sexta-feira, 18 de junho de 2010

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Os discursos ausentes: prosperidade



Essas são disputas de homens de entendimento corrompido, privados da verdade, que acreditam que a espiritualidade é fonte de lucro.Porque nada trouxemos para este mundo, e daqui nada podemos levar: tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes. Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na ruína e na perdição.

1 Timóteo 6:5,7-9



Os homens inventam as religiões a partir do que sabem do seu tráfico com outros homens; é por isso que nas religiões deste mundo nada é de graça. Mudam os deuses e suas exigências, mas tudo permanece uma questão de toma-lá-dá-cá. A “religiosidade empírica”, de que os sociólogos encontram traços em todas as tradições religiosas, é precisamente essa “crença de que o culto apropriado traz recompensa tangível no presente mundo, na forma de benefícios materiais como saúde, prosperidade, sucesso ou fama”1.



Desde que surgiram em cena, portanto, os deuses tem sido cultuados pelo que tem a oferecer. Recompensa tangível. Benefícios materiais. Dessa forma os homens aprenderam a seduzir e apaziguar com ofertas os deuses dos elementos, da colheita e da reprodução, porque dependiam da continuidade de suas dádivas para sobreviver. Aprendemos a nos dobrar diante dos deuses pela mesma razão que um bando de gorilas se dobra diante de seu líder: não por verdadeira simpatia, mas porque seu poder tem potencial tanto para nos destruir quanto para nos proteger. Se o deus cultuado não se mostrava capaz de garantir a prosperidade do grupo, convinha transferir a devoção para divindade mais capaz. Vencia o deus com o maior pênis ou o braço mais formidável.



O Deus de Israel, que se propunha digno de adoração por atributos morais como justiça e misericórdia, foi desde o início grave exceção no panteão; um deus que se prezasse deveria destacar-se por suas especialidades, pelos seus caprichos e pelo terror induzido pelo seu poder. Nada havia de ético na devoção que as divindades requeriam e na recompensa que ofereciam aos seus cultuantes. O Deus de Israel produzia embaraço entre seus pares porque deixava claro que se deleitava em que seus adoradores fizessem a coisa certa; enquanto os demais deuses aceitavam suborno e desconheciam particularidades morais, apenas a integridade parecia angariar o favor de Iavé.



Apesar dessa distinção, em muitas passagens do Antigo Testamento o Deus de Israel é ainda apresentado ou interpretado como um macho alfa tremendo e irascível, absolutamente pronto a defender seu território e seu bando esmigalhando qualquer intruso e qualquer competição – figura distinta das outras divindades em extensão de poder mas não em temperamento. Foram necessários os profetas para apontar além de qualquer dúvida a singularidade ética que, explicavam eles, já fazia parte do caráter divino desde o princípio.



Os profetas revelaram ainda que Deus não encontra prazer nas ofertas e sacrifícios materiais que possam apresentar-lhe os homens; mais do que isso, Deus não se vê obrigado a honrar essas ofertas, porque – e aqui fica patenteada a sua singularidade – o que o satisfaz é “misericórdia, não sacrifício”.



Apesar dessas revelações, foi necessário Jesus para escancarar a verdade final diante de uma humanidade estarrecida: a de que Deus absolutamente não tem favoritos e não cede absolutamente a barganhas. Em Jesus fica explicitado que o critério divino é a graça, isto é, seu próprio cavalheirismo e inclusividade, segundo os quais ele “derrama o seu sol sobre justos e injustos”. A reviravolta está em que nem mesmo a integridade pode angariar o favor de Deus, porque a Deus basta a sua; diante da escala dessa verdade, as prostitutas chegam ao paraíso antes dos religiosos de carteirinha. Na verdade, a integridade divina fica revelada em sua graça e sua ausência de critérios; para sermos íntegros como Deus é íntegro será necessário que sejamos inclusivos como Deus é inclusivo. Arrepender-se – mudar de mentalidade – é engolir e passar a aplicar essas exigentíssimas realidades.



Jesus, portanto, gastou sua vida para anunciar a boa nova da graça, demolir a espiritualidade empírica da barganha e dissociar o nome de Deus da teologia do toma-lá-dá-cá. Os cristãos gastaram dois mil anos para anular os esforços dele: a teologia da barganha que Jesus morreu para matar está muito viva, sequestrou o nome dele para os seus propósitos e se chama em alguns lugares teologia da prosperidade.



Até meados da Idade Média a religiosidade popular cristã fazia coro com os evangelhos em sua celebração da simplicidade e condenação da ganância; seus heróis eram o próprio Jesus e São Francisco de Assis. A Reforma, que nasceu junto com o capitalismo, mudou esse cenário com um discurso que incentivava o lucro, o empréstimo a juros e a acumulação de riquezas. Porém foi só no século XX, com a vitória final do liberalismo econômico, a forma mais selvagem e sem rédeas de capitalismo, que um discurso teológico encontrou brecha para glorificar declaradamente a ganância, ao mesmo tempo em que finge ter alguma relação com a herança de Jesus.



Quer estejam falando a um grupo de empresários ou a uma congregação de favelados, os proponentes da teologia da prosperidade dirão essencialmente a mesma coisa: que é vontade de Deus, com aprovação de Jesus e garantia do Espírito Santo, que seus ouvintes sejam dali em diante ricos e bem-sucedidos em seus negócios. Invariavelmente, o caminho para essa incontrolável prosperidade passará por uma demonstração financeira de fidelidade por parte do candidato. “Dê a Deus uma quantia x“, insistem eles, “e Deus irá compensá-lo com 10 vezes x ou mais”. Quem recusa-se a apresentar uma oferta financeira é imediatamente culpado de falta de fé; será fatalmente punido com retorno nenhum ou, quem sabe, com a inadimplência completa.



Numa instância paralela, muitos pastores afirmam que a prosperidade garantida por Deus se estende à saúde física. Assim, se o seu filhinho de três anos está doente, ou se você tem epilepsia, a culpa é da sua falta de fé; essa sua incredulidade só uma fidelidade radical se mostrará capaz de corrigir.



Diante desses discursos, o desafio da fé permanece sempre em aberto, e a mão do pastor sempre estendida. Quem quiser “ver a obra realizada” vai ter de molhar a mão do obreiro.



Para refutar essa doutrina bastaria qualquer página do Novo Testamento, se seus proponentes se sujeitassem a elas. Do começo ao fim o rabi de Nazaré viveu uma vida simples e explicou que não ajuntássemos tesouros da terra; não foi poupado das adversidades, ensinou a humildade e desviou-se constantemente das armadilhas de prosperidade que armou-lhe o diabo.



Para não abandonar o eixo Lucas/Atos, o Jesus de Lucas explode com um muito claro “bem-aventurados os pobres” (ao contrário de Mateus, que adiciona o atenuante “de espírito”), e acrescenta: “mas ai de vocês que são ricos, porque já receberam a sua consolação”. Mais tarde, neste mesmo livro de Atos, Paulo e Barnabé dirão aos novos discípulos que tenham paciência diante das adversidades, porque “por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus”.



Porém não haverá testemunho maior contra a teologia da prosperidade do que o contraste fornecido pela própria narrativa. No livro de Atos os seguidores de Jesus serão presos, perseguidos, espancados e mortos. Serão acusados injustamente e levados a tribunais. Sofrerão naufrágios, derramarão sangue, tomarão chuva, perderão amigos, serão expulsos de cidades, perderão seus empregos. Em vez de buscá-lo para si, o que farão é denunciar aos poderosos os riscos e ilusões do poder. Em vez de acumularem riquezas, o que farão continuamente é despojar-se delas em favor uns dos outros.



Recusar-se-ão a buscar a segurança e a aprovação o que mundo busca. O que pedirão a Deus não é que sejam poupados da perseguição, mas que sejam encontrados pela morte fazendo a coisa certa. Representarão consistentemente uma formidável contra-cultura, uma ameaça subversiva a tudo que o mundo considera admirável, sensato e prioritário.



Porém, acima de tudo, são sua generosidade e inclusividade que se manterão não-condicionadas. É nisso que estarão sendo testemunhas de Jesus e nisso, se tudo der certo, consistirá o seu testemunho.



Os que defendem a teologia da prosperidade lembram incessantemente que a Bíblia ensina que os ricos devem ser generosos, e declaram que isso justifica por si só a busca pela riqueza; o livro de Atos lembra incessantemente que a generosidade não requer justificativa e não está condicionada à riqueza, sendo muitas vezes tolhida por ela.



A vida, o abraço, a companhia, todos tem para dar; para os ricos só é mais fácil esquecer.




Paulo Brabo


Vi no http://www.baciadasalmas.com/

quinta-feira, 17 de junho de 2010

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A Kenosis, o amor e a internet



A internet não é uma mídia. É um espírito, ou se preferir, uma linguagem de época. O que significa não se tratar de mais um instrumento de comunicação, mas de uma compreensão de mundo. De um horizonte doador de sentido, diria meu querido mestre e filósofo, Manfredo Oliveira de Araújo.




Assiste-se ao debate agonizante de outras mídias sobre sua superação diante da expansão irresistível e substitutiva da internet. Ela absorve a radiodifusão, a imprensa, a televisão e a telefonia gulosamente e não apenas impõe a multimídia, como hiperdimensiona a informação no cotidiano. Sabemos e participamos por muitos meios, em tempo real, de diversos eventos e discussões em torno do mundo. E somos apresentados ainda à possibilidade atordoante de interagirmos nos processos de divulgação, debate e construção dos fatos em questão.



Apesar de tudo o que permeia o assunto internet, interessa-me um aspecto em particular, que talvez seja seu conceito central, a internet condenou toda e qualquer idéia a uma linda e libertadora precariedade. Nela o pensamento humano está necessariamente despido de qualquer roupagem metafísica. E entenda metafísica como toda e qualquer construção teórica que reivindique a condição de verdade última, ou de verdade que pretenda legitimar todas as demais verdades. Absoluta, universal, sistemática, racional e permanente. Em total descaso às pretensões metafísicas, no ciberespaço, todo pensamento e informação são relativos, fragmentários e provisórios.



Isto porque somos nervosamente expostos ao turbilhão de idéias e acontecimentos do mundo. A sensação fácil e confortável de outrora de um pensamento bem construído, ou de que uma versão dos fatos bem apresentada era final e, portanto, duradoura foi substituída pela angústia frente à impermanência de toda e qualquer versão. Novas informações, ou versões; novas abordagens, ou revisões; novas doutrinas, ou ressignificações se sucedem freneticamente impedindo a adesão forte e tranqüila dos interlocutores. Os guetos de certeza foram implodidos e os sítios de pensamento, mundanizados.



Qualquer cosmovisão que pense o mundo como um espaço racionalmente organizado; a história, divina ou teleologicamente orientada; a vida humana, anterior e sobrenaturalmente submetida a um sentido; o indivíduo, mágica ou arbitrariamente transformado em uma exceção de segurança; os fatos, sistematicamente encadeados em uma relação linear de causa e efeito; ou toda e qualquer concepção científica, política ou religiosa de uma vida apoiada em fundamentos fortes e duradouros está condenada a ser descoberta como um simulacro da vida.



Acredito que a internet libertou as idéias das farsas do discurso forte. A idéia é por si só volátil e imprecisa. Os pontos de comunicação que nos conectam em uma conversa são liames delicados. A troca de idéias esbarra sempre em nossas distâncias conceituais. Logo, o discurso forte é muito mais um simulacro comunitário, um fingimento coletivo. A internet não teme a volatilidade das idéias, ao contrário, a intensifica e valoriza. Sua força é exatamente o discurso fraco, por isso sempre aberto ao outro.



Como uma doutrina pode resistir à revisão frente a um fato que a surpreende? Como o conceito religioso de um Deus que tudo controla e de uma história cujos fatos, sem exceção, carregam propósitos se sustentam ante o testemunho amplo e escandaloso da injustiça e desigualdade entre os povos, ou ainda, dos acidentes da natureza, como os terremotos? Como as teorias científicas que propõem alguma explicação que decifre os eventos do universo semelhante a quem descobre uma mensagem secreta pode manter-se reverenciada diante do imprevisto e do caos? E tudo isso ao vivo e a cores?



Qualquer discurso que não seja marcado pela modéstia em sua pretensão de alcance, construído sem aberturas conceituais, não consciente de sua provisoriedade e sem um profundo comprometimento com a indisfarsável tarefa humana de construir seu sentido de vida sem muletas metafísicas está fadado a nada dizer que gere interesse e faça sentido à vida humana. A internet pulverizou os discursos que se pretendam finais.



Gosto da percepção de Gianni Vattimo a respeito da secularização e o enfraquecimento do discurso religioso na vida em sociedade. Ele propõe que este seja um fenômeno renovado da kenosis, palavra grega utilizada pelo Apóstolo Paulo, na Bíblia, com o sentido de esvaziamento. É assim que ele se refere à encarnação de Deus em Jesus. Como um processo de esvaziamento divino de suas prerrogativas absolutas, para andar entre nós com o mais radical e legítimo testemunho humano, frágil e suscetível à morte. Da mesma forma, na secularização, a igreja é esvaziada, ou sofre uma nova kenosis, de qualquer pretensão de posse da verdade e legitimadora da vida humana. Sem o discurso forte, resta-lhe o amor como única via de testemunho à pessoa humana. Com o pensamento fraco, resta-lhe ser humanizada através de gestos de ternura e delicadeza.



É assim que vejo a internet, como um amplo e libertador esvaziamento do discurso. Nela, nossas palavras têm que deixar de servir ao jogo de poder disfarçado na persuasão e se entregar à dinâmica leve e amorosa das relações livres. Desprovidos da obrigação de sermos sistemáticos, coerentes, convincentes e definitivos, poderemos ser mais divertidos, sensíveis, imaginativos e estéticos.



E como Deus em Jesus, ao andar entre nós, preferiu os ambientes dos pecadores, ou poderíamos dizer, dos precários, com suas comidas, bebidas e danças à companhia dos fariseus, ou poderíamos dizer, dos dogmáticos, e seus tensos debates pela perpetuação dos ritos e doutrinas. Nós, na internet, também escolhemos o mundo dos precários, onde a graça não é o que nos torna convictos, mas livres.



Na encarnação, Deus sofre o esvaziamento de sua intocável glória e se humaniza na mais radical tragédia da vida, a morte na cruz. Seu esvaziamento gera um nome de gente que salva de tanto que amou: Jesus.



Na internet, a verdade sofre a divina kenosis. Desconstitui o discurso impassívele poderoso, que se pulveriza na morte da doutrina. Sua kenosis gera um nome que a todos pode salvar, de tanto que nos fragilizou: amor.



Elienai Jr


Vi no http://elienaijr.wordpress.com/

quarta-feira, 16 de junho de 2010

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A estrada menos trilhada



Querido José,






Hoje, acordei pensando no caminho estreito, naquele caminho pouco trilhado, sem grandes atrativos. Antes, confesso que nem sempre escolhi essa estrada apertada. Mariposa, voei desesperado em busca de luzes, querendo o brilho da fama. Tantas vezes busquei as passarelas largas. Hoje, ao contemplar meus antigos passos, percebo que andei em círculo, rodopiei, patinei, ofuscado por labaredas fugazes. As lamparinas que desejei eram falsas. Ultimamente, não sei se devido a idade, as decepções ou mesmo a uma revelação sagrada, passei a interessar-me por trilhas menos atraentes.



Fui marcado na juventude pelo poeta norte americano Robert Frost. Mas, antes de sua poesia, preciso contar um pedacinho de sua história. Frost ganhou notoriedade quando ainda era jovem. Ele foi um talentoso poeta. Ganhou quatro prêmios Pulitzer. Com a fama, vieram os apelos para o estrelato. De todas as partes surgiam convites para que escrevesse sob encomenda, que se projetasse. Frost encarava tais convites como o canto da sereia, sedutor, mas mortal para a alma. Ele preferiu continuar como professor universitário, sem as badalações do sucesso.



Li o seu mais famoso poema, “The Road not Taken – A Estrada não percorrida” e nunca mais fui o mesmo. Quero repartir com você, meu irmão, uma tradução livre do poema – que certamente não reflete a sua grandeza (procure lê-lo em inglês).




Duas estradas divergiam numa árvore amarela


E me ressenti não poder ambas percorrer


Sendo um só viajante, por muito me detive


E observei uma até quão longe pude


Só para observar que na relva desaparecia






Então segui pela outra, tão boa quanto,


E talvez por ter melhor reclame


Mais ramos possuía e talvez por ansiar uso


embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,


as tivesse marcado por igual.






E, naquela manhã, em ambas igualmente jaziam


Folhas que passo algum pisara.


Ó deixei a primeira para outro dia!


E sabendo que um caminho leva a outro caminho


Duvidei se algum dia eu voltaria.






Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro


Em algum ponto, eras e eras ainda nesta existência,


Duas estradas bifurcavam numa árvore,


Eu trilhei a menos percorrida,


E isto fez toda a diferença.




Quando Robert Frost já havia completado 86 anos, John Kennedy o convidou para que lesse sua poesia na cerimônia de inauguração como presidente dos Estados Unidos, em 20 de janeiro de 1961. Robert Frost escolhera a estrada menos percorrida. E naquele dia viu que havia feito toda a diferença.



Jesus contou uma parábola sobre um semeador. Enquanto ele jogava as sementes, parte delas caiu em terreno duro. Mas nenhuma das que cairam na terra batida, frutificou. Em terra pisada, a vida não germina. No caminho por onde segue a maioria, o chão se enrijece pavimentado pelo ódio. Rivalidades empurram as pessoas a desejarem os primeiros lugares e quando todos optam pelo caminho da notoriedade, a disputa amesquinha. Torna-se tão importante ganhar que os Narcisos se odeiam e os Neros desconfiam da própria sombra.





Quem escolhe o caminho menos repetido, abre mão dos aplausos, dos tapinhas nas costas e dos confetes. Na verdade, as pessoas não invejam as conquistas dos grandes heróis, sequer o preço que pagaram, mas cobiçam os aplausos, as ovações e a bajulação dos triunfantes. E tudo isso não passa de vaidade, de um nada de nada.



Plutarco escreveu a hagiografia – biografia ufanista – de Júlio César. Júlio César foi, com certeza, um dos maiores imperadores de todos os tempos. Seu reinado marcou a história de tal maneira que os sucessores ao trono romano adotaram seu nome. Augusto, Marco Aurélio e todos os demais também queriam ser César. Até imperadores da Rússia passaram a se chamar de Tsar – César em russo – e os germânicos, de Keiser - César em alemão.



Acontece que o próprio Júlio César era insatisfeito consigo mesmo. Ele invejava Alexandre, o Grande. Plutarco narra que certa vez flagrou Júlio César banhado de lágrimas enquanto lia a vida do imperador da Macedônia. Plutarco perguntou o motivo das lágrimas: “Choro não por Alexandre, que morreu tão cedo, mas por mim. Com a minha idade Alexandre já havia conquistado o mundo e eu nada fiz”.



Eis o nó: todos queriam ser iguais a Júlio César, mas ele queria ser Alexandre. Todavia, o cenário foi pior: O grande Alexandre não era satisfeito consigo mesmo. Ele queria ser Hércules. Mas Hércules não existia, pois era um personagem mitológico.



Amigo, entendamos: o caminho mais usado não leva a lugar nenhum porque termina no inferno da perfeição. Perfeição que cobra dos humanos um padrão que só os deuses mitológicos alcançam. Fuja dessa armadilha que não só fatiga como destrói com o ácido chamado ansiedade.



Portanto, não se sinta diminuído pelo anonimato. Nunca pense que jogou a vida fora por não ter alcançado as luzes da ribalta. Jamais inveje os que gravaram o nome na calçada da fama. Tudo vira pó. A glória humana se dispersa em nada. Dedique-se a construir relacionamentos significativos. Priorize os encontros despretensiosos. Doe-se sem esperar recompensa humana.





Escolha abrir sua própria picada. Evite bitolas, cabrestos, vendas, algemas. Escreva a sua história sem se preocupar se alguém vai considerá-la digna de ser publicada. Só você conhece o valor de seus momentos. Um dia, com um suspiro, você também verá que duas estradas bifurcaram e valeu ter viajado pela menos preferida.



Abraços,



Ricardo



Soli Deo Gloria



Vi no http://www.ricardogondim.com.br/
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Não me empurrem, por favor




Não tolero multidões. Não gosto de empurra-empurra. Sou de fácil convivência, mas não aceito me ver constrangido a fazer o que não quero. Sou dobrável, mas eu viro cavalo xucro quando noto que estão tentando encabrestar-me.




Suplico, não me empurrem para heroísmos vazios de significado. Recuso calçar coturnos que me deixariam com o garbo dos vencedores. Por mais que implore, alguns insistem, e não se conformam que eu não queira encarar certos desafios. Na fábula, a raposa desprezou as uvas que não conseguiu alcançar. Eu, todavia, desprezo as uvas que já comi. Testemunhei as vaidades de quem se sentia “usado por Deus” e vi que os “ungidos” viviam inebriados por seus discursos; mal conseguiam pisar o chão sujo, comum aos mortais. Mas, olhando para trás, os “usados por Deus” não passavam de celebridades bem acostumadas com palcos.



Suplico, não me empurrem para rinhas teológicas. Não aceito provocações. De nada adianta chamar-me de herético, apóstata, desviado. Quando era menino, briguei todas as vezes que mexeram com a mamãe. Mas passei dessa fase. Noto que alguns têm uma vontade doida de ganhar fama às minhas custas. Ainda dolorido com a sorte de centenas de milhares que morreram no Tsunami asiático, cai na esparrela de replicar a alguém que criticou o que escrevi. Acabei dando notoriedade aos argumentos de um fundamentalista, que subitamente ganhou notoriedade. Nunca mais deixarei que me façam de escada para que discursos assépticos fiquem conhecidos.



Suplico, não me empurrem para ambientes que desprezo. Não tentem me convencer que alguns eventos são precisos para o avanço do Reino de Deus. Não pretendo validar conceitos que estão embutidos em congressos que tentam consolidar dogmatismos toscos. Não vou a simpósios ideologicamente submissos a patrocinadores ricos. Quero pensar e me sentir livre para dizer o que penso. Filho de um preso político, sinto asco dos Torquemadas de qualquer estirpe.



Suplico, não me empurrem para longe de quem luta pela vida. Perdi todo o medo de quem não faz parte de meu arraial. Gosto de literatura e nunca pergunto a filiação religiosa dos grandes romancistas. Li “O Velho e o Mar” de Hemingway, “A Pérola” de Steinbeck, “Fogo Morto” de José Lins do Rego, “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, “Crime e Castigo” de Dostoievski e nunca perguntei se eram crentes, ateus, ou agnósticos. A cravo de Mozart, o pincel de Van Gogh, o cinzel de Michelangelo, os passos de Gandhi, as preces de Madre Teresa e a militância de Martin Luther King estão acima dos minguados catecismos do movimento evangélico.



Careço de leveza para caminhar, minha sina é pesada. Sentado à mesa para escrever, quero espaço para os cotovelos. Já não tão jovem, não posso jogar tempo pela janela com sufocos e encontrões. Naturalmente introspectivo, sofro com os constragimentos de quem gosta de guiar manadas. Por isso, insisto em minha súplica: não me empurrem, por favor.



Soli Deo Gloria



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Meu maior problema com Calvino/Calvinismo



Meu Maior Problema com Calvino/Calvinismo




Roger E. Olson

Professor de Teologia

George W. Truett Theological Seminary

Baylor University



Antes de tudo, quero deixar claro que eu admiro e respeito meus amigos e colegas calvinistas. Discordamos vigorosamente sobre alguns pontos de teologia, mas eu os tenho em alta estima por seu compromisso com a autoridade da Palavra de Deus e seu óbvio amor por Jesus Cristo e sua igreja assim como pelo evangelismo.



Entretanto, eu não admiro ou respeito João Calvino. Alguns vieram me dizer que ele não deveria ser considerado responsável pela morte do herético Servetus na fogueira porque, apesar de tudo, ele alertou o doutor e teólogo espanhol a não vir para Genebra e solicitou ao conselho da cidade para decapitá-lo ao invés de queimá-lo. E, afinal, Calvino foi um filho de sua época e todo mundo estava fazendo o mesmo. Todavia, eu ainda não consigo colocar um homem cúmplice de um assassinato em um pedestal.



Ademais, eu considero a doutrina de Deus de Calvino repulsiva. Ela eleva a soberania de Deus sobre o seu amor, colocando a reputação de Deus em dúvida. O que eu quero dizer é que a divindade que tudo determina e predestina é, na melhor das hipóteses, moralmente ambíguo e, na pior, moralmente repugnante.



Para vexame de alguns calvinistas contemporâneos, Calvino claramente ensinava que Deus preordenou a queda e a tornou certa (Institutas da Religião Cristã, III:XXIII.8). Ele também afirmava a dupla predestinação (III:XXI.5) e demonstrava uma insensibilidade com os reprovados que ele admitia que Deus compelia à obediência (desobediência) (I:XVIII.2). Calvino fazia distinção entre dois modos da vontade de Deus – o que os calvinistas posteriores têm chamado de vontades decretiva e preceptiva de Deus (III:XXIV.17). Deus decreta que o pecador peque ao mesmo tempo em que ele o comanda a não pecar e o condena por fazer o que Deus determinou que ele fizesse. Para Calvino, todas essas coisas pertencem aos propósitos secretos de Deus os quais nós não devemos pescrutar tão profundamente, mas isto deixa um gosto amargo na boca de qualquer um que considera Deus como amor acima de tudo.



John Wesley comentou sobre a afirmação dos calvinistas de que Deus ama até mesmo os reprovados de alguma maneira. Como um calvinista contemporâneo coloca, “Deus ama todas as pessoas de algumas maneiras mas apenas algumas pessoas de todas as maneiras.” Wesley dizia que este é um amor de causar arrepios.



O sucessor de Calvino em Genebra, Theodore Beza, disse uma vez que aqueles que se encontram sofrendo nas chamas do inferno por toda a eternidade podem pelo menos se sentir confortados com o fato de que eles estão lá para maior glória de Deus. Parafraseando Wesley, essa é uma glória de dar calafrios. Deus preordena algumas de suas próprias criaturas, criadas à sua própria imagem, ao inferno eterno para sua própria glória? Calvino pode não ter colocado de forma tão direta assim, mas muitos calvinistas colocam e é uma inferência necessária da lógica interna do Calvinismo consistente (III.XXII.11).



Tenho sido severamente criticado por alguns de meus amigos calvinistas por dizer que meu maior problema com o Calvinismo (pelo qual eu quero dizer o determinismo divino consistente) é que ele torna difícil para mim saber a diferença entre Deus e o diabo (Eu não estou dizendo que os calvinistas adoram o diabo!).



Para mim nada sobre a cosmovisão cristã é mais importante do que considerar Deus e o diabo como rivais absolutos neste universo e sua dramática história. Deus é bom e deseja o bem de toda criatura. Como o Pai da Igreja Ireneu disse, “A glória de Deus é o homem vivo.” O diabo é mau e deseja o mal para toda criatura. Enxergar o diabo como instrumento de Deus torna toda a narrativa bíblica uma zombaria.



Tradução: Paulo Cesar Antunes



Vi no  http://www.arminianismo.com/

terça-feira, 8 de junho de 2010

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Deus, um delírio?



Nesses últimos dia tenho ouvido muito a banda Augustana. Conheço eles relativamente a pouco tempo e por isso fui atras das letras pra sacar qual o contexto lírico.


Confesso que me surpreendi um pouco. Pela linha de som que eles fazem, achei que seriam letras sobre paixão, romance, relacionamentos quebrados e etc. Não que as músicas deles não tenham esse apelo, mas prestando atenção a letra da música Dust, você se depara com as seguintes frases… “Cause I believed in the Lord But he don’t show up anymore” (Porque eu acreditei em Deus mas Ele não aparece mais)… “If you can’t love sin, who can you love?” (Se você não pode amar o pecado, quem você vai amar?”



Eu, como músico, entendo que não se escreve uma letra com esse conteúdo sem um porque. Então lá vai eu novamente pesquisar sobre a banda.



Não foi tanta surpresa descobrir que Dan Layus, vocalista do Augustana engrossa a lista de pessoas que “nasceram dentro da igreja” e que hoje são totalmente céticos quanto a Deus. Ele me faz lembrar Katheryn Hudson, que aos 15 anos cantava na igreja e chegou até a gravar um CD com músicas cristãs e hoje é conhecida como Katy Perry e a compositora de um dos grandes hits da atualidade. “I kssed a girl and i liked it” (eu beijei uma garota e gostei) é a frase que ecoa em sua música.





Em uma entrevista, Dan diz o seguinte sobre sua “vida cristã” na época da escola.



“Eu era muito jovem para entender qualquer coisa e eu praticamente me sentia espiritualmente usado. Ao longo do ensino médio (em uma escola cristã) fiz coisas da qual sinto vergonha hoje. Eu tinha a mente tão fechada naquela época. Mas você não pode culpar a si mesmo quando se tem 15 ou 16 anos e seus pais e todos a sua volta dizem que tem que ser assim”.



Ele continua… “Finalmente eu comecei a ver as coisas um pouco mais claras. Parte disso se deu por que eu estava ligado a amigos que estavam se sentindo como eu. Então as coisas começaram a mudar e eu abandonei essa forma pensar”.



Garimpando um pouco mais sobre essas afirmações de Dan, vi um post de um amigo da época falando sobre a relação deles com Deus.



“Nós subiamos uma montanha aqui perto para gastar tempo com Deus. A gente se reunia na escola toda terca feira para orar. A gente ministrava louvor junto na igreja. Isso tudo, sem nunca haver um pastor nos pedindo e/ou mando fazer essas coisas. Ele (Dan) sempre o fez porque quis, e nao porque alguem pediu (nem mesmo eu)”



Um outro caso de abandono da fé cristã foi Gary Lenarie, ex-guitarrista e co-fundador da Banda Tourniquet, uma das mais expressivas bandas cristãs de metal no mundo. Gary abandonou a fé pela ciência, Deus pela Lógica. Inclusive chegou a lançar um livro chamado AN INFIDEL MANIFESTO – Why Sincere Believers Lose Faith (Um manifesto infiel. Porque crentes sinceros perdem a fé). Michael Shermer, escritor e fundador da Skeptic Magazine e colunista da Revista Scientific American faz o seguinte comentário sobre Lenarie.





“Nenhum cristão pode acusar Lenaire de não ser um crente verdadeiro, ou de ser desonesto, ou de ser tentado pelo Diabo, ou qualquer uma das desculpas dadas quando alguém abandona a fé. Gary Lenaire é um homem honesto com integridade e caráter, e deixou a igreja porque ela não fazia mais sentido racionalmente para ele”





OK!



Onde eu quero chegar com tudo isso?



Deus é ilógico e totalmente fora de qualquer padrão. Essa é uma verdade que não se explica. Ou você crê ou você não crê. Não tem meio termo.



C.S. Lewis comenta algo parecido sobre Jesus em seu livro Mero Cristianismo.



“Estou tentando aqui evitar que alguém diga a tolice que muitos costumam dizer sobre Ele: ‘Estou pronto a aceitar Jesus como um grande Mestre moral, mas não aceito Sua afirmação de ser Deus’. Essa é uma coisa que não devemos dizer. Um homem que tenha sido apenas homem e tenha dito o tipo de coisas que Jesus dizia não seria um grande mestre moral. Ou seria um lunático – do tipo de pessoa que diz que é um ovo cozido – ou então seria o diabo do inferno. Você precisa fazer a escolha. Ou esse Homem era, e é, Filho de Deus, ou seria um louco ou ainda pior. Você pode considerá-Lo tolo, pode cuspir nEle e matá-Lo como um demônio; ou pode cair aos Seus pés e chamá-Lo Senhor e Deus. Mas não venha com essa tolice de que Ele foi um grande mestre humano. Ele não deixou aberta essa possibilidade para nós.”



Apartir do momento que você se declara Cristão (ou não), Ele É o Eu Sou (Independente de você).



Usando a minha própria vida como base para essa afirmação, nosso problema em entender Deus são todas as SUPOSIÇÕES que fazemos dEle, tendo em vista o contexto e o momento de cada um.



Deus pode ser muito bom quando vou retirar meu carro novo na conscessionária, mas Deus pode ser muito mau quando eu não consigo pagar a prestação do mês.



Temos vários conceitos de bondade e lógica para com Deus. Mas qualquer conceito cai por terra apartir do momento que entendemos realmente que NÃO SOMOS DIGNOS de nada, mas foi a misericórdia e o favor de Deus nos alcançou.





Mark Driscoll cita o seguinte.



“A questão não é se Deus é bom ou não. É se nós confiamos nEle ou não. Essa é a questão”.



A biblia deixa claro que não saberemos tudo sobre tudo e todos.



Ser cristão não é lógico.



Ser cristão não é viver uma vida de riqueza, saúde e alegria em toda sua plenitude.



Paulo chorou, João chorou, Martin Luther King Jr chorou, Madre Teresa chorou… JESUS CHOROU.



Como ja falei acima, nosso problema com Deus, e consequentemente com o cristianismo, são as nossas suposições.




Consciente ou inconscientemente, muitas vezes a gente se acha mas esperto que Deus. Dando “dicas” pra Deus de como Ele deveria ou não agir. E quando Ele foge do nosso padrão ficamos todo chateadinho e emburrado com Ele. Até questionando Sua existência.



“…Deus é só um pensamento dentro da sua cabeça

Ou ele faz parte de você?

Cristo é só um nome que você leu em um livro

Quando você estava na escola?…



Talvez você pensará, antes de dizer que

Deus está morto e enterrado

Abra seus olhos, apenas perceba que ele é o único

O único que pode te salvar agora

De todo esse pecado e ódio”



(After Forever – Black Sabbath)



“Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens.” (I Coríntios 1:25)



“Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes;” (I Coríntios 1:27)



Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.



Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. (João 3:16-17)



Rod Silva


Vi no http://solomon1.com/a/2008/22/deus-um-delirio/

quarta-feira, 19 de maio de 2010

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Onipotência





Ouso pensar o mistério. Atrevo-me a nadar em águas sem fronteiras, aventurar-me no oceano infindável em que as afirmações suscitam novas dúvidas. De antemão, valho-me da máxima socrática: “Só sei que nada sei!”. Aproprio-me também do princípio de Tomás de Aquino em sua Suma Teológica: "A respeito de Deus, quando não podemos saber o que ele é, sabemos o que não é".



Reconheço que "teologia é uma linguagem sobre Deus", como bem afirmou Gustavo Gutierrez. Portanto, se teologia é linguagem, será imprecisa, precária e sempre relativa. Ninguém é possuidor da “verdade absoluta” e mesmo que fosse, seria incapaz de traduzi-la, explicá-la ou demonstrá-la com “absoluta exatidão”. Assim, toda a teologia é passível de ser criticada, revisada e aperfeiçoada.



Minha ousadia tem a ver com o conceito teológico da onipotência, tão defendido e tão comumente assumido na fé popular. Desde a República de Platão já era possível encontrar o pressuposto de que Deus é imutável e, óbvio, onipotente. Por onipotência, entende-se perfeição em poder. Portanto, um Deus onipotente é compreendido como um ente que mantém os acontecimentos previstos, realizados e supervisionados de acordo com sua vontade.



Esse conceito de perfeição, que vem da tradição grega, ressalta que um Deus onipotente nunca pode mudar. Qualquer mudança implicaria em uma aceitação de que o estado anterior era melhor ou pior, o que é impossível para a Divindade. Em outras palavras, se Deus alegrar-se é porque antes estava sério. E se alegria é melhor que sisudez, Deus teria melhorado. Impossível! Perdoar, ter misericórdia, alterar destinos, nada disso seria concebível para Deus pois são decisões que alteram a perfeição divina.



Influenciada por esse conceito, a teologia clássica pontifica que Deus é "o poder mais poderoso que se possa imaginar". E esse pressuposto é tão caro aos crentes, que muitos ficam zangados diante de qualquer questionamento. Mas cabe a pergunta: De que jeito é o poder mais poderoso que se possa imaginar? Os mais rápidos no gatilho teológico sacam as armas e respondem: “O poder de tudo controlar, de tudo organizar, de tudo gerenciar”. Para eles, o maior poder concebível seria Deus regulando ou arbitrando sobre os nano detalhes do universo.



Essa ideia sobre Deus parece a mais lógica porque, dentro de elaborações gregas, realmente é inconcebível que Deus continue Deus sem que dirija os eventos tanto do universo visível como invisível. Alguns, contudo, resistem ferozmente que uma onipotência os comande; não admitem um universo encabrestado. Esses preferem se tornar ateus. Pe François Varillon afirma:



Não sejamos superficiais ao analisar a posição desses homens; no fundo, eles julgam mais digno do homem e consequentemente mais verdadeiro preferir um céu vazio ao fantasma de um imperador do mundo, potentado, déspota, dramaturgo supremo, a manobrar as marionetes da tragicomédia humana, fixando petrificando ou curto-circuitando liberdades que, aliás, supõe-se que haja criado.



A presença do mal se transforma em um nó dificílimo de desatar na filosofia e na teologia. Se Deus tem o poder de tudo determinar e tudo gerenciar, como aconteceu o pecado? Existiu o livre arbítrio em algum tempo? Se existiu, duas vontades colidiram. Se pecado é escolher o mal ou o vício, como alguém (até mesmo o primeiro casal) poderia fazer essa escolha sem infringir a vontade onipotente de Deus? No caso de um pecado original, ou Deus se fez de rogado ou intencionou, por detrás dos panos, que acontecesse a primeira transgressão. No exato instante da primeira rebelião, Deus estava no controle?



Caso tenha decidido não interferir nas decisões erradas quando podia fazê-lo, será que Deus tem objetivos posteriores? A sua onipotência fica preservada, mas ele deixa um rastro suspeito. Deus trabalha com armações maquiavélicas, em que os fins justificam os meios? Será que a universalização do sofrimento com tragédias dantescas estão rigorosamente sob seu querer para que o capítulo final da história permaneça glorioso?



Aqui começam os problemas. Se Deus traçou todos os mínimos detalhes da história e tem tudo sob seu mais rígido mando, não só os esboços gerais dos acontecimentos, mas os detalhes estão “pré-ordenados”. Quando um maníaco estupra e mata seis adolescentes, o homicídio não foi só previsto, mas arquitetado pelo Divino. E como poder absoluto não pode admitir detalhes fora do seu governo, as sórdidas minúcias do crime, bem como a macabra execução, teriam que ser não só antecipados, como minimamente determinados por Deus. Criminosos, genocidas, torturadores não passariam de executores finais de uma vontade escondida. Se "soberania" não permite ações dentro de parâmetros largos, então "soberania" especifica cada atitude e micro-gerencia os pormenores das escolhas de Madre Teresa, Pinochet, Gandhi e Idi Amin. A história se resume ao mero desenrolar de uma "vontade ativa" ou "permissiva" de Deus.



Teólogos fundamentalistas escrevem coisas estranhas (não se espante nem ria): “A vontade de Deus era que o criminoso agisse, mas que o fizesse com liberdade”. Vem embutida nesta afirmação um conceito muito caro para o calvinismo: “É possível ser livre e controlado ao mesmo tempo”. Sabe-se lá o que isso significa. Já fui contestado com argumentos do tipo: “A vontade de Deus é que o maligno se sinta livre para praticar a sua malignidade, mas que escolha debaixo da rigorosa vontade de Deus”. A incoerência interna do argumento é tão absurda que não merece ser levada a sério. Entretanto, ela é repetida e comentada como “ortodoxa” em colóquios teológicos. Insisto na pergunta: Como uma pessoa pode agir com liberdade se foi programada e determinada, sem opção de transgredir?



Será que o poder de Deus é sua capacidade de fazer com que os humanos se comportem exatamente como ele quer, enquanto acreditam que são livres? Se esse for o caso, a humanidade vive sob o império do logro. A humanidade é pior do que os golfinhos que se imaginam livres quando fazem estripulias dentro dos aquários e mal percebem que só cumprem os acenos do adestrador. Sim, seríamos piores que os golfinhos. Eles não são dotados de uma racionalidade consciente como os humanos.



Varillon afirmou que “seria radicalmente impossível para mim fiar-me em Deus, abandonar-me a Ele em confiança se nada soubesse sobre a natureza de seu poder. Sim, Deus é todo-poderoso, mas poderoso com que poder?” O poder de Deus é o poder do seu amor.



No caso de haver um controlador, seja lá qual for esse poder, alguns (eu me incluo entre eles) preferem a liberdade à escravidão. Repito as palavras de Varillon: “Não posso afirmar que creio num Deus todo-poderoso, a não ser que tenha a certeza de que se trata de um poder que não ameaça a minha liberdade".



Portanto, “a onipotência de Deus é onipotência de amor”. Novamente concedo a palavra a Varillon:



Entre onipotência e amor todo-poderoso, há uma grande diferença; há literalmente um abismo. O cristão não diz acreditar que Deus é todo-poderoso, diz acreditar em um Deus Pai todo-poderoso. No Credo, a afirmação de Deus e de sua onipotência é pronunciada e compreendida num movimento de confiança e amor, expresso precisamente por essa preposição. Dizer:creio em ti é dizer: sei que teu poder não é um perigo para minha liberdade, mas que ele está, bem ao contrário, a serviço da minha liberdade.



Deus é amor. Seu amor é onipotente. Repito e repetirei um milhão de vezes: Deus tem poder para amar infinita e fielmente, nunca para controlar.



Soli Deo Gloria



Vi no http://www.ricardogondim.com.br/

quarta-feira, 21 de abril de 2010

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A igreja e a crise de identidade



Passamos por muitas crises, porém quando temos uma crise de identidade, experimentamos um dos mais delicados momentos da nossa vida. Qualquer pessoa saudável emocional e existencialmente, passa por uma crise de identidade. Um momento no qual a maneira como nos percebemos e somos percebidos sofre profundas alterações. As forças comuns propiciadoras do equilíbrio são abaladas, o chão nos foge dos pés, uma certa angústia vinda de um sentimento de vazio se instala, as respostas, as certezas, são engolidas pelas dúvidas, um flerte com a frustração, a tristeza e a depressão se mistura a um namoro com a esperança, o odor de novos ares, a silhueta de novos horizontes.




Os chineses têm razão quando no seu complicado alfabeto escrevem a palavra crise com dois ideogramas, um representando perigo e outro oportunidade. São exatamente estas as duas sementes contidas numa crise de identidade, o perigo de nos perdermos e cristalizarmos quem somos repetindo automaticamente erros, ou a oportunidade de nos reinventar, superar limitações, corrigir rumos, sair da periferia e vir para o centro capaz de equilibrar tudo em nós e nos religar a nossa vocação mais original.



Não só as pessoas, mas também os grupos humanos sofrem crises de identidade. Quando olhamos para trás vemos na história da igreja momentos quando ela entrou em crise de identidade. Homens e mulheres se levantaram para questionar o status quo, rebelaram-se contra a maioria acomodada, desafiaram autoridades, apontaram erros e etc. Somente para citar alguns exemplos, foi assim com o nascimento do monasticismo no séc IV, com a reforma protestante no Séc XVI com a eclosão do pentecostalismo no séc XX. Todos esses e outros movimentos provocadores destes momentos grávidos de perigo e oportunidade, tinham algo em comum: clamaram por um retorno a identidade essencial da igreja! Buscavam responder as perguntas que se recusam a calar todo tempo: qual a razão de ser da igreja? O que essencialmente é sua identidade? Para que existe?



Em busca dessas respostas, confesso, um dia já cheguei a me perguntar se Jesus realmente quis a igreja! Qualquer leitura rasa dos evangelhos vai nos mostrar que o centro da pregação, da vida, da morte e da ressurreição de Jesus foi o Reino de Deus. Ele nos ensinou a orar dizendo venha o teu Reino e não a tua igreja. Me perguntei: será que Jesus sonhou o Reino e o que veio foi a igreja?



Então, percebi que Jesus também quis a igreja. É neste sonho original dele que está ancorada a identidade primordial de sua igreja. Me permitam a licença de imaginar: quando Jesus um dia na colinas da Galiléia fechou os olhos e sonhou sua igreja, me custa crer que a primeira coisa que veio a mente dele foi prédios maravilhosos, lideres com enorme habilidade gerenciais, pastores acomodados uma vidinha de meros capelães das necessidades emocionais e físicas de sua congregação, pregadores brilhantes atraindo pessoas mais interessadas na beleza de um discurso do que em verdades produtoras de quebrantamento e transformação, doutrinadores de plantão prontos para corrigir qualquer "erro", estruturas complexas consumidoras de tempo e energia na manutenção de programas que acontecem sem a necessidade da Presença dele, líderes movidos pela raiz de todos os males, o amor ao dinheiro, transformando, como previu Paulo, a piedade em fonte de lucro... acho que a imagem mental da sua igreja era uma comunidade de discípulos que se reunia para adorá-lo e renovar as forças para viverem sua missão transformadora deste mundo. Esta é a conspiração divina iniciada por Jesus: discípulos cheios do Espírito Santo imersos nas dores deste mundo sendo instrumentos da concretização do Reino de Deus. Esta é a identidade original da igreja, é para isso que ela existe.



Mas o que aconteceu com este sonho? Uma autêntica busca de resposta a esta pergunta vai nos levar como igreja a uma saudável crise de identidade. Muitas vezes a resposta do que somos está no passado, daí a necessidade de fazer os retornos necessários. Porém, existimos no presente caminhando para o futuro, daí a necessidade de fazer as atualizações necessárias. Tendo isto em mente compartilho com você algumas intuições do caminho de retorno ao ideal perdido e dos vislumbres para continuarmos indo em frente:



* Uma redefinição da igreja: uma comunidade relacional geradora de autênticos discípulos. Um centro de formação espiritual que irradia a vida do Reino para o mundo;



* Uma redefinição de discipulado: um processo de formação espiritual que nos convida a ser uma encarnação histórica do Reino de Deus. Falar de formação espiritual é falar de impactar e mudar o mundo e não de fazer mais um programa eclesiástico para o crescimento da igreja.



* Uma redefinição do papel pastoral: pessoas comprometidas com Deus em se tornar pais, mães, mentores, espirituais, agentes de formação espiritual. Buscar superar esta dinâmica pedagógica passiva na qual vai-se para a igreja para ouvir e não para ser desafiado a viver. Recusar ser meros animadores de auditório, líderes gerenciais de grandes projetos Amar mais indivíduos do que multidões, ainda que elas sejam uma conseqüência abençoada do investimento pessoal nas pessoas.



Que uma santa crise de identidade vem sobre todos nós e sejamos protagonistas de um retorno ao sonho original (Reino de Deus) que avança para a concretização de um ideal (igreja como um centro de formação espiritual)!





Renovare (Via Emeurgência)


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segunda-feira, 12 de abril de 2010

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Onde os fracos não têm vez



Wilson Tonioli, no Verticontes. Divulgação: Púlpito Cristão


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A borboleta azul e o apóstolo curandeiro




Por Oseias Marques Padilha




Toda manhã de domingo as ovelhinhas da fazenda do Seu Ataíde saíam para passear e comer algumas "verdinhas". Uma delas, fascinada por uma linda borboletinha azul, afastou-se do rebanho a fim de brincar com ela. Algumas horas se passaram e a borboletinha fora embora deixando a ovelha só naquele lugar desconhecido.



A ovelha ficou atônita... Mas não por estar sozinha, muito pelo contrário, estava agora rodeada por lobos ferozes. A ovelhinha indefesa corria perigo, afinal o rebanho a qual pertencia já estava longe dali, no entanto, ela sabia que se movesse uma pata para tentar alcançá-lo, aquele bando de lobos não hesitariam em tê-la como cardápio do dia. O que fazer? Oh, pobre ovelhinha...



Vamos parar com essa choradeira de novela mexicana; se bem que esta história está parecendo mais com filme de terror; quem mandou a ovelha sair do rebanho e ficar brincando com a borboletinha azul no campo? Ninguém não é verdade? A borboletinha azul sem intenção, e sem que a ovelha percebesse, a levou para o meio de uma alcatéia de lobos em pleno horário de almoço, e como é possível que algumas crianças estejam lendo este texto eu não vou dizer o que aconteceu com a ovelha, mas deixo algo bem claro, ela não é nenhuma coitadinha. Era preciso que ela obedecesse às regras do passeio para que nenhum mal lhe sobreviesse, mas apenas alguns momentos de distração e a ovelha... Deixa para lá...



E tem pastores evangélicos; se é que posso me referir a eles assim, afinal, estão reivindicando para si até o apostolado; que estão virando refeição de lobos famintos por perder o tempo com a borboletinha azul dos aplausos, do crescimento em massa, e da fama etc. Um exemplo recente disso é o caso dos líderes da Igreja Mundial do Poder de Deus, que tem tempo para cura, oração, programa na televisão, mas não tiveram tempo, ou não se deram ao luxo de regularizar as documentações da Igreja. Não tenham dúvida a borboletinha azul andou voando por lá. Porém, a desculpa foi muito bem arquitetada, “estamos sendo perseguidos” disseram eles. Ah... tá bom... Quando eu fazia coisa errada eu também era “perseguido” pela minha mãe, com a cinta!



As vezes nos tornamos “tão espirituais” que acabamos negligenciando nossas responsabilidades sociais, aí então passamos por aquele famoso “carão”, ou como diz os adolescentes pagamos um baita “micão” por confundir espiritualidade com alienação. Jesus deixou claro que devemos dar a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus.




Vi ainda alguns pastores assembleianos defendendo o Apostolo Valdomiro usando o pretexto de que existem igrejas de outros credos na mesma situação, mas que não são punidas. Reivindicar justiça nunca foi algo errado, porém reconhecer o erro ao agir de forma displicente muito menos. A Lei deve ser igual para todos, no entanto, também deve ser cumprida por todos. Por isso,se quisermos exigir da lei temos que estar em dia com ela. Qualquer grupo religioso independente do credo deve agir de conformidade com a Lei.É óbvio, que nós sendo cristãos, devemos cumprir a lei desde que esta não agrida os princípios bíblicos. Portanto, lacrar uma igreja por não ter uma álvara de funcionamento e apresentar risco a segurança dos membros da mesma, até onde eu sei, não subverte a palavra de Deus.



Estamos neste mundo na qualidade de soldados do exército de Deus, e não como turistas, ou seja, estamos marchando e não passeando. Administrar uma igreja de forma incautelosa e depois dizer que os lobos são maus, e que a borboletinha azul se exibiu demais é muito fácil. Isto é um complexo de projeção como diria Freud, uma Alienação como diria Marx, uma atitude hipócrita segundo o Senhor Jesus Cristo, e falta de vergonha na cara como reza o ditado popular.



É lamentável que muitos pastores assembleianos também estejam se distraindo com a borboletinha azul... Uma coisa é ter visão de Reino, e outra bem diferente é ter visão de reino . Percebeu a diferença? Quando se tem visão de Reino não se negocia a integridade, a santidade e a sã doutrina das escrituras sagradas, porém, quando a intenção é poder, espaço na mídia e ibope,(daí o porque de reino ) vale tudo, até fazer vistas grossas nos “pecadinhos”. Tomem cuidado com a borboletinha azul, mas também com a bege, a verde, a vermelha,e assim por diante, para depois não virem falar de "perseguição".





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Fonte: Ultimato, via: Bereianos, excelente blog do amigo Ruy B. Marinho #recomendo. Título original: A borboletinha azul e o apóstolo
 
 
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Clubinho Gospel do Malafaia: Inscrição 1000 reais



Por Vera Siqueira




Estou passada. Estou enojada. Estou com a tal da "ira santa". Isso porque acabei de assistir ao programa mais do que anunciado do Pr. Silas Malafaia, com entrevista exclusiva com o Pr. Mike Murdock. Durante semanas, o Malafaia anunciou o pastor americano como "a maior autoridade espiritual no assunto que ele discorre", ou coisa parecida. Estava ansiosa, afinal o cara deveria ser melhor que o papa.



Resumindo resumidamente, como o poço da "unção financeira do Pr. Morris Cerullo (aquela onde o povo tinha que enviar R$ 900,00 e ganhava "grátis" uma Bíblia da Vitória Financeira) secou, afinal a tal "unção" tinha data para ser distribuída (31 de dezembro de 2009, se você ofertou e não ficou rico eu aconselho o Procon dos crentes), o jeito foi inventar uma nova forma de tirar dinheiro dos trouxas, digo, de incentivar o povo de Deus a ofertar para o crescimento do Seu Reino (cof, cof, cof!). Para tal função, foi chamado o Pr. Mike Murdock.



A desculpa inicial: o novo livro do tal pastor, "As 1001 chaves de sabedoria". Como o Pr. Murdock é "bonzinho", na entrevista ele generosamente deu algumas chaves de sabedoria como "amostra grátis", o resto só comprando o livro ou... ENTRANDO NO CLUBE DE 1 MILHÃO DE ALMAS!



Pois é. No ano passado centenas ou milhares de pessoas ofertaram R$ 900,00 na esperança de que a promessa de riqueza de Morris Cerullo fosse cumprida até 31/12. Ocorre que, estatisticamente, não houve um aumento de crentes ricos, o que prova que era profetada e das boas. Isso trouxe uma enxurrada de críticas ao Malafaia, que ele rebateu com muita "sabedoria" (talvez ele leu o livro do Murdock antecipadamente): "não estou nem aí para você, crítico, hehehe". Quem quiser mais detalhes, procure nesse mesmo blog e na internet sobre a tal "unção financeira".



Mas enfim, o poço do Cerullo secou, então é preciso novas formas de arrecadar dinheiro dos trouxas, afinal o "deus" que o Malafaia serve só provê para os outros, para ele é preciso ficar esmolando as ofertas em todo o programa (será o tal de Gezuiz, que está tão em voga?). Aí ele chama seu outro "mestre", o tal do Mike Murdock, e ao invés de promessa de unção (muito difícil de se realizar), a "sabedoria" do Murdock e a "ishperteza" do Malafaia unidas inventaram um tal clube de almas, onde para se associar é preciso investir R$ 1.000,00 (será que é porque estamos em 2010, aproveitando a numerologia cerulliana?) para que 1 milhão de almas sejam salvas (aleluias!). Para contar as almas que vão para o céu, no site malafaiano colocaram um contador de almas, onde qualquer associado pode acrescentar as almas que salvou (oh, glóooooria). Claro, sem nenhuma comprovação estatística, afinal crente não mente, que o diga o Pr. Morris Cerullo e sua profetada gospel.



Porém o Malafaia e o Murdock conhecem o "povo evangélico mediano". Esse não se comove só com a salvação de 1 milhão de almas, quer também as bênçãos financeiras pessoais. Então, além da salvação das almas, quem entrar para o clubinho gospel poderá experimentar das bênçãos que o próprio Murdock disse que recebeu quando obedeceu cegamente à ordem de outro pastor tão mercenário quanto ele: comprou aviões (no plural), prosperou no mercado imobiliário, ganhou muito dinheiro, etc. Esse tocante testemunho está registrado no programa, e é o prêmio para os que investirem os tais mil reais . "Quem disse que dinheiro não te faz feliz, é porque nunca teve" - palavras do "mestre" Murdock.



Mas ainda é pouco. O "mestre-pastor" Murdock ainda "liberou" 3 milagres para quem ofertar os tais mil (e eu que pensava que Deus é quem fazia milagres): salvação para toda a família do trouxa, digo, ofertante; restituição de 7 vezes mais de algo que tenha perdido e o envio de um "Boaz", de alguém que abençõe financeira e poderosamente o ofertante. Pensando bem, muito melhor que a profetada do Cerullão.



E mais! Dando os mil reais e entrando no clubinho gospel, o trouxa ganhará inteiramente grátis um exemplar do livro "As 1001 chaves da sabedoria", e aprenderá a fazer sozinho seus próprios métodos de extorsão gospel! E para quem fizer a oferta dos trouxas nos próximos 90 dias, ainda ganhará de presente um lindo Certificado de Associado do Clubinho Gospel, para colocar na parede da sala!



Onde vamos parar? Até quando os vendilhões da fé estarão atuando livremente em nosso meio? Até quando nossas ovelhas serão devoradas pelos lobos e tosquiadas escandalosamente pelos falsos mestres e falsos pastores? Até quando teremos que engolir a ironia desses estelionatários da fé?



Na Bíblia Deus já nos alerta sobre esse tipo de situação: "porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmo se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge dessas coisas antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão" - 1 Tm 6:10-11.



Que Jesus volte logo, e que não apenas 1 milhão de almas sejam salvas, mas que pelo poder do Espírito Santo (não de homens) muitos sejam acrescentados, como acontecia no relato do livro de Atos.


Vi no http://www.pulpitocristao.com/
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Quem psicografará Chico Xavier e Silas Malafaia?


Se estivesse vivo hoje, Chico Xavier, o parnasiano das almas do “além”, exultaria pelos seus 100 anos de idade. Mas para alguém que viveu até os 92 anos, percorreu uma extensa e pedregosa estrada, vida longa! Os espíritas fizeram festa, o “médium” foi celebrado e a mídia nacional noticiou o grande advento da “religião”.




Os que amam as Sagradas Escrituras, e as interpretam com sabedoria divina, sabem que por detrás das mensagens psicografadas de Chico Xavier, e de tantos outros no anonimato ou não, existe um mundo maligno em ação enganando muitas pessoas carentes e desesperadas por ouvir uma mensagem confortante de alguém que não está mais presente em suas vidas. A história do fracassado rei Saul evidencia este fato, quando o mesmo consultou uma feiticeira numa atitude insana em querer ouvir a voz do já falecido Samuel. A tentativa foi frustrada, e o juízo de Deus inevitável. Segundo a Bíblia, a comunicação com os mortos é inexistente. Infelizmente, aqui e alhures, essa prática é muito comum, e os demônios se aproveitam da fraqueza e da falta de discernimento de muitos para agirem e destruírem essas pessoas.





Mas o que Chico Xavier e Silas Malafaia têm em comum? Bem, Xavier está morto, Malafaia está vivo. Xavier era espírita, Malafaia é pastor evangélico. Xavier falava manso, Malafaia fala grosso. Agora apresento as semelhanças: Xavier estava na mídia, na boca do povo, Malafaia também está na mídia e na boca do povo. As mensagens de Xavier eram ambíguas, sem sentido ou propósito, tais como as mensagens do Malafaia. A prova da ambiguidade de ambos se viu quando o pastor Silas Malafaia trouxe ao seu programa de televisão os “profetas da prosperidade”, Morris Cerullo e Mike Murdock. Cerullo pintou por lá primeiro, e apresentou ao Brasil a campanha dos R$ 900,00. Quem doasse essa quantia se veria livre da crise financeira global. Murdock apareceu no programa do Malafaia recentemente, e apresentou a campanha dos R$ 1.000,00 para serem ofertados em 12 meses, ou seja, 12 sementes que o farão “crescer” sobremaneira no campo das riquezas terrenas.



São mensagens esquisitas, antibíblicas, e eu pergunto a você: de onde elas vieram? Do coração de Deus? Ou foram psicografadas? Alguém do além teria enviado essas mensagens? Impossível. A mente humana é demasiadamente criativa para inventar, criar e iludir. Não, as mensagens do pastor Silas Malafaia não foram psicografadas pela impossibilidade de que isto aconteça e nem vieram do coração de Deus. Um pouco de discernimento já me dá a capacidade mental e espiritual para dizer que elas não têm fundamento, propósito e que não edificam a igreja do Senhor Jesus Cristo, e muito menos glorificam o seu Bendito nome.



Aos que me acusarem de comparação pífia, informo que o faço me baseando no episódio acima citado. A minha comparação se restringe apenas as mensagens estranhas que o pastor Silas apresentou em seu programa de televisão. Portanto, não considero o pastor Silas Malafaia espírita, nem mesmo “médium”. Em relação ao Chico Xavier, nunca acreditei em suas cartas psicografadas, a minha única regra de fé e prática é a Bíblia. Talvez os espíritas também reclamem por eu ter comparado Chico Xavier a Silas Malafaia. É uma via de mão dupla.



Acredito que o pastor Silas ainda seja um homem de Deus, porém, perto do precipício. Alguém precisa tirá-lo de lá urgente. Não sei de qual fonte ele tem tirado essas mensagens, mas tenho certeza de que não é da fonte Divina. Gostaria que Silas vivesse tanto quanto viveu Chico Xavier, na mesma intensidade, mas gostaria também que ele fosse lembrado como alguém que defendeu a fé genuína, como um baluarte. Como alguém que não abriu mão dos princípios imutáveis da palavra de Deus, como alguém que cumpriu o que Marcos disse em seu evangelho no capítulo 8.35: “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará”. Amém!





***

Púlpito Cristão / Enviado por André Couto, via e-mail.





Comentário de Leonardo Gonçalves:





O texto enviado por e-mail é muito bom. Particularmente, não considero nenhuma ofensa comparar Silas Malafaia com Chico Xavier. Ao menos, não para o Silas! =)



Apesar das semelhanças, a dissímile é evidente: Chico, motivado por sua crença espírita, ajudava os pobres. Já o Silas, supostamente amparado pelo evangelho (será o Vã-Gelho?), tira o dinheiro dos pobres. Infelizmente, tal como nos dias de Jesus, alguns samaritanos refletem o espírito do evangelho com maior intensidade que os arautos da religião...



A parte que diz que "Acredito que o pastor Silas ainda seja um homem de Deus, porém, perto do precipício" também é por conta do autor. Respeito a opinião do pastor André Couto, mas penso que o Silas já caiu nesse buraco faz tempo! Como os demais paladinos da prosperidade, o polêmico telepastor já vendeu a alma pra mamom e agora só espera a cobrança da dívida.



Porém, mesmo em face de tamanha falta de respeito pelo evangelho, continuo incentivando aos leitores deste blog e a todas as pessoas comprometidas com o evangelho a que orem por ele. Peço a Deus das duas uma: Que o salve ou que o leve para o diabo que o carregue, pois na atual situação Silas tem prestado um enorme deserviço ao evangelho.



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quarta-feira, 7 de abril de 2010

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Cristão cartesiano?


Thiago Mendanha

Gosto bastante de filosofia! É uma praia que muito me chama a atenção. São tantas vertentes diferentes. Tantos caminhos, tantos modos de pensar, tantas resoluções distintas. Mas, todas envolvem algo em comum: o pensamento. Sem este não haveria sequer Filosofia. Em última instância todos somos filósofos. Ou pelo menos fomos na adolescência. Naquele período de intensos questionamentos. E filosofar é isto: questionar, indagar, pensar.




Gosto do termo reflexivo. E gostei mais ainda do termo “cristão reflexivo”. Não quero fazer alusão à denominação, rótulo ou placa. Não tenho esse espírito sectarista, aliás, tenho aversão ao sectarismo (e vez ou outra isso acaba por me tornar um sectário – rs). Estou querendo dizer que últimamente são poucos os cristãos que pensam. Que questionam, que indagam, que buscam conhecimento. A maioria se deleita em experiências místicas e sobrenaturais (não gosto de usar “espiritual” para descrever fenômenos que fogem ao comum. Para mim espiritual é uma condição permanente do ser, ora mais desenvolvida, ora menos desenvolvida). Se satisfazem (e as vezes não) com um “sharabakantas kanthiunévias ripalahiah dekanthas cih”, ou com a “unção” da última moda (ou, como dizem, do mais novo Mover de Deus!). E buscam uma “intimidade” com Deus que é traduzida em demonstrações públicas de “espiritualidade”, como chorumelas extravagantes, movimentos macacológicos durante a adoração e estripulias impudorosas (não estou a julgar nenhuma dessas manifestações).



A questão é que, tudo isso se resume a apenas isso. Esses irmãos tornam-se ovelhas demasiadamente ingênuas, ignorantes e infrutíferas em seu cercos religiosos. Vítimas de lobos indecorosos e gananciosos em sua estirpe. E se ao menos esses cristãos pensassem um pouco? Não teríamos tanta ridicularização no meio evangélico. São tantas babaquices espalhadas por diversas denominações que isso me assusta. São apenas zumbis que esses líderes do inferno brincam de “vivo”, “morto”. São massas inteiras. Um povo ignorante e pouco preocupado com a Verdade. Seguem ventos de doutrinas, sofismas e falácias com tanta facilidade que acabam por perder a identidade respaldada pelo Evangelho de Jesus Cristo. Muita coisa que vemos por ai não tem nada haver com as Boas Novas de Cristo. Mas nada mesmo…



Estou lendo sobre o Cartesianismo. Uma linha de pensamento da filosofia que tem por principal representante, Descartes. O Cartesianismo explora o questionamento da Religião, da Política, da Moral, da “verdade”. Esse pensamento influenciou os franceses na Revolução, e inspirou tantos outros revolucionários a se posicionarem contra as mazelas em que encontravam-se escravos. O pensamento Cartesiano gera uma insafisfação com o mundo mastigado posto diante de você.



Não tenho gabarito o suficiente para discorrer a respeito do Cartesianismo. E me limito a parar por aqui. A questão que deixo é: Porque quando as pessoas te olham como “crente” ou “evangélico” já pressupõem que você não é muito inteligente? Te veem como um fanático não dotado de cultura? Sequer travam uma discussão política com você por acharem que você não é nem um pouquinho politizado?



Já tive líderes que me achavam insubordinado e rebelde. Não desobediente. Mas, contudente…



Nunca gostei de ser manipulado. O próprio Espírito Santo não me manipula, antes me conduz, me direciona, me compele, me inspira, me atrai, me consola…



Acho que se nós cristãos fossemos mais reflexivos, não caíriamos em tantas tolices como últimamente temos testemunhado.




Vi no blog: http://thiagomendanha.com.br/
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Segundo fôlego



No jargão dos maratonistas, segundo fôlego acontece depois de um certo tempo de corrida. Nas primeiras passadas, o organismo queima açucar, fonte de energia menos calórica e a gente se sente cansado. Depois, passa a queimar gordura, combustível de melhor qualidade. Nesse câmbio da glicose para a gordura, o corredor se sente bem disposto, com mais ânimo, renovado. Nos meus primeiros anos de vida eu consumi glicose, a energia fácil, que me dava furor empreendedor, mas que fatigou.




Agora estou queimando os estoques de tecido adiposo; um jeito mais lento de gastar-me. Começo a experimentar outra qualidade de vida. Sinto-me revigorado; acho que entrei no estágio do segundo fôlego.



Segundo fôlego, porque ando entusiasmado com a minha crescente identificação com a Missão Integral. Missão Integral para mim é compromisso de alcançar homens e mulheres em todas as suas necessidades, considerando as realidades onde estiverem. Encorajado por teólogos católicos e protestantes que souberam responder ao clamor dos pobres na América Latina, procuro traduzir a mensagem do Evangelho em praxis transformadora, em ação libertadora, em promotora de justiça. Estou envolvido com Missão Integral que não prioriza a salvação de almas, mas busca a salvação de vidas.



Segundo fôlego, porque respiro uma nova liberdade. Puiram as rédeas que me impediam de desgustar cultura. Falsas percepções de pecado perderam força de me deixarem assustado com arte, literatura, música, teatro. Não me percebo indigno por gostar de amenidades que moralismos vitorianos proibem; já não preciso me esconder quando quero ir ao cinema. Quem nunca sofreu o torniquete do tradicionalismo legalista da religião, não imagina como é bom sentar em um teatro e assistir aos textos de Brecht, Shakespeare ou Andrew Lloyd Webber.



Segundo fôlego, porque sou abençoado. Deus me agraciou com gente especial; gente que se importa. Estou rodeado de mulheres e homens que aprenderam a Lingua Brasileira de Sinais (LIBRAS) para fazerem parceria com surdos; de casais que se colocaram em listas de candidatos para adoção; de voluntários que lutam pela recuperação de alcoólicos e drogaditos; de idosos que se doam a idosos em sanatórios; de profissionais que se dedicam em diversas iniciativas sociais.



Segundo fôlego, porque mudei minha biblioteca. Entusiasmado, devoro pensadores judeus, católicos, ortodoxos, ateus, agnósticos. A grade de minhas leituras transborda o Index sutilmente imposto por austeros defensores da Reta Doutrina. Transitar entre tantos autores não só ajuda a cumprir a recomendação paulina de analisar tudo e reter o que for bom, como alarga a minha capacidade de ser criterioso com o que eu outrora aceitava ingenuamente.



Segundo fôlego, porque a minha vida de oração ganhou cores diferentes. Deixei de sofrer ajoelhado para mendigar respostas às minhas petições. Minha espiritualidade era trabalhosa. Eu mastigava as palavras para demonstrar para Deus a minha penitência e assim alcançar o seu favor. Quantas vezes desesperei por não entender o porquê de não ser atendido nas súplicas mais urgentes. Nas horas críticas, era terrível ainda ter que lidar com culpa. O ídolo que por muitos anos chamei de Deus foi destronado. Já não preciso provar a minha fé com resultados. A Graça devolveu-me uma relação de paz com Deus. Finalmente entendi que “no silêncio e na quietude” encontrarei salvação. Aprendi o sentido do Salmo 46:10: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”.



Segundo fôlego, porque me tornei um Caleb – o herói bíblico que se sentia um menino com 85 anos. Ele ansiava por conquistar um pedaço da Terra Prometida. Rejuvenecido, vou escrever, pregar, ensinar, discipular, com as forças que moveram aquele rapaz parecido comigo a dizer sim ao chamado de Deus.



Soli Deo Gloria


Vi no http://www.ricardogondim.com.br/

sexta-feira, 2 de abril de 2010

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Aviões, pastores e outras coisas



Dizem que um homem pode ser medido pela grandiosidade dos seus sonhos. Se é mesmo assim, um seleto grupo de ministros do Evangelho anda sonhando alto – literalmente. Desde o ano passado, diversos pastores brasileiros andam cruzando os céus em aviões próprios, um luxo antes somente reservado a altos executivos, atletas milionários e sheiks do petróleo. A justificativa para as aquisições, algumas na faixa das dezenas de milhões de dólares, é quase sempre a mesma: a necessidade de maior autonomia e disponibilidade para realizar a obra de Deus, o que, no caso dos grandes líderes, demanda constantes deslocamentos pelo país e exterior a fim de dar conta de pregações e participações em palestras e eventos de todo tipo. Eles realmente estão voando alto.




O empresário e bispo Edir Macedo, dirigente da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) tem feito a ponte aérea Brasil – Estados Unidos a bordo de um confortável Global Express, avaliado no mercado aeronáutico por US$ 50 milhões (cerca de R$ 85 milhões). Para comparar, o preço é semelhante ao do Rafale, o caça-bombardeiro francês que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sonha comprar para as Forças Armadas brasileiras. Equipado com sala de estar, dois banheiros, minibar e lavabo, além de um confortável sofá, o jato permite deslocamentos dos mais confortáveis até os EUA, onde Macedo mantém residência, e tem autonomia suficiente para levá-lo à Europa ou à África. O Global, adquirido em setembro numa troca por um modelo mais antigo, veio juntar-se à frota da Alliance Jet, empresa integrada ao grupo Universal e que já possuía um Falcon 2000 e um Citation X, juntos avaliados em 40 milhões de dólares.



Edir Macedo justifica o uso de aviões particulares dizendo que precisa levar a Palavra de Deus pelas nações onde a igreja atua, que já são mais de 120, e também para evitar transtornos aos passageiros dos aviões comerciais, pois sua pessoa costuma atrair muita atenção da mídia. Pode haver também outros motivos. Foi em voos particulares que a Polícia Federal descobriu, em 2005, que deputados e empresários ligados à Iurd transportavam dinheiro em espécie, no episódio que ficou conhecido como o caso das malas. Os valores, explicou a igreja na época, teriam sido arrecadados nos cultos e eram transportados dessa maneira por questão de segurança e praticidade até São Paulo e Rio de Janeiro, onde a denominação tem sua administração.



Já o missionário R.R.Soares, mais discreto que o cunhado Macedo, não fez alarde da aquisição do turboélice King Air 350, em novembro, fato noticiado pela revista Veja.. Avaliado em cerca de R$ 9 milhões, a aeronave transporta oito passageiros. Como tem uma agenda das mais apertadas, Soares viaja praticamente toda semana pelos mais de mil templos que sua Igreja Internacional da Graça de Deus tem no país, além de realizar cruzadas e gravar programas diários para a TV. Ele realmente tem pensado alto: a igreja também mantém parceria com a empresa de aviação Ocean Air, através da qual um percentual sobre cada passagem comprada por um membro da Graça reverte para a denominação.



“Conquista” – O que chama a atenção no aeroclube dos pastores são as justificativas espirituais para a compra das aeronaves. Renê Terra Nova, apóstolo do Ministério Internacional da Restauração em Manaus (AM) e um dos grandes divulgadores do movimento G12 no Brasil, conta que o seu Falcon é fruto de profecias de grandes homens de Deus como o pastor e conferencista americano Mike Murdock. Em abril de 2009, durante um evento em que ambos estavam, Murdock incentivou uma campanha de doações a fim de que Terra Nova pudesse realizar seu “sonho”. Após chamar Terra Nova à frente, ele mesmo anunciou que ofertaria R$ 10 mil reais, atitude logo seguida por dezenas de pessoas. O avião foi comprado em julho. Dizendo-se “constrangido” com a atitude, Terra Nova admitiu que aquele era seu desejo e que se submetia ao que considerava a vontade de Deus. “O Senhor é testemunha que este avião não é para vaidade, mas para estimular que outros ministérios a que também tenham aviões e, juntos, possamos voar para as nações da terra, pregando o evangelho de Jesus. Assim está estabelecido”, diz o líder em seu site.



“Conquista” e “resultado da fé” também foram as expressões usadas pelo pastor Samuel Câmara, da Assembleia de Deus de São José dos Campos (SP), para comemorar a compra de seu King Air C90, de quatro lugares. O religioso, que durante anos liderou a Assembleia de Deus em Belém (PA) – onde montou a Rede Boas Novas, conglomerado de rádio e TV que cobre vinte estados brasileiros –, se diz muito grato a Deus pela bênção, avaliada em R$ 8,5 milhões. Ele espera juntar-se a outros líderes para montar “uma esquadrilha de aviões para tocar o mundo todo”. Ano passado, Câmara também esteve no noticiário pelas denúncias que fez contra supostas irregularidades nas eleições para a presidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB).



Mas a aquisição aérea que mais chamou a atenção, dentro e fora do meio evangélico, foi concretizada pelo famoso pastor e apresentador de TV Silas Malafaia, da Assembleia de Deus da Penha, no Rio. Possuir uma aeronave própria era um objetivo anunciado pelo líder já há algum tempo, inclusive em seu programa Vitória em Cristo, um dos campeões de audiência na telinha evangélica. Além dos insistentes pedidos por ofertas para manter-se no ar, Malafaia constantemente tocava no assunto avião em suas falas. O empurrão que faltava foi dado pelo pastor americano Morris Cerullo, outro profeta da prosperidade proprietário de um luxuoso Gulstream G4. Num dos programas, levado ao ar em agosto, Cerullo admoestou os telespectadores a desafiar a crise global e participar de uma campanha de doações ao colega brasileiro – um chamado “desafio profético”, no valor de 900 reais, estipulado graças a uma curiosa aritmética que associava a cifra ao ano de 2009.



Aparentemente surpreso, Silas Malafaia assentiu com o pedido. Não se sabe quanto foi arrecadado a partir dali, mas o fato é que em dezembro o pastor anunciou que o negócio foi fechado por cerca de US$ 12 milhões, cerca de 19 milhões de reais. Trata-se de um jato executivo modelo Cessna com pouco uso. Um “negócio espetacular”, na descrição do próprio. Bastante combatido pela maneira ostensiva com que pede ofertas para seu ministério, o pastor Malafaia, que dirige também a Editora Central Gospel, recorre à consagrada oratória para se defender: “Quem critica não faz nada. Você conhece alguma coisa que algum crítico construiu? Crítico é um recalcado com o sucesso da obra alheia.”


Fonte: http://www.cristianismohoje.com/


Vi no blog http://ferazaoegraca.blogspot.com/