terça-feira, 31 de março de 2009

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Calvinismo

Laurence M. Vance - O Outro Lado do Calvinismo
Calvinismo
O que exatamente é o Calvinismo? Como os calvinistas definem o Calvinismo? Para começar, o Calvinismo é brilhantemente descrito em termos vagos:

O Calvinismo é Religião no máximo de sua concepção. O Calvinismo é evangelicalismo na sua mais pura e unicamente estável expressão.[1]

O pensamento central do Calvinismo é, por isso, o maior pensamento de Deus.[2]

A Teologia calvinista é o maior tema que já exercitou a mente do homem.[3]

O Calvinismo, dessa forma, surge às nossas vistas como nada mais nada menos do que a esperança do mundo.[4]

Estas caracterizações vislumbrantes do Calvinismo são esperadas, visto que elas vêm da boca dos próprios calvinistas. Entretanto, outros não poderiam discordar mais, e descrever o Calvinismo em outros termos:

O Calvinismo ou a crença na eleição, não é simplesmente blasfêmia, mas é a superfetação da blasfêmia.[5]

A doutrina que um Deus infinito fez milhões de pessoas, sabendo que elas seriam condenadas.[6]

O Calvinismo é, em muitos aspectos, um sistema filosófico humano. É um elemento que constantemente causa discórdia na igreja.[7]

O Calvinismo não é acidentalmente mas essencialmente imoral, visto que faz a distinção entre o certo e o errado uma questão de decreto positivo, e através disso faz ser possível afirmar que o que é imoral do homem é moral para Deus, pois Ele está acima da moralidade.[8]

Naturalmente, em resposta a isto, o calvinista responderia que “nenhum sistema teológico foi tão grosseiramente distorcido, do modo mais vil ou injustamente difamado do que o que é comumente chamado Calvinismo.”[9]

Audaz, o calvinista a seguir equipara o Calvinismo ao Cristianismo bíblico:

O Calvinismo é um sistema de pura crença bíblica que se apóia firmemente na Palavra de Deus.[10]

Tem sido corretamente dito que o Calvinismo é puro Cristianismo bíblico em sua mais clara e pura expressão.[11]

O Calvinismo é uma tentativa de expressar toda a Bíblia e somente a Bíblia.[12]

O popular pregador e autor Presbiteriano D. James Kennedy nos conta porque ele é um calvinista: “Eu sou um calvinista precisamente porque eu amo a Bíblia e o Deus da Bíblia. As doutrinas do sistema teológico calvinista são as doutrinas da Bíblia. Quando você chegar a conhecer o que na verdade acreditamos, você pode achar que você é também um calvinista, especialmente se você amar o Senhor Jesus Cristo e desejar com todo o seu coração servi-lo.”[13]

Mas se o Cristianismo bíblico é o Calvinismo, então qualquer outro sistema é necessariamente falso. E isto é precisamente o que o calvinista quer que todos acreditam. De acordo com um calvinista, o Calvinismo não é apenas um sistema baseado nas Escrituras Sagradas - é o único sistema baseado nas Escrituras Sagradas:

Cremos que o sistema calvinista seja a única exposição nas Escrituras e vindicado pela razão.[14]

O Calvinismo é o único sistema que é verdadeiro à Palavra de Deus.[15]

É questionável se uma teologia dogmática que não seja calvinista seja verdadeiramente cristã.[16]

O calvinista chega ao ponto de insinuar que qualquer coisa diferente de sua posição leva à heresia ou a algo pior. Kenneth Talbot e W. Gary Crampton nos previne que “qualquer comprometimento do Calvinismo é um passo em direção ao humanismo.”[17] Boettner não pára no humanismo: “Não há nenhuma parada consistente entre o Calvinismo e o ateísmo.”[18] Por isso, ele insiste que “o futuro do Cristianismo está amarrado a este sistema de teologia historicamente chamado Calvinismo.”[19] Mas o fato dos calvinistas equipararem sua doutrina àquela contida nas Escrituras em si mesmo não significa nada, pois todo grupo ou seita que carrega o nome de Cristo faz a mesma profissão.

O que necessitamos é que os calvinistas sejam mais específicos. O que realmente é o Calvinismo? Novamente, vamos escutar dos próprios calvinistas:

O Calvinismo é somente um exposição completa e um desenvolvimento da soma e substância do que é representado nas Escrituras como feito para a salvação dos pecadores pelas três pessoas da Divindade.[20]

O que o Calvinismo particularmente afirma é o supernaturalismo da salvação, como a imediata obra de Deus Espírito Santo na alma, pela virtude da qual somos feitos novas criaturas em Cristo nosso Redentor, e formados filhos de Deus Pai.[21]

O Calvinismo, neste seu aspecto soteriológico, é apenas a percepção e expressão e defesa da absoluta dependência da alma da livre graça de Deus para salvação.[22]

Todos esses homens estão dizendo basicamente a mesma coisa: o Calvinismo deve ser equiparado ao sistema e doutrina de salvação encontrada na Bíblia.

Alguns calvinistas, entretanto, reduzem estas explicações soteriológicas ainda mais e identificam o Calvinismo com o próprio Evangelho:

O Calvinismo é o Evangelho e ensinar o Calvinismo é de fato pregar o Evangelho.[23]

O Calvinismo é o Evangelho. Suas excelentes doutrinas são simplesmente as verdades que compõem o Evangelho.[24]

Até o batista Charles Spurgeon (1834-1892) declarou: “É um apelido chamá-lo Calvinismo; o Calvinismo é o Evangelho, e nada mais.”[25] Se o Calvinismo é o Evangelho, então ele deve se alinhar com o Evangelho como apresentado na Bíblia. Por isso, seria pertinente comparar o Evangelho de Paulo apóstolo com o evangelho de João Calvino:

Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, pelo qual também sois salvos, se é que o conservais tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1Co 15.1-4).

Chamamos predestinação ao eterno decreto de Deus pelo qual Ele determinou consigo mesmo aquilo que Ele quis que ocorresse a cada homem. Porque não fomos criados em condições iguais; certamente, a vida eterna é preordenada para alguns, e a perdição eterna para outros. Portanto, como todos foram criados para um ou outro destes fins, falamos deles como predestinados para a vida ou para a morte.[26]

O Evangelho bíblico é as boas novas sobre o que Jesus Cristo tem feito na cruz com respeito aos nossos pecados. O evangelho do Calvinismo é, de forma semelhante, as boas novas – mas somente se você for um dos “eleitos.” Isto é confirmado por Engelsma: “O Calvinismo é boas novas! É o Evangelho, belas notícias! Como a mensagem da graça, ele nos conforta e todos aqueles que, pela graça do Espírito, acreditam em Cristo.”[27] Para o não-eleito o Calvinismo não é boas novas de jeito nenhum - é uma eterna sentença de morte.

[1] Warfield, Calvin, p. 497.
[2] H. Henry Meeter, The Basic Ideas of Calvinism, 6a. ed. (Grand Rapids: Baker, 1990), p. 17.
[3] Boettner, Predestination, p. 335.
[4] Warfield, Calvin, p. 507.
[5] Samuel Taylor Coleridge, citado em Eugene E. Brussell, ed., Webster’s New World Dictionary of Quotable Definitions, 2a ed. (Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1988), p. 66.
[6] Robert G. Ingersoll, citado em Brussell, p. 66.
[7] Kent Kelly, p. 8.
[8] Andrey Moore, citado em Alan P. F. Sell, The Great Debate (Grand Rapids: Baker Book House, 1982), p. 21.
[9] Samuel Miller, Ensaio Introdutório a Thomas Scott, The Articles of the Synod of Dort (Harrisonburg: Sprinkle Publications, 1993), p. 63.
[10] Seaton, pp. 17-18.
[11] Leonard J. Coppes, Are Five Points Enough? The Ten Points of Calvinism (Denver: pelo autor, 1980), p. xi.
[12] Edwin H. Palmer, The Five Points of Calvinism, ed. amp. (Grand Rapids: Baker Book House, 1980), p. 5.
[13] D. James Kennedy, citado em Talbot e Crampton, p. iv.
[14] Boettner, Predestination, p. 352.
[15] Talbot e Crampton, p. 78.
[16] Arthur C. Custance, The Sovereignty of Grace (Phillipsburg: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1979), p. 302.
[17] Talbot e Crampton, p. 3.
[18] Loraine Boettner, The Reformed Faith (Phillipsburg: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1983), p. 2.
[19] Ibid.
[20] Cunningham, Reformers, p. 338.
[21] Warfield, Calvin, p. 506.
[22] Ibid, p. 499.
[23] Custance, p. 302.
[24] Engelsma, Defense of Calvinism, p. 4.
[25] Charles H. Spurgeon, Spurgeon’s Sovereign Grace Sermons (Edmonton: Still Waters Revival Books, 1990), p. 129.
[26] João Calvino, Institutes of the Christian Religion, ed. John T. McNeil, trad. Ford Lewis Battles (Philadelphia: The Westminster Press, 1960), p. 926 (III.xxi.5).
[27] Engelsma, Defense of Calvinism, p. 18.
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Capítulo 1 - INTRODUÇÃO AO CALVINISMO

Laurence M. Vance - O Outro Lado do Calvinismo
Capítulo 1
INTRODUÇÃO AO CALVINISMO
As doutrinas conhecidas como Calvinismo devem seu nome ao reformador francês João Calvino (1509-1564), embora chamadas por outros nomes antes que ele a expôs. De um modo geral, e como reconhecido pelos próprios calvinistas, há dois modos em que o termo Calvinismo tem sido usado: em um sentido teológico e um sentido não-teológico. O termo em si começou a ser usado em um sentido quase-teológico durante a existência de Calvino – como ele mesmo admitiu.[1] Em seu sentido teológico presente e histórico, o Calvinismo é obviamente associado com a doutrina da predestinação. Como Boettner diz: “Nas mentes da maioria das pessoas a doutrina da Predestinação e o Calvinismo são praticamente termos sinônimos.”[2] Outros usos do termo, que incluem designações históricas, denominacionais, filosóficas, e políticas, serão exploradas mais para frente.[3] A menos que de outra forma declarado, qualquer referência ao Calvinismo será tomada em seu estrito sentido teológico. Mas, apesar do fato de que o termo Calvinismo estar sendo usado por centenas de anos, alguns calvinistas preferem prescindir dele. O teólogo Robert Dabney (1820-1898) afirmou que “os presbiterianos se importam muito pouco com o nome Calvinismo.”[4] Mais recentemente, David Engelsma insiste que “o termo, ‘Calvinismo,’ não é o nome pelo qual nós, calvinistas, preferimos ter nossa fé chamada; nem preferimos ser chamados ‘calvinistas.’”[5] Há várias razões porque alguns calvinistas se envergonham do termo. O primeiro, e mais óbvio, é porque ele “deixa a impressão de que estamos seguindo um homem.”[6] Segundo, como W. J. Seaton sustenta: “Dificilmente existe outra palavra que suscita tanta suspeita, desconfiança, e até animosidade entre cristãos professos do que a palavra Calvinismo.”[7] E finalmente, Boettner nos informa que “talvez nenhum outro sistema de pensamento tem sido tão rude e gravemente e às vezes deliberadamente deturpado do que o Calvinismo.”[8] Todavia, por causa do termo Calvinismo ser tão vastamente aceito, e porque os próprios calvinistas reconhecem que Calvinismo e calvinistas são “termos úteis,”[9] a designação será usada por toda esta obra. Quando um calvinista ambiciona desviar a atenção do nome de Calvino, ele normalmente usa a frase “Doutrinas da Graça” para descrever seu sistema.[10] Mas se o Calvinismo é a doutrina da graça encontrada na Bíblia, então isto implica que, se você discorda do Calvinismo, então você está negando a salvação pela graça. Esta implicação teológica pode ser encontrada nos escritos de todos os que aderem ao sistema calvinista. E isto é apenas o começo do outro lado do Calvinismo.

[1] Alister E. McGrath, The Intellectual Origins of the European Reformation (Grand Rapids: Baker, 1987), p. 6.
[2] Boettner, Predestination, p. 7.
[3] Benjamin B. Warfield, Calvin and Augustine, ed. Samuel G. Craig (Philadelphia: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1956), p. 287; Abraham Kuyper, Lectures on Calvinism (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1931), pp. 13-15.
[4] Robert L. Dabney, The Five Points of Calvinism (Harrisonburg: Sprinkle Publications, 1992), p. 6.
[5] Engelsma, Defense of Calvinism, p. 3.
[6] Ibid., p. 3.
[7] Seaton, p. 5.
[8] Boettner, Predestination, p. 340.
[9] Engelsma, Defense of Calvinism, p. 3.
[10] Seaton, p. 22; Engelsma, Defense of Calvinism, p. 3; D. James Kennedy, citado em Talbot e Crampton, p. iv; Thomas R. Schreiner e Bruce A. Ware, Introdução a Thomas R. Schreiner e Bruce A. Ware, eds., The Grace of God, the Bondage of the Will (Grand Rapids: Baker Books, 1995), p. 14.
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Laurence M. Vance - O Outro Lado do Calvinismo - Prefácio

Laurence M. Vance - O Outro Lado do Calvinismo
PREFÁCIO
As especulações filosóficas do Calvinismo, embora tenham sido debatidas por centenas de anos, vêm se disfarçando de sã doutrina bíblica por muito tempo. As implicações teológicas resultantes, sob o pretexto da ortodoxia, têm sido a influência dominante em todos os aspectos da teologia. Elas têm sido aceitas como oficiais, mas somente em detrimento das Escrituras. O tema Calvinismo tem também sido ferozmente debatido desde a época da Reforma mais do que qualquer outro assunto. Ao contrário do batismo, que foi o principal objeto de discórdia entre os batistas e outros grupos, a amarga controvérsia sobre o Calvinismo tem infectado todas as várias denominações em todas as épocas. Esta influência é parte do outro lado do calvinismo.

Então porque mais uma obra sobre o Calvinismo? Ainda que exista muito material sobre o assunto, a esmagadora maioria é do ponto de vista reformado, que é inerentemente calvinista. A contribuição batista para o debate vem principalmente dos grupos calvinistas. Isto deixa um vazio definido quando se trata de um tratamento balanceado da questão. O resultado é uma apresentação desproporcional e intimidadora de um lado que é então equacionado com a ortodoxia. Então, principalmente por causa do absoluto volume de aparato de apoio apenas, o Calvinismo tem se estabelecido na teologia. Este é um outro aspecto do outro lado do Calvinismo.

O fluxo de livros atualmente disponível em defesa do Calvinismo parece ser sem fim. E, embora foi declarado há um século por um teólogo calvinista que “muito mais tem sido publicado” em oposição do que em defesa do Calvinismo,[1] tal não é certamente o caso agora. Considerando o material publicado em oposição ao sistema calvinista, se em todo ou em parte, três tipos podem ser distinguidos. A maioria da literatura disponível consiste de pequenos folhetos que são inerentemente limitados em sua eficácia.[2] Há também alguns pequenos livros disponíveis de uma variedade de pontos de vista que fornecem algumas informações úteis.[3] Sobre o que poderiam ser denominados os principais livros contra o Calvinismo, há atualmente muito pouco.[4] Existe ainda a necessidade de uma obra definitiva que aborda e suficientemente responde a todas as especulações filosóficas e implicações teológicas do outro lado do Calvinismo.

Uma carência de obras contra o Calvinismo não é uma razão adequada para começar uma obra desta magnitude, a menos que haja uma importante causa subjacente. O evidente ponto determinante é a natureza tremendamente prejudicial do sistema calvinista. As doutrinas do Calvinismo, se realmente acreditada e consistentemente praticada, são danosas ao evangelismo, à salvação das almas, à oração, à pregação, e ao Cristianismo prático em geral. Isto é até involuntariamente admitido por um batista calvinista: “As doutrinas ensinadas na Bíblia relativas à soberania de Deus, referidas nos círculos religiosos como ‘Calvinismo,’ também como ‘as doutrinas da graça,’ são as doutrinas da Bíblia que são a ocasião para muitas pessoas ‘se asfixiarem’ na Palavra. O mal uso e o abuso destas doutrinas irão enfraquecer e matar.”[5] O Calvinismo é por essa razão a maior heresia “cristã” que já contaminou a Igreja. Sendo este o caso, a tese deste livro é que o Calvinismo não é somente a doutrina reformada, e por conseguinte algo que os batistas não deveriam estar envolvidos, mas que é uma doutrina errada. Mas por causa de sua natureza controversa, existe uma tremenda ignorância da real natureza do Calvinismo. Algumas escolas consideram o assunto tão controverso que elas até proíbem a discussão do assunto.[6] A longa e diversa influência do Calvinismo em todas as áreas da teologia exige esta análise do outro lado do Calvinismo.

Por causa de sua tese fundamental, este livro não foi escrito sob uma perspectiva neutra. Assim como todo livro escrito por um calvinista. Um dos autores calvinistas mais populares, Loraine Boettner, em seu livro sobre o Calvinismo, inicia assim: “O propósito deste livro é mostrar que o Calvinismo é, sem sombra de dúvida, o ensinamento da Bíblia e da razão.”[7] Deixe-me inequivocadamente afirmar que o propósito deste livro é mostrar que o Calvinismo, sem sombra de dúvida, não é o ensinamento da Bíblia nem da razão. Um calvinista audazmente proclama: “A perspectiva da qual eu tenho escrito é decididamente calvinista. Isso não é uma apologia. É um alerta. Eu quero que o leitor saiba desde o começo o que eu espero concluir. Eu escrevi de forma metódica.”[8] Mas se os calvinistas podem escrever com o expresso propósito de defender seus pontos de vista, então é razoável que seus críticos possam dispor deste mesmo privilégio também. Um outro calvinista diz: “É nossa esperança que o material contido nesta pesquisa venha ajudar a promover a difusão do Calvinismo e que muitos sejam levados a compreender, acreditar, e propagar este sistema de doutrina bíblico.”[9] Mas, ao contrário, é minha esperança que o material contido nesta pesquisa venha ajudar a prevenir a difusão do Calvinismo e que muitos sejam levados a entender, não acreditar, e cessar de propagar este sistema de doutrina anti-bíblico. Ainda um outro calvinista afirma que seu livro foi “escrito na esperança de que muito do abuso que é lançado contra o sistema de teologia calvinista seja removido.”[10] Mas, novamente, este livro foi escrito na esperança de que muito do abuso que é lançado contra o sistema de teologia calvinista seja mantido. E finalmente, um outro calvinista declara: “O propósito desta monografia não é atacar homens pessoalmente. Antes, é proteger a igreja das doutrinas heréticas dos ensinos anti-calvinistas.”[11] Da mesma forma, o propósito desta monografia não é atacar homens pessoalmente. Antes, é proteger a igreja das doutrinas heréticas dos ensinos calvinistas. Assim, embora um calvinista mantenha que “a negação do Calvinismo é um erro muito grave,”[12] será mantido por todo esta obra que a aceitação do Calvinismo é um erro muito grave. Esta perspectiva é necessária a fim de apresentar o outro lado do Calvinismo.

A primeira e única fonte, assim como a autoridade final para tudo dito nesta obra, é obviamente a Bíblia Sagrada. Não somente a Bíblia será usada para responder as especulações filosóficas e implicações teológicas do Calvinismo, mas será acreditada do jeito que foi escrita. E como elas formam uma parte tão intrínseca do livro, a maioria das citações escriturísticas será dada por completo. Como esta obra é uma defesa bíblica, a ênfase recairá sobre o que a Bíblia na verdade diz, e não sobre o que tem sido comumente interpretado que Ela ensina. “A palavra de Deus não está presa” (2Ti 2.9) pelas opiniões dos Pais da Igreja, comentaristas, acadêmicos, credos, confissões, ou qualquer opinião de quem quer que seja ou algum sistema de interpretação. Como apenas a Escritura é infalível, ela é totalmente capaz de corrigir ambos, escritor e leitor, assim como as especulações filosóficas e as implicações teológicas do outro lado do Calvinismo.

A estrutura do livro é bem direta e está naturalmente dividida em duas partes: um exame histórico e uma análise bíblica. A origem, desenvolvimento, e alegações do Calvinismo, assim como seu homônimo e principal antagonista, serão investigados à luz da história. Uma vez que essa base essencial seja colocada, as reais doutrinas do Calvinismo serão examinadas, ambas doutrinária e teologicamente, e analisadas à luz das Escrituras comparando Escritura com Escritura. Por causa deste formato lógico, uma disparidade no conteúdo existirá entre as duas partes assim como os capítulos individuais. Mas este é um mal necessário a fim de preservar a unidade de cada assunto e trazer à tona o mal ainda maior contido no outro lado do Calvinismo.

O formato do livro é exatamente como os calvinistas têm desejado. Um calvinista diz: “É hora de abrirmos os nossos corações e mentes para uma honesta avaliação de Calvino e do Calvinismo.”[13] Exatamente. E o único jeito de fazer uma honesta avaliação de Calvino e do Calvinismo é, pelas palavras de um outro calvinista, “deixe o Calvinismo falar por si mesmo.”[14] Por isso, a reunião das declarações de não-calvinistas contra o Calvinismo como prova de que o Calvinismo é falso não será encontrada neste livro. A fim de deixar o Calvinismo falar por si mesmo, o procedimento a ser seguido será simples, o mesmo empregado pelos próprios calvinistas. Justamente como um calvinista diz que ele tem citado seus oponentes “de forma completa para que não haja confusão sobre o que eles acreditam,”[15] assim os próprios calvinistas serão extensiva e ecleticamente citados para que não haja nenhuma confusão sobre o que eles acreditam. Isto é tanto para prevenir o clamor de má representação quanto para demonstrar as numerosas contradições que existem entre os próprios calvinistas. Tudo que pode ser possivelmente danoso ao Calvinismo será documentado de fontes calvinistas ou neutras. Todas as citações, incluindo o uso de negrito, itálico e maiúsculas, assim como a ortografia, gramática, e pontuação, aparecerão exatamente como na fonte original. A bibliografia é limitada às obras citadas ou mencionadas e não inclui todas as obras consultadas neste exame do outro lado do Calvinismo.

Leitores da primeira edição deste livro (originalmente publicado em 1991) notarão que o mesmo formato e estrutura básicos foram mantidos. Todavia, esta é onde a similaridade entre os dois livros termina. Embora suas teses básicas sejam as mesmas, esta edição é um trabalho inteiramente novo. Não somente as deficiências da primeira edição foram corrigidas e algum material omitido, mas muito novo material foi adicionado. Além da obra original ter sido completamente reescrita, a seção histórica foi enormemente expandida com uma ênfase maior nas fontes primárias. A recepção da primeira edição pelos calvinistas foi esperada e predita no epílogo daquela obra. E visto que a literatura sustentando o Calvinismo não cessou repentinamente com a publicação da primeira edição desta obra, foi julgado necessário aumentar significativamente esta defesa bíblica contra as especulações filosóficas e implicações teológicas do Calvinismo: o outro lado do Calvinismo.

[1] William Cunningham, The Reformers and the Theology of the Reformation (Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 1967), p. 313.
[2] Robert L. Summer, An Examination of Tulip (Brownburg: Biblical Evangelism, 1972); Peter S. Ruckman, Hyper-Calvinism (Pensacola: Bible Baptist Bookstore, 1984); John R. Rice, Hyper-Calvinism: a False Doctrine (Murfreesboro: Sword of the Lord Publishers, 1970); Curtis Hutson, Why I Disagree With All Five Points of Calvinism (Murfreesboro: Sword of the Lord Publishers, 1980); James Moffat, Predestination (Lancaster: Charles W. Duty & Sons, n.d.); Donald A. Waite, Calvin’s Error of Limited Atonement (Collingswood: The Bible For Today, 1978); Alger Fitch, Pick The Brighter Tulip (Joplin: College Press Publishing Co., 1993); L. S. Ballard, Election Made Plain, 2a ed. (n.p., n.d.).
[3] J. R. Alexander, The Tulip Doctrine (Texarkana: Bogard Press, 1992); John R. Rice, Predestined for Hell? NO! (Murfreesboro: Sword of the Lord Baptist Bookstore, 1997); George L. Bryson, The Five Points Of Calvinism (Costa Mesa: The Word for Today, 1996); O. Gleen McKinley, Where Two Creeds Meet (Kansas City: Beacon Hill Press, 1959); Max Younce, Not Chosen to Salvation (Madison: by the author, n.d.); James Wilkins, Foreknowledge, Election, Predestination in the Light of Soul-Winning (Mansfield: New Testament Ministries, 1985); Andrew Telford, Subjects of Sovereignty (Boca Raton: pelo autor, 1948); Robert P. Lightner, The Death Christ Died (Des Plains: Regular Baptist Press, 1967); Cornelius R. Stam, Divine Election and Human Responsibility (Chicago: Berean Bible Society, 1994).
[4] Archer C. Wilcox, Messianic Credentials of Jesus the Christ (Burlington: Crown Publications, 1986); Samuel Fisk, Divine Sovereignty and Human Freedom (Neptune: Loizeaux Brothers, 1973); Samuel Fisk, Calvinistic Paths Retraced (Murfreesboro: Biblical Evangelism Press, 1985); Clark H. Pinnock, ed., The Grace of God, The Will of Man (Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1989); Clark H. Pinnock, ed., Grace Unlimited (Minneapolis: Bethany House Publishers, 1975); Kent Kelly, Inside the Tulip Controversy (Southern Pines: Calvary Press, 1986); Robert L. Shank, Elect in the Son (Springfield: Westcott Publishers, 1970); Robert L. Shank, Life in the Son, 2nd ed. (Springfield: Westcott Publishers, 1961); Roger T. Forster and V. Paul Marston, God’s Strategy in Human History (Wheaton: Tyndale House Publishers, 1974); William W. Klein, The New Chosen People (Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1990).
[5] Bob L. Ross, The Killing Effects of Calvinism (Pasadena: Pilgrim Publications, n.d.), p.1.
[6] Ohio Baptist College, 1992-1994 Catalog, p. 8; Norris Bible Baptist Institute, Catálogo 1985-1986, p. 33.
[7] Loraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination (Phillipsburg: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1932), p. 1.
[8] C. Samuel Storms, Chosen for Life (Grand Rapids: Baker Book House, 1987), p. 11.
[9] David N. Steele e Curtis C. Thomas, The Five Points of Calvinism (Phillipsburg: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1963), p. 10.
[10] W. J. Seaton, The Five Points of Calvinism (Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 1970), p. 5.
[11] Kenneth G. Talbot e W. Gary Crampton, Calvinism, Hyper-Calvinism and Arminianism (Edmonton: Still Waters Revival Books, 1990), p. 5.
[12] John H. Gerstner, Wrongly Dividing the Word of Truth (Brentwood: Wolgemuth & Hyatt, Publishers, 1991) p. 107.
[13] Bastian Kruithof, The High Points of Calvinism (Grand Rapids: Baker Book House, 1949), p. vii.
[14] David J. Engelsma, A Defense of Calvinism as the Gospel (South Holland: The Evangelism Committee, Protestant Reformed Chuch, n.d.), p. 18.
[15] Storms, Chosen for Life, p. 22.

segunda-feira, 30 de março de 2009

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IMPURO? FICA LIMPO!

Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão,
tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo! 
-- Marcos 1:41

À medida que leio Marcos 1:40-45, imagino a seguinte cena:

Eles viram aquele homem correndo pelo caminho em direção a Jesus. O homem abanava seus braços, para que se afastassem dele. Eles o reconheceram pelo lenço colorido que cobria seu nariz e boca. Suas vestes eram velhas e rasgadas e sua pele descascada. Ele era um leproso -- impuro!

A multidão ao redor de Jesus espalhou-se quando o leproso se aproximou deles. Todos tinham medo de serem tocados por ele porque se tornariam impuros. Os leprosos eram excluídos da vida religiosa da comunidade, isolados da sociedade e forçados a lamentar sua própria morte, rasgando suas roupas.


Mas este leproso jogou-se aos pés de Jesus, e em desespero e fé clamou a Ele para que o restaurasse: "Se quiseres, podes purificar-me" (v.40). Movido pela compaixão, Jesus tocou o homem e disse: "Quero, fica limpo!" (v.41) Jesus curou o homem de sua lepra e disse-lhe que se mostrasse ao sacerdote no templo.


Jesus tem poder para purificar, perdoar e restaurar aqueles que estão sem esperança e ajuda, presos em seus pecados e sem nenhuma saída. Confie que Jesus lhe dirá: "Quero, fica limpo!" -- MLW

JESUS É ESPECIALISTA EM RESTAURAÇÃO.

Fonte: Devocional Nosso Andar Diário - http://www.nossopaodiario.net
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Deus dói


Mas quando eu acho que vou voar, vem logo uma idéia pesada, como uma âncora, me lembrando que eu sou só um mortal. Um mortal louco pra voar, preso ao medo de cair no chão. Irônico isso, né?

Eu fico pensando em João Batista. Aquele doido varrido, de roupas estranhas e hábitos ainda mais estranhos. Fico pensando em Jonas dentro da baleia, cheio de teimosias, crises, medos. Fico pensando em Noé no fim de um dia cheio de trabalho, com milhões de xingamentos e zombarias nas costas. Paulo com suas feridas, açoites, dores e perseguições. Pedro e seus três nãos, Pedro e seu “sim”. Eu penso em Davi que uma hora era ninguém, outra hora era rei. Davi com o rosto no chão, Davi chorando e sem comer por vários dias. Davi, o menor, o zuado. Eu também fico pensando em Ester, cheia de receios e dúvidas. Tendo que entender que a condição dada por Deus para estar onde estava era lembrar-se todos os dias da pessoa que ela nunca deixaria de ser. Ela era rainha mas aquilo nada tinha a ver com a coroa. Deviam ser dias estranhos dentro daquele palácio.

Todos esses pensamentos na minha cabeça me levam para a mesma conclusão: talvez esteja na hora de sofrer um pouco mais com Deus. Sofrer um pouco mais pelo o que eu desejo ser para Ele, para o que eu posso experimentar dEle, para então, ser de fato, alguma coisa mais real para mim, para Ele, e para quem está do meu lado.

Claro, não estou desabafando aqui nenhuma mensagem religiosa, recomendando que você ajoelhe no milho. Nada disso. Mas se você também parar para pensar, todas essas pessoas aí em cima conheceram Deus de perto porque com tudo o que viveram e passaram, não se deixaram iludir. Não perderam o foco. E o motivo pelo qual isso não rolou é muito simples: Eles sofreram.

A dor definitivamente é um segredo para conhecermos Deus mais a fundo. O problema, é que muitas vezes não entendemos o sinal da dor. Não acreditamos que o sofrimento possa fazer parte da vida de alguém que um dia vai morar numa terra onde não há choro nem lágrima e nem lamento. Mas aí fica a pergunta: Se eu sou salvo, por que eu tenho medo de morrer para algumas coisas? Se Deus é a minha alegria, por que eu evito alguns sofrimentos? Por que então não nos expomos de uma vez por todas para Deus? Por que evitamos tanto a lama na cara, se somos tão cegos quanto aquele cara da bíblia, que nem chegou a ver que Jesus havia misturado saliva com a terra para curá-lo?

Expor seus limites e fraquezas para Deus é muito mais do que um estilo de vida cristão. Não é uma frase de efeito. Não é só um refrão. É uma atitude que na maioria das vezes ninguém verá você ter. É uma experiência individual, intransferível e incomum. Entender o sinal da dor é para quem quer romper padrões de como ser feliz.

Na verdade, esses momentos são os momentos que Deus tanto espera, e que nós as vezes levamos em banho maria.

É por isso que para entrar na presença dEle (onde há de fato a cura), está escrito que é necessário ter ousadia. É preciso ter coragem para se abrir e entrar nesse lugar secreto onde só há você e Deus. Lá não há palpites alheios nem conselhos que você pode jogar fora mais tarde, caso não ache legal ou necessário. Deus sempre vai ter uma opinião relevante para tudo o que você faz. Não aproveitar a opinião de Deus é simplesmente abrir mão de algo que faça sentido nos dias de hoje. E essa é a parte louca do evangelho: se você está rasgado, você pode entrar na presença de Deus exatamente assim, e ainda pode se rasgar ainda mais. Essa é a ousadia. Deus não tem interesse em vitoriosos, mas deve ficar extremamente feliz com os corajosos. Aqueles que entendem que as vezes Deus dói, e que sua grandeza é muito maior do que uma definição só que possa ser dada à Ele.

Em outras palavras, Ele não aplica band-aid nos seus filhos. Ele lava com sabão, desinfeta e limpa por completo. Ele espreme feridas não porque é um Deus mau, mas porque não faz sentido algum viver de anestasias, quando você conhece a injeção da cura. Essa é a dor que faz você se sentir vivo.

Eu fico pensando nisso: A dor é a oportunidade que Deus tanto sonhou para que você pudesse conhecê-lo melhor. E conhecê-lo melhor não é uma exclusividade para as tardes de domingo na igreja. Não precisa ser num culto, não precisa ser quando tudo estiver resolvido para você. Mas é quando você está sozinho. Quando não há quem ore por você, quando não há conexão com a internet, quando você não tem com quem falar, quando seus motivos não convencem ninguém, quando você tem raiva do seu pastor, quando as letras da sua bíblia não fazem muito sentido. Essa é a hora de você ser sincero e trair as etiquetas do relacionamento tradicional com Deus. Quem sofre quase nunca se importa com modos, aparências e formatos. Quem sofre desaba, se derrama, se joga, se entrega.

A hora em que a sua decisão no mundo espiritual é feita você pode entender o que é não ter nada e ter tudo ao mesmo tempo. Mas andar nessa direção é uma escolha. Se você não andar, você nunca saberá como é esse lugar.

Noé construiu um barco quando nem havia chuva no planeta. João Batista era tido como um louco, Ester tinha conflitos, Jonas tinha medo. Davi tinha irmãos mais preparados e mais bonitos. Além disso, ele tinha perseguidores querendo matá-lo a cada momento, e para completar, um coração profundamente sensivel que acumulava angústias e questionamentos do tipo “Deus, por que você me abandonou?”

Paulo tinha a espera. Para ele morrer era lucro, mas ainda assim, tinha a espera, as coisas desta vida, os espinhos na carne. Pedro tinha que retomar suas escolhas.

Nós temos milhões de problemas, questões que não entendemos, erros que conhecemos muito bem e que fingimos não ver, pendências, descasos, roubos que assistimos todos os dias na nossa alma, no nosso corpo, no nosso espírito. Deus não menospreza nada disso. Ele não deixou um versículo sequer dizendo que seria fácil. Essa é a dica para você entender que sim, você vai sofrer, e não, você não poderá cuidar disso sozinho. Se Deus não fizesse você questionar tantas coisas, então Ele não teria o menor valor e a história de cura que ele tanto divulgou por aí não faria o menor sentido. Eu fico pensando em Marcos 15:37.

domingo, 29 de março de 2009

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DECIDA

Tomai o propósito 
de não pordes tropeço
ou escândalo ao vosso irmão. -- Romanos 14:13



Uma vez enfeitei um de meus cadernos de anotações com definições das palavras ideia, pensamento, opinião, preferência, crença e convicção para relembrar-me que nenhuma delas tem o mesmo significado. O desejo de elevar uma opinião ao nível da convicção pode ser forte, mas se o fizermos estaremos errados como aprendemos no livro de Romanos 14.


No primeiro século, as tradições religiosas baseadas na lei eram tão importantes para os líderes religiosos que eles falharam em reconhecer aquele que personificou a lei, isto é, Jesus. Prestavam tanta atenção em questões minoritárias que negligenciaram as questões importantes (Mateus 23:23).


As Escrituras dizem que precisamos submeter até mesmo nossas crenças e convicções à lei do amor (Romanos 13: 8,10; Gálatas 5:14; Tiago 2:8), pois o amor é o cumprimento da lei e conduz à paz e edificação mútua.


Quando opiniões e preferências se tornam mais importantes para nós do que aquilo que Deus diz ser de valor para Ele, criamos líderes oriundos de nossas próprias crenças. A idolatria é uma ofensa séria porque viola o primeiro e o mais importante mandamento: "Não terás outros deuses diante de mim" (Êxodo 20:3).


Que a nossa decisão seja não colocarmos nossas opiniões acima das de Deus, para que não se tornem pedras de tropeço e impeçam que outros tenham a oportunidade de conhecer o amor de Jesus. -- JAL

A MAIOR FORÇA NA TERRA NÃO É A
IMPOSIÇÃO DA LEI, MAS A COMPAIXÃO DO AMOR.


Fonte: Devocional Nosso Andar Diário - http://www.nossopaodiario.net

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

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Deus habita na impureza


por Jefferson Ramalho
Confio na Graça, não consigo não confiar na Graça, não é possível viver sem confiar na Graça! Minhas impurezas, meus pecados, meus maus desejos e sentimentos, minhas perversidades, minha arrogância, minha maldita ansiedade, meu materialismo, meus interesses e toda sorte de malignidade que me habita, me condenam e me fazem depender o tempo todo da Graça de Deus, em Jesus. Só em Jesus! Tudo por Jesus! Nada sem Jesus, e, suficientemente em Jesus.
Estou ouvindo algumas canções do grande amigo Stênio Marcius. Faz meses que não nos vemos. Mas sempre que o ouço, parece que nos vimos há poucos minutos. Costumo dizer para mim mesmo que se Deus toca algum instrumento de cordas, o nome desse instrumento é Stênio Marcius. E o que mais me constrange é que ao ouvir suas canções, minha alma parece ser lançada a um mar de Graça. Nas palavras de cada letra que o Stênio compõe, percebo que sem Cristo eu nada posso fazer. A Bíblia tinha razão!
Para mim, a Mensagem de Deus está no cânon, mas o cânon foi feito sagrado. Não que ele, por si só, o seja. A Mensagem do Evangelho está ali e é capaz de me causar paz e desespero, ao mesmo tempo. Paz, porque tranqüiliza a minha alma fazendo-me perceber que se eu me esconder no abrigo do Altíssimo, poderei descansar tranqüilamente.
Ora, e o desespero? O Evangelho me desespera, também. Porque, apesar da clareza da Graça impressa nas páginas do cânon, percebo que minha sujeira existencial consegue se esconder de tudo e de todos, mas não do olhar dAquele que é. Você sabe quem eu sou? Por onde passei nessa semana? Se eu fui aos lugares mais santos ou aos mais promíscuos? Não sabe e nem saberá. Mas Ele, antes que eu pensasse em ir a algum desses lugares, já sabia que pra lá eu iria.
Que Deus é este que sabe que vamos em direção à perdição e não nos livra? Mas que também sabe que vamos aos lugares supostamente sagrados e nos envergonha com sua Santidade diante de nossa imundície? A minha vida é dEle. Só pode ser dEle. Se fosse minha, nem em lugar sagrado eu pisaria. Freqüentaria apenas os lugares que proporcionariam satisfação e prazer ao meu corpo. Só que a minha vida é dEle. Por causa disso, não vou aos lugares, mas a estes sou levado. Levado aos lugares supostamente santos para ser constrangido. Levado aos lugares impuros para ser identificado com minha própria condição.
Meu amigo Carlos Bregantim disse certa vez: “não há mais lugar!” Exatamente! O cristianismo autêntico – não o da história que só nos desvia e nos distancia de Deus – mas o do Evangelho, não tem forma, não tem lugar, não tem dia sagrado, não cabe num pacote, não cabe num livro de Teologia Sistemática, não pode ser transformado ou resolvido em/ou através de Códigos, Confissões de fé, Catecismos, de nada disso. Nós até gostamos dessas coisas e com elas aprendemos o máximo que conseguem nos ensinar.
Mas elas não passam de fôrmas, apesar dos bolos deliciosos que muitas vezes assam! Mas dessas fôrmas também saem bolos ruins. Bons ou ruins, o fato é que dessas fôrmas saem apenas bolos, não o Evangelho. O Evangelho não cabe numa fôrma nem é uma receitinha de bolo. É o Cristo!
Santo Tomás de Aquino, autor da Suma Teológica, que é sem dúvida a mãe de todos os pacotes doutrinários e teologias sistemáticas, com toda erudição, superioridade e incomparabilidade se colocado ao lado de todos os teólogos de toda a História – inclusive Santo Agostinho – concluiu que: “tudo o que havia escrito sobre Cristo lhe parecia palha!”
Portanto, não há mais lugar. Na verdade, nunca houve. E quando houve, a arrogância e a confiança na justiça própria tomaram conta do lugar que deveria pertencer à Graça. Que lugar é esse? O coração humano. Nele cabe arrogância, nele cabem sentimentos de justiça própria, nele cabe a ingenuidade de que pelas obras somos salvos, nele cabe a inocência de que os rituais conseguem simbolizar a reverência diante dAquele que não pode ser reverenciado de outra maneira senão através de um silêncio constrangido do ser.
Não há tempo nem espaço que Ele possa ocupar ou habitar. Não existe Casa de Deus, mas casa de Deus, isto é, nossas almas perversas. Deus não habita templos feitos por mãos humanas, onde a santidade apenas parece existir. Isso não seria Graça.
Mas Deus habita em corpos perversos, pecadores, imundos, desejosos do pecado e da perdição. Isso é Graça! Deus habitar em lugares sujos, sendo Ele quem é! Os templos, os rituais, as liturgias, as representações humanas do Sagrado, não passam de representações. Eu diria ironicamente que essas coisas são santas demais para Deus habitar. Ele, ao contrário, por Ser Santo, só habita no que não é santo. Assim, sua Graça transformada em Sangue, purifica as impurezas das paredes e móveis dessa habitação. Os lugares santos não precisam de Deus lhes habitando!
É por isso que o dr. Milton Schwantes, incontestavelmente o principal teólogo brasileiro vivo, diz: “A Bíblia, graças a Deus, está cheia de homens safados”. Quem não concorda com esta afirmação, não entendeu o Evangelho. E ele complementa: “Graças a Deus, pois assim percebemos que os homens da Bíblia são exatamente como você e eu!”
E foi entre esses safados que Deus resolveu habitar, na Encarnação. E só teve problemas quando se viu diante dos “santos”, dos “religiosos”, “dos preocupados com rituais e liturgias”, “dos guardiões e protetores da sã doutrina”. Deus é o santo que resolveu habitar na impureza para fazer da impureza, santidade e, para mostrar, que aquilo que se chama “santidade” é o que de fato é impuro e ofensivo ao Seu Nome.
na Graça,
Jefferson
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Quarenta livros que fizeram a cabeça dos evangélicos brasileiros nos últimos quarenta anos

Ricardo Quadros Gouvêa

Toda lista é pessoal, e esta não é uma exceção, mas busquei seguir aqui critérios objetivos: livros que foram campeões de vendagem, citados e debatidos, que influenciaram e continuam influenciando os evangélicos brasileiros, livros muito lidos com alto índice de rejeição, e também os que hoje estão operando uma mudança paradigmática na cultura evangélica contemporânea. Escolhi no máximo um livro por autor e procurei incluir alguma diversidade cultural e de gênero literário, bem como denominacional e teológica, sem que isso nos tirasse do projeto original: listar os quarenta livros que, nos últimos quarenta anos, fizeram a cabeça do povo evangélico brasileiro. Ordenei a lista por ordem de importância: dos livros mais influentes aos menos influentes dentre os quarenta selecionados, independentemente da data. Divirta-se concordando ou discordando, corrigindo meus equívocos e fazendo sua própria lista.

1. “Mananciais no Deserto” -- Lettie Cowman [Betânia]Não há outro livro mais amado pelos evangélicos brasileiros. Este campeão de vendagem é um livro de leituras devocionais diárias que conquistou nosso país. O livro é, de fato, bom, mas desconfio que a tradução deu uma mãozinha.

2. “Uma Igreja com Propósitos” -- Rick Warren [Vida]O maior “best-seller” evangélico de todos os tempos é uma catástrofe literária. É ainda difícil calcular o dano que esta obra equivocada causou e ainda irá causar, com sua filosofia de ministério inteiramente vendida ao “Zeitgeist”, propondo a homogeneização das igrejas e um pragmatismo de dar medo.

3. “A Quarta Dimensão” -- David Paul Yonggi Cho [Vida]Este livro fez mais pelo movimento pentecostal no Brasil do que qualquer televangelista. O testemunho bem escrito do pastor coreano que vive cercado de milagres causou “frisson” até mesmo nos grupos mais conservadores. Seu modo de ver a vida com Deus e o ministério marcaram as últimas décadas.

4. “A Agonia do Grande Planeta Terra” -- Hall Lindsay [Mundo Cristão]Calcado no pré-milenismo dispensacionalista de Scofield, este “best-seller” apocalíptico empolgou os profetas do fim do mundo no Brasil, com sua interpretação literalista imprudente e seu patriotismo norte-americano acrítico. Lindsay foi o arauto de três décadas das mais absurdas especulações escatológicas em nossas igrejas.

5. “O Ato Conjugal” -- Tim e Beverly La Haye [Betânia]Sexo é um assunto importante, e o povo ansiava por uma orientação em face da revolução sexual dos anos 60. Daí o sucesso de um livro bem escrito como este, didático e conservador, ao gosto da moral evangélica, mas sem ser inteiramente obtuso. Mesmo assim, muitos o chamaram de pornográfico. Nada mais injusto.

6. “Este Mundo Tenebroso” -- Frank Peretti [Vida]A ficção convence mais rápido. Revoluções acontecem inspiradas por romances, e não por tratados filosóficos. Peretti, com seu horror cristão, nos ensinou o significado da batalha espiritual nos anos 80, reencantou o submundo evangélico, inspirou pregadores e, o que não é nada ruim, motivou muitos adolescentes a ler obras de ficção bem melhores.

7. “A Morte da Razão” -- Francis Schaeffer [ABU]A intelectualidade evangélica adotou este livro como alicerce nos anos 70, para enfrentar o existencialismo, o movimento “hippie”, o marxismo e a contracultura em geral. O livro convencia que o cristianismo não era incompatível com o estudo e a reflexão. É um pena que Schaeffer estivesse tão equivocado em suas idéias centrais.

8. “Celebração da Disciplina” -- Richard J. Foster [Vida]Este clássico da espiritualidade cristã, escrito por um quacre, fez um tremendo sucesso no Brasil a partir dos anos 80. É excelente, mas será que todos que o compraram de fato o leram? Gostaria de perceber uma maior influência das idéias de Foster em nosso povo, mais oração, silêncio, calma, estudo, empenho, enfim, disciplina espiritual.

9. “De Dentro para Fora” -- Larry Crabb [Betânia]Os livros devocionais evangélicos de viés psicológico ou de auto-ajuda são os títulos que mais vendem. Dentre eles, alguns se destacam não só por serem campeões de vendagem, mas porque são os melhores do gênero. Crabb é o melhor autor do gênero e este é seu melhor livro, que impactou o nosso povo nos anos 90.

10. “Louvor que Liberta” -- Merlin R. Carothers [Betânia]Este pequeno e poderoso manifesto em forma de testemunho revolucionou, nos anos 70, o louvor e a adoração no Brasil. O bom capelão ensinou a todos nós a espiritualidade da adoração, o poder do louvor, impulsionando as guerras litúrgicas que marcariam a vida de nossas comunidades a partir de então.

11. “Vivendo sem Máscaras” -- Charles Swindoll [Betânia]Outro “best-seller” devocional dos anos 90, de viés psicológico e de auto-ajuda, com o vigor característico das obras de Swindoll, escritas a partir de suas pregações. Muitos se sentiram não apenas edificados, mas tocados e transformados.

12. “A Cruz e o Punhal” -- David Wilkerson [Betânia]Outro opúsculo dos anos 70 que, na forma de um testemunho pessoal, inspirou os jovens evangélicos a uma fé mais comprometida. Curiosamente, não levou as igrejas a um investimento em missões urbanas, idéia que permeia todo o livro. Talvez o Brasil evangélico dos anos 70 não estivesse pronto para missões urbanas.

13. “Crer é Também Pensar” -- John Stott [ABU]Stott é um ícone no Brasil, um nome respeitado pela sua erudição e sua notável produção literária, apesar de estar invariavelmente sob suspeita de heresia pelos mais neuróticos. O fato é que a qualidade de seus livros varia. Seu excelente “Ouça o Espírito, Ouça o Mundo” merece mais atenção. Já o opúsculo selecionado, tão conhecido desde os anos 70, não tem muito a dizer além do título.

14. “O Senhor do Impossível” -- Lloyd John Ogilvie [Vida]Outro devocional que emplacou no Brasil nos anos 80, não sem méritos. É o maior sucesso do autor, ainda que inferior a “Quando Deus Pensou em Você”, que o antecedeu. O livro estimula a fé e nos faz mais esperançosos, apesar da teologia rasa.

15. “A Família do Cristão” -- Larry Christenson [Betânia]Antes de Dobson e tantos outros, Christenson já era “best-seller” nos anos 70. Pioneiro entre os que se pretendem auxiliares da vida familiar cristã, ele foi estudado nos lares por grupos e células, em escolas dominicais etc. Sua eficácia é comprovada.

16. “O Jesus que Eu Nunca Conheci” -- Philip Yancey [Vida]Os anos 90 assistiram ao aparecimento de um dos mais argutos e estimulantes autores evangélicos de todos os tempos: o audaz Yancey, que começou a apontar para o paradigma emergente em livros como “Alma Sobrevivente”, “Descobrindo Deus nos Lugares mais Inesperados”, “Maravilhosa Graça”, “Rumores de Outro Mundo”, “Decepcionado com Deus” e tantos outros livros excelentes. E o mais conhecido e lido parece ser mesmo “O Jesus que Eu Nunca Conheci”.

17. “O Discípulo” -- Juan Carlos Ortiz [Betânia]Poucos livros foram tão impactantes nos anos 70 quanto esta obra que, excepcionalmente, não vinha do mundo anglo-saxão, mas da Argentina. Por isso mesmo, Ortiz tinha uma outra linguagem, um discurso que convencia os jovens brasileiros da seriedade e do valor de se tornar mais do que um mero freqüentador de igrejas, um genuíno discípulo de Cristo.

18. “Bom Dia, Espírito Santo” -- Benny Hinn [Bompastor]O neopentecostalismo brasileiro é, em grande parte, de inspiração norte-americana. Talvez o nome mais importante nesse processo seja o do “showman” evangélico Benny Hinn, que desde os anos 90 assombra os norte-americanos pela televisão com seus feitos espetaculares. Mesmo quem não o leu conhece sua influência no Brasil.

19. “O Refúgio Secreto” -- Corrie Ten Boom [Betânia]O testemunho desta nobre senhora holandesa encantou também o Brasil, onde seu livro foi um grande sucesso nos anos 70. Suas aventuras durante a Segunda Guerra Mundial, sob o pano de fundo de sua educação em um lar cristão, são comoventes e inspiradoras.

20. “A Autoridade do Crente” -- Kenneth Hagin [Infinita]Hagin foi um divisor de águas no mundo evangélico, pois desde sua influência os crentes “tomam posse”, “determinam”, “amarram” e “exigem”. Uma nova forma de falar se fez presente, o que gerou muitas novas piadas também.

21. “Entendes o que Lês?” -- Fee e Stuart [Vida Nova]Que bom que um livro sério como este foi tão lido e estudado no Brasil. Trata-se de um compêndio de hermenêutica bíblica sem complicações, em linguagem acessível, adotado por quase todos os seminários e estudado até mesmo nas EBD’s e pequenos grupos. Este livro fez muito pela educação bíblica dos evangélicos brasileiros.

22. “Culpa e Graça” -- Paul Tournier [ABU]Não há, com raras exceções, psicólogo cristão que não considere este livro um fundamento e um marco do pensamento cristão. Mas ele não se limita a isso, tendo tido considerável influência na teologia evangélica brasileira nos anos 90, preparando nosso povo para o paradigma emergente do século 21.

23. “Novos Líderes para Uma Nova Realidade” -- Caio Fábio D’Araújo Filho [Vinde]Este opúsculo foi, se não o mais lido, certamente o mais importante dos numerosos livrinhos do pastor Caio Fábio, fenômeno de popularidade no Brasil nos anos 80 e 90, pastor midiático, influente, contundente, imitado, adorado e odiado. Caio nos ensinou a ver as coisas de outro jeito, e seu legado não vai desaparecer.

24. “Vida Cristã Normal” (ou “Equilibrada”, na reedição) -- Watchman Nee [Editora dos Clássicos]O controverso evangelista e autor chinês Nee teve muita influência nos anos 70 e 80, com sua visão mística do que significa ser um cristão evangélico conservador. Este livro foi seu maior sucesso, um comentário de Romanos, ainda que seu livro mais objetivo e claro seja “A Liberação do Espírito”.

25. “É Proibido” -- Ricardo Gondim [Mundo Cristão]Gondim é um dos melhores e mais polêmicos autores evangélicos contemporâneos. Seus livros, como Eu Creio, Mas Tenho Dúvidas, O que os Evangélicos (Não) Falam, Orgulho de Ser Evangélico, são sempre interessantes. Nenhum, porém, foi tão influente e marcante como “É Proibido”, um verdadeiro libelo anti-legalista.

26. “Conselheiro Capaz” -- Jay Adams [Fiel]Adams era uma pessoa muito simpática. Sua escola de aconselhamento cristão é muito antipática. Diferentemente de Crabb, por exemplo, problemas emocionais têm origem fisiológica ou pecaminosa. Por isso, é preciso confrontar as pessoas e insistir na mudança do seu comportamento. Foi um sucesso nos anos 80. Haja behaviorismo!

27. “Quebrando Paradigmas” -- Ed René Kivitz [Abba Press]Este livro foi decisivo para que os evangélicos brasileiros começassem a enxergar a outra margem do rio, a margem pós-evangélica do paradigma emergente. Kivitz é um autor surpreendente e notável, de mente dinâmica e arejada, que propõe importantes rupturas e renovações, como em seu outro livro “Outra Espiritualidade”.

28. “O Amor Tem Que Ser Firme” -- James Dobson [Mundo Cristão]O conhecido “Dr. Dobson” é pensador e autor de grandes qualidades e grandes defeitos. Seus livros, como “Educando Crianças Geniosas”, ajudam famílias e promovem uma espécie de teologia aplicada que merece atenção. Há, porém, muito que não se deveria levar a sério, já que vai contra o que há de mais consagrado na psicologia moderna.

29. “Supercrentes” -- Paulo Romeiro [Mundo Cristão]O autor de “A Crise Evangélica” tem talento e tem algo a dizer. Seus textos, especialmente o famosos “Supercrentes”, têm apontado para os exageros e enganos de muitas posturas comuns no meio evangélico contemporâneo.

30. “Cristianismo e Política” -- Robinson Cavalcanti [Ultimato]Trata-se de um clássico. Este livro está nas origens de toda reflexão política evangélica. Robinson é importante por outras questões, como seus livros sobre sexualidade (“Uma Bênção Chamada Sexo”, “Sexualidade e Libertação”), mas sua contribuição permanente é o estímulo que deu à reflexão política evangélica.

31. “O Evangelho Maltrapilho” -- Brennan Manning [Mundo Cristão]Não há outro autor mais importante no meio evangélico nos últimos dez anos do que Brennan Manning. Seus livros devocionais, como “O Impostor que Vive em Mim”, “A Assinatura de Jesus”, “O Obstinado Amor de Deus”, estão transformando radicalmente a maneira como os evangélicos entendem a vida cristã. Eu fico muito grato.

32. “O Pastor Desnecessário” -- Eugene Peterson [Mundo Cristão]Peterson é muito estimado no meio evangélico brasileiro e um dos autores mais bem avaliados dos últimos tempos. Responsável por projetos como “The Message” (excelente paráfrase bíblica), tem nos galardoado com obras como “Corra com os Cavalos”, “A Oração que Deus Ouve”, “A Vocação Espiritual do Pastor”, “Transpondo Muralhas”, entre outros. Selecionei o que talvez seja o mais importante.

33. “Poder Através da Oração” -- E. M. Bounds [Batista Regular]Nos anos 70, quando não havia ainda bons livros sobre oração, como o de Richard Foster ou o de Eugene Peterson, os livros de Bounds sobre oração circulavam de mão em mão, trazendo avivamento às igrejas. Hoje Bounds está quase esquecido. Quase.

34. “Cristo é o Senhor” -- Dionísio Pape [ABU]No fim dos anos 60 e começo dos anos 70, o nome de Pape se destacava pela espiritualidade, profundidade e sucesso ministerial. Seu opúsculo “Cristo é o Senhor” levou muitos à consagração e ao ministério.

35. “O Caminho do Coração” -- Ricardo Barbosa [Encontro]Barbosa (junto com Osmar Ludovico, James Houston e outros) é responsável pelo retorno ao interesse pela mística cristã em nosso país. Seus livros nos ensinam uma outra atitude não somente em relação à vida, mas também em relação à teologia. Uma atitude contemplativa.

36. “O Novo Testamento Interpretado” -- R. N. Champlin [Hagnos]Não privilegiei obras teológicas e comentários bíblicos nesta lista porque tais livros, em geral, não vendem bem e sua influência é pequena. Uma exceção precisava ser feita em relação ao favorito das bibliotecas. O empenho exaustivo de Champlin precisava ser lembrado, pois ainda vende bem e é o comentário primordial dos evangélicos.

37. “Icabode” -- Rubem Martins Amorese [Ultimato]Este livro pode não ter sido tão lido quanto é citado, mas definiu um novo tipo de reflexão cristã no Brasil, que propõe diálogo com a cultura em outro nível que não o da evangelização, e sim o da discussão de valores e princípios que podem levar nossa sociedade para um patamar melhor ou pior. É uma boa influência.

38. “A Bíblia e o Futuro” -- Anthony Hoekema [Cultura Cristã]Este estudo do Apocalipse cresceu em importância no Brasil em uma época em que quase não havia obra que fizesse uma defesa do amilenismo, apesar dos pouco conhecidos esforços de Harald Schally. O livro provocou conversões em massa a partir dos anos 80, e a escatologia nunca mais foi a mesma no Brasil.

39. “Cristianismo Puro e Simples” -- C. S. Lewis [Martins Fontes]Também conhecido como “Mero Cristianismo”, a busca de Lewis pelo denominador comum da fé cristã impacta brasileiros desde os anos 70. Seleciono o livro simbolicamente, já que Lewis não poderia ficar de fora, seja por causa de “Os Quatro Amores”, “Milagres”, “Cartas do Inferno” ou “As Crônicas de Nárnia”.

40. “A Mensagem Secreta de Jesus” -- Brian D. McLaren [Thomas Nelson]Em 2007 o leitor evangélico brasileiro foi surpreendido por este livro do mesmo autor de “Uma Ortodoxia Generosa”. Fiquei admirado ao ver como todos passaram a conhecer e a comentar a obra de McLaren, que representa melhor do que ninguém o paradigma teológico evangélico emergente. Não dá pra não ler.

• Ricardo Quadros Gouvêa é ministro presbiteriano e professor de teologia e de filosofia.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

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Perdas e ganhos


Perdi a fé. Sem qualquer constrangimento, sem medo, saio do armário e confesso publicamente: Perdi a minha fé. Estou consciente que hei de constar no fichário condenatório do Santo Ofício. Corro o risco de ser torturado no garrote gospel.
Receberei inúmeras advertências. Minha caixa postal vai se entupir com mensagens de gente decepcionada. Serei aconselhado a não destruir o meu “futuro promissor”; vão lembrar-me do fogo do inferno, reservado para quem retrocede. Mas não há muito o que fazer, não planejei perder a fé.
Caminhei pelos porões escuros da humanidade. Conversei com pessoas carbonizadas no fogo do sofrimento. Vi crianças subnutridas, sem força sequer de sugar o peito mirrado da mãe. Li uma tonelada de tratados teológicos que tentavam explicar o sofrimento universal. Ouvi um sem-número de sermões sobre a condição humana. Temi os castigos eternos e aprendi sobre os meios que conduzem ao perdão divino. Entretanto, pouco a pouco, vi-me desgostoso com explanações, que julgava simplórias - a princípio, apenas antipatias. Depois, passei a rejeitar o que as pessoas chamavam de fé. Por fim, conscientizei-me que simplesmente não era mais condômino do edifício onde residiam muitos religiosos.

Perdi a fé em um Deus que precisa de pilha para mover o braço. Deixei de acreditar que a “Duracell” que faz Deus “funcionar” seja a fé. No passado, eu procurei mostrar à Deus toda a minha sinceridade. Eu acreditei, piamente, que, caso conseguisse acabar com a dúvida ou hesitação, seria testemunha ocular de grandes prodígios. Jejuei para mortificar a mente; eu precisava calar as minhas inquietações. Certa vez, ao lado do leito de morte de um amigo, chorei desesperadamente; não pelo amigo que agonizava, mas por mim. Eu sabia que, por mais que tentasse, nunca conseguiria demonstrar uma fé inabalável. Meu amigo morreu e eu carreguei por muito tempo, a culpa dele não ter sido curado.

Perdi a fé em um Deus que recusa atender qualquer petição enquanto não houver santidade total. Diziam-me que Deus só ouve os “vasos” puros. Um pensamentos furtivo era suficiente para eu me sentir um lixo humano. Imaginava os difíceis graus de devoção e pureza necessários para eu poder “reivindicar” uma bênção. Vi que jamais teria acesso à bondade divina porque as minhas penitências nunca foram suficientes. Como nunca fui devidamente alvo, minha imperfeição me condenava; um pastor sem milagres, portanto, desqualificado.

Perdi a fé em um Deus que só opera nas micro-realidades. Eu acreditava que Deus intervém pontualmente, isto é, focado e restrito às complicações e necessidades de pessoas. Mas eu não me sentia inquieto. Sequer perguntava: por que essa mesma fé intervencionista não serve para resolver, por milagre, as desgraças que assolam nações e continentes? Ora, se Deus abre uma porta de emprego para um indivíduo, porque não reverte com uma simples ordem, a crise econômica que desemprega milhões?

Perdi a fé em um Deus discriminatório. Já não consigo acreditar em um Deus que pinça alguns para premiar com milagre, mas deixa muitos outros a ver navios. Não faz sentido aplicar a lógica dos bingos e das loterias nos espaços religiosos - para cada sortudo sobram milhões de azarados. Se há razões misteriosas para Deus agir assim, e ninguém pode questionar; se ele trabalha no escuro e a vida é um tapete trançado que só faz sentido do lado da eternidade, então só resta à humanidade seguir os trilhos do destino. Fé não passa de uma mera submissão à bitola do que já foi providencialmente traçado por Deus.
Perdi a fé, mas não sou incrédulo.

Ganhei uma nova fé que celebra a imanência de Deus. Agora percebo que Deus não está longe, mas vive em nós e entre nós. Seu nome é Emanuel, o Deus conosco. Ele está mais próximo que nosso hálito, mais entranhado que nossa medula e mais íntimo que nossos pensamentos. E fez o seu tabernáculo no coração dos homens e das mulheres.

Ganhei uma fé que bendiz a compreensibilidade de Deus. Ele não mede nossa inadequação com critérios tão rigorosos que precisaríamos nos transformar em anjos. Como pai, Deus não leva em conta as nossas transgressões, pois se lembra que somos pó. Deus não rejeita, mas perdoa. Sua pedagogia é libertadora.

Ganhei uma fé que não espera por intervenções de Deus. Minha fé virou uma aposta: Creio que os valores do Reino são suficientes para que eu atravesse a vida sem perder a alma. Minha fé possui uma convicção: Jesus é o modelo digno de ser imitado. Estou certo que seguindo as suas pegadas serei justo, solidário e realizado.

Ganhei uma fé que não tem a expectativa de favoritismo. Busco a mesma atitude de Moisés que, diante da possibilidade do povo não entrar na terra prometida, disse: “Se eles não entrarem, risca o também o meu nome do livro da vida”. Antes de ser brindado por qualquer dádiva, espero que as crianças famintas do Congo, Darfur e sertão cearense, tenham água, comida, roupa, educação e muitos brinquedos.

Estou feliz pela fé que perdi, mas esfuziante com a nova fé que ganhei.

Soli Deo Gloria.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

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A doutrina dos ciclos.


Um dia, no futuro mais longínquo, daqui a bilhões de trilhões de épocas, eu voltarei a escrever esta sentença na frente deste computador; e com a mesma fatiga.
Não, não me refiro à re-encarnação ou ressurreição, mas à "doutrina do eterno retorno”. A doutrina que diz que tudo se re-encaixará em uma mesma engrenagem. E eu voltarei a ser eu, com o mesmo código genético, o mesmo nome. Vestirei, inclusive, a mesma camisa de malha; e vou reclamar do calor.
Mas isso vai acontecer lá na frente. Centilhões de eras depois que o sol apagar, a Via Láctea implodir e todo o universo se resumir a uma bola de bilhar. Acontecerá uma explosão seguida de um enorme “bang”; e vai começar tudo de novo.

Essa teoria maluca foi atribuída a Nietzsche, mas explicada, e, ao mesmo tempo, criticada por Jorge Luis Borges: “O número de todos os átomos que compõem o mundo é, embora desmedido, finito, e só capaz, como tal de um número finito (embora também desmedido) de permutações. Num tempo infinito, o número de permutações possíveis deve ser alcançado, e o universo tende se repetir. Novamente nascerás de um ventre, novamente crescerás teu esqueleto, novamente chegará a esta página às tuas mãos iguais, novamente percorrerás todas as horas até a de tua morte inacreditável”.

Simplificando: Quando alguém joga um dado muitas vezes, o número seis acaba se repetindo. Dessa forma, em algum ponto do infinito os átomos se combinarão, repetindo a realidade atual. As peças do gigantesco quebra-cabeça universal cairão no mesmo lugar e tudo voltará a ser igual ao que já foi. É meio maluco, mas teoricamente possível. Tão plausível que o Eclesiastes afirmou:
“O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada de novo debaixo do sol. Haverá algo de que se possa dizer: ‘Veja! Isto é novo!’? Não! Já existiu há muito tempo, bem antes de nossa época” (1,9-10).
Portanto, o Eclesiastes intui que somos uma reconfiguração de uma realidade universal capaz de já ter acontecido; outros mundos iguais a este já teriam existido.
Que doidice! Com tal lógica, seria possível, inclusive, conjeturar que o cosmo já se arranjou com outras configurações. Os cromossomos de Hitler, em outro arranjo, não teriam sido perversos. Nero não teria incendiado Roma, mas se convertido ao cristianismo. Lutero poderia ter sido Papa. Nova Iorque, um dia, não teria passado de um campo de refugiados. Pinochet seria digno do Prêmio Nobel da Paz. Tom Jobim, sem ir ao happy-hour com Vinicius de Moraes, não teria composto a Garota de Ipanema.

Quem sabe os déjà vu não seriam resíduos dessa memória? E as “almas gêmeas”? Saudades de amores já vividos? Ora, se toda a probabilidade acaba se concretizando, o Eclesiastes insistiu: “Aquilo que é, já foi, e o que será, já foi anteriormente” (3.15).

Considero isso tudo um desvario. Talvez elucubrações de quem não tem o que fazer. Contudo, mesmo reconheçendo a plausibilidade teórica de que eu reviva uma mesma versão de mim ou que voltei a ser eu de novo, não posso adiar o imperativo de dar signficado ao dia-a-dia . Não posso perder a chance de melhorar e desfrutar intensamente cada instante. Procurar viver o máximo, nos exíguos anos dessa oportunidade inédita, é a sabedoria do Eclesiastes:
“Portanto, vá, coma com prazer a sua comida e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se alegrou do que você faz.... Desfrute a vida com a mulher a quem você ama, todos os dias desta vida sem sentido que Deus dá a você debaixo do sol; todos os seus sem sentido! Pois essa é a sua recompensa na vida pelo árduo trabalho debaixo do sol” (9.7-9).
A próxima oportunidade só se repetirá na curva do infinito, onde as paralelas se encontram. É tempo demais para esperar.

Soli Deo Gloria.