualidade de soldados do exército de Deus, e não como turistas, ou seja, estamos marchando e não passeando. Administrar uma igreja de forma incautelosa e depois dizer que os lobos são maus, e que a borboletinha azul se exibiu demais é muito fácil. Isto é um complexo de projeção como diria Freud, uma Alienação como diria Marx, uma atitude hipócrita segundo o Senhor Jesus Cristo, e falta de vergonha na cara como reza o ditado popular.



É lamentável que muitos pastores assembleianos também estejam se distraindo com a borboletinha azul... Uma coisa é ter visão de Reino, e outra bem diferente é ter visão de reino . Percebeu a diferença? Quando se tem visão de Reino não se negocia a integridade, a santidade e a sã doutrina das escrituras sagradas, porém, quando a intenção é poder, espaço na mídia e ibope,(daí o porque de reino ) vale tudo, até fazer vistas grossas nos “pecadinhos”. Tomem cuidado com a borboletinha azul, mas também com a bege, a verde, a vermelha,e assim por diante, para depois não virem falar de "perseguição".





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Fonte: Ultimato, via: Bereianos, excelente blog do amigo Ruy B. Marinho #recomendo. Título original: A borboletinha azul e o apóstolo
 
 
Vi no http://www.pulpitocristao.com/
 
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Clubinho Gospel do Malafaia: Inscrição 1000 reais



Por Vera Siqueira




Estou passada. Estou enojada. Estou com a tal da "ira santa". Isso porque acabei de assistir ao programa mais do que anunciado do Pr. Silas Malafaia, com entrevista exclusiva com o Pr. Mike Murdock. Durante semanas, o Malafaia anunciou o pastor americano como "a maior autoridade espiritual no assunto que ele discorre", ou coisa parecida. Estava ansiosa, afinal o cara deveria ser melhor que o papa.



Resumindo resumidamente, como o poço da "unção financeira do Pr. Morris Cerullo (aquela onde o povo tinha que enviar R$ 900,00 e ganhava "grátis" uma Bíblia da Vitória Financeira) secou, afinal a tal "unção" tinha data para ser distribuída (31 de dezembro de 2009, se você ofertou e não ficou rico eu aconselho o Procon dos crentes), o jeito foi inventar uma nova forma de tirar dinheiro dos trouxas, digo, de incentivar o povo de Deus a ofertar para o crescimento do Seu Reino (cof, cof, cof!). Para tal função, foi chamado o Pr. Mike Murdock.



A desculpa inicial: o novo livro do tal pastor, "As 1001 chaves de sabedoria". Como o Pr. Murdock é "bonzinho", na entrevista ele generosamente deu algumas chaves de sabedoria como "amostra grátis", o resto só comprando o livro ou... ENTRANDO NO CLUBE DE 1 MILHÃO DE ALMAS!



Pois é. No ano passado centenas ou milhares de pessoas ofertaram R$ 900,00 na esperança de que a promessa de riqueza de Morris Cerullo fosse cumprida até 31/12. Ocorre que, estatisticamente, não houve um aumento de crentes ricos, o que prova que era profetada e das boas. Isso trouxe uma enxurrada de críticas ao Malafaia, que ele rebateu com muita "sabedoria" (talvez ele leu o livro do Murdock antecipadamente): "não estou nem aí para você, crítico, hehehe". Quem quiser mais detalhes, procure nesse mesmo blog e na internet sobre a tal "unção financeira".



Mas enfim, o poço do Cerullo secou, então é preciso novas formas de arrecadar dinheiro dos trouxas, afinal o "deus" que o Malafaia serve só provê para os outros, para ele é preciso ficar esmolando as ofertas em todo o programa (será o tal de Gezuiz, que está tão em voga?). Aí ele chama seu outro "mestre", o tal do Mike Murdock, e ao invés de promessa de unção (muito difícil de se realizar), a "sabedoria" do Murdock e a "ishperteza" do Malafaia unidas inventaram um tal clube de almas, onde para se associar é preciso investir R$ 1.000,00 (será que é porque estamos em 2010, aproveitando a numerologia cerulliana?) para que 1 milhão de almas sejam salvas (aleluias!). Para contar as almas que vão para o céu, no site malafaiano colocaram um contador de almas, onde qualquer associado pode acrescentar as almas que salvou (oh, glóooooria). Claro, sem nenhuma comprovação estatística, afinal crente não mente, que o diga o Pr. Morris Cerullo e sua profetada gospel.



Porém o Malafaia e o Murdock conhecem o "povo evangélico mediano". Esse não se comove só com a salvação de 1 milhão de almas, quer também as bênçãos financeiras pessoais. Então, além da salvação das almas, quem entrar para o clubinho gospel poderá experimentar das bênçãos que o próprio Murdock disse que recebeu quando obedeceu cegamente à ordem de outro pastor tão mercenário quanto ele: comprou aviões (no plural), prosperou no mercado imobiliário, ganhou muito dinheiro, etc. Esse tocante testemunho está registrado no programa, e é o prêmio para os que investirem os tais mil reais . "Quem disse que dinheiro não te faz feliz, é porque nunca teve" - palavras do "mestre" Murdock.



Mas ainda é pouco. O "mestre-pastor" Murdock ainda "liberou" 3 milagres para quem ofertar os tais mil (e eu que pensava que Deus é quem fazia milagres): salvação para toda a família do trouxa, digo, ofertante; restituição de 7 vezes mais de algo que tenha perdido e o envio de um "Boaz", de alguém que abençõe financeira e poderosamente o ofertante. Pensando bem, muito melhor que a profetada do Cerullão.



E mais! Dando os mil reais e entrando no clubinho gospel, o trouxa ganhará inteiramente grátis um exemplar do livro "As 1001 chaves da sabedoria", e aprenderá a fazer sozinho seus próprios métodos de extorsão gospel! E para quem fizer a oferta dos trouxas nos próximos 90 dias, ainda ganhará de presente um lindo Certificado de Associado do Clubinho Gospel, para colocar na parede da sala!



Onde vamos parar? Até quando os vendilhões da fé estarão atuando livremente em nosso meio? Até quando nossas ovelhas serão devoradas pelos lobos e tosquiadas escandalosamente pelos falsos mestres e falsos pastores? Até quando teremos que engolir a ironia desses estelionatários da fé?



Na Bíblia Deus já nos alerta sobre esse tipo de situação: "porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmo se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge dessas coisas antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão" - 1 Tm 6:10-11.



Que Jesus volte logo, e que não apenas 1 milhão de almas sejam salvas, mas que pelo poder do Espírito Santo (não de homens) muitos sejam acrescentados, como acontecia no relato do livro de Atos.


Vi no http://www.pulpitocristao.com/
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Quem psicografará Chico Xavier e Silas Malafaia?


Se estivesse vivo hoje, Chico Xavier, o parnasiano das almas do “além”, exultaria pelos seus 100 anos de idade. Mas para alguém que viveu até os 92 anos, percorreu uma extensa e pedregosa estrada, vida longa! Os espíritas fizeram festa, o “médium” foi celebrado e a mídia nacional noticiou o grande advento da “religião”.




Os que amam as Sagradas Escrituras, e as interpretam com sabedoria divina, sabem que por detrás das mensagens psicografadas de Chico Xavier, e de tantos outros no anonimato ou não, existe um mundo maligno em ação enganando muitas pessoas carentes e desesperadas por ouvir uma mensagem confortante de alguém que não está mais presente em suas vidas. A história do fracassado rei Saul evidencia este fato, quando o mesmo consultou uma feiticeira numa atitude insana em querer ouvir a voz do já falecido Samuel. A tentativa foi frustrada, e o juízo de Deus inevitável. Segundo a Bíblia, a comunicação com os mortos é inexistente. Infelizmente, aqui e alhures, essa prática é muito comum, e os demônios se aproveitam da fraqueza e da falta de discernimento de muitos para agirem e destruírem essas pessoas.





Mas o que Chico Xavier e Silas Malafaia têm em comum? Bem, Xavier está morto, Malafaia está vivo. Xavier era espírita, Malafaia é pastor evangélico. Xavier falava manso, Malafaia fala grosso. Agora apresento as semelhanças: Xavier estava na mídia, na boca do povo, Malafaia também está na mídia e na boca do povo. As mensagens de Xavier eram ambíguas, sem sentido ou propósito, tais como as mensagens do Malafaia. A prova da ambiguidade de ambos se viu quando o pastor Silas Malafaia trouxe ao seu programa de televisão os “profetas da prosperidade”, Morris Cerullo e Mike Murdock. Cerullo pintou por lá primeiro, e apresentou ao Brasil a campanha dos R$ 900,00. Quem doasse essa quantia se veria livre da crise financeira global. Murdock apareceu no programa do Malafaia recentemente, e apresentou a campanha dos R$ 1.000,00 para serem ofertados em 12 meses, ou seja, 12 sementes que o farão “crescer” sobremaneira no campo das riquezas terrenas.



São mensagens esquisitas, antibíblicas, e eu pergunto a você: de onde elas vieram? Do coração de Deus? Ou foram psicografadas? Alguém do além teria enviado essas mensagens? Impossível. A mente humana é demasiadamente criativa para inventar, criar e iludir. Não, as mensagens do pastor Silas Malafaia não foram psicografadas pela impossibilidade de que isto aconteça e nem vieram do coração de Deus. Um pouco de discernimento já me dá a capacidade mental e espiritual para dizer que elas não têm fundamento, propósito e que não edificam a igreja do Senhor Jesus Cristo, e muito menos glorificam o seu Bendito nome.



Aos que me acusarem de comparação pífia, informo que o faço me baseando no episódio acima citado. A minha comparação se restringe apenas as mensagens estranhas que o pastor Silas apresentou em seu programa de televisão. Portanto, não considero o pastor Silas Malafaia espírita, nem mesmo “médium”. Em relação ao Chico Xavier, nunca acreditei em suas cartas psicografadas, a minha única regra de fé e prática é a Bíblia. Talvez os espíritas também reclamem por eu ter comparado Chico Xavier a Silas Malafaia. É uma via de mão dupla.



Acredito que o pastor Silas ainda seja um homem de Deus, porém, perto do precipício. Alguém precisa tirá-lo de lá urgente. Não sei de qual fonte ele tem tirado essas mensagens, mas tenho certeza de que não é da fonte Divina. Gostaria que Silas vivesse tanto quanto viveu Chico Xavier, na mesma intensidade, mas gostaria também que ele fosse lembrado como alguém que defendeu a fé genuína, como um baluarte. Como alguém que não abriu mão dos princípios imutáveis da palavra de Deus, como alguém que cumpriu o que Marcos disse em seu evangelho no capítulo 8.35: “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará”. Amém!





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Púlpito Cristão / Enviado por André Couto, via e-mail.





Comentário de Leonardo Gonçalves:





O texto enviado por e-mail é muito bom. Particularmente, não considero nenhuma ofensa comparar Silas Malafaia com Chico Xavier. Ao menos, não para o Silas! =)



Apesar das semelhanças, a dissímile é evidente: Chico, motivado por sua crença espírita, ajudava os pobres. Já o Silas, supostamente amparado pelo evangelho (será o Vã-Gelho?), tira o dinheiro dos pobres. Infelizmente, tal como nos dias de Jesus, alguns samaritanos refletem o espírito do evangelho com maior intensidade que os arautos da religião...



A parte que diz que "Acredito que o pastor Silas ainda seja um homem de Deus, porém, perto do precipício" também é por conta do autor. Respeito a opinião do pastor André Couto, mas penso que o Silas já caiu nesse buraco faz tempo! Como os demais paladinos da prosperidade, o polêmico telepastor já vendeu a alma pra mamom e agora só espera a cobrança da dívida.



Porém, mesmo em face de tamanha falta de respeito pelo evangelho, continuo incentivando aos leitores deste blog e a todas as pessoas comprometidas com o evangelho a que orem por ele. Peço a Deus das duas uma: Que o salve ou que o leve para o diabo que o carregue, pois na atual situação Silas tem prestado um enorme deserviço ao evangelho.



Vi no http://www.pulpitocristao.com/

quarta-feira, 7 de abril de 2010

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Cristão cartesiano?


Thiago Mendanha

Gosto bastante de filosofia! É uma praia que muito me chama a atenção. São tantas vertentes diferentes. Tantos caminhos, tantos modos de pensar, tantas resoluções distintas. Mas, todas envolvem algo em comum: o pensamento. Sem este não haveria sequer Filosofia. Em última instância todos somos filósofos. Ou pelo menos fomos na adolescência. Naquele período de intensos questionamentos. E filosofar é isto: questionar, indagar, pensar.




Gosto do termo reflexivo. E gostei mais ainda do termo “cristão reflexivo”. Não quero fazer alusão à denominação, rótulo ou placa. Não tenho esse espírito sectarista, aliás, tenho aversão ao sectarismo (e vez ou outra isso acaba por me tornar um sectário – rs). Estou querendo dizer que últimamente são poucos os cristãos que pensam. Que questionam, que indagam, que buscam conhecimento. A maioria se deleita em experiências místicas e sobrenaturais (não gosto de usar “espiritual” para descrever fenômenos que fogem ao comum. Para mim espiritual é uma condição permanente do ser, ora mais desenvolvida, ora menos desenvolvida). Se satisfazem (e as vezes não) com um “sharabakantas kanthiunévias ripalahiah dekanthas cih”, ou com a “unção” da última moda (ou, como dizem, do mais novo Mover de Deus!). E buscam uma “intimidade” com Deus que é traduzida em demonstrações públicas de “espiritualidade”, como chorumelas extravagantes, movimentos macacológicos durante a adoração e estripulias impudorosas (não estou a julgar nenhuma dessas manifestações).



A questão é que, tudo isso se resume a apenas isso. Esses irmãos tornam-se ovelhas demasiadamente ingênuas, ignorantes e infrutíferas em seu cercos religiosos. Vítimas de lobos indecorosos e gananciosos em sua estirpe. E se ao menos esses cristãos pensassem um pouco? Não teríamos tanta ridicularização no meio evangélico. São tantas babaquices espalhadas por diversas denominações que isso me assusta. São apenas zumbis que esses líderes do inferno brincam de “vivo”, “morto”. São massas inteiras. Um povo ignorante e pouco preocupado com a Verdade. Seguem ventos de doutrinas, sofismas e falácias com tanta facilidade que acabam por perder a identidade respaldada pelo Evangelho de Jesus Cristo. Muita coisa que vemos por ai não tem nada haver com as Boas Novas de Cristo. Mas nada mesmo…



Estou lendo sobre o Cartesianismo. Uma linha de pensamento da filosofia que tem por principal representante, Descartes. O Cartesianismo explora o questionamento da Religião, da Política, da Moral, da “verdade”. Esse pensamento influenciou os franceses na Revolução, e inspirou tantos outros revolucionários a se posicionarem contra as mazelas em que encontravam-se escravos. O pensamento Cartesiano gera uma insafisfação com o mundo mastigado posto diante de você.



Não tenho gabarito o suficiente para discorrer a respeito do Cartesianismo. E me limito a parar por aqui. A questão que deixo é: Porque quando as pessoas te olham como “crente” ou “evangélico” já pressupõem que você não é muito inteligente? Te veem como um fanático não dotado de cultura? Sequer travam uma discussão política com você por acharem que você não é nem um pouquinho politizado?



Já tive líderes que me achavam insubordinado e rebelde. Não desobediente. Mas, contudente…



Nunca gostei de ser manipulado. O próprio Espírito Santo não me manipula, antes me conduz, me direciona, me compele, me inspira, me atrai, me consola…



Acho que se nós cristãos fossemos mais reflexivos, não caíriamos em tantas tolices como últimamente temos testemunhado.




Vi no blog: http://thiagomendanha.com.br/
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Segundo fôlego



No jargão dos maratonistas, segundo fôlego acontece depois de um certo tempo de corrida. Nas primeiras passadas, o organismo queima açucar, fonte de energia menos calórica e a gente se sente cansado. Depois, passa a queimar gordura, combustível de melhor qualidade. Nesse câmbio da glicose para a gordura, o corredor se sente bem disposto, com mais ânimo, renovado. Nos meus primeiros anos de vida eu consumi glicose, a energia fácil, que me dava furor empreendedor, mas que fatigou.




Agora estou queimando os estoques de tecido adiposo; um jeito mais lento de gastar-me. Começo a experimentar outra qualidade de vida. Sinto-me revigorado; acho que entrei no estágio do segundo fôlego.



Segundo fôlego, porque ando entusiasmado com a minha crescente identificação com a Missão Integral. Missão Integral para mim é compromisso de alcançar homens e mulheres em todas as suas necessidades, considerando as realidades onde estiverem. Encorajado por teólogos católicos e protestantes que souberam responder ao clamor dos pobres na América Latina, procuro traduzir a mensagem do Evangelho em praxis transformadora, em ação libertadora, em promotora de justiça. Estou envolvido com Missão Integral que não prioriza a salvação de almas, mas busca a salvação de vidas.



Segundo fôlego, porque respiro uma nova liberdade. Puiram as rédeas que me impediam de desgustar cultura. Falsas percepções de pecado perderam força de me deixarem assustado com arte, literatura, música, teatro. Não me percebo indigno por gostar de amenidades que moralismos vitorianos proibem; já não preciso me esconder quando quero ir ao cinema. Quem nunca sofreu o torniquete do tradicionalismo legalista da religião, não imagina como é bom sentar em um teatro e assistir aos textos de Brecht, Shakespeare ou Andrew Lloyd Webber.



Segundo fôlego, porque sou abençoado. Deus me agraciou com gente especial; gente que se importa. Estou rodeado de mulheres e homens que aprenderam a Lingua Brasileira de Sinais (LIBRAS) para fazerem parceria com surdos; de casais que se colocaram em listas de candidatos para adoção; de voluntários que lutam pela recuperação de alcoólicos e drogaditos; de idosos que se doam a idosos em sanatórios; de profissionais que se dedicam em diversas iniciativas sociais.



Segundo fôlego, porque mudei minha biblioteca. Entusiasmado, devoro pensadores judeus, católicos, ortodoxos, ateus, agnósticos. A grade de minhas leituras transborda o Index sutilmente imposto por austeros defensores da Reta Doutrina. Transitar entre tantos autores não só ajuda a cumprir a recomendação paulina de analisar tudo e reter o que for bom, como alarga a minha capacidade de ser criterioso com o que eu outrora aceitava ingenuamente.



Segundo fôlego, porque a minha vida de oração ganhou cores diferentes. Deixei de sofrer ajoelhado para mendigar respostas às minhas petições. Minha espiritualidade era trabalhosa. Eu mastigava as palavras para demonstrar para Deus a minha penitência e assim alcançar o seu favor. Quantas vezes desesperei por não entender o porquê de não ser atendido nas súplicas mais urgentes. Nas horas críticas, era terrível ainda ter que lidar com culpa. O ídolo que por muitos anos chamei de Deus foi destronado. Já não preciso provar a minha fé com resultados. A Graça devolveu-me uma relação de paz com Deus. Finalmente entendi que “no silêncio e na quietude” encontrarei salvação. Aprendi o sentido do Salmo 46:10: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”.



Segundo fôlego, porque me tornei um Caleb – o herói bíblico que se sentia um menino com 85 anos. Ele ansiava por conquistar um pedaço da Terra Prometida. Rejuvenecido, vou escrever, pregar, ensinar, discipular, com as forças que moveram aquele rapaz parecido comigo a dizer sim ao chamado de Deus.



Soli Deo Gloria


Vi no http://www.ricardogondim.com.br/

sexta-feira, 2 de abril de 2010

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Aviões, pastores e outras coisas



Dizem que um homem pode ser medido pela grandiosidade dos seus sonhos. Se é mesmo assim, um seleto grupo de ministros do Evangelho anda sonhando alto – literalmente. Desde o ano passado, diversos pastores brasileiros andam cruzando os céus em aviões próprios, um luxo antes somente reservado a altos executivos, atletas milionários e sheiks do petróleo. A justificativa para as aquisições, algumas na faixa das dezenas de milhões de dólares, é quase sempre a mesma: a necessidade de maior autonomia e disponibilidade para realizar a obra de Deus, o que, no caso dos grandes líderes, demanda constantes deslocamentos pelo país e exterior a fim de dar conta de pregações e participações em palestras e eventos de todo tipo. Eles realmente estão voando alto.




O empresário e bispo Edir Macedo, dirigente da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) tem feito a ponte aérea Brasil – Estados Unidos a bordo de um confortável Global Express, avaliado no mercado aeronáutico por US$ 50 milhões (cerca de R$ 85 milhões). Para comparar, o preço é semelhante ao do Rafale, o caça-bombardeiro francês que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sonha comprar para as Forças Armadas brasileiras. Equipado com sala de estar, dois banheiros, minibar e lavabo, além de um confortável sofá, o jato permite deslocamentos dos mais confortáveis até os EUA, onde Macedo mantém residência, e tem autonomia suficiente para levá-lo à Europa ou à África. O Global, adquirido em setembro numa troca por um modelo mais antigo, veio juntar-se à frota da Alliance Jet, empresa integrada ao grupo Universal e que já possuía um Falcon 2000 e um Citation X, juntos avaliados em 40 milhões de dólares.



Edir Macedo justifica o uso de aviões particulares dizendo que precisa levar a Palavra de Deus pelas nações onde a igreja atua, que já são mais de 120, e também para evitar transtornos aos passageiros dos aviões comerciais, pois sua pessoa costuma atrair muita atenção da mídia. Pode haver também outros motivos. Foi em voos particulares que a Polícia Federal descobriu, em 2005, que deputados e empresários ligados à Iurd transportavam dinheiro em espécie, no episódio que ficou conhecido como o caso das malas. Os valores, explicou a igreja na época, teriam sido arrecadados nos cultos e eram transportados dessa maneira por questão de segurança e praticidade até São Paulo e Rio de Janeiro, onde a denominação tem sua administração.



Já o missionário R.R.Soares, mais discreto que o cunhado Macedo, não fez alarde da aquisição do turboélice King Air 350, em novembro, fato noticiado pela revista Veja.. Avaliado em cerca de R$ 9 milhões, a aeronave transporta oito passageiros. Como tem uma agenda das mais apertadas, Soares viaja praticamente toda semana pelos mais de mil templos que sua Igreja Internacional da Graça de Deus tem no país, além de realizar cruzadas e gravar programas diários para a TV. Ele realmente tem pensado alto: a igreja também mantém parceria com a empresa de aviação Ocean Air, através da qual um percentual sobre cada passagem comprada por um membro da Graça reverte para a denominação.



“Conquista” – O que chama a atenção no aeroclube dos pastores são as justificativas espirituais para a compra das aeronaves. Renê Terra Nova, apóstolo do Ministério Internacional da Restauração em Manaus (AM) e um dos grandes divulgadores do movimento G12 no Brasil, conta que o seu Falcon é fruto de profecias de grandes homens de Deus como o pastor e conferencista americano Mike Murdock. Em abril de 2009, durante um evento em que ambos estavam, Murdock incentivou uma campanha de doações a fim de que Terra Nova pudesse realizar seu “sonho”. Após chamar Terra Nova à frente, ele mesmo anunciou que ofertaria R$ 10 mil reais, atitude logo seguida por dezenas de pessoas. O avião foi comprado em julho. Dizendo-se “constrangido” com a atitude, Terra Nova admitiu que aquele era seu desejo e que se submetia ao que considerava a vontade de Deus. “O Senhor é testemunha que este avião não é para vaidade, mas para estimular que outros ministérios a que também tenham aviões e, juntos, possamos voar para as nações da terra, pregando o evangelho de Jesus. Assim está estabelecido”, diz o líder em seu site.



“Conquista” e “resultado da fé” também foram as expressões usadas pelo pastor Samuel Câmara, da Assembleia de Deus de São José dos Campos (SP), para comemorar a compra de seu King Air C90, de quatro lugares. O religioso, que durante anos liderou a Assembleia de Deus em Belém (PA) – onde montou a Rede Boas Novas, conglomerado de rádio e TV que cobre vinte estados brasileiros –, se diz muito grato a Deus pela bênção, avaliada em R$ 8,5 milhões. Ele espera juntar-se a outros líderes para montar “uma esquadrilha de aviões para tocar o mundo todo”. Ano passado, Câmara também esteve no noticiário pelas denúncias que fez contra supostas irregularidades nas eleições para a presidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB).



Mas a aquisição aérea que mais chamou a atenção, dentro e fora do meio evangélico, foi concretizada pelo famoso pastor e apresentador de TV Silas Malafaia, da Assembleia de Deus da Penha, no Rio. Possuir uma aeronave própria era um objetivo anunciado pelo líder já há algum tempo, inclusive em seu programa Vitória em Cristo, um dos campeões de audiência na telinha evangélica. Além dos insistentes pedidos por ofertas para manter-se no ar, Malafaia constantemente tocava no assunto avião em suas falas. O empurrão que faltava foi dado pelo pastor americano Morris Cerullo, outro profeta da prosperidade proprietário de um luxuoso Gulstream G4. Num dos programas, levado ao ar em agosto, Cerullo admoestou os telespectadores a desafiar a crise global e participar de uma campanha de doações ao colega brasileiro – um chamado “desafio profético”, no valor de 900 reais, estipulado graças a uma curiosa aritmética que associava a cifra ao ano de 2009.



Aparentemente surpreso, Silas Malafaia assentiu com o pedido. Não se sabe quanto foi arrecadado a partir dali, mas o fato é que em dezembro o pastor anunciou que o negócio foi fechado por cerca de US$ 12 milhões, cerca de 19 milhões de reais. Trata-se de um jato executivo modelo Cessna com pouco uso. Um “negócio espetacular”, na descrição do próprio. Bastante combatido pela maneira ostensiva com que pede ofertas para seu ministério, o pastor Malafaia, que dirige também a Editora Central Gospel, recorre à consagrada oratória para se defender: “Quem critica não faz nada. Você conhece alguma coisa que algum crítico construiu? Crítico é um recalcado com o sucesso da obra alheia.”


Fonte: http://www.cristianismohoje.com/


Vi no blog http://ferazaoegraca.blogspot.com/

quarta-feira, 31 de março de 2010

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Herege Assumido!


Quer mesmo saber? Sou herege! E digo isso com o peito cheio. Se quiser, pode me mandar pra fogueira agora mesmo. Estou pronto a morrer pela mensagem subversiva de que sou portador. Mesmo porque, não valeria a pena viver por algo pelo qual não se disponha a morrer.




Minha heresia?



Discordar do que tem sido feito em nome da ortodoxia.



Meu problema não é com a ortodoxia em si, mas com a práxis dos hipócritas que vivem o avesso do que afirmam crer. Eles me dão ânsia de vômito.



Por isso, resolvi chutar o balde e assumir de vez a postura de herege.



Eles pregam a divindade de Jesus, porém tratam-nO como se fosse um empregadinho. Chamam-No de Senhor, mas exigem que Se lhes submeta, atendendo às suas ordens, determinações e decretos.



Ensinam a divindade do Espírito Santo, mas ridicularizam-nO com manifestações bizarras que não temem atribuir a Ele.



Pregam a salvação pela graça, e em seguida exigem que seus seguidores façam sacrifícios complementares para assegurar-lhes a condição de salvos.



Pregam que Jesus está às portas, mas levantam campanhas milionárias para construir catedrais suntuosas ou adquirir aviões, em vez de pregar a esperança de dias melhores e contribuir para amenizar as injustiças sociais.



Ensinam a generosidade só para colocá-la à serviço de sua própria avareza.



Cansei de fundamentalismo barato, intelectualmente preguiçoso, e ideologicamente comprometido com os poderes deste mundo. Cristãos que preferem ladear os poderosos, e desprezar os miseráveis e excluídos. Denunciam a pretensão socialista de que o Estado ocupe o lugar de Deus, mas fazem vista grossa ao Estado Neo-liberal que se presta ao papel de Diabo.



Prefiro a isenção profética! Não quero aliar-me a qualquer que seja a ideologia, pois todas são inequivocadamente imperfeitas. Prefiro ser porta-voz do Reino, a ser defensor de agendas ideológicas. Marx não me convence! Mas não será Olavo de Carvalho que me converterá ao conservadorismo. Não me curvo ao Estado, mas também não me prostro ante o Capital. Ambos são potencialmente ídolos. Ambos exigem lealdade absoluta, coisa que só devo ao império de Cristo.



Livre comércio? Sim. Mas não ao custo da justiça. Justiça social? Sim. Mas não ao custo da liberdade. Por isso, não sou nem socialista, nem capitalista. Sou mesmo um reinista.



Por favor, não me rotulem. Não sou penteca, mas também não morro de amores pelo tradicionalismo mofado que só serve ao orgulho denominacional idiota. Eu já disse e repito: Sou reinista! Só devo lealdade ao Rei dos reis!



Crer na contemporaniedade dos dons não me faz carismático nem pentecostal; crer na soberania divina não me faz calvinista; apreciar arte sacra não me faz idólatra, e negar-me a ajoelhar-me ante a uma imagem não me torna iconoclasta. Crer na intervenção divina em atendimento às nossas preces também não me faz um neo-penteca.



Se insistirem em me taxar, prefiro que me chamem de herege. Pelo menos serei identificado com os injustiçados, vítimas dos sistemas opressores que se arrogam detentores da verdade absoluta. Prefiro isso a ser identificado com os que oprimem, e em cujas mãos estão acesas as tochas da intolerância, prontas a atear fogo nos discordantes e rebeldes.



Se reeditarem a santa inquisição, a maioria dos líderes que explora seus rebanhos ficará de fora. E sabe por quê? Porque são todos ortodoxos e dogmáticos. Todos têm em comum a crença no concepção virginal de Cristo, em Sua ressurreição ao terceiro dia, em Sua ascensão, na Criação em sete dias literais, etc. Nenhum deles pode ser acusado de heresia. Eles até poderiam escapar ilesos das chamas inquisitoriais, mas duvido que escapariam de outra chama!



Prefiro ser torrado nas fogueiras dos meus detratores a ter minha consciência chamuscada pela culpa, e minha alma alvejada pelas chamas do inferno.



Sou herege assumido, e quem não for... que acenda a primeira tocha!



Heresia, do latim haerĕsis, por sua vez do grego αἵρεσις, "escolha" ou "opção".



Vi no blog http://hermesfernandes.blogspot.com/

sábado, 27 de março de 2010

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A difícil convivência com a verdade



Relutei em dar o pontapé inicial, mas por mais que tenha fugido, preciso admitir diante de todos a minha difícil convivência com a verdade. Dissertar sobre as verdades que fazem sentido para mim, é complicado, muito complicado.




Há duas dimensões. A primeira: sinto-me crescentemente empurrado a ser meticuloso em falar de meus sentimentos, angústias, alegrias, desejos. “Seja discreto”, aconselham. “Não conte suas perplexidades”, admoestam. “Você tem mais inimigos do que imagina”, advertem.





A segunda: ando acossado pelos conteúdos de minha reflexão. Diante de um público resistente a mudanças, noto que devo ser criteriosíssimo com o que penso. Tenho que tomar todos os cuidados para não arranhar suscetibilidades dogmáticas. As âncoras doutrinárias e confessionais não podem ser içadas, elas precisam manter os navios institucionais em porto seguro. Impulsivamente tentei convidar alguns amigos e parceiros a navegarem nas águas tumultuadas do oceano das perguntas e das dúvidas, mas fui escanteado, exilado, xingado, rotulado. “Não se deve falar tudo o que pensa”, sugeriram. “Cuidado para não ser inconveniente”, exortaram. “Vá com calma”, avisaram.





A pior censura é a auto imposta, a que nasce do medo, da paranóia. Assusto-me quando tento equilibrar-me nessa corda, na balança entre o tato e a falsidade. Será que o receio de não me expor me tornará anódino, inodoro, insípido? Será que fiquei com medo das hienas que tentam se antecipar ao meu fim e já sabem como atacar?



Hesito. Suspeito escrever sob o olhar antipático de gente que, de antemão, não gosta do que vai ler. Mas, ir ao teclado e não vazar o espírito me tornaria semelhante ao pianista que não pode tocar. A dor de não tocar dói mais que a artrite que lhe entorta os dedos. Restam-me duas, apenas duas, opções: parar de escrever e aprender a empinar pipa – que seria um suicídio lento - ou continuar, sabendo que as críticas não arrefecerão.



Quando caminho pelos porões de minha alma, faço mea culpa. Quando subo aos sótãos, celebro eventos maravilhosos; lugares e pessoas que tornaram a minha vida bonita. Lembro que Rubem Alves escreveu certa vez que a “saudade é o bolso onde a alma guarda o que provou e aprovou”. Gosto de remexer os bolsos, de ruminar o que saboreei, de trazer à memória o que me ainda pode dar esperança. Nesses passeios, dores antigas têm chance de serem curadas.



Tecer reminiscências não é sentimentalismo, apenas o meu esforço de não permitir que o tempo desbote as fotografias, outrora coloridas, da infância. Não abro mão, esta geração dura e fria não vai impedir que eu retorne ao passado em busca do tempo perdido.



Quero escrever sobre questões teológicas que me intrigam, mas logo me corrijo: “Não faça isso, Ricardo, não vá se queimar à toa”. Se não posso esticar conceitos, se é perigoso questionar dogmas, crenças, superstições, então vou copiar receita de bolo -como faziam os jornais nos dias da ditadura. Miguel de Unamuno afirmava: “Saber por saber! A verdade pela verdade! Isso não é humano!”. Não ouso provocar por leviandade. Ao suscitar perguntas, mesmo sem resposta, busco confrontar crenças que considero pueris e desalojar credos que me afastam do drama humano. Sem pretender resolver os mistérios da Divindade, da Eternidade e do Sobrenatural, espero encontrar um fiapo de nexo naquilo que o coração intui. Fazer teologia se transformou no exercício de aprender a chorar com os que choram, de celebrar com os que triunfam e de nutrir esperança ao lado dos que lutam.



Morrerei se deixar que emperrem o minadouro de minha criatividade. Serei pássaro engaiolado, caso me acovarde nos labirintos do saber. Quero satisfazer-me com a beleza, com a dignidade, com o que for louvável, venha de onde vier. Sofrerei com menos tormento a trágica sina de viver, caso encontre a casa do bem, o templo do amor e a sala da amizade.



Convertido ao fundamentalismo desde a juventude, escrevo para reconciliar-me com todos os homens e todas as mulheres de bem que, independente de recitarem o mesmo catecismo, trabalham por um mundo melhor.



Consciente de meus pecados, inadequações e imaturidades, desejo crescer em minha Ricardice. Entendo que os meus maiores inimigos moram dentro de mim. Mas sei também que a possibilidade de humanizar-me depende da capacidade de reconhecer a beleza do meu interior. Se demônios me aterrorizam com vícios, anjos me incentivam com virtude. E nessa maré, que sobe e desce, avanço rumo à vocação de ficar parecido com o Nazareno.



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Pedagogia da Graça



Um amigo meu que freqüentou uma igreja histórica sesquicentenária por muitos anos de sua vida, presenciou atitudes austeras de pastores e presbíteros em reuniões onde sentenciavam jovens que engravidavam antes do casamento. Presbíteros do conselho já nem mais consultavam o manual de disciplina, pois decoradamente sabiam o artigo e parágrafo onde a ré se enquadrava. A punição era anunciada com certa alegria (em forma de piedade pervertida) para a igreja, pois a sã doutrina estava sendo cumprida a risca. Mais uma medalha era colocada no peito da ortodoxia, que seguia única vencedora nesta igreja. A adolescente arcava com os danos psicológicos de ser apontada na igreja como exemplo a não ser seguido, pois quebrara os mandamentos do sagrado e sua punição era além da suspensão dos “privilégios da ceia” era isolada por todos, como uma pessoa contagiosa, o patinho feio que poderia transmitir seus pecados para o restante do puro rebanho.




Este meu amigo acabou saindo desta denominação e esta agora em outra, com o nome idêntico, entretanto sobre tutela de outro Supremo Concílio. Entretanto um caso de gravidez de uma menina de 16 anos aconteceu nesta igreja dele. Apenas a mãe e a filha adolescente freqüentavam a igreja, e ambas foram conversar com o pastor, para contar o ocorrido. Qual o resultado? No culto dominical, o pastor chama a menina na frente e diz que tem algo muito importante a comunicar, que a adolescente esta grávida e que toda a igreja esta em festa e deve comemorar esta alegria com a garota. Foi feita uma oração para que a gravidez ocorra tudo bem e que todos deveriam se festejar com a menina, pois em breve um bebê estaria alegrando todos os membros presentes. O pastor abraçou a menina carinhosamente e disse que a igreja estaria dando todo apoio no que fosse preciso durante e depois da gravidez.



Alguns chamariam este fato de ortodoxia generosa, outros de apostasia e afrouxamento da doutrina. Gosto de chamar de simplesmente graça, na hora que a menina precisava de maior acolhimento, ela recebeu de Deus através do pastor e da igreja. Este, creio eu ser o verdadeiro caminho estreito a ser seguido, em detrimento do caminho largo e dogmático. A comunidade tem que ser inclusiva e não um gueto que exclui os que não seguem seus dogmas, regras e manuais.



Com essa atitude, uma voz do norte poderia questionar que esta se abrindo a porta para a libertinagem, pelo contrário, a pedagogia da graça corre por outros caminhos, pois isso tem feito que os jovens e adolescentes tragam suas dúvidas e questionamentos para a igreja, ou seja uma comunidade terapêutica esta sendo formada, sem querer forçar a natureza com medidas de imposição, a atitude educativa esta produzindo seus frutos. Ahh .. antes de finalizar esse texto, antes que alguém pergunte, é o pai da criança? Até onde estou sabendo, não está envolvido na igreja e nem na vida da adolescente, o pastor disse que não precisa casar se não amar a pessoa. Como fiz Philip Yancey, a graça é como a água límpida, consegue descer aos locais menos acessíveis e leva vida, e vida em abundância.



By Alex Fajardo


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A irremediável burguesia religiosa



Se não me falha a memória, a frase é do Cazuza. “A burguesia fede, mas tem os seus encantos”. Pela classificação mais ordinária dos cidadãos brasileiros, nasci na classe “C”, isto é, no andar de baixo desta burguesia. Designado para viajar nos vagões mal cheirosos que ficam atrás do trem, minha infância não teve tantos mimos. Cresci sem automóvel (eu tinha 17 anos quando papai comprou um carro), sem frequentar lanchonete nos fins de semana e sem vestir roupa de grife. Não, nunca fomos pobres; tínhamos segurança alimentar e uma grande família com tios que chegaram junto na hora do sufoco.




Mas, para entrar no baile de adolescente na vesperal do Clube Náutico, eu precisava pular o muro; para chupar um picolé no intervalo da aula, tinha que ir para o colégio a pé e para comer maçã, adoecer.



Tornei-me um militante do patético alpinismo social. Em meu primeiro emprego, fixei a meta de comprar um fusca. Trabalhei como um remador de galé, mas um ano depois saí da loja montado nas quatro rodas alemãs - e mais trinta e seis prestações. Daí para a frente, continuei subindo. Cheguei ao mundo colorido da classe “B”. Eu já não era um remediado pobretão. Cedo, também notei que as escadas religiosas poderiam me conduzir a patamares mais elevados.



Gastei a maior parte dos meus dias entre cristãos que faziam da religião o trampolim social que a sociedade lhes negava. Eu sabia que a lógica religiosa que eu aceitava de bom grado, e fortalecia, servia às aspirações de pequenos ricos.



Primeiro, nos Estados Unidos. Viajei extensivamente por quase todo o território e conheci a América profunda. Preguei tanto em igrejas grandes como em bibocas. Evitei, por interesse, notar como os pentecostais se esforçavam para mostrar que não eram os primos pobres de batistas e presbiterianos. Por duas vezes, participei do Concílio Geral das Assembleias de Deus. Não há como descrever o desfile das vaidades que vi nessas reuniões. Pelos corredores lotados com mais de quinze mil pastores, mulheres borradas de maquiagem ostentavam roupas caras e os maridos batalhavam para ganhar a placa de “Maior Contribuinte de Missões Mundiais ”.



Depois que voltei ao Brasil, também procurei cegar para o que via. Eu não queria notar como líderes denominacionais usavam de toscas manipulações para se manterem temidos como caudilhos. Pastores oriundos das mesmas camadas sociais que eu, se sentiam desafiados a passar pelo malho apertado da peneira social. Alguns, logo revelavam sinais exteriores de riqueza, fama, glória. Isso lhes motivava à luta e eu, confesso, queria ser como um deles. Os ungidos apareciam ao lado de políticos famosos, viajavam para Israel, abriam postos missionários além-mar.







Paulatinamente, distanciei-me desse mundo que passou a imprimir cartão de visita com o titulo de Apóstolo. Depois, com as mega-empresas religiosas, quando o cacife cresceu, e eu decidi sair de vez. Os verdadeiramente ungidos passaram a desfilar de BMW, helicóptero e jatinho. Resolvi não desejar esses brinquedinhos que patenteiam a bênção de Deus.



O mundo evangélico está contaminado por esta espiritualidade pequeno-burguesa. Animado pela lógica de que servir a Deus é proveitoso, o crente parte em busca do macete que abre porta de emprego, faz passar no vestibular, resolve causas na justiça, ajuda nos concursos públicos e aumenta salário. Para ele, a prova de que Deus existe está nesses pequenos milagres; e o melhor testemunho da verdade da fé, na capacidade de mover o braço do Todo-Poderoso.



Quase fui linchado quando afirmei, em um estudo bíblico, que Deus não abre porta de emprego.Sofri crítica por dizer, baseado no Sermão da Montanha, que Jesus ensinou aos filhos de Deus a não pedirem coisas materiais. A princípio, não entendi a reação virulenta. Por que tamanha resistência à proposta de espiritualidade que abre mão das intervenções divinas para se dar bem na vida? Mas, quanto mais eu lembro das ambições que povoaram o meu coração juvenil, dos corredores enfatuados daquelas convenções americanas e da breguice dos evangelistas novos-ricos, reconheço: não se desvencilha com facilidade das orações milagrosas que prometem os encantos da burguesia, sem feder.




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Jesus, transgressor de fronteiras


Hermes C. Fernandes


Como hebreu e legítimo descendente de Abraão, Jesus não se deixava intimidar por fronteiras criadas pelos homens. Ele as transgredia.




O texto sagrado diz que “indo ele a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galiléia” (Lc.17:11).



Aquela era uma região conflitosa. A Galiléia era habitada por judeus, e estes, por razões históricas, não aceitavam relacionar-se com samaritanos. Essa raça mista era o triste lembrete de uma época em que seus ancestrais haviam sido levados cativos para a Babilônia.



O clima era sempre tenso naquela região. Havia animosidade em ambos os lados da divisa.



A caminho de Jerusalém, Seu destino final antes de ser crucificado, Jesus atravessa a região conflitosa.



Sua missão estava acima de qualquer zona fronteiriça. Fronteiras raciais, culturais, lingüísticas, religiosas, não se constituem qualquer empecilho aos Seus propósitos.



O texto prossegue:



“Entrando em certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, os quais pararam de longe, e clamaram: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós” (vv.12-13).



A origem de muitos preconceitos é a desinformação. Naquela época, os leprosos eram discriminados e tinham que viver excluídos da sociedade. A lei determinava que se um leproso ousasse aproximar-se menos de dez metros de uma pessoa sã, deveria ser apedrejado até a morte.



Vilas eram construídas fora dos limites dos centros urbanos para abrigar os leprosos. Por perderem o convívio familiar, só lhes restava a companhia de outros leprosos. Por isso, andavam em grupo.



Somos informados pelo texto sagrado, que desses dez leprosos, um era samaritano.



Embora fosse de etnia diferente dos outros nove, algo os tornava semelhantes: a lepra. Todos haviam sido igualmente rejeitados por seus familiares e patrícios. Não fazia sentido nutrir qualquer tipo de preconceito. Só lhes restava a solidariedade.



Talvez isso explique a razão pela qual Deus permite tragédias. Elas nos unem.



Quando, por exemplo, acontece uma enchente como a que abateu o Estado de Santa Catarina recentemente, as águas não escolhem em que casas vão entrar. Elas não respeitam qualquer distinção social. As mesmas águas barrentas que entram no barraco do pobre, também invadem a mansão do rico. E assim, aqueles que antes estavam separados pela fronteira social, agora se unem pelos laços promovidos pela tragédia.



Há um ditado que diz que “pau que dá em Chico, também dá em Francisco”. E vale aqui lembrar o que diz o sábio Salomão: “Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro” (Ec.9:2a).



Que direito temos de nos achar melhores do que os outros? Quem nos constituiu juízes dos homens?



A despeito de nossa posição social ou do nosso credo religioso, há algo que nos une a todos. Trata-se de algo muito pior do que a lepra. O mal de todos os séculos. A lepra é apenas uma pálida analogia de nossa condição espiritual. Todos somos igualmente pecadores. É a lepra do pecado que nos une.



Não há, portanto, lugar pra segregação entre os homens. Cristãos, judeus, hinduístas, muçulmanos, espíritas, ateus, estão todos em um mesmo barco.



A distinção entre passageiros de primeira classe, da classe executiva e da classe econômica, perde completamente o sentido quando o piloto anuncia que o avião está caindo.



Aqueles homens tomaram uma atitude corajosa. Venceram seus medos, entraram na aldeia correndo o risco de serem apedrejados, e clamaram a Jesus.



“Jesus, vendo-os, disse-lhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. Indo eles, ficaram limpos” (v.14).



Embora Jesus não desse a mínima para certas convenções sociais, Ele Se submetia à Lei. E de acordo com ela, somente os sacerdotes podiam atestar e ratificar a cura de um leproso. Sem o aval sacerdotal, o leproso curado não poderia voltar a viver na sociedade e retornar à sua família.





Interessante notar que em outro episódio, Jesus tocou em um leproso e o curou. Mas neste, Jesus sequer Se aproxima deles. Por quê? Não foi por medo, isso posso garantir. Mas provavelmente por precaução. Um único leproso podia passar despercebido. Mas dez leprosos chamavam muita atenção. Ser visto entre eles poderia trazer sérios problemas, principalmente agora que estava indo pra Jerusalém. Qualquer contacto com um leproso seria suficiente para que Jesus fosse impedido de entrar no Templo. E como sabemos, havia uma missão a cumprir lá, antes de Sua morte.



O que mais chama a atenção aqui é a ordem dada por Jesus: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. Eles foram curados enquanto caminhavam.



Deus age no movimento. Deus opera no caminhar.



Somos todos hebreus. Somos todos caminhantes. Não podemos encruzar os braços à espera de uma intervenção divina. Temos que atravessar as cancelas humanas, transgredir as fronteiras ideológicas, e caminhar livremente, enquanto Deus age.



“Indo eles, ficaram limpos.” Bendito seja o gerúndio que nos serve de cenário para o agir de Deus.



“Um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz, e caiu aos pés de Jesus, com o rosto em terra, dando-lhes graças e este era samaritano” (vv.15-16).



Imagino que enquanto este samaritano caminhava em direção ao templo para apresentar-se ao sacerdote, ele se lembrou de que samaritanos não são bem-vindos em Jerusalém.



Provavelmente, nenhum sacerdote vai querer recebê-lo. Mesmo livre da lepra física, ele não estava livre da lepra do preconceito.



A que sacerdote ele recorreria? A quem ele deveria demonstrar sua gratidão por haver sido curado? A resposta era óbvia: a Jesus.



“Jesus perguntou: Não foram dez os que foram limpos? Onde estão os nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?” (vv.17-18).



Com esta palavra, Jesus estabelece uma nova fronteira entre os homens. Aos olhos de Deus, eles não estão separados pela raça, pela classe social, ou mesmo pela religião. A Cruz de Cristo derrubou todas as paredes. Seu sangue nos purifica de toda lepra do pecado. Mas agora, os homens se dividem em dois grupos: os gratos e os ingratos.



Os outros nove preferiram recuperar o tempo perdido. Foram correndo para suas famílias. Ou quem sabe, saíram em busca de uma nova oportunidade de constituir família. Mas aquele samaritano reconheceu sua dívida de gratidão para com Aquele que o limpou.




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